VIOMUNDO

Diário da Resistência


Advogado do Pacto Histórico denuncia: Donos de ônibus mantêm motoristas em cárcere privado; controladoria retém credenciais de fiscais da candidatura Petro; vídeo
Miguel Angel del Rio Malo, coordenador da rede jurídica conformada pela coalizão Pacto Histórico, destaca importância da população “ir às urnas para derrotar as máfias”
Política

Advogado do Pacto Histórico denuncia: Donos de ônibus mantêm motoristas em cárcere privado; controladoria retém credenciais de fiscais da candidatura Petro; vídeo


29/05/2022 - 16h48

Advogado colombiano denuncia “cárcere privado, retenção de títulos e credenciais de fiscais eleitorais do Pacto Histórico”

Por Leonardo Wexell Severo, ComunicaSul

“Recebemos denúncias das esposas de motoristas de ônibus que estão sequestrados, em cárcere privado, por donos de empresas no departamento [estado] do Atlântico. Eles tiveram retidos seus títulos eleitorais. Isso é gravíssimo e estamos nos mobilizando para garantir que possam exercer o seu direito ao voto”, afirmou o advogado Miguel Angel del Rio Malo, coordenador da rede jurídica conformada pela coalizão Pacto Histórico para acompanhar as eleições presidenciais deste domingo (29).

Em entrevista ao Tercer Canal, de onde a Agência ComunicaSul acompanha o processo em tempo real, o advogado alertou que este é apenas um entre tantos exemplos que atentam abertamente contra a democracia e, particularmente, as candidaturas oposicionistas de Gustavo Petro e Francia Márquez, que lideram com folga todas as pesquisas de opinião.

“Temos nada menos que oito mil fiscais eleitorais do Pacto Histórico que, até às 11 horas, não receberam as credenciais da Controladoria, que tinham sido solicitadas desde março. Estão sem o seu direito básico de acompanhar o processo”, explicou.

Miguel Angel evidenciou que tal fato é “alarmante e estamos divulgando para as autoridades e meios de comunicação”.

“É grave porque são precisamente os fiscais eleitorais que garantem a legitimidade deste processo”, declarou, esclarecendo que também abundam denúncias na região do Caribe.

Ao mesmo tempo, informou, “temos postos de compra e venda de votos pela direita”. Aí o eleitor recebe metade do valor antes de ir à cabine eleitoral e a outra metade depois que comprovou ter votado em Fico Gutiérrez – o candidato da direita”, explicou.

Além disso, temos a falta de auditoria do software, uma vez que não temos o acompanhamento da comunidade internacional para verificar o que está acontecendo. “Portanto é preciso fiscalizar e deixar apontadas essas ações”, acrescentou.

Na avaliação de Miguel Angel, “é hora de sair às ruas massivamente neste dia histórico para destruir as máfias eleitorais, e construir um sistema democrático que respeite a decisão dos cidadãos”.

Esta cobertura é feita pela Agência ComunicaSul graças ao apoio das seguintes entidades: da Associação dos/das Docentes da Universidade Federal de Lavras-MG, Federação Nacional dos Servidores do Poder Judiciário Federal e do MPU (Fenajufe), Confederação Sindical dos Trabalhadores/as das Américas (CSA), jornal Hora do Povo, Diálogos do Sul, Barão de Itararé, Portal Vermelho, Intersindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Sindicato dos Bancários do Piauí; Associação dos Professores do Ensino Oficial do Ceará (APEOC), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-Sul), Sindicato dos Bancários do Amapá, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sindicato dos Metalúrgicos de Betim-MG, Sindicato dos Correios de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores em Água, Resíduos e Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp Sudeste Centro), Associação dos Professores Universitários da Bahia, Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal do RS (Sintrajufe-RS), Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Sindicato dos Químicos de Campinas, Osasco e Região, Sindicato dos Servidores de São Carlos, mandato popular do vereador Werner Rempel (Santa Maria-RS), Agência Sindical, Correio da Cidadania, Agência Saiba Mais e centenas de contribuições individuais.





4 comentários

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Zé Maria

29 de maio de 2022 às 22h16

O Primeiro Turno das Eleições Presidenciais na Colômbia ainda não acabou

https://saibamais.jor.br/2022/05/eleicoes-na-colombia-entenda-os-riscos-de-fraude-nas-eleicoes-deste-domingo/

Responder

    Zé Maria

    29 de maio de 2022 às 22h19

    https://comunicasul.org/colombia-sindicalistas-de-todo-o-continente-alertam-para-risco-de-fraude-e-violencia-neste-domingoe/

    Zé Maria

    29 de maio de 2022 às 22h29

    Colômbia
    Eleição Presidencial

    ABSTENÇÃO
    Dados Preliminares indicam que 45% dos
    Eleitores Colombianos não foram votar.

    Zé Maria

    30 de maio de 2022 às 00h32

    A Votação e a Apuração das Eleições Colombianas
    são “do jeito que o Diabo gosta”: Tudo Manual.

    A fraude
    A advogada Marta Bolívar, militante do Partido União Patriótica, integrante do Pacto Histórico [Progressista], e advogada responsável pelo acompanhamento eleitoral, aponta que a manipulação da
    pré-contagem — o formulário E-14 (*), famoso por aqui — é a forma
    de esconder a fraude no escrutínio eleitoral.

    Ou seja: “mais do que um erro pontual, é um método”.

    *(https://comunicasul.org/wp-content/uploads/2022/05/Captura-de-Tela-2022-05-29-as-01.01.47-e1653804209600-1024×764.png)

    500 mil Votos Desaparecidos nas Legislativas de Março/2022

    A narrativa para as eleições deste domingo (29) se baseia nos desvios
    na transmissão dos votos revelados em 13 de março, nas eleições legislativas.

    Naquele momento, foi descoberto um erro na contagem rápida que
    implicou na comprovação de que 500 mil votos do Pacto Histórico
    haviam desaparecido.

    A partir de um processo amplo, delicado e humanamente custoso,
    testemunhas eleitorais, advogados e militantes do Pacto Histórico,
    com o apoio de engenheiros contratados pela equipe, conseguiram
    identificar que em 28 mil seções eleitorais não haviam votos para
    o grupo político progressista.

    Como resultado, os progressistas conseguiram 4 (quatro) cadeiras
    a mais no Senado, em um universo de 108, o que em qualquer país
    do mundo é um dado impressionante.

    Outros 70 mil estão sendo questionados e podem resultar em mais
    uma vaga a mais para os progressistas.

    Tal prática de “sumiço” de votos “se deve ao fato de ter se naturalizado
    que o processo de escrutínio, devido à sua complexidade, é suscetível
    a intervenções fraudulentas em diferentes pontos de sua execução”,
    aponta o sociólogo Nixon Padilla, professor da Universidade
    Cooperativa da Colômbia (UCC) , em entrevista exclusiva à ComunicaSul,.

    Nixon esclarece que as elites “estão tentando construir uma narrativa
    de dúvida, como um argumento para cenários de divergência e
    confronto, no prazo imediato, mas também a médio prazo”.

    Como já vimos no Brasil e em outros países da América Latina, tal ação
    tem como objetivo “obter apoio não apenas interno, mas também
    externo, e até mesmo justificar alternativas às vias institucionais” [SIC], diz.

    O tema é complexo.
    Desde a direita, essa oligarquia busca roubar a democracia, invertendo
    a narrativa de fraude direcionando-a ao candidato da coalizão progressista.

    Os Candidatos da Direita (Hernandez) e da Extrema-Direita (Gutiérrez)
    apresentam a questão como se fossem as vítimas do confuso sistema
    eleitoral, que ao longo da história tiveram seus resultados eleitorais
    minimizados, fossem os sabotadores do processo e da contagem de
    votos.

    Para construir essa versão, o governo [de direita] trata de desqualificar
    o registrador Alexander Vega Rocha, responsável por garantir o
    processo eleitoral no país.

    A jornalista do Jornal Voz e integrante do Partido Comunista da Colômbia
    Carolina Oyeda avalia que se trata de uma cortina de fumaça para
    ofuscar e questionar uma possível — e provável — vitória de Gustavo
    Petro.

    Ainda nesse sentido, um decreto do governo colombiano gerou
    revolta no país.
    Na quarta-feira (25), foi emitido o decreto 830 que não continha
    nenhum artigo relacionado com as testemunhas eleitorais ou
    o direito de reunião em lugares públicos.
    O fato foi recebido com muita preocupação e foi retificado logo
    depois com o acréscimo de um novo decreto.

    Oyeda avalia que não se trata de obra do acaso.
    “O que aconteceu foi que, de maneira maquiavélica e na mesma lógica
    de exercer toda uma intencionalidade de corrupção no processo
    eleitoral, dois artigos foram alterados, o artigo que fala precisamente
    da participação de testemunhas eleitorais e a participação destas
    testemunhas com equipamento eletrônico para registrar este
    processo”.

    Apesar da mudança feita para calar a crítica, não houve regulação
    sobre reuniões em lugares públicos, deixando margem para que
    prefeitos proíbam reuniões após a divulgação dos dados, ainda que de
    comemoração e pacíficas.

    Nixon avalia que “isto é extremamente grave porque, na prática, toma
    medidas excepcionais que limitam as liberdades civis, tais como
    as de reunião e manifestação.

    O processo de votação é complexo na Colômbia.

    Os jurados eleitorais têm que preencher três formulários diferentes
    com informações sobre a votação e é neste momento que tende
    a ocorrer as modificações, sendo uma ameaça real.

    De acordo com o professor Nixon, a fraude principal está no “processo de votação e contagem, já que com a ausência do voto eletrônico,
    a intervenção humana abre possibilidades de fraude em várias partes
    do processo”.

    Bolívar explica como o tema é manipulado.
    A falta de escrutínio nas 28 mil mesas nas eleições de março [deste ano] — de 116 mil no país — “deu à opinião pública uma sensação de fraude” e desconfiança no sistema eleitoral.
    Porém, o tema também é usado pelas campanhas rivais no sentido
    de “de onde vão aparecer os votos se a pré-contagem não dá uma
    informação fidedigna”?

    Desta forma, a confusão se estabelece.
    “Fomos as vítimas do erro no apontamento de informações,
    mas os adversários saem a questionar como é possível que tenhamos
    mais votos na contagem final do que na pré-contagem”, explica a
    advogada.

    Os Candidatos da Direita chegaram a sugerir que a fraude vinha
    do Pacto Histórico, quando éramos nós que estávamos perdendo
    cinco assentos no Senado [que foram recuperados na recontagem]”,
    complementa Bolívar.

    Esse tipo de irregularidades, no entanto, não impacta apenas a esquerda.

    “Houve o caso do cristão Partido Mira, que conseguiu encontrar
    seus votos ‘desaparecidos’ em 2014, obtendo três cadeiras a mais
    no Senado”, lembra Yesenia Moreno Rodríguez, militante da rede
    Feministas e Plebeias, do Partido Colômbia Humana.

    Naquele momento, “alguns setores da esquerda também perderam
    lugares, mas não tinham a capacidade logística, tecnológica ou
    financeira para sustentar a fraude que era evidente”, aponta Nixon.

    Adicionalmente a isso, surgiu, no Conselho Nacional Eleitoral (CNE),
    a necessidade de uma auditoria externa do processo.
    Em um primeiro momento, porém, o governo não viu a necessidade
    de que isso acontecesse. Fez vista grossa, no bom português.

    A longa luta no CNE e a falta de recursos culminou na impossibilidade
    dessa auditoria.

    Nixon explica que “diante do triunfo presidencial cada vez mais provável
    de Petro [no primeiro turno], está sendo feita uma tentativa de
    consolidar a ideia no imaginário público de que isto poderia ser
    produto de fraude, ao mesmo tempo, em que se evita uma auditoria
    que poderia minar as fake news”.

    Diante de todo o exposto, a esquerda no país teme pelo resultado da
    votação deste domingo e isso não só pelo ocorrido nas eleições
    legislativas.
    “O medo se deve ao fato histórico dos altos níveis de corrupção
    que historicamente ocorreram no país”, aponta Oyeda.

    Em termos do que está acontecendo na democracia colombiana,
    as descobertas sobre os níveis de corrupção e até mesmo os níveis
    de perseguição dos partidos de direita aos partidos de oposição
    e aos que exercem algum nível de distância do status quo no país
    sempre foram silenciadas ou estigmatizadas.

    Além dos fatos já expostos, outro risco ao exercício democrático
    é a coerção eleitoral.
    Nesse caso, patrões e donos de empresas privadas, bem como em
    entidades públicas “exercem pressão sobre a burocracia estatal
    para orientar e obter votos, sob pena de perder o emprego, é uma
    das formas usuais e normalizadas de fraude”, conta Nixon.

    Não é surpresa que em um país dominado pelo narcotráfico essa
    prática exerça pressão sobre o sistema eleitoral.

    Nixon nos ajuda a compreender, apontando que isso é feito com
    “dinheiro que não passa pelos sistemas de controle financeiro,
    que vem de fontes ilegais, sobretudo do tráfico de drogas, mas
    também das contribuições de empresários legais que dão dinheiro
    debaixo da mesa para as campanhas de sua escolha”.

    Ele evidencia que, “uma votação na Colômbia, dependendo da região,
    do nível de necessidade da população e da competição entre
    candidatos, pode custar entre 15 e 50 dólares” por pessoa.

    Essa ação sistemática e institucionalizada na Colômbia — recentemente,
    a jornalista María Jimena Duzán lançou um podcast com o passo
    a passo de como se compra voto no país — pode impactar o resultado
    eleitoral.
    Nixon agrega a isso explicando que se trata de “todo um empreendimento,
    e a quantia envolvida vale dezenas de milhões de dólares, cujas origens
    estão fundamentalmente ligadas a quadrilhas criminosas e ao
    tráfico de drogas”.

    Vale destacar ainda que “o nicho social fundamental para a compra
    de votos é a população mais carente e empobrecida, onde o Pacto Histórico também tem um apoio significativo”, crava o professor.

    Não é algo muito presente no imaginário brasileiro, mas a alta abstenção também é considerada uma ameaça.

    Juan Ángel Galeano, especializado em delitos eleitorais e membro
    da União Patriótica nos conta que há territórios em que o Estado
    não chega.
    Neste sentido, 580 municípios, metade do país, têm alto risco eleitoral.

    Recentemente, o chamado Clã do Golfo, um grupo narcotraficante
    que conta com apoio paramilitar, realizou um bloqueio armado que
    durou quatro dias, resultou em 24 mortes e queima de 200 veículos
    para bloquear estradas.
    Aconteceu todo tipo de atrocidade entre 5 e 9 de maio, afetando
    119 municípios.
    E o Estado, com o Exército não chegou a nenhum deles, aponta
    Galeano.

    Todo esse cenário faz com que parte da população, especialmente
    camponeses, não acreditem no processo político.
    “Porque todos os dias são mostrados massacres que não se resolvem,
    roubo de dinheiro, que não se resolvem e que mulheres desaparecem,
    o que tampouco se resolve” e isso gera desencantamento, diz o advogado.

    Historicamente, metade da população do país não vota.
    Dos que comparecem, metade não apoia as mudanças (por diversos
    fatores). “Então 75% do país tende a manter o status quo”, diz Galeano.

    O cenário, no entanto, está mudando, como apontam as pesquisas
    que apontam a vantagem de Petro entre a população e o crescimento
    da esquerda em todos os cargos no país.

    Íntegra:

    https://comunicasul.org/colombia-vota-entenda-os-riscos-de-fraude-nas-eleicoes-deste-domingo/


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