VIOMUNDO

Diário da Resistência


Altamiro Borges: Moro, o superministro que virou “marreco de Maringá” e bagaço no “laranjal” de Bolsonaro
Brasília- DF 08-05-2019- Ministro da justiça Sergio Moro na COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA E COMBATE AO CRIME ORGANIZADO. Foto Lula Marques
Política

Altamiro Borges: Moro, o superministro que virou “marreco de Maringá” e bagaço no “laranjal” de Bolsonaro


13/05/2019 - 23h36

Mídia rifa Moro, o ministro que virou bagaço

por Altamiro Borges, em seu blog

Os abusos da Operação Lava-Jato, que ajudaram a demonizar a política e a chocar o ovo da serpente fascista no país – resultando na eleição do miliciano Jair Bolsonaro -, só foram possíveis graças ao apoio entusiástico da mídia falsamente moralista.

Sem cumprir o seu papel informativo, ela nunca questionou os métodos arbitrários e ilegais de Sérgio Moro.

O juizeco de primeira instância, também apelidado de “marreco de Maringá”, virou herói do Partido da Imprensa Golpista – o PIG.

Ele foi homenageado inúmeras vezes pela Rede Globo e paparicado por outras emissoras de rádio e tevê, ocupou várias capas da Veja e de outras revistonas e teve espaço generoso, quase diário, nos jornalões.

Como prêmio pelos serviços prestados – principalmente com a prisão e o impedimento da candidatura de Lula, que aparecia com folgada vantagem em todas as pesquisas eleitorais –, Sérgio Moro ganhou um superministério do eternamente grato Jair Bolsonaro.

Ele não vacilou em se unir com “laranjas”, milicianos, fascistas, fundamentalistas e outros trastes.

A vaidade e a ambição pelo poder, porém, rapidamente desmascararam justiceiro da Lava-Jato.

No mundo, Sérgio Moro já é tratado como oportunista e venal.

Recentemente, José Sócrates, ex-primeiro-ministro de Portugal, afirmou que o juizeco “é um ativista político disfarçado de juiz”, um sujeito “indigno, medíocre e lamentável” – veja abaixo o petardo.

No Brasil, a sua máscara também vai caindo.

Ele chegou ao governo sendo tratado como “futuro presidente” – ou, no mínimo, como ministro do Supremo Tribunal Federal, o que seria como “ganhar na loteria”, disse excitado.

Aos poucos, porém, o superministro virou bagaço no “laranjal” de Jair Bolsonaro. Sua imagem se desgasta a cada dia que passa.

No Congresso Nacional, Sérgio Moro coleciona derrotas.

Na semana passada, a comissão especial que analisa a reestruturação administrativa retirou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do “superministério” da Justiça, devolvendo-o ao Ministério da Economia.

Foi a maior humilhação do juizeco até agora. O seu pacote anticrime – que na verdade representa uma licença para matar – também está estacionado no parlamento.

Sérgio Moro também é humilhado pelo próprio chefe, que nada fez para manter o Coaf na mão do seu cabo-eleitoral de luxo – muito pelo contrário.

Ele sequer conseguiu indicar a especialista em segurança pública Ilona Szabó para uma vaga conselho consultivo do ministério.

O nome dela foi vetado pelo presidente-capetão. Até hoje, o justiceiro segue quieto sobre os “laranjas” e os condenados que são seus parceiros na Esplanada do Ministério.

Diante de tantas derrotas e humilhações, a mídia udenista, que fabricou a farsa do heroico justiceiro, já começa a entregar os pontos.

Neste final de semana, Estadão e Folha deram adeus às ambições de Sérgio Moro.

“Um superministro sem força”, ironizou o editorial do jornalão da famiglia Mesquita.

Já o diário da famiglia Frias publicou um duro artigo sobre as “derrotas de Moro”.

Pelo jeito, nem a promessa do carguinho no STF, feita de forma matreira pelo “capetão” Jair Bolsonaro, está garantida.

*****

A nota oficial de José Sócrates:

O juiz valida ilegalmente uma escuta telefônica entre a Presidente da República e o anterior Presidente. O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão Globo, que a divulga nesse mesmo dia. O juiz condena o antigo presidente por corrupção em “atos indeterminados”. O juiz prende o ex- presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação de Lula seja cumprida.

O conselho de direitos humanos das Nações Unidas decide notificar as instituições brasileiras para que permitam a candidatura de Lula da Silva e o acesso aos meios de campanha. As instituições brasileiras recusam, violando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que o Brasil livremente subscreveu. No final, o juiz obtém o seu prêmio: é nomeado ministro da justiça pelo Presidente eleito e principal beneficiário das decisões de condenar, prender e impedir a candidatura de Lula da Silva.

O espetáculo pode ter aspectos de vaudeville mas é, na realidade, bastante sinistro. O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional. Voltarei ao assunto.

José Sócrates – Ericeira, 22 de abril de 2019
Blog do Miro às 22:44
Compartilhar

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Zé Maria

14 de maio de 2019 às 23h42

“Pela régua da Lava Jato”, Moro e Bolsonaro Praticaram Crime de Corrupção:

“solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente,
ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”. [CP, Art. 317]

O negócio particular de Moro com Bolsonaro, envolvendo cargos públicos,
confirma que se trata de um moralista sem moral”

https://jornalggn.com.br/justica/pela-regua-da-lava-jato-moro-e-bolsonaro-praticaram-crime-de-corrupcao/

Responder

marcosomag

14 de maio de 2019 às 20h41

Sérgio Moro é muito vaidoso de sua própria mediocridade. Mas, está enganado quem considera que ele está fraco na engrenagem do Golpe. Ele foi peça importantíssima, e ainda é o quadro mais avançado do Departamento de Estado estadunidense no Brasil. Os políticos estão aproveitando que ele ainda não salvou a pele da “familícia” nas investigações que correm nos fóruns do país para tentar tirar a sua principal arma de coerção, o COAF. Mas, ele ainda tem os seus colegas de turma nos “cursos” do Departamento de Estado inscrustados na PF, MP e mídia (Instituto Millenium). O Brasil só estará livre de sua influência nefasta quando ele estiver passando uma longa temporada em um presídio federal pelos prejuízos que causou a Justiça, política e economia do nosso país.

Responder

Zé Maria

14 de maio de 2019 às 16h12

Toda vez que o ministréco se aperta,
liga pro Herdeiro do Roberto Marinho
– que também é maçom – pra pedir
uma forcinha, pra levantar o moral.
Daí as emissoras da Rede Globo
entregam todos os microfones
pro marréco de maringá se explicar.

Responder

Arnaux

13 de maio de 2019 às 23h53

Se ele nao tirar o 01 da enrascada que se meteu o destino dele é a exoneração. Ou Moro ajuda o 01 ou vai para vala do esquecimento.
Esse é o joguinho do Bozo.
O Moro foi fisgado pela vaidade dele e é isso que vai leva-lo ao burraco. Sujeitinho vaidoso e que se acha mais esperto que todos os politicos. Se deu mal.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.