Adriano Diogo: Comissão da Verdade de São Paulo vai priorizar os mortos e desaparecidos

Tempo de leitura: 2 min

por Conceição Lemes

Será realizada na próxima quinta-feira, 1 de março, às 19h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo a abertura solene da Comissão Estadual da Verdade, que, em homenagem ao ex-deputado Rubens Paiva, terá o seu nome.

A instalação oficial foi nessa terça-fera, 28 de fevereiro. O deputado estadual Adriano Diogo (PT) foi escolhido como presidente. São também seus membros efetivos os deputados estaduais  Marco Zerbini (PSDB), André Soares (DEM), Ed Thomas (PSB), Ulysses Tassinari (PV).  Os  substitutos são João Paulo Rillo (PT), Mauro Bragato (PSDB), Estevam Galvão (DEM), Orlando Bolçone (PSB), Regina Gonçalves (PV).

“A Comissão Estadual da Verdade  deve colaborar com a Comissão Nacional da Verdade  na apuração de  violações graves dos Direitos Humanos, durante a ditadura militar, que vigorou de 1964 a  1982”,  esclarece o deputado Adriano Diogo. “Ela vai se ater aos crimes políticos ocorridos no Estado estado de São Paulo ou praticadas por agentes públicos estaduais.”

A comissão foi criada pelo projeto de resolução nº 36/2011, de autoria de Adriano Diogo, que nos deu mais detalhes da proposta.

Viomundo — Por que criar uma Comissão Estadual da Verdade?

Adriano Diogo — É para conscientizar a sociedade sobre a importância da abertura dos arquivos da ditadura e contar os fatos daquela época do jeito como aconteceram,  incorporando a história do movimento popular de 1964 a 1982. Temos a responsabilidade enorme de abrir os arquivos oficiais que estão com os militares e a polícia.

Viomundo —  Como vai funcionar?

Adriano Diogo — Será uma referência e  uma subcomissão da Comissão Nacional da Verdade. Ela é constituída de cinco deputados estaduais efetivos, mas se associará a universidades, sindicatos, câmaras municipais, para criar, assim, uma rede de informações sobre o período da ditadura.

Viomundo — Qual a prioridade?

Adriano Diogo — Pretendemos priorizar todos os casos de mortos e desaparecidos, identificando onde  estão e a situação que desapareceram. Inicialmente coletaremos os documentos já existentes nos depoimentos.  Depois, iremos atrás dos documentos oficiais até hoje não disponibilizados. Queremos gerar resultados efetivos, para que o Estado brasileiro possa punir os crimes.

Viomundo — Não receia que os trabalhos possam ser interditados  por outros membros da comissão?

Adriano Diogo –– Nós vivemos sendo interditados. Precisamos saber como nos livrar dessas barreiras. Precisamos saber quais são os limites da democracia e avançar, pois essa democracia representativa é muito limitada. Temos que ampliar nossos limites.

Viomundo — Qual a duração da comissão?

Adriano Diogo — Pelo menos dois anos, podendo se estender até o termino da Comissão Nacional da Verdade.

8) Por que a comissão terá o nome de Rubens Paiva?

Adriano Diogo — Rubens Paiva era um parlamentar democrata da resistência de São Paulo, que foi assassinado pela ditadura e até hoje seus familiares não conseguiram enterrá-lo, pois deram sumiço no seu corpo.  É um ícone da luta pela democracia no Brasil.

Rubens Paiva, desaparecido desde 1971. Vídeo de Vladimir Sacchetta

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Comentários

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Ivan Seixas: É preciso resgatar a história das Divisões de Segurança e Informações | Viomundo – O que você não vê na mídia

[…] Ivan Seixas é integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos e um dos apoiadores da Comissão Estadual da Verdade, já instalada em São Paulo. […]

Nelson Menezes

Na argentina os militares da ditadura que cometeran todos os tipos de barbarie foram condenados porque a justiça e independente e não se acovardou como aconteceu aqui no Blasil, não adianta enquanto os Juises do supremo forem nomeados pelos politicos a nossa flagil democracia não vingara e tem mais esta comissão da meia verdade já esta fadada ao fracasso poque temos os militares que se formaram nas mesmas academias e tem os mesmos ensino dos ditadores de 1964 ,portanto tirem o cavalo da chuva porque o corporativismo e muito forte e não vão permitir que nenhum torturador sente nos bancodos reus.

Urariano Mota: O lugar do escritor no Brasil | Viomundo – O que você não vê na mídia

[…] Adriano Diogo: Comissão da Verdade de São Paulo vai priorizar os mortos e desaparecidos […]

Julio Silveira

Não acredito que isso leve a alguma coisa util,. Vindo de onde vem não acho que temos por que comemorar ou levar a sério. Só para lembrar se esse pessoal não resolve os casos do presente como o do Pinheiro e outros de São Paulo, como acreditar que irão revolver o passado para buscar alguma justiça? Para merecerem credito primeiro tem o dever de casa que está acumulando na escrivaninha para fazerem. Acredito mais é que querem pegar carona num assunto mal resolvido, que mexe com todo democrata convicto e com a democracia, para se promoverem.

Rodrigo Leme

A iniciativa é muito boa e necessária, mas se a prioridade são mortos e desaparecidos, estes nomes não podem ficar de fora:

07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia
Morto pelos terroristas Ioshitame Fugimore, Oswaldo Antônio dos Santos e Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária(VPR), quando roubavam seu automóvel na esquina das ruas Carlos Norberto Souza Aranha e Jaime Fonseca Rodrigues, em São Paulo.

15/12/67 – Osíris Motta Marcondes, bancário
Morto quando tentava impedir um assalto terrorista ao Banco Mercantil, do qual era o gerente.

24/11/67 – José Gonçalves Conceição (Zé Dico) – fazendeiro
Morto por Edmur Péricles de Camargo, integrante da Ala Marighella, durante a invasão da fazenda Bandeirante, em Presidente Epitácio. Zé Dico foi trancado num quarto, torturado e, finalmente, morto com vários tiros. O filho do fazendeiro que tentara socorrer o pai foi baleado por Edmur com dois tiros nas costas.

    Miguel

    o cinico metido a besta, aind nao entendeu a diferenca entre acoes cometidas por pessoas e terrorismo de ESTADO, praticado por agentes publicos, em reparticoes publicas, com dinheiro e material publico, a mando de um governo ilegal???

    sao uns descerebrados mesmo.

    Rodrigo Leme

    Crime é crime. A justiça dá penas diferentes de acordo com agravantes e atenuantes, mas um assassinato é um assassinato, tem vítima e tem família que chora, mas sobretudo tem quem mata e deve ser punido.

    E se você acha que aluta armada foi um "equívoco político", não há pq discordar de mim qdo peço que assassinos sejam punidos.

    P Pereira

    “É importante dizer isso porque corremos o risco de ver a Comissão da Verdade se transformar em uma macabra validação da famosa “teoria dos dois demônios”. Certamente haverá a tendência em colocar em circulação a necessidade de investigar os ‘crimes feitos pelos terroristas de esquerda’ . Por isso creio ser mais que necessário perder o medo de dizer em alto e bom som: toda ação contra um governo ilegal é uma ação legal. Um Estado ilegal não pode julgar ações contra si por ser ele próprio algo mais próximo de uma associação criminosa. Esta era a situação brasileira.

    Pois podemos dizer que dois princípios maiores fundam a experiência de modernização política que caracteriza a tradição da qual fazemos parte. O primeiro desses princípios afirma que um governo só é legítimo quando se funda sobre a vontade soberana de um povo – livre. O segundo princípio afirma o direito à resistência. Mesmo a tradição política liberal admite, ao menos desde John Locke, o direito que todo cidadão tem de assassinar o tirano, de lutar de todas as formas contra aquele que usurpa o poder e impõe um Estado de terror, de censura, de suspensão das garantias de integridade social. Nessas situações, a democracia reconhece o direito à violência.

    Costuma-se dizer que o direito à resistência não pode ser aplicado ao caso brasileiro já que a repressão caiu exclusivamente sobre os ombros de integrantes da luta armada que procuravam criar um governo comunista e totalitário no Brasil. Mas a afirmação é falsa. A repressão agiu contra toda forma de resistência, não só aquela da luta armada. O deputado Rubem Paiva, assim como vários sindicalistas e estudantes não faziam parte da luta armada e foram brutalmente mortos. Diz-se que estávamos em uma guerra e ‘efeitos colaterais’ são produzidos. Mas, mesmo em situações de guerra, abusos são punidos.” (Vladimir Safatle, em “ À sombra da ditadura”) http://www.cartacapital.com.br/politica/a-sombra-

    Rodrigo Leme

    Ha, não estou falando de ações contra um governo ditatorial, mas sim contra civis, mortos em crimes comuns como latrocínios e assaltos. Veja que minha lista não possui uma vítima militar.

    E esse texto acima é a expressão máxima da cara de pau. O que têm a ver donas de casa, gerentes de banco e taxistas mortos por pessoas doentes que roubavam um carro ou um banco? Incluindo em um dos casos que listei o uso de tortura?

    Essas famílias devem receber um "seu pai foi vítima de efeito colateral de nossa luta revolucionária" e tentarem se conformar com isso? Se a resposta é afirmativa, sugiro que o sr. Vladmir Stafale leve essa mensagem pessoalmente a cada família. Talvez aprenda uma lição ou duas sobre o abismo que separa a retórica da realidade.

    cronopio

    Rodrigo, desculpe-me, mas parece que você se enbananou completamente. Você diz que esses foram "crimes comuns como latrocínios e assaltos" e ressalta que foram praticados contra "civis". Ou seja, segundo sua linha de raciocínio, são crimes que não visavam atingir o governo ditatorial. Ora, se os crimes não tiveram motivação política, não têm absolutamente nada a ver com o propósito de uma comissão da verdade. Uma comissão da verdade investiga crimes políticos. É verdade que a nossa polícia não era capaz de resolver crimes comuns, e isso não mudou nada até hoje (uma prova cabal de que polícia mais violenta não é a mesma coisa que polícia mais eficiente, como pregam alguns políticos). Novamente tenho a impressão de que você age de má-fé, pois me recuso a acreditar que você seja incapaz de desenvolver as consequências de um argumento e não consiga perceber a contradição que acabou de mascarar.

    Rodrigo Leme

    Não há contradição, pois foram crimes comuns feitos por motivação política. Não foram diretamente para atingir o governo ditatorial, mas ocorreram neste contexto. Não foram ataques à quartéis, nem troca de tiros com polícia, mas foram crimes cujos culpados nunca foram buscados justamente por causa da Lei da Anistia que as Comissões da verdade pretendem contornar.

    E aí eu te pergunto: você acha certo os autores destes crimes nunca terem pago por eles, por estarem no contxto da Lei da Anistia? Só pra medirmos a sua "má fé".

    cronopio

    Caro Rodrigo, crime político é algo muito diferente de crime político, tanto que os presos políticos ficam em prisões especiais, separados dos presos comuns. Um pouco de rigor, por favor. Já que você está tão indignado com os crimes cometidos pelos grupos de radicais de esquerda, vá pesquisar um pouco sobre o que motivou esses crimes. Há muitos crimes que foram simplesmente atribuídos a presos políticos pelos jornais da época, sendo que os alegados criminosos nem estavam no Estado quando o crime foi cometido. Caso a motivação seja política, como você afirma, cabe julgá-los como crimes políticos. Se forem crimes comuns, é preciso julgá-los como tal. Você continua agindo de má-fé. Acho que o principal problema de instaurar-se uma Comissão da Verdade no Brasil é considerar que a democracia aqui de fato se efetivou, o que é para lá de contestável. Mas é impossível debater com quem não consegue perceber as contradições do próprio argumento, porque age de má-fé…

    cronopio

    Corrigindo "crime político é algo muito diferente de crime comum". Foi aliás, o coronel do DOI-Codi Carlos Alberto Brilhante Ustra quem anexou o parecer à lei de Anistia que perdoava crimes como tortura e crimes conexos (quer dizer, não imediatemente políticos). Será que ele fez isso porque estava com dó dos radicais revolucionários? No mundo encantado de Rodrigo Leme, o Coronel Ustra é um grande bem-feitor, um homem de brios. Que tenha assassinado friamente vá lá… O Brasil é inclusive processado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por não ter revisado sua lei de anistia. Mas, francamente, Rodrigo, você está realmente interessado em aprofundar a discussão?

    Rodrigo Leme

    Enquanto você continuar mentindo e colocar palavras como "No mundo encantado de Rodrigo Leme, o Coronel Ustra é um grande bem-feitor, um homem de brios." na minha boca, não tem discussão mesmo.

    Aliás, é o recurso de quem tem medo do debate: pega o argumento mais absurdo possível, coloca na conta do interlocutor e daí parte para justificar pq não se discute mais. O que mais deve te deixar puto é que eu não acredito no que você quer q eu acredite, pq tornaria seu trabalho mais fácil.

    Como não sou assim, vc se limita a mentir. Medíocre.

    cronopio

    Melhor medíocre do que fascista. Você tem é vergonha de dizer que ganha dinheiro para escrever esse monte de merda. Não tem coragem e nem dignidade. Espero que um dia aprenda o quanto é vergonhoso o papel que você exerce. Bom, é isso aí, o fascismo vive mesmo de gente frustrada como você, uma pena. Mais um fascista sai do armário. Pelo menos assume que não vai responder as perguntas. É claro que não diz por que. Prefere tautologias estúpidas como "crime é crime". Só faltou acrescentar: "e vice-versa".rs

    Rodrigo Leme

    Muito fácil falar essas coisas sem dar nome ou cara. Acha que tem moral para falar de coragem quando esconde a opinião atrás de pseudônimo. Ridículo, papelzinho medíocre o seu, típico de alguém pequeno o suficiente para evitar discussão de gente grande.

    cronopio

    Eu devo ser muito medíocre mesmo, Rodrigo, pois estou perdendo meu tempo com você.rs E se o viuvinho da ditadura quiser saber meu nome, vai ter que pesquisar sozinho, não vai ser muito difícil, mesmo para um fascista militante. Aliás, nunca vi você fazer um comentário "de gente grande", pelo contrário, está sempre encarniçado em debater picuinhas. Refletir, não à toa, é um verbo no qual está implícita a necessidade de olhar para si próprio. Não responderei, portanto, a nenhuma de suas ofensas, pois, ainda que tarde, tomei pé do papel ridículo que estou exercendo aqui, tentando argumentar com alguém abertamente fascista. Reconheço meu erro. Passar bem.

    Miguel

    mas se voce nao consegue entender a diferenca entre um assassinato e o terror sistematico de Estado, que e' a razao de ser dessa comissao, e' um obtuso.

    e o que tem a vrr considerar equivoco politico com concordar com essa besteira que voce disse??

    Miguel

    e essas informacoes foram colhidas onde? no "terrorismo nunca mais"? "coturno noturno"?

    a luta armada foi um equivoco politico, mas chamar de terrorismo ja denuncia a mentalidade tacanha de quem escreve.

    Rodrigo Arriagada

    É de um mau caratismo enorme usar esse tipo de argumento sem explicar o que era o conceito da lei de segurança nacional, ainda mais sem explicar que a tal lei era uma imposição do pensamento militar norte-americano ministrado atravs dos cursos para oficiais latino americanos na escola das américas no Panamá e pior ainda não explicar que essa "segurança" nacional se tratava de algo que os gringos ensinavam a ser combatido a ferro e fogo.
    Se existiram PESSOAS que se revoltaram contra tal estado de coisas, foi da natureza humana. Ou você acha que somos todos rebanho?

    Rodrigo

    Peço desculpas. A lei de segurança nacional é posterior, é de 1983.
    A DOUTRINA de segurança nacional é que era passada aos militares no Panamá.

dourado

dica de matéria
http://pr-mg.jusbrasil.com.br/noticias/3032152/mp

Gerson Carneiro

"A comissão estadual da verdade se associará a universidades"
O reitor Rodas já mandou avisar para incluir a USP fora dessa.

"Queremos gerar resultados efetivos, para que o Estado brasileiro possa punir os crimes."

Li bem, "Punir"? A comissão nacional da verdade não tem esse poder e o governo Dilma não tem essa disposição. Portanto não vamos nos iludir.

Que triste e cruel. Quarenta anos depois, esse Estado que assassinou e desapareceu corpos continua calado, inpune, e debocha exibindo na TV "pública" entrevista de um sorridente Cabo Anselmo.

Barbarizaram e nada aconteceu com eles. A não ser o fato de que muitos hoje vivem escondidos em si.

Quantos carrascos transitam livremente pela cidade, com nomes falsos e que por vezes até já nos deparamos no dia a dia com eles? Morei em um prédio aonde morava um senhor que diziam que era coronel do exército. Todo introspecto, mal falava bom dia. E não deixava a esposa ter contato com ninguém.

Toda vez que encarava aquele senhor ficava imaginando o que aquele senhor sabia. Quem era ele na verdade? Poderia não ser o que eu pensava que era. Mas, como ter certeza sem uma comisão da verdade?

    beattrice

    Se quiser aumentar a sua tristeza olhe ao lado, na Argentina dos Kirchner democracia se escreve com D maiusculo e a cadeia hierarquica todinha jaz nos presidios.

Miguel

curioso pra ver o argumento "inedito" de gente a la "coturno noturno": revanchismo, vao "falar de um lado so", "queriam implantar uma ditadura comunista", patati, patata…

beattrice

A Comissão Estadual da Verdade prestaria um grande serviço à própria, ou seja à VERDADE,
e à Memória dos Desparecidos se focalizasse um capítulo particularmente vergonhoso no caso paulista,
o financiamento da OBAN por empresários paulistas.

[youtube G-QSD-vU38k http://www.youtube.com/watch?v=G-QSD-vU38k youtube]

    Morvan

    Bom dia.

    Boa, Beattrice.

    Empresários nada republicanos + igreja + militares = OBANdidagem.

    :-)

    Morvan, Usuário Linux #433640.

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