Lelê Teles: Michelle joga pra torcida

Tempo de leitura: 3 min
Michelle Bolsonaro criticou o enteado Flávio Bolsonaro em vídeo divulgado nas redes sociais Foto: Reprodução

Por Lelê Teles*

senhoras e senhores, o bisonho campeonato de várzea, disputado pela família bolsonaro, entrou na fase do mata-mata.

e agora haja coração, viu amigo.

numa acirrada disputa pelo poder, madrasta e enteado embolaram o meio de campo.

numa bola dividida, michelle entrou por cima e foi com as travas da chuteira direto na canela do pré-candidato, acusando-o de misoginia.

jogada de mestre, uma vez que o sujeito já anda mal das pernas com o eleitorado feminino.

mi mi michelle, num lance inusitado, reclamou ter sofrido violência política de gênero por parte do enteado, que a humilhara.

veja você.

agora veja como ela entrou em campo de salto alto.

cercada por símbolos religiosos e emoldurada por uma parede cheia de diplomas e certificados, dona firmo teceu autoelogios afirmando, inclusive, que arregimentara um grande exército de mulheres, da direita e da igreja, e que este é o seu principal capital político.

Apoie o VIOMUNDO

como um legítimo perna de pau, tariflávio subiu para o contra-ataque desdenhando da adversária.

disse que em dia de jogo de copa do mundo, essa pelada familiar não iria lhe tirar o sossego, já que ele estava empoleirado num camarote chique que custou a bagatela de 180 mil reais.

dinheiro de pinga pra quem recebeu uma fortuna do banqueiro bandido.

mas aí, parceiro, houve uma gritaria geral nas arquibancadas, a torcida feminina, de cabelo em pé, ficou do lado da madrasta.

sentindo o drible da vaca, paulo figueiredo saiu em defesa do amigão e deu um carrinho por trás na esposa de bolsonaro.

insinuou que michelle era uma adúltera e agia, portanto, como uma santinha do pau oco, tal qual uma personagem de dias gomes.

e disse mais, encantado com a própria voz, figueiredo, agindo com o fígado, disparou que as mulheres não sabiam votar e que as mulheres casadas só votavam de forma correta porque seguiam a orientação dos maridos.

a arquibancada mais uma vez balançou.

incrédula, a mulherada pediu o var.

certificou-se, após a revisão, que o zagueirão trombador cometeu não uma, mas duas faltas graves, uma vez que ele disse que mesmo que as mulheres arrancassem ”os pentelhos das calcinhas” ele não retiraria uma vírgula do que disse.

aí ele meteu um gol contra.

com o placar desfavorável, ou desflaviorável, o pré-candidato se reuniu com o mulherio que ainda tinha estômago para ouvi-lo.

pois num é que, covardemente, flávio desdisse o que o amigo dissera.

mas como o sujeito é mentiroso como o diabo, as mulheres pediram o var novamente.
na revisão da jogada apareceu outro vídeo de figueiredo.

tal qual aquele diabo do meme que sussurra conselhos demoníacos aos incautos, figueiredo foi flagrado aconselhando, palavra por palavra, o que flávio disse às mulheres, o que fez dele um boneco de ventríloquo do capiroto.

sentindo que o adversário estava batendo cabeça, mi mi michelle continuou no ataque.

algumas feministas, encantadas com o discurso pseudo fem da bolsonara, entraram em campo e ensaiaram uma sorora irmã-dade.

veja como é o mundo.

mas como o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas, michelle deu uma fraquejada.

vizinhos da mansão presídio, no condomínio solar de brasília, disseram ter ouvido um bate-boca entre o presidiário e sua esposa/cuidadora.

bolsonaro mandara michelle desistir do sonho de ser senadora, pois o seu papel é ser sanadora.

e num é que a cândida candidata retirou a candidatura, obedecendo as ordens ordinárias do marido.

pois é, como bolsonaro agora joga fora das quatro linhas, já que está preso, ele surgiu como aquela gandula que faz uma rápida reposição da bola ao campo, permitindo que o time que perdia acabe por levar alguma vantagem no contra-ataque.

mas o jogo da michelle é outro, a jogada agora é tirar o flávio de campo, nem que seja de maca.
michelle tenta fazer o gol que o pelé não fez.

ela fez foi um chutão do meio de campo pra frente, torcendo para que a bola caia na rede só em 2030.

palavra da salvação.

*Lelê Teles é jornalista, roteirista e mestre em Cinema e Narrativas Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS)

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.

Leia também

Osvaldo Coggiola: A dívida pública como alavanca do capitalismo

Heloisa Vilella: Orçamento Secreto — em Pernambuco e Alagoas, corrupção, abandono e até assassinatos

José Geraldo Couto: Anatomia do Caos

Apoie o VIOMUNDO


Siga-nos no


Comentários

Clique aqui para ler e comentar

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Leia também