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Adriano Benayon: Remessa de lucros chegou a quase US$ 6 bi em 2011


18/06/2012 - 11h19

Juros e  economia desestruturada

por Adriano Benayon*

14 de junho de 2012, sugerido pela Sgeral

I. Juros

1. Fez-se grande alarde da suposta pressão da presidente para que os bancos reduzissem um pouco as taxas de juros, acompanhando as baixas recentes na taxa SELIC, determinadas pelo Banco Central para os títulos do Tesouro Nacional.

2. Houve polêmica, com alguns enaltecendo a iniciativa governamental, e a grande mídia veiculando, junto com os usuais economistas a serviço dos bancos, as tradicionais advertências de que seria perigoso diminuir as taxas de juros. Na essência, tudo não passou de teatro.

3. O fato é que os juros praticados no Brasil são os mais usurários do Planeta, e as  finanças da grande maioria dos brasileiros vai mal, pois os devedores perdem, cada vez mais, a capacidade de quitar as prestações.

4. Em suma, atuais taxas de juros são incompatíveis com a manutenção do volume do crédito no País. Ou seja: se elas não baixarem, grande número de pessoas físicas e  empresas não-oligopolistas não mais terão condições de tomar crédito, e os bancos verão cair muito seu volume de negócios.

5. Ademais,  os bancos foram compensados pelo BACEN com a diminuição dos depósitos compulsórios  sobre os depósitos a prazo. Além disso, o BACEN permite-lhes elevar em 10% (R$ 18 bilhões) o volume de seus financiamentos de automóveis e veículos comerciais leves.

6. Assim, o governo prossegue privilegiando dois dos setores poderosos, ambos controlados por grupos concentradores, o dos bancos – em que a participação estrangeira segue crescendo – e transnacionais estrangeiras montadoras de veículos.

7. O governo petista continua favorecendo essas montadoras com repetidas baixas e isenções de impostos, como voltou a fazer, há pouco. Parece querer, de qualquer maneira, fazer com que essas transnacionais prossigam remetendo ao exterior lucros oficiais (sem falar nos disfarçados) em montantes recordes, o último dos quais foram os US$ 5,58 bilhões em 2011, com aumento de 36,1% em relação a 2010.

8. Estimula, de todos os modos, a compra de automóveis, enquanto a infra-estrutura de transportes públicos urbanos é  cada vez mais insatisfatória, as rodovias também se deterioram e inexistem transportes ferroviários e aquaviários. Desse jeito, os veículos automotores, sonho de consumo, se atravancam nas vias urbanas e, quando chegam ao destino, começa o sofrimento para estacionar, acompanhado de tarifas extorsivas.

9.  Com efeito, como temos demonstrado em vários artigos, as transnacionais e uns poucos  grandes grupos locais, em geral associados a elas, comandam a política econômica do Brasil, há muitos decênios.   Isso é verdade tanto em relação à  chamada economia produtiva, como no que se refere à financeira, como ilustram, entre outros, estes  instrumentos destinados a assegurar que a economia brasileira seja sangrada em favor de banqueiros estrangeiros e locais:

a) juros reais elevados;

b) prioridade a alocar recursos para o “superávit primário”;

c) a emenda constitucional da Desvinculação das Receitas da União (DRU), pela qual se desviam vultosíssimos recursos tributários, inclusive os da seguridade social, para o serviço da dívida;

d) a Lei de “Responsabilidade” Fiscal;

10. Muita gente tem a ilusão de que, nos últimos anos, houve mudanças significativas na redistribuição da renda, mas isso só se deu em relação a estratos marginalizados pelo sistema produtivo. Este prossegue oferecendo poucos empregos em geral e ainda mais raros quando se trata dos mais qualificados e bem remunerados, a não ser no topo dos executivos financeiros.

11.  A redistribuição que se faz é a recomendada pelo Banco Mundial e visa ao objetivo irrealista de manter acomodados os mais destituídos. De outra parte, praticamente nada mudou quanto ao privilegiamento aos concentradores financeiros mundiais, como exemplifiquei acima nos parágrafos 6 a 9.

12.  Alterou-se somente a retórica, supostamente mais à esquerda em relação a governos anteriores, o que serve para alimentar a oposição por parte da grande mídia e montar a encenação de que as instituições políticas oferecem alguma alternativa por ocasião das eleições.

II – Camisa de força estrutural

13. O sistema de poder imperial amarrou a política econômica “brasileira” numa camisa de força, uma vez que estabelece a meta de inflação associada à ideia (falsa) de que os juros funcionam contendo a alta dos preços.

14. Acontece que houve, ao longo dos últimos decênios, acentuada decadência estrutural da economia, causada pela desnacionalização. A desindustrialização, associada também à abertura ao comércio mundial,  é apenas uma das facetas dessa decadência.

15. Isso implica cada vez maior dependência de produtos importados, especialmente os de maior conteúdo tecnológico e maior valor agregado.

16. A população mal alimentada ou incorretamente alimentada, além de explorada por carteis transnacionais nas sementes, fertilizantes e alimentos industrializados, submetida a stress por dificuldades financeiras, transportes precários, precariedade nos empregos etc. é grande consumidora de exames médicos em aparelhos importados e enorme quantidade de drogas (chamadas de remédios) cujos insumos principais são  importados.

17. Além disso, impostos altos, tarifas absurdas, como a dos pedágios indecentes nas rodovias paulistas, as da eletricidade privatizada etc. Ademais,  os  produtos industriais encontrados no mercado são dominados,  na maioria, por carteis e empresas em oligopólio.

18. Assim, tanto a produção local, nas mãos das transnacionais, como as importações têm preços elevados, e tudo isso leva a pressão inflacionária. Então, a pretexto de conter essa pressão, os juros no Brasil têm-se mantido incomparavelmente altos (são atualmente negativos na Europa, EUA e outros).

19. Fundos e outros aplicadores estrangeiros tomam, no exterior, recursos a juro zero para aplicá-los no Brasil, em títulos públicos e outros instrumentos financeiros. Isso faz o câmbio do real sustentar-se em patamar alto e tornar menos competitiva a produção realizada no Brasil. Junto com a decadência estrutural, isso causa, nas contas externas do País, déficit de transações correntes dos mais altos do mundo, em proporção do PIB.

20. Portanto, o modelo econômico leva forçosamente a crises e  assegura que o País não realize o tão falado e jamais alcançado desenvolvimento. É o modelo da dependência, adotado desde meados dos anos 50 e radicalizado, a partir de 1990, com a adesão subalterna à globalização dirigida pelas potências imperiais.

* Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento” ([email protected])

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26 comentários

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Marcelo de Matos

19 de junho de 2012 às 19h41

“Então, a pretexto de conter essa pressão, os juros no Brasil têm-se mantido incomparavelmente altos (são atualmente negativos na Europa, EUA e outros)”. Que os juros são altos no Brasil, todos sabemos. Gostaria que alguém explicasse qual a lógica de serem “negativos na Europa, EUA e outros”. Como é possível existir bancos que trabalhem com juros negativos? É preciso explicar essa mágica para nós, leigos. Qual é o esquema por lá? Os dólares e os juros são desvalorizados artificialmente? Não há lógica em apenas criticar nossos juros altos e não explicar como os outros países conseguem zerá-los. Claro que não dá para todos zerarem os juros, ou desvalorizarem as suas moedas nacionais. Por essa razão, comparar nossos juros com os dos EUA e Europa só pode ter objetivos políticos.

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Marcelo de Matos

19 de junho de 2012 às 13h46

Quem investe na indústria nacional? Lógico que é quem tem dinheiro. Getúlio Vargas chamava esse pessoal de forças produtivas: além dos banqueiros, comerciantes, industriais, produtores rurais e prestadores de serviço detentores de capitais, que também fazem aplicações no mercado financeiro. Os bancos costumam aplicar 50% no mercado financeiro e 50% na indústria. O grupo Itaú de Minas, que deu origem ao atual Itaú, já era composto dessa forma: parte financeira e fábricas de cimento. Cobrando altos juros os malvados banqueiros estariam, ao mesmo tempo, se auto-supliciando. Se a indústria não se desenvolve eles também são prejudicados, direta e indiretamente. Baixar os juros é uma questão de escolha, não do “governo petista”, mas, da sociedade brasileira. Fiesp e Febraban são entidades autônomas da sociedade civil. Lula subscreveu a Carta aos brasileiros assegurando que não interferiria nas deliberações dessas entidades. Quando se critica o modelo, portanto, é bom deixar claro a quem a crítica é dirigida: governo ou “sociedade civil”.

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Marcelo de Matos

19 de junho de 2012 às 13h20

O autor alinhava vinte itens para reforçar sua crítica porque “O governo petista continua favorecendo essas montadoras com repetidas baixas e isenções de impostos”. Convém lembrar: temos 20 montadoras instaladas no país, outras em fase adiantada de instalação, como a Toyota em Sorocaba e a Hyundai em Piracicaba. Chinesas chegando: Chery em Jacareí-SP e JAC em Resende-RJ. A Chery vai trazer um banco para financiar a venda de veículos. O país não pode prescindir desses vultosos investimentos. Teríamos de criar uma indústria automobilística nacional? Não sei se seria o caso: muitas das transnacionais estão falindo. JK criou a fábrica nacional de motores, mas, não foi adiante. Repete-se a ladainha da desindustrialização, mas, o que vemos é a frenética instalação de novas indústrias. Ah, são transnacionais? Teriam de ser genuinamente nacionais? Mas, isso nunca constou de nossas metas de planejamento econômico. O governo esforçou-se por criar uma indústria de celulares; nos ramos de fertilizantes e medicamentos há projetos; no de “agrotóxicos” estamos a zero.

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Silvio I

19 de junho de 2012 às 11h26

E muito fácil criticar contra as montadoras de automóveis. Mais se esquecem de que esta Indústria move todas as indústria metalúrgica nacional, e muitas indústrias fornecedoras de materiais que formam parte do automóvel. Isso representa muita mão de obra. Com respeito aos Bancos tem toda a razão porque faz mais de 20 anos que o Brasil, esta em mãos do capital financeiro, em detrimento da produção. Ter-se-ia que mudar totalmente o Brasil, para que isto não ocorra, e isto em período pequeno, não e fácil fazer.

Responder

Nelson

19 de junho de 2012 às 10h57

Entre os “instrumentos destinados a assegurar que a economia brasileira seja sangrada em favor de banqueiros estrangeiros e locais” Adriano Benayon insere a Lei de “Responsabilidade” Fiscal (as aspas na palavra responsabilidade, muito bem colocadas, são por conta dele).

É bom frisar esta afirmação, pois foi feita por um diplomata e doutor em economia que já mostrou que sabe muito sobre a economia brasileira e mundial.

Digo isto, porque, meses atrás, quando, em comentário neste sítio eu expus o que é realmente a LRF, fui desancado pelo comentarista João não lembro do que. Repetindo a ladainha dita e redita pela mídia hegemônica, João veio afirmar que a LRF foi implementada por FHC para salvar o Brasil do caos e que, graças a ela estamaos em melhor situação atualmente.

Sempre é bom ressaltar o objetivo para o qual a LRF foi gestada pelos tecnocratas do duo FMI/Banco Mundial para ser implementada em diversos países, não só no Brasil. A LRF é um instrumento montado para garantir que, de cada rincão do nosso país, possa fluir, para as mãos do grande capital, nacional e internacional, grande parte da riqueza produzida por nosso povo. Detalhe: sem levar em conta se as nossas necessidades já tenham sido supridas.

Responder

    eunice

    19 de junho de 2012 às 13h35

    O governo FHC foi mediocre. Mediocre por achar que um combate à inflação não é simples obrigação. Responsabilidade Fiscal também é o´mínimo.

    Silvio I

    19 de junho de 2012 às 18h36

    Eunice:
    Como você e otimista! Ao dizer medíocre. Foi péssimo! Vendeu os bens dos brasileiros, a preço de banana. Foi dirigido pelos EUA, e sucateou nossa defensa, e nossa indústria bélica.

    Nelson

    20 de junho de 2012 às 08h38

    Eu discordo de você, Eunice.

    Para mim, o governo FHC não foi “medíocre” como tu afirmas. Podemos dizer que ele foi muito eficiente; atingiu uns 85% de eficiência. Do ponto de vista dos interesses donos do poder, dos donos do sistema, dos grandes capitalistas, das mega corporações, eu te garanto que ele atingiu este percentual. Se não, vejamos.

    Seguindo à risca a cartilha do duo FMI/Banco Mundial, que, sabemos, trabalha em prol do grande capital, o governo FHC privatizou – doou – quase 70% do patrimônio público pertencente ao povo brasileiro e desestruturou, deliberadamente, o que tínhamos em termos serviços públicos nas áreas da saúde, educação, transportes, entre outras.

    Digo isto porque ele subiu ao poder com a intenção de fazer exatamente o que fez – o projeto era esse – e mais ainda. O que ele deixou de fazer, os 15% restantes em que foi “ineficiente”, só não o fez porque uma parcela do povo brasileiro, pequena, infelizmente, “botou o bloco na rua” e impôs uma heróica resistência a seus planos.

    Um dos piores legados do governo FHC foi ter-nos deixado completamente genuflexos diante do poderio do grande capital, nacional e internacional, hipotecando o futuro nosso mesmo, dos nossos filhos e netos e das gerações vindouras.

    E o fez de tal forma que, creio eu, só conseguiremos nos recuperar em muitas décadas. E para que isto aconteça, há uma condicionante: precisaremos ter muito espírito de união e de entrega à luta que é necessário travar para construirmos o país ao qual cada brasileiro e cada brasileira tem direito. Se não for desta forma, será genuflexão ad eternum.

Carlos Cruz

19 de junho de 2012 às 09h25

Sempre me questionei sobre a política de desenvolvimento do governo petista, repetição mal feita (já que só se repete através da mentira…) do neo-colonialismo liberal da década de 90. Continuamos a não priorizar a educação, a saude, segurança, saneamento básico (BASICO!), a infraestrutura das cidades. Quer gerar emprego? Construção de avenidas, ferrovias, hidrovias. Quer distribuição de renda? Escolas 24 horas, criança entrando 7 da manhã e saindo 19 horas, tratada, alimentada, estudada, cidadã. Quer segurança? Unificação das polícias militar e civil, numa força de segurança apenas, interligadas, treinadas, presentes na cidadania. Quer combater o tráfico de drogas? Polícia de fronteira, inteligencia, prisão dos grandes distribuidores. É simples? Não, mas factível em 10 anos de governo. Mas a prioridade é outra… Juros e juros para o setor financeiro. E o povo que espere em berço esplendido…

Responder

    Silvio I

    19 de junho de 2012 às 11h46

    Carlos Cruz:
    O governo não e formado sô pelo PT. E o Presidente não pode o que você acredita. Você deve ter presente que o poder estas no Legislativo e o Presidente Lula tinham maioria no congresso, sim, ou não? Depois você já pensou quem era maioria no Congresso? Era de colocar os pelos em pé. Depois você quer que se arrume um Brasil que esteve abandonado durante 200 anos,em 8 anos.Ademais das políticas que privatizou todo inclusive as linhas férreas.Estas linhas que já tinham sido deixado de lado a troca de estradas e o transporte de carga sobre caminhões.Mais pensa e verifica que em esses 8 anos não se fez pouco!

    Carlos Cruz

    20 de junho de 2012 às 09h43

    Concordo em parte com vc. Mas são 10 anos de poder! Veja bem, já nos primeiros anos de D. Dilma o que ela faz no Orçamento? Corta os setores mais carentes da sociedade. Ficam discutindo filosofia quando estamos precisando é de feijão com arroz! Que merreca de Copa de Futebol é essa quando bilhões de reais são “arrumados” instantaneamente, e para saúde/educação/segurança/saneamento (são BASICOS!) não se tem dinheiro? FEIJÃO COM ARROZ é o que precisamos. Um exemplo :as greves no funcionalismo público. FADIGA. Os funcionários públicos CONCURSADOS (não os empregados através da politicagem vagabunda!) estão de saco cheio de tanta enrolação-10 anos de mentiras. A relação governo/funcionalismo concursado chegou a FADIGA por cupa do próprio governo, com mentiras e omissões. O que eles pedem necessita de “maioria no CN”? Os cortes no orçamento são unilateral ou precisam do CN e sua “maioria”?

Lu Busis

19 de junho de 2012 às 08h07

É fácil falar. Com a economia mundial em total derretimento, não há governo que consiga ser essencialmente direita ou esquerda, onde quer que esteja gvernando. Não temos que comparar nossa realidade com China, países europeus, EUA, etc., porque são realidades distintas. No momento atual, a Dilma faz o que pode e está fazendo bem feito. Não é uma questão de ser PT ou não PT, é uma questão de necessidade e possibilidade de fazer o que se pretende ou pelo menos parte, na realidade do momento mundial. Além do mais, com a classe média não se brinca em lugar nenhum do mundo. Ela é muito forte e quando resolve derruba tudo e todos, compra quem quer e como quer, inventa crises, muda regime e tudo o mais. Então moçada, nada melhor do que cautela e mais cautela, neste momento.

Responder

Francisco

18 de junho de 2012 às 20h02

João Goulart foi derrubado semanas após fazer o insuportável para as multinacionais: baixou uma portaria na SUMOC legislando sobre a remessa de lucros.

Fez mal Goulart. Foi derrubado por um erro politico básico. Quem colide com a direita, tem de ter um forte apóio na esquerda. Ele trombou pesado com a direita, recebia criticas “a la PSOL e PSTU” da esquerda e, esta mesma esquerda, não tinha uma peixeira debaixo da cama para sustentar o presidente mais à esquerda que o país já tivera até então. Nem sustentou no discurso, nem sustentou na bala.

João errou sobretudo por não ter criado uma burguesia consitente no país. Uma burguesia que ganhasse com o estorvo à burguesia gringa, uma burguesia nativa que não vendesse a Ypioca ao estarngeiro, forçando os brasileiros a pagar royalts para beber cachaça. Sem burguesia nativa, sem burguesia gringa, sem esquerda, sem armas. Quo vadis?

No momento, Dilma é a presidente brasileira mais à esquerda até o momento. É a única ex-guerrilheira da esquerda a chegar ao poder. Bater nela ou encostar nela e ir “empurrando” ela na direção certa? Qual o mais sensato?

É preciso aprender com a História…

Responder

    Silvio I

    19 de junho de 2012 às 11h56

    Francisco:
    De acordo totalmente com o que você diz.Faltou agregar que os militares golpistas, que desde o governo de Vargas ,estavam a espera, para poder dar o golpe e proceder contra o Brasil entregando o ao estrangeiro.

    Francisco

    19 de junho de 2012 às 19h55

    Bem lembrado, Silvio I.

    Um dos temas que mais deveriam deixar a esquerda brasileira aflita (desesperada, até) é a virtual inexistencia de um partido liberal autêntico no país. Isso é péssimo! Ficamos assim: ou ACM Netto (oligarca), ou os nanicos de esquerda (trotkistas) ou o PT. Visão do inferno: o PT tem que pactuar com os Malufs da vida porque os trotskistas não pactuam com qualquer coisa que não seja “a revolução”.

    Fica dificil.

    O medo maior é que, bem ou mal, o discurso burguês (hipócrita, bem sabemos, mas um discurso de efeito pedagógico) é de liberdade de expressão, de participação, associação, sindical, de ir e vir, pensamento, representação politica, etc. Esse “piso” é essencial para se construir qualquer grau de sociedade socialista, seja pouca ou seja muita a profundidade desse socialismo. O povo tem que ser radical (histericamente radical…) na defesa das liberdades democráticas ANTES de qualquer proposta centralizadora, planificadora ou o que seja.

    Tenho um medo que me pelo de stalinismo!!!

    Os que defendem o avanço para o socialismo parecem não enxergar o perigo: somos uma sociedade que não esta nem ai para os direitos humanos e que ainda hoje engole a conversa de que punir tortura é “revanchismo”. Enquanto não tivermos uma sociedade implacavel com os autoritários, oligarcas, racistas, homofóbicos, sexistas, etc. não dá para cogitar de socialismo a não ser com imenso risco!

    Como construir socialismo (em quaquer grau…) que preste numa bagaça dessas?

E. S. Fernandes

18 de junho de 2012 às 19h21

É muito bom ler um artigo além do petismo.
As questões estruturais, que começariam a ser resolvidas com Jango, boicotadas na ditadura, não o foram com a redemocratização; não o foram com o PT no poder. Por mais que queiramos (corretamente) e necessitamos distinguir a direita e a esquerda nativa, as questões de fundo permaneceram as mesmas num ou noutro governo: capitalismo aqui são oligopólios estrangeiros associados com uma burguesia dependente. Isso causa no país um eterno subdesenvolvimento; uma eterna situação de periferia; uma “não” industrialização; um baixo padrão técnológico; um mero exportador de intens primários; um foço classista sempre em crescimento e todo o mal daí decorrente. A tese é antiga, fora de moda, mas tal situação, ao meu ver, não se resolve nos marco da ordem estabelecida.

Responder

Fabio Passos

18 de junho de 2012 às 19h07

Diagnóstico preciso.
O governo do PT ainda pretende romper com este regime que perpetua nosso subdesenvolvimento? Onde está a alternativa política a este regime? O neoliberalismo continua derretendo… temos uma grande oportunidade de romper com a submissão aos especuladores e construir um modelo prórpio de desenvolvimento.

O nível do debate econômico nos blogs progressistas é infinitamente superior ao lixo da mídia corporativa… povoada de figuras medíocres e até caricatas como leitão, maílson, sardemberg. rsrs

Os coitados que leem PIG não tem acesso a boa informação e a pluralidade… foram adestrados ao pensamento único e apenas repetem a idiotia neoliberal de culto ao mercado.

Responder

    Silvio I

    19 de junho de 2012 às 12h12

    Todo isso e muito fácil de escrever, mais e muito difícil de realizar, em curto prazo. Você já pensou, ponhamos um caso Hipotético. Nos agora nacionalizamos todas as empresas multinacionais, que estão sangrando o Brasil, com dinheiro que sai aos rodos, para o exterior.Amanha esta a IV Frota do Atlântico, em nossas porta, E VOCÊ QUE FAZ? Da um tempo as coisas. Você tem como defender te? Tem aviões de caça? Têm Submarinos movidos à energia nuclear? Tem Porta aviões modernos?Tem armamento moderno? Tem Foguetes? Tem bomba atômica para dissuadir? Tem o vetor para transportar essa bomba?Bom depois de responder a todas essas perguntas, me falas.

    Fabio Passos

    19 de junho de 2012 às 21h40

    Bem… se teme ousadias maiores já estaria de bom tamanho acabar com este superavit primário e investir os R$ 100Bilhões/ano em saúde e educação.

isnard carvalho

18 de junho de 2012 às 16h06

Com esse artigo o Psol deveria assumir o governo no Brasil.rs.Ah,e com o acesso a automotivos dificultados pelo Estado.Se os concordantes compraram ou mudaram para um modelo mais novo,seus carros, “vão catá coquim”!! Se não,tá na hora de repensar a vida!!!Mudanças na economia não são feitas aos trancos.ainda mais num País com a nossa história.Achei inoportuno e meio “coro dos descontentes”,mas não com a verdadeira intenção dos tempos da ditadura.

Responder

Jaime

18 de junho de 2012 às 14h17

Ou você tem um Estado que realmente governa e coordena a economia, como na China, ou você tem um setor empresarial forte que beneficie o país, como os países sedes da muitas multinacionais que passeiam por aqui. O Brasil não tem nenhum dos dois. Mas o ruim mesmo é que parece não querer tê-los. Em tempo: previsão de crescimento do PIB para este ano está em 2,7?, por enquanto, e descendo. Em tempo 2: projeto de regulação de remessa de lucros já matou um presidente brasileiro.

Responder

    Helenita

    18 de junho de 2012 às 17h15

    Prezado Jaime, a tentativa de controlar a escandalosa remessa de lucros matou um Presidente, em 1954, e também derrubou e matou outro Presidente, um patriota, o Jango. “… e nunca seremos afortunados, nunca…”

    Silvio I

    19 de junho de 2012 às 12h20

    Helenita:
    Isso em quanto sejamos entreguistas. Isso em quanto nossos empresários se lhes mostre um dólar, e não se saiam os olhos das orbitas, e vendam suas industrias.E com esse dinheiro se vão a Orlando, na Disney, a ver o Ratão Mickey , e ao Cachorro Pluto.

Cassius Clay Regazzoni

18 de junho de 2012 às 11h43

Sempre votei no PT.

Não porque era uma boa opção, sempre porque era a menos pior.

A partir da assinatura da Carta aos Brasileiros, o PT aderiu à ideologia neoliberal, apenas manteve um fino verniz social (programas assistênciais).

Seu arco de alianças permanece podre.

O fato é que sem infraestrutura bancada pelo Estado, sem transporte público estatal e sem uma política de valorização real da educação o Brasil, apesar de seu enorme potencial, está fadado a fracassar fragorosamente.

O artigo escancara o fato de que o PT está muito longe de ser esquerda.

Estamos reféns dos dois maiores lobbies mundiais.

Com esta elite política/econômica que temos, só posso dizer uma coisa: coitado do Brasil e dos brasileiros.

Responder

    Silvio I

    19 de junho de 2012 às 12h26

    CCassius:
    Proponho para você uma coisa fácil de resolver. Isso porque você acredita que o governo do PT tem feito pouco.Coloca uma bomba atômica ,que acabe com o Brasil, e depois começar todo de novo.Novo mais diferente. Qual e tua opinião?

    Orlando

    20 de junho de 2012 às 11h44

    Ah… os radicais.
    Chacais militantes (direita ou esquerda, não importa a corrente ideológica, possuem o mesmo modus operandi) de mente totalitária que recusam qualquer pensamento diverso.
    Cassius, não ligue para essas hienas.
    Faça seu exercício democrático – exponha sua opinião – e deixe-os grasnando suas consternações.

    Saudações democráticas.


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