Por Tarso Genro* (@tarsogenro), em perfil de rede social
O Japão entrou em campo com uma estratégia de “guerra de posição”: ergueu barreiras, trincheiras e casamatas, com rápidas incidências de “guerra de movimento” sobre o terreno “inimigo”.
Quase se conformou com o gol marcado no primeiro tempo e bloqueou o “inimigo”, para que ficássemos distantes dos seus pontos mais vulneráveis.
Aí começa a mudança de qualidade na disputa do “mata-mata”, que é de vida ou morte: com calma, com sangue frio, com precisão, Carlo Ancelotti determinou que o nosso “exército” repetisse, repetisse e repetisse -disciplinadamente e indefinidamente – a “guerra de movimento” pelos flancos, acionando a artilharia pelo alto e jogando com a estatística.
Pensou ele, corretamente, que em algum momento estes movimentos insistentes e ritmados abririam espaços no terreno que os japoneses pensavam ter dominado em definitivo. Foi o que pensou o Mestre da vitória. Estava certo.
Na guerra, na política, no futebol e na vida, só a morte é definitiva. Nada, enquanto se vive, é definitivo!
Alguns movimentos precisos, algumas genialidades recuperadas no calor da batalha – bem por fora das rezas do mercado e dos contratos publicitários -ferveram o sangue nacional, esquentando todo o território do “Brasil que não desiste nunca”.
Ancelotti apostou no bom senso comum contra todas as probabilidades do racionalismo gelado dos japoneses e vencemos.
Nossos atletas saíram da frieza financeira dos seus contratos publicitários e jogaram pelos seus pais, mães, irmãos e irmãs, esposas, filhos, namoradas, parentes e amigos, na periferias distantes deste imenso Brasil. E se superaram. E venceram. E vencemos.
*Tarso Genro foi governador do estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, ministro da Justiça, ministro da Educação e ministro das Relações Institucionais do Brasil. Autor, entre outros livros, de Utopia possível (Artes & Ofícios). [https://amzn.to/3DfPdhF]
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