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Adilson Filho: Globo fechará com Freixo em 2012?


04/11/2011 - 00h18

por Adilson Filho

A recente polêmica envolvendo o deputado do PSOL Marcelo Freixo abriu intensa discussão nas redes sociais sobre o fato de a Globo estar ou não “patrocinando” sua  campanha para a prefeitura do Rio em 2012. Acho que vale a pena um rápido esforço de reportagem para entender melhor essa questão.

Nas eleições municipais de 2008 a Globo fez oposição ferrenha, implacável a Eduardo Paes. Na ocasião, a mesma deu um apoio a Fernando Gabeira como poucas vezes se viu numa eleição. Uma campanha estrondosa, pra cima e pra baixo com o candidato do PV, que recebia todo floreamento possível, o que levou  centenas de pessoas às ruas de verde para abraçar árvores da Lagoa Rodrigo de Freitas,  dar as mãos na orla de Ipanema, entre outras coisas do gênero.

Não deu certo.  Eduardo Paes ganhou a eleição com o apoio do governador Sérgio Cabral e do PT.

O tempo foi passando e bastou o conservadorismo neoliberalizante da afiada dupla Cabral-Paes começar a “sair pelo ladrão” que  a Globo rapidamente chegou  junto, transformou a dupla em trio e  hoje é mais fácil os filhos de Francisco irem cantar cada um na sua freguesia do que os “novos amigos” se separarem.

Muitos tem se perguntado com toda razão: Por que a Globo então apoiaria Freixo se caminhando ao lado de Cabral e Paes vai muito bem obrigado? A resposta está longe de ser precisa, mas como pro bom entendedor um plin-plin vira filme, quando o assunto envolve as Organizações Globo, é  justamente no confronto da conjuntura com a  imprevisibilidade que é possível arriscá-la – não esqueçamos que o coração dos Marinho tem razões que a própria razão desconhece.

Falando de forma objetiva, creio que seja prudente observar o seguinte movimento: a mesma turma —  sociedade civil, intelectuais, políticos, artistas, ongs —  que em 2008 construiu o arco em torno da candidatura Gabeira (na sequência  encampada pela Globo), agora está se juntando lentamente em torno de Marcelo Freixo.  Inclusive, o apoio do próprio Gabeira é uma possibilidade, principalmente agora que bateu asas do PV.

Freixo tem mais consistência política do que o ex-verde e torço para que se mantenha firme em seus propósitos, mas não se pode deixar de olhar esse processo que já se inicia de “envelopamento global”, tal qual se deu com o candidato do PV nas últimas eleições para prefeito.  E se vale como lição, nunca é demais lembrar que este, de tão diferente, mas tão diferente, que ficou acabou sendo curiosamente chamado na eleição seguinte de Ex-Gabeira.

Adilson é professor da rede pública de ensino do Rio de Janeiro e blogueiro. Seu blog: E agora?

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55 comentários

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Leonardo Mendes

07 de novembro de 2011 às 02h22

A análise do Adilson não encontra respaldo na realidade, completamente equivocada a comparação com 2008, quando Gabeira era apoiado pelo trio DEM-PSDB-PPS contra o candidato de Lula e Cabral, que fincariam ainda mais as políticas públicas delineadas pelo governo federal, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida, se o "neolulista" Eduardo Paes vencesse as eleições. Sinceramente, a turma que apoiou Gabeira era altamente conservadora e muitos embarcaram na modinha do voto ao "verde amadurecido" (grande e verdadeira contradição). Marcelo Freixo é um militante com larga história no campo dos direitos humanos, integrante de um partido que rompeu com o PT envenenado pelo poder, crítico das alianças incoerentes da então esquerda tradicional e com uma postura de valorização da mídia independente e desde o primeiro mandato vem mexendo com os interesses de gente criminosa e poderosa. Uma viagem pelo mundo da imaginação supor tal apoio de um grupo midiático como as Organizações Globo a um candidato com a atuação política-cidadã que tem apresentado Marcelo Freixo.

Responder

Gerson Carneiro

06 de novembro de 2011 às 09h06

Quem esse ano ficou mais tempo em cima do trio elétrico: o PSOL ou o Chiclete com Banana?

Responder

kimparanoid

05 de novembro de 2011 às 19h20

Não sei até que ponto essa análise vai se confirmar.
Mas, em se confirmando, vai ser uma oportunidade de o PSOL aprender na prática a lição de Max Weber: quem está na política faz um pacto com forças "diabólicas".
Ou seja, o PSOL, nesse horizonte, preferirá manter-se "puro" ou vai entender que para fazer política terá de fazer alianças?

Responder

Gerson Carneiro

05 de novembro de 2011 às 14h22

Freixo na Prefeitura. Gabeira no Palácio da Guanabara.

Esse é o projeto Global. Anotem aí.

Responder

    Leafar

    05 de novembro de 2011 às 17h45

    Tem gente que fala qualquer besteira e não sabe de nada o que acontece no Rio de Janeiro. As organizações Globo estão a muito tempo fechadas com Cabral e Paes (vide o projeto das UPPs e o famigerado Choque de Ordem) e não existe nada no horizonte que vão movelos dessa aliança. Podem dar destaque tímido para outros candidatos para cobrar fidelidade de Paes e Cabral mais pra frente. Acho irresponsabilidade do Blog do Azenha, que eu respeito, fazer o jornalismo de testar hipóteses que ele mesmo contesta, ainda mais mudar o foco das ameaças das milícias contra Marcelo Freixo para antecipar o debate eleitoral. As ameaças contra Freixo e muitos outros que se concretizaram no caso da juíza é que devem ser politizadas e não tratadas como problema pessoal. Azenha, a responsabilidade dos textos que você posta também é sua. Nas redes sociais o governismo paranóico tá querendo relativizar as ameaças de morte e o perigo para a democracia que a milícia representa. Frases como "Muitos tem se perguntado…" presentes nesse texto não são jornalismo. O autor desse texto não fez nem análise de conjuntura que preste é só hipóteses mal formuladas e sem qualquer consistência. Por isso não sei o que sei blog quer estimular com um texto tão inviesado.

    Adilson

    06 de novembro de 2011 às 01h15

    Éh, acho que isso virou uma questão para você. Não existe tentativa de mudança de foco nenhuma, Freixo é pré-candidato e falar nisso é absolutamente normal. Que paranóia é essa?! relaxa..

    Liberdade de expressão, meu amigo..assunto "tabu" tá fora de moda. O processo eleitoral se aproxima, Freixo tá na mídia dia sim outro também, acaba de protagonizar uma polêmica e falar de sua candidatura é mais do que natural.

    Mas faz o seguinte, se você acha uma grande bobagem o que eu falo, sobre a movimentação de bastidadores que já acontece (procure sei informar) despreze o que eu digo e fique com suas afirmações. E seja feliz com suas certezas.

    Agora, fazer reclamação com o dono do espaço, desculpa, mas acho um papel muito feio.

    Gerson Carneiro

    06 de novembro de 2011 às 05h45

    Grande professor. Tava sumido, hein.

    Aliás professor, vamo chutar o barde: a característica universal do pessoal do PSOL é o deslumbramento com a imprensa. Não pode ver um holofote ligado, uma câmera, um microfone.

    São como insetos, buscam a luz embora sabendo que vão logo morrer.

    E é desde os dinossauros até os novatos. É só observar.

    E não percebem que são usados como boi de piranha.

    Lembra da barraqueira Heloísa Helena? Chegou até a chamar o Lula de gângster, para em seguida cair no ostracismo e enfrentar um processo violento de cassação em Alagoas. Só se salvou porque política sabe como é que é.

    Plínio de Arruda Sampaio: nos debates do primeiro turno na última eleição presidencial parecia que estava em um picadeiro. Cheio de pataquada, propondo até salário mínimo de 2 mil reais.

    Oras, como são as coisas, o PSDB, DEM e PPS foram à justiça (e graças a Deus perderam) para impedir que o mínimo vá para R$ 619,00 no ano que vem, o Plínio ia muito conseguir impor salário mínimo de 2 mil reais. É um fanfarrão.

    E os novatos… bem os novatos não conseguem fazer política porque vivem em cima de trio elétrico. É só observar.

    O que eles querem,hein?

    Grande abraço professor. Persista em sua labuta. E se tiver que varrer escada de baixo pra cima deixa cum nóis. Cum nóis num tem gogó, tudo é pescoço.

    oalfinete

    06 de novembro de 2011 às 13h11

    Desculpe discordar de seu comentário. Um pouco menos de ódio, por favor.

    Sou do tempo que a esquerda era popular sem entrar nos holofotes. O PT só se tornou popular graças às câmeras da Rede Globo.

    Certa feita o "velho caudilho" afirmou que o PT era uma espécie de galinha dos ovos de ouro. Ciscava na esquerda mas punha sempre seus ovos na direita. O Briza não deixava de ter uma certa razão.

    Agora o que vemos é um filhote do PT, o PSOL, com muita gente que ainda não roeu a corda, indo para o mesmo caminho de seu genitor. O tempo dirá.

    Pessoas como Freixo ainda devem ser motivo de orgulho e apoio de todos na esquerda!

    Guarde seu rancor para os que entraram para o palco das fantasias, seja do PSOL ou do próprio PT.

    Reconheça quem é o Freixo hoje…

    Aqui no Rio de Janeiro, é melhor não tentarmos competir quadro a quadro o PT com o PSOL. O PT carioca pouco se difere de qualquer um partido de direita: sabemos disso!

    Força, Freixo!

    Adilson

    06 de novembro de 2011 às 16h51

    Pois é Gérson…A possibilidade do PV chegar junto é grande, estamos falando da mesma turma, dos mesmos movimentos de antecipação, reuniões privadas, etc_..é tudo muito próximo. Gabeira, inclusive, já deixou claro quando aventou : "Lutamos no mesmo campo ético.."

    Assim é a política, feita de afinidades mas também de caronas, e muito, muuuito surfe…E nisso a Globo é dá aula, posso garantir..Se ver a "ONDA AMARELA" crescer na sua frente, não hesitará em surfar de cabo a rabo!

    Não tem jeito, se o PSOL quiser mesmo a chegar lá, terá que se aliar, fazer concessões, e se vier o abração do dragão, se fazer de morto pra ganhar sapato novo..

    abraço

    Gerson Carneiro

    06 de novembro de 2011 às 20h27

    Coincidentemente José Serra está em algum lugar incerto e não sabido no exterior desde a semana passada. Não duvido que foi se encontrar com um certo palestrante.

    Leafar

    06 de novembro de 2011 às 12h28

    Seu texto é tao furado que as últimas matérias da Globo esfacelam sua "análise", não duraram nem dois dias. A questão central é o debate das milícias coisa que você não fez e pelo visto não quer fazer, se puxarmos os fios onde será que vamos chegar?

    Você toma trolls governistas como fato, todo seu texto se fundamenta nisso, erro metodológico de base. Você podia ao menos analisar esses movimentos e não tomar eles como um a priori dos seus arrazoados. Feio é o que você escreveu e acho que o blog do Azenha tem critério e prima pela boa qualidade das análises, por isso acho que seu texto não está a alura dele. Se sou assíduo do blog, porque não posso reclamar da linha editorial do mesmo?

    Ouça isso é pare de falar besteira http://www.youtube.com/watch?v=8WSgJ_HwCZY&fe

    Adilson

    06 de novembro de 2011 às 16h29

    Como não "duraram dois dias" se são possibilidades para o ano que vem?! Não força não, amigo…por favor.

    Outra coisa, não se baseie nas ultimas matérias da Globo..é um dica que te dou

    Tira os olhos da árvore, e dê uma espiada floresta…Quer outra dica? Procure analisar as "últimas matérias da Globo" com relação a Edurado Paes. É um bom exercício. De "príncipe do mensalão" passa a poltício fisiológico para depois viarar o adminstrador da ordem, o cara das Olimpiadas e por aí vai..

    A questão central não é o debate das milícias, por favor releia…a não ser que vc, arbitrariamente, queira impor isso como questão central., concorda?

    Pra encerrar, façamos o seguinte: vamos aguradar 2012 e a chegada da "ONDA AMARELA"..Se ela vier, quem sabe vc lembre do "bobão" aqui..

    abraços

    Leafar

    07 de novembro de 2011 às 11h25

    OK vamos ver como isso fica

    abraços

    Adilson

    07 de novembro de 2011 às 12h48

    Ok, Leafar

    abraços.

    Paulo Fragoso

    28 de novembro de 2011 às 18h13

    Sem fundamento. Sem respaldo. Sem consistência.

carioca

05 de novembro de 2011 às 08h23

Esta análise é totalmente absurda, furada…
Na campanha de 2008, a Globo fez oposição deselal ao Gabeira.
Esqueceram da capa do O Globo no dia seguinte ao primeiro turno? Gabeira de toalhinha na cabeça ao sair da natação no Flamengo?
E o caso da dos comentários sobre a "mentalidade suburbana"? Espionaram o cara, tiraram a declaração de contexto, repercutiram em TODOS os meios globais e deram de bandeja o mote para a "virada" do Eduardo Paes.
Ignoraram todos os questionamentos de que Paes apoiava as milícias, era aliado da especulação imobiliária etc etc etc (ainda existe na internet um blog ˜Por que não votar em Eduardo Paes˜).
O PT do Rio, mais uma vez, resolveu apoiar um candidato e um governo que só traz o mal pra cidade, para os servidores, em troca de uma vantagem política que ainda não gerou lucro além da eleição do Senador Lindbergh, muito mais por méritos do Lula e da Dilma do que de Cabral e Paes.
Fizeram o mesmo com o Garotinho e deu no que deu…
Não é porque o PMDB fechou com o PT que tudo tem que ser uma maravilha no governo Paes e Cabral.
Ambos são metidos em grossa sujeira, como se pode acompanhar em outros blogs, como o do Ricardo Gama, por exemplo.
E quanto a segurança? em seu governo derrubaram helicóptero, mataram uma juíza, ameaçam de morte um deputado (eleito pelo povo, lembram?)…
E o pessoal babando no marketing das UPPs. Francamente…

Responder

    Adilson

    05 de novembro de 2011 às 11h53

    Se vc fez essa leitura, respeito; mas o apoio a Gabeira foi gigantesco, talvez o mais escancarado que já ocorreu numa eleição no Rio.

Raphael Tsavkko

05 de novembro de 2011 às 04h36

Globo apoiando o Freixo? Quero só ver! Mais munição pra governista fanático ficar dando porrada no Freixo, não bastando chamá-lo de frouxou ou tentar dizer que as ameaças de morte contra ele são fabricadas…

Responder

Arthur Schieck

05 de novembro de 2011 às 02h52

Mesmo não valendo um centavo furado, Paes é o melhor prefeito que o Rio teve desde que eu me conheço por gente. Freixo não tem a menor chance como prefeito do Rio. Seu lugar é no Palácio Guanabara!
Podia ter se lançado candidato em sua cidade, aqui do outro lado da poça, em Niterói, onde de fato há 3 anos não temos prefeito. Mas entendo que o PSOL queira torna-lo conhecido em todo estado para a disputa de 2014.
A Globo só fez oposição a Cabral pela conjuntura nacional. Isso acabou junto com o fim da eleição. Também não custa lembrar da atuação do então parlamentar tucano Paes no episódio do "mensalão".

Responder

Jon Carvalho

05 de novembro de 2011 às 00h04

Apenas para fazer a conexão do meu comentário anterior com a temática do texto: O que é feito pela dupla Cabral-Paes no Rio de Janeiro é acintoso e a conta será cobrada mais adiante, podem ter certeza. Beneficiam-se de grande aporte de capital, visando os grandiosos eventos próximos, e da capacidade desses políticos em envergarem as suas espinhas dorsais ao Executivo, então com Lula, hoje com Dilma. A esperteza foi não fazer do estado do RJ um palanque de embates políticos, como faziam outrora tipos como César Maia e Garotinho. Ponto pra eles. Mas daí a atestar tudo que é feito por essa dupla é demais. Aos que duvidam da falta de mentalidade progressista nessa dupla, busquem ler mais sobre o processo de desapropriações nos entornos dos palcos dos eventos.

Responder

    Adilson

    05 de novembro de 2011 às 11h37

    Certíssimo, Jon…o assanhamento dessa dupla é de espantar qualquer um; estão fazendo do Rio uma grande festa pra empreiteros, banqueiros e empresários milionários se fartarem a vontade!!!

    E quando a farra vem a tona ainda temos que ouvir: " Vamos construir juntos um código de ética!" Francamente..

Jon Carvalho

04 de novembro de 2011 às 23h58

O texto é um exemplo perfeito do que eu vejo ocorrer nos últimos anos com a chamada esquerda (o qual me incluo). Que a mídia das massas anda fazendo uma campanha com requintes de crueldade na sua oposição ao legado de Lula, isso é indiscutível. O problema está, no afã de ser contra o "establishment", fazer o que chamo de "oposição de tabela": levantar a bandeira do contra inclusive aqueles que atentam contra aqueles a quem apoio apoia… não sei se isso fez muito sentido, perdoem-me. Apenas quero dizer que não há mal algum em enxergar defeitos naquilo que apoiamos e até de ser contra certas medidas ou atitudes de quem apoiamos. Se o Lula apoia Cabral-Paes, isso não quer dizer que eu também tenha que apoiar tal apoio! Essa equação falaciosa, que é cometida repetidamente nos chamados "blogs sujos", é a seguinte: "se EU = LULA e LULA=X, logo EU=X". Isso é uma falácia das grandes! Parece até aquela piadinha que aprendemos em aulas de Lógica: " Se o amor é cego e Stevie Wonder é cego, logo Stevie Wonder é amor". Tenham mais apreço ao raciocínio e à consciência política de vocês, amigos!

Responder

Rodrigo Giordani

04 de novembro de 2011 às 23h23

Pelo visto o que ficou ruim para o Freixo é que mais uma vez ele apareceu ao vivo no estúdio da Globo News. Existe uma espécie de modus operandi da esquerda, justificável, de que não se deve falar com o oligopólio da mídia. O problema é que se trata de um deputado, um agente público. E servidor público não pode (ou pelo menos não deve) se negar a atender nenhum segmento de imprensa. Isso não quer dizer que haja uma aproximação entre Globo e Freixo, pelo menos não encorajada pelo mandato Freixo ou por sua base.

Vamos desarmar os espíritos e lembrar que Freixo foi um dos parlamentares do PSOL que no segundo turno da eleição de 2010 mais lutou pra que seu partido chamasse voto na Dilma, desagradando bases importantes dele e do próprio PSOL. Quem não é do Rio tem uma ideia um tanto distorcida sobre Cabral e Paes. Sob o PMDB a política de segurança pública segue bastante truculenta (o Caveirão está aí e é uma vergonha em matéria de direitos humanos), as milícias de policiais não tem sido combatidas com a devida firmeza, Paes tem cometido abusos contra a periferia na construção da Transoeste – principal obra viária para a Copa e as Olimpíadas – e, cereja do bolo, nas últimas semanas foi noticiado que o tráfico voltou ao Alemão. Por outro lado, cabe ressaltar a política para a comunidade LGBT, que refletiu em esforços conjuntos governo do Rio-governo federal, resultando em avanços importante nesse campo, como o reconhecimento do STF à união estável de homossexuais.

Cabe reconhecer que, por conta da necessidade de governabilidade em Brasília, o PT segue aliado ao PMDB e isto inclui, infelizmente, os srs. Sergio Cabral e Eduardo Paes. Imaginar que o PT fluminense lhes faça oposição é impensável. Mas é preciso dizer que essa estratégia do partido tem sido duramente questionada por muitos petistas do Rio e não custa lembrar que o PT teve candidato próprio em 2008 (Molon), candidato este que recusou-se a apoiar Eduardo Paes no segundo turno.

Numa coisa concordo com o Azenha. A oposição ao governo pela esquerda deve ser estimulada. Não concordo com vários arroubos sectários do PSOL, mas essa de caçar pelo em ovo e partir pra cima de outros segmentos da esquerda é um erro. Por sinal, cai-se no mesmo equívoco desses setores, que atacam o governo Dilma sem analisar com racionalidade a conjuntura. Enfim, ponham uma coisa na cabeça. Freixo não é Gabeira.

Responder

    Adilson

    05 de novembro de 2011 às 12h10

    Rodrigo, concordo com a maior parte de sua análise, inclusive a final a qual fiz questão de ressaltar: Freixo não é Gabeira.

    Mas volto a dizer, numa candidatura, muita coisa muda…Freixo, antes de ser essa figura notável, combatente e defensor dos direitos humanos, é um político e como tal, na hora da "onça beber água" elege prioridades que muitas vezes fogem do entendimento moral do cidadão comum.

    O problema é que tendemos a analisar os políticos de forma racional com julgamentos morais etc_

    Não falo em nenhum momento que a aproximação se daria de forma deliberada, mas desafio aqui alguém que possa garantir que um abraço Global não seria bem vindo no PSOL numa reta final de campanha para prefeito.

    Uma coisa eu posso garantir e foi a isso que fiz referência no texto: Todo o terreno para que esse "abraço" aconteça já está em andamento. A masa do bolo está sendo batida com a mesmíssima receita, e no final quando ficar pronto, teremos que ver se a "cereja" vai entrar ou não.

mfs

04 de novembro de 2011 às 21h05

O ataque idiota de O Globo contra Freixo (como se ameaças repetidas ao filho dele fosse cosa a toa, mero pretexto para viajar!) mostra que não é bem assim. Quem conhece o Marcelo sabe que ele jamais faria aliança com a Globo. Aliás, duvido que ele aceite apoio do PT. Apoio direto, acordo, duvido. Em Niteroi, uma parte importante do PT, inconformada com os rumos municipais, queria apoiar o Marcelo como candidato. Mas ele transferiu o domicílio eleitoral para o Rio. Acho que o grande problema do Marcelo, se fosse eleito prefeito, é que ele e o PSOL teriam que aprender a mesma lição que o PT aprendeu nas primeiras prefeituras: governar sem apoio de parte da direita da Cámara será impossível. Nota: na adolescência, Marcelo foi simpatizante do PV, do PV pioneiro. Mas isso faz muito tempo e hoje ele está muito, muito distante do jacaré papo-amarelo.

Responder

Fernando

04 de novembro de 2011 às 16h52

Parece que o deputado Romário também será candidato a prefeito.

Então teríamos o PT com Paes, PSOL com Freixo, PSB com Romário e PSD com Wagner Montes.

Responder

Mugi

04 de novembro de 2011 às 16h37

Acho díficil o PT apoiar o Freixo. Mas se for, ótimo.

Ainda sim eu acho que o Rio ta bem de candidatos "principais".

Responder

Fernando

04 de novembro de 2011 às 15h13

Tomara que o PT tenha bom senso e apoie o Marcelo Freixo nas eleições municipais.

Muito mais vergonhoso que um suposto e hipotético apoio da Globo ao Freixo é o apoio concreto do PT ao Eduardo Paes, um prefeito que viola os direitos humanos de negros, pobres e favelados.

Responder

    Adilson

    04 de novembro de 2011 às 15h58

    Certíssimo Fernando, o apoio do PT a essa (pior) direita que se instalou nas duas esferas de poder é lamentável.
    abs

    Mugi

    04 de novembro de 2011 às 16h29

    Com base em vc diz isso sobre o Paes?? é só um pergunta.

    Pedro

    04 de novembro de 2011 às 18h40

    Serem um tiro no saco do Paes, acertam na cabeça do Mugi.

ZePovinho

04 de novembro de 2011 às 13h28

Respeito a análise.Vamos ver.Até agora,aparentemente,ainda é cedo para irmos nessa direção.De todo modo,como gato escaldado com essa coisa de "ética na política",vou manter esse artigo nos meus favoritos.

Responder

Robert

04 de novembro de 2011 às 12h39

Vejam o caso do RJ, minha cidade
Autoridades do RJ dizem que objetivo da UPP não é acabar com tráfico (muita pretensão enquanto houver demanda havera oferta) mas com armas pesadas dos traficas
p/ traficas a UPP é por demais conveniente, vejamos porque:
Não precisam mais de armas pesadas, pois as mesmas eram usadas para impedir tentativas de invasão por facções rivais e não para o confronto com a polícia
Agora a UPP os protege da invasão
Genial
O poder publico protegendo os traficas !!

Responder

    SILOÉ-RJ

    04 de novembro de 2011 às 23h50

    Robert moro no RIO também e não vejo o que você fala.
    Obvio que não se conseguiu debelar o tráfico DE VEZ, mas o objetivo e este sim foi alcançado. Acabar com o território dos traficantes.
    Antes qualquer pessoa tnha acesso livre a qualquer hora para comprar drogas nas favelas sem problemas e o movimento era astronômico.
    Agora com as UPPS quem se arrisca a subir???
    Um ou outro desce e tenta vender no asfalto, mas tem sempre gente que vê e denuncia. A coisa ficou tão pulverizada que está difícil para eles sobreviverem.
    Sem território, sem domínio, sem movimento, sem arma, sem grana, SEM SOBREVIVÊNCIA. Daí…

    Adilson

    05 de novembro de 2011 às 11h48

    Concordo, Siloé, o foco é o território..mas precisa de aperfeiçoamento, isso é um fato; para que não vejamos ser reproduzida a mesma lógica perversa de subjugo a população local que vigorava… Não basta entrar esse aparato, tem que se criar diversos mecanismos para melhorar a estima, gerar autonomia etc_ enfim, evitar o desnível absurdo de poder pois isso fatalmente levará a corrupção e a opressão dos moradores. Mudança física tem prazo de validade, é preciso mudar a estrutura socio-relacional, mexer no simbólico, ouvir ( e muito!) a população pra construir juntos um novo marco pra favela.

Maira

04 de novembro de 2011 às 11h57

A Globo nao quer ver a milicia batendo na sua porta. Sera que ninguem pensa nisso??????????

Responder

    Fernando

    04 de novembro de 2011 às 16h50

    Imagina a milícia tomando as instalações do Projac?!

    huhuhahahehe

Pedro

04 de novembro de 2011 às 11h45

Aliás, o grande obstáculo para o Freixo vencer uma eleição não seria as milícias. Neste caso ele é o mocinho, e tem apoio de todos os cidadãos de bem.

O problema será seu histórico de "defensor de bandidos" (no ponto de vista da classe média conservadora). Freixo é conhecido por apoiar o funk, as comunidades carentes, a lutar pelos direitos humanos nos presídios, ou seja, justamente tudo o que a classe média conservadora e acomodada (aquela que, infelizmente, forma opinião através da mídia), não quer.

Essa gente vê em Freixo um novo Brizola. E essa gente ainda hoje culpa o Brizola pela favelização na cidade.

Responder

    Adilson

    04 de novembro de 2011 às 12h43

    Pedro, eu acho sua ponderação bastante procedente, mas o "banho de loja " da Globo é realmente algo impressionante…

    Quando vi as madames do Leblon e as esposas de generais votando felizes no Gabeira….Ele, o assombro dessa mesma classe média conservadora que vc fala, da tanga, do cigarrinho posto 9 etc_ agradando justamente o eleitorado mais fiel do César Maia!

    Como afirmei, Freixo não é o ex-verde, tem consistência e sua luta em defesa dos direitos humanos é genuína, constante e louvável. A questão é que o que vem por baixo, pelos lados e depois de cima é muito forte na construção de uma candidatura. Ele é humano e antes de ser humano é político; e isso deve ser levado em conta, pois numa disputa eleitoral o "herói" inevitávelmente terá que dar lugar ao candidato.

Pedro

04 de novembro de 2011 às 11h41

Acho que esta reportagem no Globo On de hoje mostra justamente o contrário.
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/11/04/freixo

Se não for mau jornalismo neste link, é porque a Globo está justamente CONTRA as intenções do deputado.

Aliás, será mesmo que a Globo iria apoiar um candidato de um partido socialista?

Acho que a ideoligia global falaria bem mais forte.

Responder

    Mugi

    04 de novembro de 2011 às 16h34

    Exatamente.

    nego TA supondo que a Globo vai apoiar um Candidato Socialista. Chego a rir de quem acha isso.

    E olha que eu acho que o paes foi muito Bom prefeito, e Cabral ótimo governador.

    Marcio H Silva

    04 de novembro de 2011 às 18h39

    Caro Mugi, poderia citar as razões destes dois serem bons governadores e prefeitos no RJ, pela sua ótica?

Leafar

04 de novembro de 2011 às 09h25

Achei essa análise totalmente desparatada. No entanto, acho que é o PT e o próprio Paes que está com medo do candidato do PSOL. O que objetivamente indica que as organizações Globo vão apoiar o Marcelo Freixo nas próximas eleições, nada pelo visto. Esse pessoal que faz exercício de futurologia no Blog do Azenha devia começar a discutir o poder das milícias na cidade, mas isso não interessa nem ao PMDB, nem a muitos candidatos do PT, veja o caso do Babu, notório miliciano e deputado pelo PT carioca.

Responder

    Pedro

    04 de novembro de 2011 às 10h38

    Na mosca! O comentário mais lúcido até agora. Não vai demorar muito e os progressistas vão começar a jogar pedra no Freixo, simplesmente pelo fato do PT apoiar o Sérgio Cabral. Patético.

    Adilson

    04 de novembro de 2011 às 12h57

    Calma, amigo.. sem agressões desnecessárias.

    Observe que no texto há uma crítica incluive ao que vc fala..Não há razões pras suas previsões negativas.

    abraços

    Adilson

    04 de novembro de 2011 às 12h51

    Caro Leafar,

    seria um exercício de futurologia, como vc diz, se hovesse uma afirmação. Trata-se apenas de uma possibilidade, um rápido olhar sobre o processo. Sugiro ler de novo o texto, com mais calma.

    Aliás o único que faz afirmações aqui é você.

    Leafar

    05 de novembro de 2011 às 17h49

    Quer dizer que você escreve um texto sem afirmações só com hipóteses e ilação, qual a diferença disso então para o que o Ali Kamel faz?

    Adilson

    06 de novembro de 2011 às 00h48

    Você está me saindo um belo de um sofista, mas eu hoje tô com paciência, vamos lá:

    Possibillidade sobre o apoio da Globo, afirmação sobre o processo. Percebeu a diferença? ou talvez não queira perceber?

    Observar a conjuntura e apontar possibilidades,é praxe na análise política.

    E a resposta para sua pergunta : honestidade.

    mais alguma coisa que possa te esclarecer?

    boa noite.

    Janah

    05 de novembro de 2011 às 16h24

    rafael,
    me desculpe, mas por que você não lê da esquerda para a direita que é como quem sabe ler faz?

Julio Silveira

04 de novembro de 2011 às 08h14

Sei não, o Freixo pode não ser bem sucedido com companhias, que para a população pode ser indesejavel.
A medida que o tempo passa e as pessoas vão entendendo o funcionamento dessas familias proprietárias desses conglomerados de comunicação, e percebem que quando apoiam alguem esse alguem não atende aos interesses da maioria.

Responder

    Adilson

    04 de novembro de 2011 às 13h08

    Mas aí é que tá, Julio, o apoio inicial vem de uma parcela significativa da população, uma turma que tem voz, penetração na mídia, pessoas que trabalham em ONGs, psicólogos, sociólogos etc_ muita gente bacana e reconhecida, e que são formadores de opinião na cidade. O Rio funciona assim.. Pequenos núcleos que se comunicam e que formam uma rede – e aí as ideias se espalham..

    A construção desse arco (que já se faz..) sozinha não chega a lugar nenhum. Mas o apoio da Globo é fundamental para dar robustez, penetrar na classe média conservadora e tornar a candidatura competitiva, exatamente como foi com Gabeira.

    abraços

    SILOÉ-RJ

    04 de novembro de 2011 às 23h12

    Por isso que o Gabeira e tantos outros perderam.
    Se a globo apoia aqui no RIO, nem com fogete no rabo a candidatura decola. E eles sabem muito bem disso.
    Daí o porquê, desse recente entusiasmo, em se aproximar de quem pode realmente incomodar.
    Freixo foi atraido e sentou na CADEIRA DO DRAGÃO.

    SILOÉ-RJ

    04 de novembro de 2011 às 23h28

    Acho que a banda não toca mais assim não, Adilson.
    Com todo o apoio do PV, dos pseudos-intelectuais e PIG a candidatura do Gabeira desandou.
    E qualquer outra que o PIG apoie desandará da mesma maneira, tal é a falta de credibilidade desses orgãos.
    Muita gente ainda vê e lê o PIG, mas não se deixa levar por ele, principalmente na política.
    Ou eu estou enganada???

SILOÉ-RJ

04 de novembro de 2011 às 04h31

Sem saber, o Freixo foi atraido e sentou na CADEIRA DO DRAGÃO.

Responder

    Mugi

    04 de novembro de 2011 às 16h34

    Pois é.


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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.