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André Singer: O risco de uma guerra “longa e dolorosa”
Política

André Singer: O risco de uma guerra “longa e dolorosa”


18/01/2014 - 12h16

Querem mais…

A hora da política

18/01/2014 03h00

por André Singer, sugerido pelo Antônio David

O prefeito Fernando Haddad indicou o caminho certo. Diante do crescimento do conflito causado pelos “rolezinhos”, estimulou as partes a conversar. Como ficou claro em junho passado, atitudes extremadas só levarão ao desgaste da autoridade pública, com aumento da tensão social já visível nas grandes metrópoles.

O problema é que não há solução fácil no horizonte. Não basta disposição para o diálogo quando interesses materiais e simbólicos começam a se opor de maneira radical. Os jovens que estão deixando os centros de compra em pânico podem não saber, mas explicitam um confronto crescente entre ricos e pobres no Brasil.

Soa contraintuitivo que tal enfrentamento se intensifique justo quando os de baixo estão melhorando de vida e a desigualdade cai. Ocorre que, tendo saído da condição em que mal era possível enxergar a perspectiva do dia seguinte, as camadas pobres adquiriram uma energia extra.

Movimentos de ascensão sempre impulsionam novas expectativas. Os metalúrgicos, que lideraram as grandes greves de 1978 a 1988, tinham sido beneficiados pelo forte crescimento dos anos do “milagre econômico”. Acresce que, desta feita, a melhora nas condições de consumo deu aos jovens brasileiros acesso a aparelhos informatizados. Assim, passaram a fazer parte da variada onda mundial de manifestações facilitadas pela existência de redes instantâneas.

Do outro lado, segmentos de classe média têm reagido com verdadeiro ódio às tímidas mudanças do último decênio. Uma atitude segregacionista, que estava encoberta pela relativa passividade dos dominados, veio à tona quando os estratos antes excluídos começaram a ocupar aeroportos, frequentar clínicas dentárias e a encher as ruas de carros.

Visto em retrospecto, é óbvio que chegariam aos shoppings. Note-se que, por razões quase territoriais, o primeiro embate se dá entre zonas sociais contíguas. Não por acaso, os locais até aqui escolhidos para os “rolezinhos” estão longe do centro. Essa vizinhança produz reações às vezes violentas por parte dos frequentadores, uma vez que envolve também um desejo de diferenciação. Mas não se subestime a intensidade do contragolpe caso a confusão se espalhe para as chamadas áreas nobres.

Dada a situação de disputa que está posta, a única solução positiva, isto é, em que todos ganhem, passa pelo aumento da riqueza geral, com maior distribuição de renda e forte investimento público onde é mais justo. Porém, como no plano da economia a pressão vai no sentido de diminuir o ritmo e apertar o gasto governamental, caberá à política resolver a quadratura do círculo.

Se não o fizer, haverá uma longa e dolorosa guerra distributiva no país.

André Singer é cientista político e professor da USP, onde se formou em ciências sociais e jornalismo. Foi porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula.

PS do Viomundo: A guerra já está em andamento. Faz tempo. É a guerra da elite contra o povo, que não cede nunca. O Globo, por exemplo, agora quer conter o salário mínimo “inflacionário”.

Leia também:

Antônio David: As chagas ainda abertas da escravidão

Benayon: Dependente químico, Brasil corre atrás de capital estrangeiro

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61 comentários

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wendel

23 de janeiro de 2014 às 11h36

O professor André, como sempre na mosca, quando diz – “Mas não se subestime a intensidade do contragolpe caso a confusão se espalhe para as chamadas áreas nobres.”
Acredito que seja até um alerta, pois os “nobres” jamais permitirão que seu habitat seja invadido/infestado pela plebe ignara!
Como cientista social o professor André deve saber muito bem que, estes acontecimentos, chamados “rolezinhos”, veem mostrar o quanto de apartheid existe em nossa sociedade, e por mais que tentemos negar, ele sempre aparece!
Para reforçar o que disse, pincei – ” Do outro lado, segmentos de classe média têm reagido com verdadeiro ódio às tímidas mudanças do último decênio. Uma atitude segregacionista, que estava encoberta pela relativa passividade dos dominados, veio à tona quando os estratos antes excluídos começaram a ocupar aeroportos, frequentar clínicas dentárias e a encher as ruas de carros.”
Finalizando diria que estamos entrando em uma fase onde não há mais como voltar, pois os despossuídos, de posse deste novo status, não irão retroceder! E será como o titulo da matéria: O risco de uma guerra longa e dolorosa!!!!!

Responder

abolicionista

20 de janeiro de 2014 às 14h48

Só não é luta de classes porque a longa e lucrativa convivência do Brasil com a escravidão impediu que a classe trabalhadora forjasse uma consciência de sua própria posição. Agora, é evidente que essa disputa tem um recorte de classe, ainda que os termos da contenda, de ambos os lados, sejam completamente falsos. Aliás, nada mais comum do que a reprodução da ideologia do explorador por parte do explorado. Tá cheio de passa-fome metido a Charles Bronson por aí.

Responder

Mardones

20 de janeiro de 2014 às 09h31

“Dada a situação de disputa que está posta, a única solução positiva, isto é, em que todos ganhem, passa pelo aumento da riqueza geral, com maior distribuição de renda e forte investimento público onde é mais justo.”

Quanta subserviência!

Quer dizer que a ‘única solução’ é o crescimento da riqueza geral? Faça-me o favor. Imagina fazer crescer ainda mais a riqueza dos bilionários Marinhos, Safras, Lehmans, Andrade Gutierres, Sarneys e cia ‘ilimitada’.

A única solução é distribuir a riqueza acumulada por esses camaradas e seus pares.

Responder

    Dinho

    20 de janeiro de 2014 às 13h39

    Concordo com o Mardones. Esta história de aumentar o bolo para depois distribui-lo nós cansamos de ouvir durante a ditadura militar. O bolo aumentou mas foi abocanhado pelos de sempre.

    wendel

    23 de janeiro de 2014 às 11h41

    Mardones, por favor, caia na real!

    Não houve, não há e nunca haverá almoço de graça!!!!!

J Souza

19 de janeiro de 2014 às 23h10

Uma coisa é os jovens, pobres ou ricos, entrarem em shoppings.
Outra coisa é a maneira como fazem isso.
Que há segregação social, não há dúvida, mas quem frequenta os espaços privados dos shoppings também busca algo que o poder público não lhes garantiu: a segurança.
E manifestações podem sair do controle em poucos minutos, e a segurança pela qual pagam os frequentadores dos shoppings pode desaparecer nesse tempo.
De qualquer modo, fará bem à poupança dos brasileiros ficar em casa…

Responder

    J Souza

    19 de janeiro de 2014 às 23h18

    Duvido que o 1% mais rico frequente shopping… Só se for em Londres, ou em Paris, ou em Nova Iorque… Mas, mesmo assim, duvido!
    Quem “paga o pato”, como sempre, é a classe média!

    J Souza

    19 de janeiro de 2014 às 23h20

    Os únicos ricos que estão preocupados com os “rolezinhos” são os acionistas das empresas de shoppings centers… Os demais estão dando gargalhadas sobre isso…

Fabio Passos

19 de janeiro de 2014 às 20h21

Os pobres querem o que lhes pertence!

Os pobres querem aproveitar a riqueza que produziram!

Riqueza produzida pelos trabalhadores e surrupiada por esta “elite” branca, rica… e canalha.

Responder

FrancoAtirador

19 de janeiro de 2014 às 20h03

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Entrevista: Valquíria Padilha

Rolezinhos: os pobres estão afrontando sua invisibilidade

Em 2006, a socióloga Valquíria Padilha lançou um livro premonitório sobre os rolezinhos, ‘Shopping Center: a catedral das mercadorias’ (Boitempo, 2006).

Por Saul Leblon, na Carta Maior

São Paulo – A socióloga Valquíria Padilha não se surpreendeu com o fenômeno dos rolezinhos.
Professora de Sociologia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, na USP de Ribeirão Preto, ela lançou em 2006 um livro premonitório, “Shopping Center: a catedral das mercadorias” (Boitempo, 2006).
Nele sublinha o papel segregacionista desses ‘bunkers’ do consumo que, em sua opinião jamais serão democratizados.
Autora também de outras obras que remetem diretamente à busca de identidade implícita na adesão da juventude pobre aos rolezinhos (são dela:
“Tempo livre e capitalismo: um par imperfeito” (Alinea);
“Dialética do lazer” (organizadora; Cortez),
Valquíria desabafa: a identificação de cidadania com consumo ‘é o fracasso da humanidade’.

A seguir, trechos de sua entrevista a Carta Maior:

Carta Maior: Shopping center -consumismo -desigualdade e exclusão urbana interligam-se há muito tempo nas grandes cidades brasileiras. Por que só agora a coisa explodiu na forma de rolezinhos?

Valquíria: Eu venho afirmando que os shopping centers são espaços privados travestidos de públicos desde que publiquei o meu livro “Shopping Center: a catedral das mercadorias” (Boitempo), em 2006. São espaços de compras que segregam, impedindo a entrada de quem não tem poder aquisitivo ou de quem não se adéqua ao ambiente dos shoppings – seja pelo modo de se vestir ou pelo modo de agir. Recebi muitas críticas por afirmar isso. Agora estamos vendo as provas: pobres não devem compartilhar os shoppings centers com os ricos.

CM: O marketing da segurança dos shoppings traz a segregação no DNA?

Valquíria: Eles funcionam como os clubes privados, as escolas privadas, os hospitais privados: são ‘bunkers’ onde as classes mais altas devem se sentir protegidas do mundo real que fica do lado de fora. Isso só é possível com a exclusão de todos aqueles que supostamente significam alguma ameaça, ou seja, que tragam a realidade do lado de fora – a desigualdade social – para essa ilha da fantasia. Shoppings são templos do consumo para poucos. Sempre foi assim no Brasil, desde os anos 1960-70 quando tivemos nossos primeiros shoppings.

CM- O problema não está só no Shopping…

Valquíria- Tudo isso ganha um contorno próprio quando analisamos a organização urbana de nossas cidades brasileiras – indubitavelmente pautada na segregação social e econômica: há os espaços de quem tem dinheiro e há os espaços de quem não tem. Quem não tem normalmente trabalha para os que têm. No caso dos shoppings, os vizinhos ou parentes dos jovens que fazem os chamados “rolezinhos” são os que têm os empregos mais precários: faxineiros e seguranças terceirizados. Como mão de obra barata, servem, sempre servem! O shopping é mais um dos espaços das cidades brasileiras reservados para o deleite das classes média e alta –servidas pelas ‘classes baixas’….

CM- Retomando, por que o protesto só acontece agora justamente quando se dá a emergência da chamada ‘classe média popular’?

Valquíria- O fato de supostamente uma parcela dos pobres brasileiros estarem aumentando seu poder de compra não significa que eles tenham adquirido o direito de compartilhar os mesmos espaços dos ricos. Eles não possuem o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamaria de “capital cultural”. Dito de outra forma, não basta ter mais dinheiro para ganhar o sentimento de pertença nos espaços dos ricos.

CM- Seria uma evolução natural, a exemplo dos protestos de junho de 2013, de quem não quer ser apenas um mercado de artigos populares e reivindica cidadania plena?

Valquíria – Pensar em acesso aos shopping centers como acesso à cidadania é um grande engano. Sobretudo se entendermos que ser cidadão, nos termos burgueses de nossa organização social, é ter direitos e não apenas deveres. Se pagamos impostos ao Estado, deveríamos ter acesso à uma vida digna, com trabalho, estudo, saúde, cultura, lazer de qualidade. Isso sim é ter cidadania. Mas, a sociedade de consumo – principalmente dos anos 1980 até hoje – nos ensinou a reduzir o conceito de cidadania à esfera do consumo. O cidadão hoje é o consumidor feliz. Isso é uma falácia enorme, um erro que direciona inclusive as ações do governo petista no Brasil. Os pobres passam a ter um pouco mais de renda, mas eles continuam não-cidadãos nos termos a que me refiro aqui.

CM- Há uma confrontação simbólica desses limites em marcha ?

Valquíria – Os shoppings são símbolos de uma sociedade de consumo e de abundância de bens materiais. São símbolos da lógica do “compro, logo existo”. Forçar o acesso a esses espaços – que a periferia sabe que não lhe pertence – é um ato simbólico para dizer: “quando a gente vem aqui a gente incomoda os burguesinhos que historicamente nos desprezam”. Uma longa história de invisibilidade vivida pelos pobres no Brasil está vindo à tona com essas “invasões” dos shoppings centers. Os pobres nunca são verdadeiramente vistos ou ouvidos pelas autoridades públicas e pelos patrões. Esses movimentos chamados de “rolezinhos” são, na minha interpretação, uma tentativa de furar a barreira da invisibilidade a que esses jovens pobres estão sujeitos na nossa sociedade de classes.

CM – Generalizar a ‘receita shopping’ para as grandes metrópoles brasileiras é tão viável quanto estender aos postinhos de saúde o padrão do hospital Albert Einstein, em SP (um shopping da saúde). Estamos diante de uma contradição insolúvel: a propaganda adestra o imaginário social a exigir o melhor e agora barra quem aderiu ao sonho?

Valquíria – O que sempre me entristeceu é ver essa crença generalizada de que pertencer ao shopping center é alcançar a boa vida. Essa é uma vitória da sociedade de consumo e um fracasso da humanidade. Os adultos, jovens e crianças de hoje foram totalmente cooptados pela crença alienada de que só é possível ser feliz assim. Discutir isso hoje é visto como ridículo, já que essa ideologia consumista transformou-se numa verdade absoluta. Propor discussões críticas da sociedade de consumo, da publicidade, do capitalismo ainda é ridicularizado pela mídia e pelos intelectuais de direita. Somos nós, os pensadores marxistas e de esquerda que devemos mostrar como esse desejo de um mundo mais justo e menos desigual deve ser elaborado para gerar ações definitivas no que diz respeito à igualdade social. Não é nada fácil. As classes dominantes são fortes, poderosas e violentas – sobretudo no Brasil. Os pobres terão que entender que consumindo as roupas de marca e os equipamentos eletrônicos dos ricos, eles não vão conquistar a liberdade ou a emancipação.

CM—Mas é essa aspiração que os move…

Valquíria – O desejo e a posse de mercadorias nos alienam a todos. No entanto, é óbvio que, num primeiro momento, esse impulso pode parecer revolucionário. Quando eu critico a segregação social dos shoppings centers não desejo como solução que esses espaços sejam democratizados, mesmo porque eu não acredito nisso. Desejo que esses espaços sejam eliminados.

CM- Como ?

Valquíria- Que sejam substituídos por parques, espaços de cultura, bibliotecas, cinemas, teatros, circos, escolas, tudo aberto a todos igualmente. Uma sociedade emancipada e verdadeiramente rica precisa disso, e não de shopping centers… Esse fenômeno dos “rolezinhos” não aconteceria na Finlândia ou na Dinamarca.

CM— Essa reciclagem dos shoppings em espaços culturais seria a utopia de um rolezinho ideal?

Valquíria – Qualquer solução que propomos na contramão da ordem vigente tem status de utopia, tamanha é a complexidade social. A publicidade é a espinha dorsal desse sistema. Ela é a maior descoberta e o maior trunfo da sociedade de consumo capitalista, pois consegue manipular os desejos, criar necessidades, reduzir sentimentos. E mais: ela atinge a todos da mesma forma: ricos e pobres, quem vive na cidade e quem vive no campo, crianças e adultos etc.

CM—Os rolezinhos tem fôlego para avançar nessa contestação?

Valquíria – Onde esses movimentos dos “rolezinhos” vão dar eu não sei dizer. Não sou otimista no sentido de imaginar que isso vai fazer com que nossa sociedade deixe de segregar e seja mais justa em curto ou médio prazo. Mas, acho que é um começo e a discussão que surge traz o tema da desigualdade social para a mesa.

Assim como os movimentos de junho de 2013, pode se somar a outras manifestações de insatisfação, provocando, pouco a pouco, novas formas de reflexão sobre o capitalismo e sobre nosso sistema político. Gosto de ver os pobres organizados para incomodar os ricos, forçando-os a enxergar uma realidade que eles insistem em negar ou que ridicularizam.

CM- Que resposta o urbanismo pode dar a essa revolta ainda bem comportada?

Valquíria – Na ordem do capital, não acredito em nenhuma resposta definitiva. Humanizar o capitalismo, ao menos, seria possível, mas não concordo que apenas oferecer mais políticas públicas de lazer e cultura nas periferias seja a solução, pois continua aí a segregação dos espaços urbanos, a cidade continua dividida entre espaços para pobres e espaços para ricos. Isso não é solução, é paliativo.

CM – A Justiça de SP concedeu a 6 shoppings da capital o direito de selecionar o acesso. É um novo degrau do antagonismo público -privado no país?

Valquíria – Os juízes que deram essas sentenças deveriam perder o direito de julgar se nosso país fosse sério e cumprisse a Constituição. É um absurdo autorizar o inautorizável. Um juiz não poderia permitir que um espaço aberto ao público pudesse segregar. Discriminação é ilegal. Racismo é crime inafiançável no Brasil. Esses juízes deveriam ser presos. Os donos desses shoppings também.

CM – É só no Brasil ou o padrão segregacionista se repete em shoppings de outros países também?

Valquíria – Em outros países não é assim. Eu morei na França e no Canadá e lá os shoppings são abertos a todos, porque eles respeitam a Declaração Universal dos Direitos dos Homens. Nos países em que há desigualdade social extrema, a segregação e a discriminação são mais evidentes. Os “rolezinhos” só estão causando tanto alvoroço porque somos um país de desiguais. Enquanto cada grupo fica na sua, com seus “irmãos” de classe e respeitam as fronteiras invisíveis e visíveis, não há conflitos. Os conflitos surgem quando uma das partes resolve confrontar as barreiras. Se não houvesse esse abismo entre pobres e ricos, não estaríamos discutindo isso, não é? Sugiro que se assista ao documentário ‘Hiato’, que conta como os movimentos de sem-teto e sem-terra organizaram uma visita a um shopping no Rio.
É pedagógico: (http://www.youtube.com/watch?v=UHJmUPeDYdg).

(http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cidades/Rolezinhos-os-pobres-estao-afrontando-sua-invisibilidade/38/30039)
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Responder

abolicionista

19 de janeiro de 2014 às 19h51

Joaquim Nabuco profetizou: “A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil”. Ao que tudo indica, tinha razão. A propósito, é ridículo exigir que os funkeiros da periferia façam crítica social quanto nem os habitantes dos jardins são capazes de fazê-la. Quando a escravidão foi abolida, muitos negros eram vistos perambulando pelas ruas, clamando desesperadamente pela volta da escravidão. Isso não a torna menos odiosa, pelo contrário.

Responder

Malvina Cruela

19 de janeiro de 2014 às 19h32

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor
Eu fui ao shopping, fui pedir ao Padroeiro para me ajudar

Salve o Morro do Vintém, Pendura a saia eu quero ver
Eu quero ver o tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar

a classe media está querendo conhecer a nossa batucada
Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato

Vai entrar no cuzcuz, acarajé e abará.
Na Casa Grande já dançou a batucada de ioiô, iaiá

Brasil, esquentai vossos pandeiros
Iluminai os terreiros que nós queremos sambar

Há quem sambe diferente noutras terras, noutra gente
Num batuque de matar

Batucada, Batucada, reunir nossos valores
Pastorinhas e cantores
Expressão que não tem par, ó meu Brasil

Brasil, esquentai vossos pandeiros
Iluminai os terreiros que nós queremos sambar
Ô, ô, sambar, iêiê, sambar…

Queremos sambar, ioiô, queremos sambar, iaiá

Responder

Vixe

19 de janeiro de 2014 às 15h57

Movimento Passe Livre, Black Blocks, Rolezinhos…
A gente sabe no que vai dar isso.
É o combustível que a direita precisa para justificar o golpe em curso.
A história se repete.
1964 ainda não acabou.
Desta vez, vai ser a TOGA e não a FARDA que vai tomar o poder.
Quem viver, verá.

Responder

    Sergio Silva

    19 de janeiro de 2014 às 21h42

    Confesso que também tenho esse medo, mesmo com a maior oferta de informações que existe hoje. Todo mundo viu o que aconteceu no Paraguai.
    Espero que o pessoal da nova classe média esteja bem informado e disposto a lutar contra aqueles que em breve vão tentar dar o golpe, impondo a vontade dos poderosos em detrimento à dos eleitores.

Mauro Bento

19 de janeiro de 2014 às 10h52

Lendo as diversas opiniões sobre a matéria percebi que existem dúvidas se as motivações que resultaram nos “rolezinhos” podem ou não ser enquadradas como “luta de classes política”.Cada qual com sua opinião.

A REAÇÂO dos shoppings,do Judiciário e da Polícia Militar não deixam a menor dúvida,
para estes é “luta de classes política” mesmo e declararam GUERRA, ou não ???

Responder

    renato

    19 de janeiro de 2014 às 11h41

    Eu vou entrar no Shoping daqui, com minha camisa da
    Seleção Oficial, ( vou esperar), com o numero 13, em
    vermeçho nas costas.
    E vai ser assim em toda a copa.

Carlos N Mendes

19 de janeiro de 2014 às 08h02

Quando Henfil viveu nos EUA para tratar a hemofilia, ele observou a sociedade americana bem de perto. E observou que aos negros só era permitido se sentar no fundo dos ônibus. Ele observou, na década de 80, que a atitude dos negros americanos foi: “bem, se temos que sentar no fundo do ônibus, o fundo do ônibus é nosso. Aquei somos nós que mandamos”. Acho que o melhor a fazer seria ocupar as ruas e praças, abandonadas por nossa classe média, e deixar esses castelos de vidro para a elite acuada. A rua é nossa, fiquem com suas gaiolas. A César o que é de César.

Responder

    Abolicionista

    20 de janeiro de 2014 às 02h31

    Acho que não foi essa atitude que acabou com o apartheid, mas a daqueles que ousaram cruzar a fronteira, como aquela mulher negra que sentou num lugar reservado para “cidadãos de bem”. Esse tipo de atitude se chama “desobediência civil”.

luiz carlos

19 de janeiro de 2014 às 06h57

Haddad,criar espaços onde essa juventude possa se expressar,onde possa reunir-se com outras de outros bairros para que aja uma interação entre os mais variados tipos de pessoas de diferentes camadas sociais e de trabalho.
Disponibilizar pessoas especializadas para interagir e indicar um possível caminho de como atuar na sociedade estimulando debates e oferecendo meios para que os jovens se integrem em programas culturais e artísticos.Pacificar,mas também estimular a luta pelos seus direitos deveres para com a sociedade.

Responder

Francisco

19 de janeiro de 2014 às 06h08

A aristocracia brasileira segue teimando em não esvaziar aos pouquinhos a pressão avassaladora da panela de pressão social do Brasil.

É uma pena, e ninguém poderá dizer que não houve esquerda que alertasse para as melhores estratégias para lidar com isso.

Até a esquerda brasileira (no fundo, branca e pequeno-burguesa) morre de medo do “efeito Haiti”: massas de escravos descobrindo a liberdade de um momento para o outro.

A aristocracia rejeita o assovio “lento, gradual e seguro” em troca do risco sempre presente do pipoco da explosão súbita…

Responder

Enrico Siles

19 de janeiro de 2014 às 02h27

Perfeito o PS do Blog:

“PS do Viomundo: A guerra já está em andamento. Faz tempo. É a guerra da elite contra o povo, que não cede nunca. O Globo, por exemplo, agora quer conter o salário mínimo “inflacionário”.”

Responder

FrancoAtirador

18 de janeiro de 2014 às 22h19

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Não acredito!

Acabo de assistir na Glôbo Âníus a Sandra Coutinho afirmar

que os United States of America tem 48 milhões de pobres,

correspondendo a 16% do total da população norte-americana,

principalmente devido à crise econômica iniciada em 2008…

Mas, como não poderia deixar de ser, a reportagem da Globo

criminalizou os rolezinhos, citando casos ocorridos nos USA.

Na Globo é assim: entre uma mentira e outra, uma meia-verdade.
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Responder

FrancoAtirador

18 de janeiro de 2014 às 21h52

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Quer Guerra mais Longa e Dolorosa

que esta de Quinhentos e Treze Anos?
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Uma exceção à regra geral no Brasil:

16/11/2012
Portal Mulher 500 anos

Cidade gaúcha de colonização alemã
elege a única prefeita negra do Estado

A reportagem é de Rodolfo Lucena
e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo,
08-11-2012.

Mulher, negra e divorciada.

Essa é Tânia Terezinha da Silva, primeira prefeita eleita em Dois Irmãos, cidade gaúcha de colonização alemã onde 91,57% da população é branca e os negros são menos de 2% – segundo o Censo de 2010, havia só 414 pessoas de cor ou raça negra [SIC: a redação é do Frias] entre os 27.572 residentes na cidade.

“O sol brilha para todos, e eu escolhi ficar no brilho do sol, não ficar na sombra”, diz ela, que é filiada ao PMDB desde 1995 e foi candidata pela coligação composta ainda pelo PP e pelo PTB.

“Foi uma campanha dura, não foi fácil”, afirmou à Folha.

“Tive de romper paradigmas. A cor da pele foi um: por ser uma cidade germânica, talvez quem não more lá dificilmente acreditaria que tivesse uma pessoa de cor negra candidata a prefeita. Também a situação de família, pois para quem é católico ou evangélico pesa muito essa questão de família.”

Mesmo assim, diz: “Não posso falar da cidade de Dois Irmãos como preconceituosa. Ela acreditou no meu trabalho enquanto pessoa, independentemente da cor”.

Ela venceu na política local apesar de ser uma “estrangeira”.
Nascida em Novo Hamburgo (RS), começou a trabalhar em Dois Irmãos em 1991, depois de passar em primeiro lugar em um concurso de técnica em enfermagem.

Acabou se mudando para lá três anos depois:

“Quando cheguei a Dois Irmãos o município tinha cerca de 9.000 habitantes. Quando chega alguém todo mundo olha desconfiado porque não sabe quem é a pessoa. Mas isso por ser uma cidade pequena.”

Como técnica em enfermagem, atuou no SUS, visitava os bairros, conhecia cada comunidade.

A carreira política começou com a eleição a vereadora em 1996.

“Hoje estou na minha terceira legislatura. Em 2008 fui a mais votada, com 2.055 votos numa comunidade de 16 mil eleitores.”

Agora os votos se multiplicaram: única negra entre as 35 prefeitas eleitas no Rio Grande do Sul, que tem 497 municípios, Tânia recebeu 9.450 votos (51,67%).

Aos 49 anos, a prefeita eleita tem um casal de filhos -Pablo, 24, e Hohana, 20 – e não descuida da aparência: hoje exibe os cabelos trançados em vistosos dreadlocks.

“Já tive cabelo curto, encaracolado, agora faz dois anos que eu uso tranças. Para fazer dá trabalho. Em compensação, para manter, é maravilhoso”.

(http://www.mulher500.org.br/novidades-conteudo.asp?cod=59)
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Responder

Bonifa

18 de janeiro de 2014 às 19h01

Quando o prefeito Haddad estimula o diálogo, ele estimula também a que os jovens se organizem, debatam aspectos da questão e elejam representantes seus para dialogar. Para conversar é preciso que haja representantes das duas partes que irão dialogar. Se o prefeito conseguir este objetivo, será um feito extraordinário.

Responder

Fabio Passos

18 de janeiro de 2014 às 17h11

A ascensão social da maioria pobre continua apavorando a casa-grande.
A “elite” branca e rica e a classe média adestrada pelo PiG odeiam e desprezam pretos e pobres.

Vão ter de se acostumar… a situação vai ficar cada vez “pior”. rsrs
Em 2014 o PiG-psdb será varrido do mapa… os racistas e preconceituosos vão ficar sem pai nem mãe.

Responder

    Bonifa

    18 de janeiro de 2014 às 19h24

    Esta é uma longa história que começa com o advento do Teatro de Arena, em São Paulo. Em 1961 ou 62.

    Bonifa

    18 de janeiro de 2014 às 19h45

    Aquele movimento teatral e todos os movimentos que ensejaram o aparecimento do célebre Centro Popular de Cultura da UNE(vejam bem, é centro popular de cultura e não centro de cultura popular, o que daria um caráter de ONG e folclorismo piegas ao movimento). Aquilo tudo, feito com uma inteligência fora do comum e bem característica da época, foi resultado do que o desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek produziu, além da Copa do Mundo de 1958 e do advento da Bossa Nova. Um surto de desenvolvimentismo como aquele produz coisas assim, e o novo surto sob Lula vai produzir coisas semelhantes. Os grandes artistas e intelectuais, apesar de alguns considerarem a cultura popular de então completamente submissa e alienada, não quiseram comprar esta versão. Resolveram fazer um pacto da classe média intelectual com o povão brasileiro sofrido. Ensiná-lo a pensar conscientemente sobre o seu sofrimento. A elite da cultura pseudo erudita e colonizada perdeu completamente o comando da cultura, cuja vanguarda ficou com aqueles que fizeram o CPC da UNE e o Teatro de Arena. Agora, a elite considera que depois de uma lavagem intensa de cérebros levada a efeito pela Rede Globo, aquela aliança entre a classe média consciente e o povo desapareceu. Ledo engano.

davi

18 de janeiro de 2014 às 17h08

Sem duvida haddad fez a coisa certa.

Responder

edward

18 de janeiro de 2014 às 16h24

Nunca tive preconceito de ninguém.

Por sinal, eu fui também pobre. Hoje, estou bem melhor quase atingindo a classe média.

Frequentei – sou idoso – a vida todo os shoppings centers. Nunca vi ninguém ser barrado na porta em função da sua classe social. É evidente que alguém muito mal vestido não é bem vindo a nenhum lugar. Inclusive, ninguém pode afirmar, de viva voz, que não tem receio de pessoas mal cuidadas, v. gratia, na Cracolândia.

Ainda, no meu tempo de pobreza, fui convidado por amigo a ir até o restaurante Fasano. Falei que não tinha condições financeiras, mas ele disse-me que estava me convidando e pagaria tudo. Eu teria que ir, pois era um convite dele, disse.

Coloquei a roupa melhor que eu tinha e lá fui com meu amigo no famoso restaurante. Antes pedi ao meu amigo que me ensinasse alguma coisa sobre o comportamento que deveria ter ao sentar e comer, à mesa.

Pedi-lhe, ainda, para escolher o prato, pois não estava acostumado com aqueles estranhos nomes – embora conhecesse muito bem o Francês, não queria pedir uma refeição que fosse rejeitar. Pedi a ele que solicitasse coisa mais parecida com a minha comida caseira.

Não me lembro o nome do prato, mas era com camarão. Um prato enorme com uma pequena porção, coisa de gente granfina, pensei. Passei pelo teste. Não chamei a atenção.

E percebi que havia não só pessoas da “nobreza” por ali, havia muitos “plebeus” como eu.

O que penso é que devemos nos preparar para cada ambiente. Pense em uma igreja, um hospital, um banco, um baile a rigor, etc. Cada ambiente, é claro, exige de cada nós uma atitude.

Não vejo preconceito em shoppings centers. Talvez haja pessoas que se incomodem com as outras, mas isto existe em qualquer lugar. Se um rico for até um bairro pobre, com um carrão, muito bem vestido, como será recebido?

Todos, e devemos nos deter bastante sobre isto, estão assustados com a violência. Se cruzarmos, na via pública, com um grupo de pessoas, mal vestidas e com drogas na mão, é claro que ficamos com medo e até desviamos delas, embora possam, na verdade, não representar nenhum perigo para todos nós.

Isto não é preconceito, mas medo da violência.

E é importante que, ao depararmos, em um shopping center, com um grupo de rapazes, gritando, correndo, irá nos impor pavor. Receio. Estando com familiares, crianças principalmente, a situação pode causar pânico.

E isto não é preconceito.

Ora, o que tenho visto é que a combinação na internet, na Rede, para fazer em tal lugar o rolezinho, tem por objetivo causar pânico e não mostrar que há preconceito naquele lugar. Não é desta forma que devemos, portanto, manifestarmos contra o preconceito.

É importante, ainda, ressaltar que existe, sim, o preconceito. Ele está em todos os lugares e é importante combate-lo.

Atualmente, o maior preconceito existente é o que classe média meritória possui em relação aos mais frágeis, com menor condições de ter sucesso, recursos financeiros, ocupar cargos e estudar nas melhores escolas.

A classe média meritória entende, por exemplo, que a política das cotas sócias para o ingresso nas escolas do governo é totalmente equivocada. Ela tem assim muito preconceito daqueles que possuem poucas condições de triunfar na vida.

E este preconceito que devemos combater. E a forma de combate-lo é apoiando políticas públicas que vão nesta direção, em busca de uma igualdade social maior, um estado com maior equilíbrio social, tanto na riqueza, como na cultura.

Os rolezinhos, como tudo na vida, passarão.

O preconceito ainda restará por aqui e sempre teremos que o enfrentar, com protestos em praça publica, com o nosso voto cidadão, com nossas manifestações por escrito, sem, entretanto, legar argumentos dos conservadores, mormente hoje, liberais meritórios, que abominam as políticas públicas, que dizem ser feitas com o dinheiro público, o deles dizem, esquecendo-se, entretanto, que todos trabalham e que a linha que mais contribui com recursos públicos é a classe c e d, ganham pouco e pagam mais tributos que todos.

Abaixo o preconceito, mas temos que saber como combate-lo e não dar aos conservadores argumentos para justificar seus sentimentos nada solidários, acima de tudo, egoístas.

Responder

    Me Vis

    18 de janeiro de 2014 às 20h22

    Muito bem articulado. Parabens.

    Jorge Vieira

    20 de janeiro de 2014 às 13h03

    Gostei. Parabéns. Comentário equilibrado e maduro.

    wendel

    23 de janeiro de 2014 às 11h56

    Enfim uma manifestação equilibrada!!!
    Sem dúvida, o que disse merece reflexão por aqueles que querem jogar mais lenha na fogueira.
    Algumas manifestações, só fazem reforçar os argumentos para manterem o status quo daqueles que sempre mantiveram as rédeas do poder!
    Sem ideologias, ou mesmos fanatismos de classe, devemos pensar que o Brasil é um pais fantástico, e que estamos todos no mesmo barco, e caso não cuidemos dele, com seriedade e respeito, seremos todos náufragos!
    Lembrem-se do ditado – “Dividir para governar” e neste caso, adaptaria para – ” Dividir para apossar”!!!!

Francisco Angelo

18 de janeiro de 2014 às 16h24

O tal rolezinho mostra realmente a decadência de órgão públicos no contexto social, mostra também uma fragmentação da família pois educação de verdade se aprende em casa e mostra muita mais qual é a política aplicada há muitos anos nas principais metrópoles deste país, uma política de exclusão e repressão, onde temos bairros com índice de violência padrão europeu e outros que lideram o ranking de violência por aí a fora. A juventude da periferia conscientizada sempre se organizou e teve seu espaço basta citar para isso o Hip-hop como maior expressão desta organização, artistas como Gog, Racionais, hoje temos Emicida, Projota, Rapin Hood, representam a verdadeira juventude da periferia que é consciente, que batalha por uma ascensão social utilizando a música, dança, e grafite como principal fonte de divulgação das suas idéias… Quantos aos rolezeiros, e apreciadores do tal funk ostentação, me perdoem mas vocês não nos representam… Viva a Periferia. 100%Favela…

Responder

Édson Silva

18 de janeiro de 2014 às 15h58

“Rolezinho é para ver os parça (parceiros), curtir, comer lanche e beijar na boca”, define Vinicius Andrade, 17 anos, morador do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Filho de uma assistente de cozinha, ele trabalha como assistente de dentista, diz que chega a ganhar até 1  000 reais por mês e usa mais da metade do salário para comprar as roupas de grife que ostenta, como a camiseta Tommy Hilfiger e o par de óculos Oakley — tudo legítimo, já que a regra de ouro da ostentação na periferia é que nada pode ser falsificado (“A gente vê de longe quando uma camiseta da Hollister é colada e não costurada”, diz a rolezeira Barbara Machado, 17 anos).

Responder

Urbano

18 de janeiro de 2014 às 14h59

A elite e a burguesia por pura cegueira mental nunca se aperceberam que mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, essa situação ocorreria. Deveriam agradecer a Deus por não ter sido de outro…

Responder

Leandro

18 de janeiro de 2014 às 14h49

Rolezinho é um modinha que já passou. Não tem nada de revolução e nem luta de classes.

Responder

Mauro Bento

18 de janeiro de 2014 às 14h24

Todas as análises que tenho lido abordam a perspectiva do consumo como o motor principal.
EU discordo, as facilidades tecnológicas escancararam a sistemática repressão policial nas periferias,uma “política de Estado” brutal para a intimidação e contenção do proletáriado mais pobre e do lumpenzinato.
Casos como as pizzarias de Heliópolis metralhadas durante o horário de atendimento e o desaparecimento do Amarildo se tornaram amplamente divulgados.
Nos programas policiais-terroristas da TV aberta foi mostrado várias vezes a repressão aos Pancadões e bailes Funk nas vias públicas e praças da periferia.
A juventude proletária intuiu que nos shoppings a PM iria “pegar mais leve”,o que de fato aconteceu.
A intelectualidade acadêmica tenta entender o fenômeno a partir de sua própria realidade de classe e inclinações político-partidárias,daí em minha opinião, a insuficiência na análise e caracterização dos fatos.

Responder

francisco pereira neto

18 de janeiro de 2014 às 14h19

Meu grande receio, de acordo com o raciocínio de Singer, pois se trata de luta de classes, é que a exemplo de outras ações do governo Dilma que não só sinalizou, mas partiu para a pratica das ações, como no simbológico movimento da queda da Selic que chegou a uma queda histórica de 7,25%, teve que se curvar, beijar os sapatos dos rentistas, e hoje, com o último aumento chega a 10,5%.
Como dito, a tendência é o acirramento do confronto das elites com esse contingente que estão se beneficiando das políticas de inclusão social do governo federal.
Vamos ver até onde o governo Dilma tem forças e interesse em aprofundar essas políticas.

Responder

Hans Bintje

18 de janeiro de 2014 às 13h49

Azenha:

Na Holanda, o rolezinho é considerado um avanço civilizatório.

Vou tentar explicar em imagens.

A gente já se matou demais. Quadro do século XVI, holandês matando holandês:

Foto do século XXI — um fusquinha do rolezinho holandês — tirada em Holambra (SP). O objetivo é “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras” e também “tumultuar, pegar geral, se divertir”.

Responder

Vixe

18 de janeiro de 2014 às 13h07

Até agora ninguém me mostrou qual é a “elite itaquerense” que os rolezinhos contestam (na opinião dos “sociologos” de plantão que não levantam a b… da cadeira para ver o que acontece na periferia).
Não se trata de movimento político de excluido, pois afinal, estes mesmos “rolezeiros”, frequentam o mesmo shopping todos os dias, sozinhos ou em pequenos grupos, consumindo nas lojas que vendem tenis e roupas.
Mais uma vez, estão transformando uma “travessura”(arrastões) coletiva convocada em redes sociais, como “evento político” e sabemos que não se trata disso.
O objetivo final é se divertir em causar tumultos e ter fotos e filmagens para publicar nas redes sociais, mostrando o quanto eles podem ser “poderosos” (na cabeça deles…) enfrentando os seguranças, a polícia ou depenando aquele “playboyzinho branquinho” que tinha um tenis de marca ou o celular da moda, sem saber que aquele playboy é da mesma classe social que ele.
São só arruaceiros se associando em bandos e quadrilhas para provocar a desordem, o tumulto e perturbar o sossego dos consumidores que buscam os shoppings pela segurança e conforto que os mesmos proporcionam, diferente do comércio de rua.
Menos, senhores “sociologos”…
Vamos ter uma visão mais prática e próxima da realidade.

Responder

    francisco pereira neto

    18 de janeiro de 2014 às 14h30

    Muito bem.
    Já que a sua opinião foi explicitada,”menos sociólogos”, quero você proponha uma solução adequada para conter esses movimentos.
    Já que você também não tira a b… da cadeira, pois duvido que more na periferia, encontre uma solução para resolver esse “pequeno movimento de arruaceiros”.

    Vixe

    18 de janeiro de 2014 às 22h01

    Não só moro na periferia, como sempre morei a vida toda, e também trabalho nas imediações do Shopping Itaquera.
    Nasci no extremo da zona norte, morei no extremo da zona leste e hoje estou de volta a zona norte, na periferia, trabalho na zona leste e frequento o shopping Itaquera.
    Diferente dos “sociólogos” dos jardins, eu vivo a periferia na carne e sei quando malandro tá de pilantragem ou quando é sincero.
    Neste caso, tem mais pilantragem do que atitude sincera de quem é “excluido”…

    francisco pereira neto

    19 de janeiro de 2014 às 00h20

    Sinto muito dizer Vixe. Você não está sendo sincero. Tudo indica que você é um alienígena perante os seus pares.
    Acho que você não deve ter amigos no seu bairro.

    Vixe

    19 de janeiro de 2014 às 15h42

    Pois é…
    Desqualificar o homem, já que não podemos desqualificar as idéias…
    O que você pensa ou acha que sou ou quem eu sou não faz a menor diferença para os fatos.
    Se defender o correto e a convivência respeitosa entre os cidadãos é ser “alienígena” então, sou e serei discriminado por isso.
    Assaltar transeuntes, saquear lojas e destruir patrimonio alheio não é de forma alguma democracia.
    Isso se encaixa mais aos atos fascistas de turbas ensandecidas apoiando o Nazismo na Alemanha de Hitler.

    rodrigo

    20 de janeiro de 2014 às 12h04

    Desqualificação? Ad hominem? Olavismos culturais? Ma’ qui bilêza hein seu Vixe…

    Maria do Rosário Amparado de Aragão

    18 de janeiro de 2014 às 16h32

    concordo plenamente. Moro na periferia de São Paulo ,onde a elite não habita. Não vejo exclusão alguma,preconceito algum que fundamente essas colocações. aqui,no Shopping Interlagos(por exemplo) perfiferia na zona Sul de São Paulo. Houve um “rolezinho”.. Idosos,cadeirantes,mulheres com crianças no colo berrando de pavor…correria,tumulto,desespero. Todos tão ou mais pobres que os “manifestantes”
    Quando leio que o secretário de “cultura” e

    outras “autoridades” referem-se aos bales funk como uma “manifestação cultural alegre e legítima” sinto vontade de chorar..Chorar por esses jovens,chorar pelo futuro do Brasil.
    Ou não têm a menor noção do que acontece ou nenhum compromisso com a verdade. Pobres jovens que encontram quem defenda esse “direito”.
    Seria prudente que ouvissem os moradores das periferias..os lares(todos pobres) invadidos por todo tipo de PORNOGRAFIA..que vissem as nossas crianças (desasistidas) sendo alicidades pelo tráfeco de drogas(cada vez mais cedo). a indigência moral sendo propagada sem que nenhuma “autoridade” tenha a coragem de encarar o problema olho no olho como de fato ele é. Essa miséria difere da outra..essa não está condicionada ao poder aquisitivo não. Fossem todos brancos e trilhardários ,a miséria não seria outra.

    Cibele

    19 de janeiro de 2014 às 00h51

    Maria, entendo como se sente. Procure não se desesperar, mas é isso, a intenção é mesmo destruir nossas crianças. Mas reagiremos, comecemos por eleger o Padilha e cobrar dele o fim da progressão continuada nas escolas estaduais.

Maria Rita

18 de janeiro de 2014 às 12h58

O fato positivo não é o querer consumir mais, é enxergar os limites impostos historicamente e a divisão de espaços para o direito de ir e vir. Querer sair desses limites e conquistar a plena cidadania é que não é um caminho fácil, como afirmado pelo Singer. Com essa nossa velha hierarquia social, o processo vem avançando. Mas que o assunto está rendendo ótimas reflexões, isso está. O artigo do Tijolaço sobre o avanço do rolezinho do comércio na periferia, o texto do Wanderley Guilherme sobre os espaços públicos e privados e agora, o do Singer. Isso renovou meu espírito, estou viva. E esses meninos estão acordando. O simples desejo de dar um rolé implicou em desafiar o espaço sagrado dos templos do consumo. A injusta reação da justiça logo, logo será contestada. Eles terão pauta, diferente dos coxinhas que defendem o satus quo.

Responder

Lukas

18 de janeiro de 2014 às 12h32

Uma parte da esquerda branca, classe média e intelectualizada sempre foi louca por uma “revolução” popular no Brasil. Nos anos 70/80 uns acharam que seria Lula e o PT a liderá-la. Não foi. Hoje, outros acham que os rolezeiros são a resposta há muito esperada (Primavera de Praga da Periferia, aqui mesmo em Viomundo).

Não estranhamente, só vemos por aqui reportagens feitas por intelectuais que teorizam os rolezinhos (sociológica e politicamente), mas nunca os garotos da periferia.

Talvez se se dignarem a entrevistá-los, descubram que o objetivo deles é apenas chamar a atenção para pegar mulher (no que estão certíssimos),dar um rolê para beijar na boca o máximo de meninas.

Marx não entra nesta história.

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    18 de janeiro de 2014 às 12h42

    Desculpe, mas quanto ao Sérgio Vaz ele não diz que o rolezinho é a Primavera de Praga; pelo contrário, ele diz que o rolezinho exibe a falta de educação de qualidade na periferia; por outro lado, há dezenas de coletivos de cultura organizados que estão criando um movimento de jovens pardos e negros que questionam o status quo. abs

    Lukas

    18 de janeiro de 2014 às 12h56

    Talvez ele não, mas a blogosfera está em polvorosa achando que os rolezeiros são a encarnação da revolução vindoura (dá uma lida no BLOG DA CIDADANIA). Discutir status quo é sempre importante, mas o fenômeno do rolezinho não faz isto, não embasamento intelectual por trás dele que a intelectualidade de esquerda quer dar a ele.

    Entendo até que eles queira de alguma forma participar da sociedade e esta seja uma tentativa, mas a diversão vem em primeiro lugar.

    Nos anos 50 tentaram ver uma suposta revolta adolescente quando o rock’n’roll surgiu nos EUA, mas eram apenas adolescentes com poder de compra pela primeira vez exercitando sua liberdade, tentando se diferenciar do modo de vida de seus pais.

    ricardo

    18 de janeiro de 2014 às 14h37

    Sim, a coisa superou os todos limites do ridículo. A “intelligentsia” de esquerda cambaleia desnorteada em seu próprio universo discursivo. Um analisa a situação direto de Nova York, outro, direto do Jardim Botânico, outros ainda, a partir de seus enclaves no Butantã. Guerra de classes? O que essa turma entende de povo? É inútil pedir aos ilustres analistas que desçam à realidade e analisem os fatos. Preferem continuar aprisionados aos fantasmas de sua má consciência. Sim, é isso que salta aos olhos para quem os vê falar sobre o povo: sua gigantesca má consciência.

    Luiz Carlos Azenha

    18 de janeiro de 2014 às 14h44

    O Sérgio Vaz fala direto da M’Boi Mirim. Serve? abs

    ricardo

    18 de janeiro de 2014 às 15h48

    Meus louvores aos saraus organizados pelo Sergio Vaz, um poeta dividido entre dois mundos: o mundo de M’Boi Mirim e o das metáforas de Geraldo Vandré. M’Boi Mirim tem muito o que dizer, mas é preciso inventar suas próprias metáforas.

    francisco pereira neto

    18 de janeiro de 2014 às 14h43

    A intelectualidade branca de olhos azuis da direita, não fazem esse tipo de arruaças, eles são mais organizados. Tem o poder econômico nas mãos, a grande mídia e os fardados de olhos azuis que se submetem a lavagem cerebral militarista dos norte americanos para dar golpes de estado.
    E convencem por vinte um ano os debiloides que se tratava de uma luta contra os comunistas.
    O cérebro esfacelado do JFK afirmou que não iria permitir uma China no continente americano.

    Lukas

    18 de janeiro de 2014 às 14h52

    Hoje tentam convencer que o rolezinho é luta de classes. Muitos estão convencidos.

    francisco pereira neto

    18 de janeiro de 2014 às 18h11

    Lukas
    Eu não concordei com você não!
    Você está equivocado.
    Quando eu disse que em 1964, sem citar 1954 com o suicídio de Vargas, aquilo sempre foi luta de classes.
    A direita querendo o poder pelo voto sem conseguir, como sempre, pois estavam acostumados a mandar num país de pobres e analfabetos que mal acabara de sair do regime escravocrata, mas sempre conduziu os seu poderes mantendo os negros “libertos” e o analfabetismo funcional de todo o contingente populacional pobre a margem da riqueza nacional.
    O século XXI agradece no seu segundo ano, a ascensão de um metalúrgico pobre à presidência da república que sempre foi ocupada por Doutores.
    Se você não quer enxergar isso como luta de classes, ai meu filho, eu não posso fazer nada.
    Enquanto vocês pensam assim o proletariado avança. Tomara a Deus que não chegue ao ponto de uma Revolução Francesa.
    Isso só não acontecerá se vocês tiverem juízo e não resistirem muito.

    Edfg.

    18 de janeiro de 2014 às 16h55

    É o mesmo de sempre, quando os fatos desmentem suas teorias, a “Intelligentsia” esquerdista tenta marretá-los para caberem nela. É patético.

    francisco pereira neto

    19 de janeiro de 2014 às 00h24

    Mas quem é você para dizer o que é, e o que não é?
    Contente-se com a sua opinião, mas não queira negar a dos outros. Ou você se acha o dono da verdade?

    Edfg.

    19 de janeiro de 2014 às 15h03

    Quem disse isso (os fatos que desmentem essa idiotice de luta de classe e protesto contra o consumo) não fui eu, idiota. Foram os organizadores e participantes dos rolezinhos.

    Vixe

    19 de janeiro de 2014 às 15h50

    São estes que “marretam” os fatos que fazem com que a esquerda perca a sua credibilidade…


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