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A propaganda enganosa que manteve Milão aberta ao coronavírus e os erros de políticos italianos, da esquerda à ultradireita; vídeo
O secretário-geral do Partido Democrático, a campanha contra o medo e o prefeito de Milão; reprodução de vídeo e das redes sociais
Política

A propaganda enganosa que manteve Milão aberta ao coronavírus e os erros de políticos italianos, da esquerda à ultradireita; vídeo


27/03/2020 - 23h58

Da Redação

Comercial chiquérrimo, à altura de Milão, a capital mundial da moda.

Com imagens sedutoras e frases arrebatadoras: “porque não temos medo todos os dias”.

A campanha foi bancada por uma associação de restaurantes milaneses, a Unione dei Brand della Ristorazione Italiana.

O prefeito de Milão, Beppe Sala, do Partido Democratico, de centro-esquerda, admitiu no programa Che Tempo Che Fa, da RAI2 do último domingo 22, que errou ao disseminar um vídeo da campanha, além de posar no Instagram com uma camiseta com o slogan #milanononsiferma (foto à direita, no topo).

Ele disse que à época, 27 de fevereiro, ninguém sabia da virulência do coronavírus e tentou dividir a culpa com outros políticos — a Itália tinha 14 mortos pela pandemia então.

Foi cortado pelo entrevistador quando começou a lembrar que o ultradireitista Matteo Salvini, senador da Liga do Norte, no mesmo dia disseminou o vídeo acima para seu 1,2 milhão de seguidores no twitter, com o texto:

Eu conversei sobre isso com o Presidente da República [Sergio Mattarella], levando a voz de empresas, produtores, artesãos, comerciantes. Vamos reabrir tudo o que há para reabrir: a Itália é um país que sofre, mas quer começar de novo agora.

Também no dia 27, o secretário-geral do Partido Democrático, Nicola Zingaretti, tomou um aperitivo público com o prefeito Beppe Sala em Milão, para demonstrar que a situação voltava à normalidade (foto do alto, à esquerda).

“Precisamos isolar os surtos, mas não devemos destruir a vida ou espalhar o pânico. Portanto, devemos dar sinais de recuperação e reavivamento. O mais importante é reacender a economia do país com medidas extraordinárias, mas o primeiro é recriar a confiança, a esperança e colaboração, reconstruindo as condições para reacender o motor da economia”, ele afirmou ao diário La Repubblica.

Naquela data, Zingaretti publicou três mensagens com a hashtag #milanononsiferma no twitter, além de uma foto no Facebook.

A pedido de Beppe Sala, também o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conti deu apoio à campanha, mas foi além: contestou na Justiça medidas tomadas por autoridades locais para fechar os bares da Lombardia.

Milão é a capital da região.

Hoje, há 4.861 mortos na Lombardia e 9.134 na Itália.

Zingaretti testou positivo para o coronavírus dias depois do aperitivo público que tomou em Milão.

Depois de ações extraordinárias tomadas nas duas últimas semanas, o primeiro-ministro Conti já avisou que o lockdown na Itália será prorrogado para além de 3 de abril, data inicialmente prevista para relaxamento das medidas.

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7 comentários

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Zé Maria

28 de março de 2020 às 22h24

https://www.meioemensagem.com.br/wp-content/uploads/2020/03/campanha-planalto-768×351.jpg

27/3/2020: “Em Campanha, Governo Diz Que Brasil Não Pode Parar”

https://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2020/03/27/em-campanha-governo-diz-que-brasil-nao-pode-parar.html

28/3/2020: “Secom apaga posts e diz que campanha ‘O Brasil não pode parar’ não existe”

https://exame.abril.com.br/brasil/secom-apaga-posts-e-diz-que-campanha-o-brasil-nao-pode-parar-nao-existe/

Não há mais adjetivos para (des)qualificar
essa gentalha que está no Poder Central.

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Airoldi Lacroix Bonetti Júnior

28 de março de 2020 às 21h34

Dois baita comentários, concordo com tudo,hoje meu fisioterapeuta me disse que não acreditava nas mortes na Itália,fiquei boquiaberto olhando pra ele,a única coisa que varre os yankees todos os anos, é a natureza pateando!!

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Zé Maria

28 de março de 2020 às 21h11

Hoje, o Dr.Mutrêta, do MS, falou que as medidas de isolamento devem ser “pontuais” no território nacional.
Ou seja, espera o Coronavírus chegar na cidade e infectar a população e depois age, isto é, conta os doentes e os mortos.

Responder

Zé Maria

28 de março de 2020 às 20h33

Percentual altíssimo de sub-notificação no Brasil

Em Minas Gerais casos sintomáticos
‘suspeitos’ passam de 22 mil

Não há seriedade. É uma Vergonha!
Um Titanic à deriva.

https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/03/28/interna_gerais,1133426/minas-tem-205-infectados-pelo-coronavirus-casos-suspeitos-passam-de-2.shtml

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Zé Maria

28 de março de 2020 às 18h09

COVID-19 (SARS-COV-2)

Os EUA têm ser maior em tudo:

Hoje (28/3), os Estados Unidos da América (EUA)

bateram o record mundial de infectados: 100 MIL

https://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN21E3EE-OBRTP

Há 10 (dez) dias eram 7 Mil Casos Confirmados.

https://noticias.r7.com/saude/estados-unidos-tem-7087-casos-confirmados-de-novo-coronavirus-18032020

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Nelson

28 de março de 2020 às 10h28

Mas, aqui não há porque termos qualquer preocupação. Ao contrário da Itália ou de outro lugar qualquer, o presidente é um iluminado, ungido pela divindade e já nos garantiu que as baixas serão poucas, somente algum idoso ou outro indivíduo que já tenha algum problema de saúde pregresso é que vai para o pacote.

Ironias à parte, daqui a uns 100 anos – pensando bem, bem menos que isso – as pessoas que se interessarem pelo que se passou nessas primeiras décadas dos anos 2000, se recusarão a acreditar no que estiverem lendo ou assistindo.

Bolsonaro é um grande problema, sim. Mas, o pior é vermos gente educada – graduada, pós-graduada, mestrada, doutorada – ter ajudado, decisivamente, a colocar essa coisa no governo.

Ainda mais absurdo, é vermos que, depois de ano e pouco de besteiras sem fim ditas pelo seu escolhido, esses educados seguem a apoiá-lo caninamente.

Creio que nem Freud, Jung e um punhado dos mais gabaritados psicólogos que a humanidade já pariu, juntos, poderiam nos explicar tamanho fanatismo dessa patota bolsonariana.

Responder

antonio sergio neves de azevedo

28 de março de 2020 às 02h06

O aparecimento do coronavírus COVID-19 assim como as mudanças do clima que atingem as mais diferentes regiões do Planeta Terra, destacadamente, a estiagem atual que obriga ao racionamento e fornecimento de água para a população em diferentes bairros da capital do Estado do Paraná.

Anteriormente, destaca-se o ciclone Idai que passou por Moçambique, Zimbábue e Malauí no continente africano ocasionando milhares de mortes e desaparecidos; as chuvas torrenciais na cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Além disso, a erupção vulcânica na Guatemala; da mesma forma e pior intensidade, na Indonésia com a erupção do Anak Krakatoa que provocou terremotos com tsunami; o tufão no Japão e na China e furacão nos EUA (estado do Alabama).

Deveras, todos esses acontecimentos não são eventos isolados e, estão sim, concatenados numa sequência de fatores que ultrapassam o fenômeno do efeito estufa e repercutem em terríveis mudanças climáticas localizadas, produzindo catástrofes ambientais imprevisíveis e sem precedentes.

Aliás, é importante frisar que o efeito estufa é um fenômeno natural e necessário para manter a vida em uma temperatura segura para a Terra, inclui-se gases em quantidades ideais como o CO2, metano, óxidos de azoto, ozônio dentre outros presentes na atmosfera.

Entretanto, o problema urgente é o aumento descontrolado do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, devido ao desmatamento e à queima de florestas, de carvão, de petróleo, de gás natural e de outros combustíveis fósseis.

Nesse sentido, não comporta nenhum engano ao afirmar que a espécie humana está passando por um grande desafio em sua existência seja em referência às mudanças do clima ou ao enfrentamento imediato do COVID-19.

Juntos – as mudanças climáticas e o COVID-19 – deverão “ferrar” com a economia global. Por consequência, vão frear as políticas neoliberais e, consequentemente, abrirão as portas da economia aos keynesianos.

Somado a esse cadafalso, tem-se ainda a “praga” da dengue, do sarampo e das diferentes cepas do vírus influenza que solapam e, notoriamente, continuarão a martirizar a população brasileira por um bom tempo.

Dito isso, quanto as mudanças climáticas – o ponto fulcral dessa, é o acúmulo descontrolado de CO2 na atmosfera, que serão cada vez maiores e envergarão mais ainda as terríveis catástrofes sobre a população mundial.

Sendo que, nenhuma inteligência artificial, nenhuma rede neural ou algoritmo de previsão matemática pode garantir em cem por cento a previsão eficaz do comportamento do clima. Ou seja, as mudanças climáticas continuarão a desabrigar, inundar, sufocar e ceifar preciosas e valiosas vidas humanas.

Destarte, num cenário ambiental caótico, catastrófico e irreversível serve de alerta o profético filme o “Planeta dos Macacos”, do original de 1968, em que o astronauta Taylor encenado pelo ator Charlton Heston, sobrevivente de uma missão espacial, aterrissa em um planeta similar a Terra.

Nesse filme, num determinado momento, o astronauta Taylor, cavalgando pelas areias de uma praia avista os destroços da famosa Estátua da Liberdade (Nova Iorque, EUA) e descobre para o seu espanto que está no mesmo planeta Terra mas do futuro. Esta, está dominada por uma espécie de símio que escraviza os seres humanos que são mudos, mas os símios são falantes.

Imediatamente vem à cabeça do viajante espacial um “insight”: os humanos se destruíram! Detalhe: o filme é enigmático e possui um cenário futurístico e alarmante sobre uma possível extinção da espécie humana sobre a face da Terra.

Nesse sentido, para evitar que a ficção vire realidade, é preciso desconstruir o discurso fantasioso, sem base científica, vazio, incauto, superficial, epidérmico, demagógico e “nonsense” de algumas autoridades e agentes políticos que insistem em propalar na mídia escrita e falada que as mudanças climáticas e o COVID-19 são frutos de teorias conspiratórias.

Ora, a situação atual das mudanças do clima global são imprevisíveis e, além de seríssimas são gravíssimas – do mesmo modo, e na mesma ordem de grandeza é o coronavírus COVID-19 que circula por aí desde meados dos anos de 1960 e resolveu agora “lascar” com a população global.

Entretanto, tentativas de minimizar essa realidade por meio de um discurso simples, falacioso e demagógico que carece de total credibilidade científica é ser cúmplice, omisso e participante da destruição do meio ambiente e dos impactos econômicos, sociais e de vidas que serão ceifadas pela pandemia do COVID-19 em todo o Mundo.

Destarte, esses discursos simples e falaciosos – tanto sobre as mudanças do clima como da pandemia desse tipo de coronavírus – contribuem enormemente para o desaparecimento de muitas espécies da fauna e da flora com relação ao primeiro e numa confusão alarmante sobre o segundo que certamente tombarão milhares e milhares de seres humanos.

Logo, estão atuando juntos sim, as mudanças climáticas e o COVID-19, eles poderão empurrar a espécie humana para a beira do precipício e do possível colapso, num intervalo de tempo muito curto – a economia global.

Nesse sentido, tanto as mudanças climáticas como o coronavírus COVID-19 – devem ser enfrentados bravamente, sem trégua, custe o que custar doa a quem doer.

Entretanto – a pandemia – esta logo vai passar, vai refrear daqui há a pouco – mas, infelizmente, as mudanças climáticas: Não! Estas continuarão a provocar catástrofes ambientais sem precedentes na curta história da humanidade. Simples assim. Acorda, Brasil!

ANTONIO SERGIO NEVES DE AZEVEDO – Curitiba – Pr.

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