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Nicolelis: A terceira onda já chegou; nela se juntarão a variante indiana e o General Inverno; vídeos
Na Índia, crematórios oficiais superlotados; havia filas de corpos à espera de incineração. Como não davam conta de manejar as milhares de vítimas, as cremações dos corpos passaram a ser feitas em áreas externas -- estacionamentos, até em ruas e praças. Fotos; Reprodução
Professor Nicolelis contra a pandemia

Nicolelis: A terceira onda já chegou; nela se juntarão a variante indiana e o General Inverno; vídeos


31/05/2021 - 11h43

Por Conceição Lemes

Diário do Front é a nova série de podcasts do professor e neurocientista Miguel Nicolelis.

Um resumo das notícias da pandemia de covid-19 no Brasil e no mundo.

Em 5 de maio, foi ao ar o quinto episódio: O General Inverno pode trazer a terceira onda (assista abaixo).

O Brasil contabilizava 414.645 óbitos e 14.936.464 casos.

Nicolelis começa o quinto episódio relatando o fato que aterrorizou o planeta nas três semanas anteriores: a explosão de casos e mortes por covid-19 na Índia.

Os números oficiais falavam em 400 mil casos e cerca de 4 mil óbitos diários.

Porém, estudos independentes de cientistas e jornalistas indicavam subnotificação imensa. De 5 até 20 vezes os números oficiais.

Ou seja, a Índia poderia estar tendo de 2 a 4 milhões de casos e de 30 a 40 mil mortes por dia.

“Foi como se um tsunami estivesse varrendo o país sem nenhuma barreira de proteção”, observa.

Nicolelis lembra que o país conseguiu atravessar bem a primeira onda da pandemia.

Fez um dos lockdowns mais rígidos da crise.

Ele foi anunciado ao 1,3 bilhão de indianos apenas quatro horas antes do seu início.

Isso gerou impacto econômico, social e psicológico muito grande na população.

Milhões não tiveram tempo para retornar às suas causas.

Ficaram retidos nas grandes capitais, pois não havia transportes para as vilas.

Assim, a Índia teve um número de casos e óbitos abaixo do que esperado.

O resultado gerou complacência tanto na população quanto no próprio governo indiano, que relaxaram precocemente nas  medidas de contenção.

Passaram a agir como se não a covid-19 não representasse mais perigo.

Em abril, porém, as notícias começaram a mostrar o oposto.

A pandemia estava fora de controle. Era a segunda onda.

“A explosão de casos e óbitos na Índia foi causada por uma nova variante do coronavírus, a assustadora dupla B.1.6.17.2”, atenta Nicolelis.

As imagens dos seus efeitos chocaram o mundo.

Estacionamentos de hospitais viraram enfermarias.

Os crematórios oficiais ficaram superlotados. Havia filas de corpos à espera de incineração.

Como não davam conta de manejar as milhares de vítimas, as cremações dos corpos passaram a ser feitas em áreas externas — estacionamentos, até em ruas e praças.

À noite, o céu da capital Nova Délhi ficava alaranjado com tantas piras funerárias queimando ao ar livre, ao mesmo tempo.

Colocando-se no lugar de ouvintes deste podcast, o professor Nicolelis pergunta:

— Por que falar da Índia? Já não basta mostrar a tragédia que está acontecendo no Brasil?

Ele mesmo responde.

Falar na Índia é fundamental. Podemos, sim, enfrentar situação semelhante.

“O que aconteceu na Índia ilustra o que pode ser uma terceira onda no Brasil, que viria cavalgando sobre números ainda muito altos de óbitos”, expõe.

E elenca fatores que apontam nessa direção:

— Os níveis de isolamento social estão diminuindo.

— A campanha de imunização contra covid-19 segue lenta, pois faltam vacinas.

— Pelo menos, 100 milhões de brasileiros se encontram em situação de risco alimentar, indicam vários organismos internacionais e nacionais. Ou seja, quase metade da população do Brasil.

— Está-se aproximando o inverno.

“Na história dos conflitos mundiais, sempre que o General Inverno está envolvido numa batalha, a vitória dele é avassaladora”, frisa Nicolelis.

Foi o que aconteceu, por exemplo, na épica batalha de Stalingrado, durante a Segunda Guerra Mundial.

De julho de 1942 a fevereiro de 1943, os exércitos da Alemanha e os da União Soviética digladiaram-se.

O inverno rigorosíssimo, com temperaturas abaixo de 20 graus, foi decisivo para a vitória dos soviéticos sobre os alemães.

No caso da nossa batalha contra a covid-19, basta lembrar que foi no começo do inverno de 2020 que se deu a explosão da primeira onda no Brasil.

Adicionalmente, em todo inverno, há sempre aumento das doenças respiratórias nas regiões Sul e Sudeste do País.

“Olhar para a Índia, portanto, é ver o que pode acontecer se nós permitirmos que General Inverno chegue ao Brasil nas próximas semanas, sem que tenhamos agido para conter o coronavírus”, diz Nicolelis.

“Em função disso tudo, corremos o risco de sofrer uma terceira onda no começo de junho”, avisa Nicolelis em 4 de maio, quando gravou o episódio 5 do Diário do Front.

Infelizmente, a terceira onda da pandemia de covid-9 já é uma realidade no Brasil.

Para piorar, começou junto com a chegada ao País da devastadora variante a B.1.6.17.2, que provocou a segunda onda na Índia e já entrou aqui por portos e aeroportos.

É justamente disso que Nicolelis trata no sétimo episódio do Diário do Front (assista abaixo).

“É realmente preocupante”, afirma.

“Temos um patamar alto de mortes, um patamar crescente de casos, um número reduzido de vacinas”, prossegue.

“Um contexto perigosíssimo do potencial começo de uma terceira onda, com o agravante de que agora nós temos também que nos preocupar com a variante indiana”, acrescenta o professor.

O Brasil registra 16.515.120 casos e 461.931 óbitos por covid-19, segundo dados divulgados nesse domingo (30/05), às 18h, pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Em alguns dias, teremos tantas vidas perdidas quanto a União Soviética na épica batalha de Stalingrado, quando morreram 478 mil pessoas.

E o pior, ultrapassaremos.

Com base no cenário atual, o Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME, Institute for Health Metrics and Evaluation), da Universidade de Washington (EUA), projeta até 1º de setembro 867.845 mortes pelo coronavírus no Brasil.





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