Por Felipe A. P. L. Costa*
Em 28/2, como escrevi antes (aqui), o jornal o Estado de S.Paulo – um dos porta-vozes da Faria Lima, o epicentro da corrupção brasileira (e.g., aqui) – teve a audácia de publicar um editorial intitulado “Ninguém vai chorar pelo Irã”.
Vindo de quem veio, não foi nenhuma surpresa – foi apenas mais um vergonhoso rosário de ódio, preconceitos e mentiras.
No mesmo dia 28, ao menos 175 civis iranianos foram mortos em um ataque a uma escola primária em Minab, uma pequena cidade (~70 mil habitantes) localizada no sul do Irã. Quase todas as vítimas eram meninas pequenas. Nem os Estados Unidos nem Israel assumiram a autoria do crime.
No último domingo (8/3), o jornal espanhol El País publicou uma matéria intitulada ‘Un medio iraní publica las fotos de los menores muertos en la escuela: Trump, mírales a los ojos’.
No olho da matéria, logo abaixo do título, lê-se [1]: “Tehran Times [jornal iraniano muito mais bem escrito e muito mais confiável que o Estadão] recopila más de 100 imágenes de las víctimas, así como las investigaciones de ocho medios que responsabilizan a Estados Unidos del ataque”.

A matéria do El País é curta (sete parágrafos). No quinto parágrafo, lemos o seguinte [2]:
“Entre los diarios que han investigado la matanza figuran los estadounidenses CNN, que ha culpado a EE UU tras verificar la existencia de ‘daños graves compatibles con municiones guiadas’, y The New York Times, que ha señalado que el ejército norteamericano atacó la escuela. The Wall Street Journal ha designado al CENTCOM, el mando central militar del país [responsável pelas operações militares dos EUA no Oriente Médio], como culpable”.
Como se vê, portanto, já no primeiro dia dos ataques, a coalizão Israel-EUA manteve a tradição do exército israelense de atirar deliberada e criminosamente contra alvos civis (incluindo jornalistas) (ver, e.g., aqui).
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É do conhecimento de todo jornalista que as vítimas do lado iraniano também têm rosto e nome, ainda que a direção dos jornais faça questão de omitir essa parte ‘desagradável’ da história.
No caso do ataque à escola em Minab, ao menos uma pergunta se impõe: Que jornal brasileiro se atreveu a comentar a matéria do Tehran Times ou sequer seguiu o exemplo do El País? A resposta mais provável é: Nenhum. É compreensível (além de fracos e mal escritos, os jornais brasileiros são teleguiados), mas não deixa de ser vergonhoso.
Pois olhe agora para as vítimas, decrépito e desprezível Estadão.
* Felipe A P L Costa é biólogo e escritor; autor, entre outros, de O que é darwinismo (2019). (Para conhecer outros artigos ou obter amostras de livros do autor, ver aqui)
*Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
NOTAS
[1] Em port.: “Tehran Times compilou mais de 100 imagens das vítimas, além de investigações de oito veículos de comunicação que responsabilizam os Estados Unidos pelo ataque”.
[2] Em port.: “Entre os [veículos] que investigaram o massacre estão a CNN, que culpou os EUA após verificar a existência de ‘danos graves compatíveis com munições guiadas’, e o The New York Times, que indicou que os militares estadunidenses atacaram a escola. O Wall Street Journal apontou o CENTCOM, o comando militar central do país, como responsável”.




Comentários
Zé Maria
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Cuba sob “Guerra Cognitiva”:
Notícias Falsas e Sanções
A Sobrecarga de Informações [Distorcidas]
em Relação à Ilha Socialista Caribenha
Por Gustavo Veiga, no Pagina12, via IHU On Line:
(https://www.pagina12.com.ar/2026/03/15/fake-news-y-sanciones-cuba-bajo-guerra-cognitiva/)
(https://ihu.unisinos.br/663499-noticias-falsas-e-sancoes-cuba-sob-guerra-cognitiva-artigo-de-gustavo-veiga)
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Zé Maria
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“Podem derrubar os governos,
mas não vencer um povo”.
FREI BETTO
Íntegra da Entrevista em “il manifesto”, via IHU.
Original por Claudia Fanti:
(https://ilmanifesto.it/possono-rovesciare-governi-ma-non-vincere-un-popolo)
Tradução de Luisa Rabolini: (https://ihu.unisinos.br/categorias/662359-podem-derrubar-os-governos-mas-nao-vencer-um-povo-entrevista-com-frei-betto)
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Zé Maria
https://operamundi.uol.com.br/brasil/justica-suspende-acao-penal-da-conib-contra-breno-altman/
Zé Maria
https://t.co/iNZHTCD3WM
“Justiça entendeu que ‘sequer há crime’
em denúncia contra Breno Altman”,
afirma jurista
Para Pedro Serrano, que faz a defesa do jornalista, processo movido pelo MPF a partir de representação
da CONIB [entidade sionista] expõe ‘finalidade política, mais que jurídica’, além de ‘tentativa
de reprimir direito à livre expressão’
https://x.com/BreAlt/status/2033934119688634386
https://operamundi.uol.com.br/brasil/justica-entendeu-que-sequer-ha-crime-em-denuncia-contra-breno-altman-afirma-jurista/
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Bernardo
Podres poderes no Brasil sempre associados com a tradicional mídia corporativa, ou o PIG, centenário, cínico, preconceituoso e mau. Ao estadão se acrescentam, folha, globo, os diários associados , as organizações de rádio e TV e os blogs da direita. Para eles os iranianos, mesmo que sejam crianças, nada valem; da mesma forma que os palestinos e os povos do terceiro mundo em geral.