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Marco Aurélio Garcia: “Acho que o futuro já chegou — um pouco”


07/04/2010 - 20h17

“Nós estamos emergindo e vamos continuar a emergir. Há outros países que já são desenvolvidos que estão imergindo, estão afundando. O grande problema que nós temos aqui é o seguinte: nós começamos, a meu juízo, a enfrentar a questão chave que o País tinha que, de uma certa forma, abriu espaço para resolver as demais, que era questão social. Por que nós éramos o eterno país do futuro? Porque nós éramos um país rico e profundamente desigual. E essa desigualdade não era simplesmente de renda. Era uma desigualdade de gênero, étnica, que se dava em termos regionais, em termos educacionais, assimetrias culturais etc. Nós começamos a resolver a desigualdade social em termos de renda. E demos alguns passos importantes para resolver os temas das desigualdades regionais”.  A avaliação é de Marco Aurélio Garcia, assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais em entrevista a Andréa Vieira, da revista Desafios do Desenvolvimento, do Ipea.

Eis a entrevista

por Andréia Vieira, na revista Desafios do Desenvolvimento, via Carta Maior

Desenvolvimento – Em palestra no Ipea, o senhor afirmou que instituições internacionais estão caducas. Gostaria que o senhor explicasse essa posição.

Garcia – Acho que tem três tipos de caducidade. Primeiro do ponto de vista dos pressupostos com os quais FMI e o Banco Mundial, mais particularmente o Fundo, trabalharam durante esses últimos anos. Eles foram muito lenientes no que diz respeito à desordem econômica internacional que estava se armando, estimulavam as ideias de desregulamentação, foram extremamente ortodoxos na cobrança de políticas austeras por parte dos países, sobretudo os pobres e emergentes, o que significou em grande medida que esses países se viram inviabilizados. E parece que algumas dessas questões persistem hoje. Se nós verificarmos os conselhos que foram dados, segundo o noticiário, pelo FMI para a Europa, agora nós vamos ver que uma das principais recomendações parece ser o corte de salários. Ora, a tendência em momentos de crise é impulsionar políticas heterodoxas, políticas anticíclicas! Então eu acho que esse problema que parecia superado depois da eleição do Dominique Strauss-Kahn para o FMI, ainda não está perfeitamente equacionado. O segundo aspecto está ligado à operacionalidade dessas entidades muito burocratizadas. O atraso na rodada de Doha é um caso típico, em circunstâncias que num determinado momento as coisas estavam praticamente para ser resolvidas. Na última hora, no final da gestão Bush nos EUA e no limiar de uma eleição na Índia, as negociações fracassaram. O terceiro aspecto, também mais ligado à direção, porém mais tangível, é a questão da representatividade. Salvo a OMC, onde cada país tem um voto, nas outras entidades nós temos uma distribuição muito perversa das organizações de poder que não corresponde mais à correlação de forças internacionais, que ainda é acompanhada de uma prática habitual, uma espécie de um condomínio Europa-EUA.

Desenvolvimento – É possível estruturar uma instituição multilateral realmente eficiente e representativa de todas as nações ou reorganizar as já existentes? Como seria?

Garcia – Eu acho que isso deve ser tentado. Se nós praticarmos de forma mais intensa uma concepção multilateral das organizações internacionais, isso é factível. Agora, se nós acharmos que o mundo tem que ser regido por um grupo restrito de potências, não vai ser possível. A grande verdade é que essa alternativa da hegemonia de um grupo pequeno de potências também conduz a um impasse. Acho que o exemplo mais claro disso foi a reunião de Copenhague, onde tudo ficou bloqueado em grande medida por causa da decisão dos Estados Unidos no que diz respeito às metas de controle de emissão (de gases). Isso fez com que a Europa retrocedesse naquilo que ela havia proposto e deixou os outros países olhando o céu. O grande problema, se não houver essa democratização das organizações internacionais, é uma paralisação das relações internacionais. Isso não é bom.

Desenvolvimento – A crise internacional expôs uma série de falhas do sistema financeiro mundial. Falou-se em regulação e fiscalização dos mercados, mas até agora nada foi feito. Por que isso é tão difícil?

Garcia – É difícil porque fere interesses nacionais importantes e porque nós hoje enfrentamos uma crise de liderança mundial muito grande. Lembramos que o antecedente que nós tivemos foi a crise de 1929. No que diz respeito aos Estados Unidos, ela começou a ser enfrentada num primeiro momento com medidas extremamente corajosas, muito mais radicais, mas a grande resolução da crise de 1929 foi a guerra. Então esse é um risco real. Quando os países se reuniram em 1944, em Bretton Woods, para tentar definir uma nova arquitetura financeira internacional, eles estavam fazendo uma autocrítica da sua inação no que diz respeito a evitar os desdobramentos da crise. Quer dizer, antes que a guerra tivesse ocorrido e, como causa dessa guerra, inclusive, nós tivemos a ascensão do fascismo na Itália, a ascensão do nacional-socialismo na Alemanha, de uma certa forma a guerra civil espanhola, o êxito e depois o fracasso da experiência da frente popular na França, enfim, uma série de fenômenos que, sem dúvida nenhuma, qualquer historiador vai localizar nas origens da Segunda Guerra Mundial.

Desenvolvimento – Caso nada seja feito nesse momento para estabelecer uma ordem econômica mais organizada e sustentável, o que pode acontecer?

Garcia – O mundo pode se transformar num grande paiol de pólvora. E quando há um paiol de pólvora, qualquer fósforo produz uma explosão.

Desenvolvimento – O senhor fala em guerra mesmo?

Garcia – Por que não? Não quero ser catastrofista, mas eu acho que essa é uma das razões pelas quais, talvez, todos os esforços de neutralização dos pontos de tensão internacional são de fundamental importância.

Desenvolvimento – Isso justifica a preocupação em aumentar a defesa do Brasil?

Garcia – Eu não diria aumentar, mas adequá-la. Nós estávamos com um sistema de defesa que não correspondia mais às necessidades do País, entende? Nós precisamos ter adequação. Nós não precisamos ter forças armadas para desfile militar. Nós precisamos ter forças armadas para proteger o País. Acho que esse tema, grosso modo, está sendo colocado em quase todos os países da América Latina. Então, por essa razão, eu não vejo que a América Latina, em particular a América do Sul, seja uma região que possa ser capitulada como uma região de tensão internacional. Mas há outras regiões com focos de tensão que todos os dias estão se manifestando. O crescimento da economia chinesa será acompanhado ou não de uma estratégia de consolidação da China como potência militar? Não sei. É bem possível. As tensões que estão se produzindo agora entre China e Estados Unidos em função do refortalecimento dos armamentos de Taiwan? Há regiões de enorme tensão no mundo hoje como Paquistão, Afeganistão, Palestina…

Desenvolvimento – Voltando a falar da economia mundial, ao que tudo indica, o Brasil adotou as medidas corretas para mitigar os efeitos da crise, tanto que foi um dos primeiros países a sair dela. No cenário financeiro internacional pós-crise, a imagem do Brasil mudou?

Garcia – Eu acho que já vinha mudando anteriormente. Quando a crise eclodiu, o Brasil foi consultado imediatamente sobre que tipo de instância deveria ser criado. Eu lembro que eu estava com o presidente Lula quando o presidente Bush telefonou para ele e disse: “eu preciso fazer uma reunião aqui em Washington para organizar uma resposta à crise. Quem você acha que nós devemos convidar?” Ele nos consultou. Foi quando o presidente (Lula) disse: “eu acho que deveria ser o G 20 financeiro”. Portanto, nesse momento, a imagem do Brasil já era fortalecida.

Desenvolvimento – Em que proporção a crise na Europa preocupa o Brasil?

Garcia – Olha, isso preocupa o Brasil por várias razões. Primeiro lugar porque isso afeta o equilíbrio da economia internacional como um todo. Se há uma retração da economia europeia, isso, sem dúvida nenhuma, afetará o conjunto da economia mundial. Os chineses serão afetados porque a China tem no espaço europeu um de seus mercados importantes.

Desenvolvimento – Falando em China, o que o Brasil pode fazer para melhorar o comércio com a China, tendo em vista que essa relação comercial acaba sendo desfavorável ao Brasil, que exporta apenas commodities para o gigantesco mercado chinês?

Garcia – Primeiramente, eu acho que nós não devemos ter vergonha de exportar commodities. O ruim é quando a gente não exporta nada. O problema brasileiro é que nós estamos fazendo, nos últimos anos, uma certa reconversão da economia brasileira, fazendo com que o processo de industrialização seja um processo não só de crescimento quantitativo, mas de sofisticação qualitativa. Isso implica agregar mais valor. E é claro que no caso da China, salvo em alguns nichos muito particulares, nós vamos enfrentar dificuldades em aumentar nossas exportações por uma razão muito simples: a China realiza aquilo que nós também realizamos em escalas muitas vezes superiores: eles produzem automóveis, eletrodomésticos e eletrônicos em escala muito maior do que a nossa. Nós temos algumas formas de entrada na China da indústria de alto valor agregado como é o caso da nossa indústria aeronáutica. Mas a produção agrícola, por exemplo, é um trunfo extraordinário que o Brasil tem. Não quero dizer com isso que não vamos melhorar nossa indústria, que não vamos adotar uma política industrial mais agressiva, que não vamos enfrentar a questão da inovação tecnológica, que é fundamental.

Desenvolvimento – O Brasil, que já liderava a missão de paz no Haiti, está tendo uma atuação muito efetiva na ajuda ao país depois da tragédia causada pelo terremoto. Que efeitos essa atuação produzirá para o Brasil no cenário internacional?

Garcia – Nós estamos fazendo isso, em primeiro lugar, porque nós incorporamos a solidariedade como valor a ser defendido na nossa política externa. Da mesma forma que nós buscamos a defesa da paz, defesa dos direitos humanos, relações internacionais menos assimétricas, menos desequilibradas, temos também como um dos valores a solidariedade. O Haiti é um país com o qual nós temos grande afinidade, é um país de população negra, como é o caso do Brasil.

Desenvolvimento – Por que é tão importante para o Brasil ter um assento permanente no conselho?

Garcia – Por uma razão muito simples: nesse conselho é que se resolvem as questões da segurança global. Nós não estávamos discutindo no começo que o mundo pode correr um risco de uma conflagração regional ou mais global, seja pela incapacidade dos governos se porem de acordo, seja pelo progresso abusivo de uma situação conflitiva? Quem coopera nessas circunstâncias? Só pode ser o Conselho de Segurança. Nós, inclusive, temos uma visão hoje crítica ao funcionamento das Nações Unidas. Nós achamos que as Nações Unidas deveriam assumir concretamente a condição de organismo regulador da paz mundial.

Desenvolvimento – Por que isso não acontece?

Garcia – Isso não está acontecendo porque as Nações Unidas foram enfraquecidas, porque durante um certo período predominou uma orientação estritamente unilateralista da política norte-americana. Então nós precisamos de organismos mais legitimados. Em muitas das crises mundiais recentes, o Conselho de Segurança ficou sobrepassado. O caso do Iraque é um caso claro. Ele não apoiou a invasão, mas saiu debilitado porque a invasão se deu sem a opinião dele. Nós precisamos de um conselho de segurança mais amplo, mais representativo. Vai ser rápido? Não, não vai. Até que caia a ficha de alguns países que o mundo não é mais propriedade exclusiva deles, vai levar algum tempo.

Desenvolvimento – É fato que o Brasil está se aproximando cada vez mais e ganhando respeito das grandes economias. Por outro lado, há a sensação de que o Brasil está se distanciando da América Latina. Não está?

Garcia – O Brasil não está alheio. Nós temos instâncias de participação. A primeira instância que é o Mercosul, que atravessa, a meu juízo, dificuldades hoje, não tantas quanto se diz. Acho que nós deveríamos pensar seriamente no fortalecimento institucional do Mercosul. Não há possibilidade de um processo de integração avançar se nós não temos instituições fortes. As instituições hoje de Montevidéu são muito frágeis, muito pequenas. Depois nós temos uma outra instância de intervenção sul-americana que é a Unasul. Eu diria que hoje, talvez, nós estejamos avançando com o ritmo que se impõe. O processo de integração energética, a constituição do Banco do Sul, que está decidida mas ainda tem uma certa tardança na implementação, os processos de integração física, tudo isso tem sido muito mais resultado de ações unilaterais, bilaterais, às vezes trilaterais, do que efetivamente uma política. Então há uma crise de governança tanto do Mercosul quanto da Unasul que é preciso resolver. Agora eu não acho que nós temos nos afastado da região. Pelo contrário. Nós temos uma relação muito solidária.

Desenvolvimento – O bloco corre o risco de acabar?

Garcia – Em primeiro lugar não vai acabar porque, entre outras coisas, do ponto de vista econômico, a integração da região produz resultados muito fortes. Do ponto de vista político, a presença, a intervenção de forças regionais em crises políticas internas, a meu juízo, só se justifica quando essas crises se transformam em crises agudas. Eu vou dar dois exemplos. Quando houve um forte processo de desestabilização na Venezuela em 2002/2003, foi criado aquele grupo de amigos da Venezuela, que ajudou muitíssimo e conduziu o processo de estabilização do país. Quando a Bolívia esteve à beira de uma guerra civil, a Unasul fez aquela reunião em Santiago do Chile e interveio no sentido de respaldar o governo.

Desenvolvimento – A expansão de bases norte-americanas na América Latina foi criticada pelo governo brasileiro. As relações entre Brasil e EUA ficaram abaladas por essa razão?

Garcia – Não. Acho negativa a existência de bases norte-americanas na região. É algo que cria tensões aqui. Isso nós dissemos de forma muito franca, muito clara ao presidente Uribe quando ele esteve aqui, depois em reunião na Argentina. Nós gostaríamos que os problemas da região fossem resolvidos no âmbito da região. No caso da Colômbia, um país que vive uma situação de crise interna pela existência das Farc e outras guerrilhas, nós não temos condições de participar de um esforço militar lá. Mas nós sim, temos condições de participar, já deixamos claro isso, num esforço de paz. Tudo que nós pudermos fazer para lograr a paz lá, nós faremos.

Desenvolvimento – Como ficam outros países da região?

Garcia – Eu tenho a impressão de que outros países se sintam incomodados. E nós mesmos, inclusive a partir da leitura de alguns documentos oficiais, ficamos preocupados. Há documentos oficiais dos Estados Unidos que falam das bases como tendo a possibilidade de uma projeção militar no resto do continente. Isso nos inquieta.

Desenvolvimento – Mudando de região. Além de muitas críticas, que benefício o Brasil teve com a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad?

Garcia – Você poderia me perguntar por que nós recebemos o Shimon Peres e outros…

Desenvolvimento – Eu ia chegar lá.

Garcia – Primeiro lugar porque nós temos relações muito amplas, com muitos países. O Brasil ampliou consideravelmente as suas embaixadas pelo mundo e o mundo ampliou consideravelmente as suas embaixadas aqui. Segundo lugar, tanto o Irã quanto Israel, quanto a Palestina, são regiões que eu incluiria nessas regiões problemáticas do mundo. Quando nós começamos o governo, com a ameaça do desencadeamento da guerra no Iraque, não se tinha a ideia do que poderia acontecer. Como o Saddam Hussein era muito falastrão e ameaçava mundos e fundos, uma hipótese de trabalho que nós operamos aqui foi de que uma guerra desse tipo pudesse implicar ameaças das mais variadas. Desencadeamento de terror mundial… Criou-se aqui um trabalho na Presidência que estudava todas essas hipóteses e, inclusive, as medidas que deveriam ser adotadas. Eu tenho absoluta certeza de que o agravamento do conflito na Palestina ou o eventual desencadeamento de uma situação mais grave com o Irã seria algo de consequências terríveis.

Desenvolvimento – Realmente vale a pena o Brasil se aproximar de uma questão tão complexa e tumultuada como são as relações existentes no Oriente Médio? Não é um desgaste inútil?

Garcia – Não. Pelo contrário. Eu acho que um desgaste seria não participar. Dizer que essa é uma situação que não nos interessa… Não nos interessa até o dia em que isso nos cair em cima. E se nós queremos ser, como se diz, um global player, se nós queremos abandonar o eterno complexo de vira-lata, de ficar preocupados só com o nosso mundinho, nós temos que ter uma atenção para isso. Eu acho engraçado o seguinte: esses mesmos setores que criticam que nós estamos discutindo com o Ahmadinejad ou que estamos recebendo o presidente Mahmoud Abbas (Palestina), ou o presidente Shimon Peres (Israel), este em geral menos criticado, são aqueles que dizem: “vocês ficaram indiferentes ao genocídio na África e em tal país”. Nós não ficamos indiferentes. Nós votamos medidas nos fóruns internacionais. Eu estou convencido de que se não se chegar a uma solução da crise do Irã, nós corremos um grave risco para a paz mundial. Essa não é só a minha opinião. Essa é a opinião de grandes dirigentes mundiais com os quais eu tive a oportunidade de estar.

Desenvolvimento – Como o senhor avalia a posição dos Estados Unidos?

Garcia – Eu tenho certeza de uma coisa: ajudar não está ajudando porque essas coisas estão se alastrando há muito tempo. E o que é interessante observar é o seguinte: é justo, do ponto de vista de uma ordem internacional que nós queremos multilateral, que um país se ocupe de resolver todas crises do mundo? Que esteja presente em Honduras, no Paquistão, no Afeganistão, no Iêmen, na Palestina, no extremo oriente… É justo isso? Ou a melhor coisa é efetivamente criar um espaço de negociação mais plural? Nós não estamos pedindo isso para nós. A nossa presença tem esse sentido de incorporar outros, tem o sentido de fortalecer o multilateralismo.

Desenvolvimento – O presidente Lula sempre defendeu mais ajuda e aproximação com a África, mas quem acabou assumindo esse papel foi a China, que está investindo de fato no continente. Como fica o Brasil agora?

Garcia – Mas nós não estamos competindo com a China na África. A China está fazendo o que considera mais adequado. Eu sei que muitos países não gostam desse tipo de presença. Não gostam, por exemplo, que uma represa que está sendo construída pela China seja construída por cinco mil operários chineses que ficam em barcos ao largo e que vão sendo transportados todos os dias. Nós não fazemos isso. As obras que as empresas brasileiras estão construindo no continente africano são obras construídas mais de 95% por africanos. Nós estamos criando empregos na África. E também nós não temos necessidades que a China tem. A China vai buscar petróleo na África. Nós não precisamos buscar petróleo fora do Brasil. Mas até temos explorações em Angola, na Nigéria, e em outros lugares. A China vai buscar minérios. Nós não precisamos buscar minérios lá. Nós temos minérios.

Desenvolvimento – Na reunião de cúpula de Copenhague, os países não chegaram a nenhum acordo sobre as questões climáticas. Qual a probabilidade de o próximo encontro ser bem sucedido?

Garcia – Eu diria que obviamente os Estados Unidos terão uma responsabilidade muito grande nisso, porque, sendo o país responsável pelo maior número de emissões, cabe a ele chegar com metas concretas. As metas que os Estados Unidos estabeleceram até agora são ridículas. Elas tiveram reflexo também no próprio comportamento da União Europeia, como já mencionei. A União Europeia tinha metas mais ambiciosas, mas como viu que os Estados Unidos estavam na retranca, de certa maneira diminuiu as metas dela, encolheu a proposta. Eu acho que se todo mundo subir a sua missão no que diz respeito à redução, nós teremos efetivamente mais possibilidade de chegar a um acordo. Inclusive a própria China ficou evidente que tem flexibilidade nesse particular. Parece que o único país que não tem flexibilidade são os Estados Unidos.

Desenvolvimento – Mas os Estados Unidos nunca tiveram essa flexibilidade. O que faz o mundo acreditar que possa vir a ter?

Garcia – Bom, o problema é o seguinte: haverá, em um determinado momento, um constrangimento internacional muito forte sobre os Estados Unidos.

Desenvolvimento – Esperar que isso ocorra para só então começar a pensar nas questões climáticas e ambientais não pode ficar tarde demais?

Garcia – Pode ficar tarde para a humanidade, mas isso não exime os países de tomarem as suas iniciativas e com isso criar um constrangimento político e moral muito forte, que foi o que o Brasil fez. O Brasil fixou exigências, transformou-as em lei, e chegou lá com a agenda mais radical de todas. Nós vamos aplicar isso? Vamos. Se os outros não aplicarem, bom, paciência. Mau para a humanidade. A nossa parte nós estamos fazendo

Desenvolvimento – O que falta para o Brasil deixar de ser a eterna potência emergente, o eterno país do futuro que nunca chega, para se tornar de fato uma potência mundial?

Garcia – Em primeiro lugar eu não gosto muito da expressão potência mundial. Acho que o Brasil deixou de ser o eterno país do futuro, acho que o futuro chegou, um pouco. O futuro é uma construção. Nós estamos emergindo e vamos continuar a emergir. Há outros países que já são desenvolvidos que estão imergindo, estão afundando. O grande problema que nós temos aqui é o seguinte: nós começamos, a meu juízo, a enfrentar a questão chave que o País tinha que, de uma certa forma, abriu espaço para resolver as demais, que era questão social. Por que nós éramos o eterno país do futuro? Porque nós éramos um país rico e profundamente desigual. E essa desigualdade não era simplesmente de renda. Era uma desigualdade de gênero, étnica, era uma desigualdade que se dava em termos regionais, em termos educacionais, assimetrias culturais e etc. Nós começamos a resolver de forma importante a desigualdade social em termos de renda. E nós demos alguns passos importantes para resolver os temas das desigualdades regionais. Agora, isso é um processo que toma muito tempo e que dificilmente se cristaliza, porque esses 22 milhões que, segundo se diz, entraram para a classe média, eles não vão se contentar com os benefícios dessa suposta condição de classe média. Eles vão querer mais. É normal que assim seja. O País hoje tem mobilidade social. As pessoas não querem mais só entrar na universidade, elas querem entrar numa universidade de qualidade, elas querem uma escola secundária de qualidade, uma escola técnica de qualidade.

Desenvolvimento – O próximo passo não seria o combate à corrupção?

Garcia – Eu acho que o combate à corrupção aumentou e muito. Se a corrupção aparece mais hoje é porque mais tem sido combatida. Se você fizer um levantamento das iniciativas da Controladoria Geral da União e da Polícia Federal você vai ver o volume. Agora, eu quero sempre fazer uma diferença. Uma coisa é o combate à corrupção. Outra coisa é uma certa leitura que se faz desse combate hoje em dia, que eu acho que tem como função, não sei se explícita, em alguns casos sim, que é desacreditar a política. Há um esforço muito grande de desacreditar a política, que passa a ser uma área ardida, os políticos são as piores pessoas que existem no mundo…

Desenvolvimento – De quem é esse esforço?

Garcia – Você encontra na imprensa.

Desenvolvimento – Mas veja o que acontece com o governo do Distrito Federal, por exemplo, e tantos outros casos espalhados pelo País. O senhor não acha que esse esforço vem dos próprios políticos?

Garcia – O volume que esses temas ocupam no noticiário e a abordagem deles denotam concretamente uma incriminação da política como atividade humana. E ela é muitas vezes substituída por uma ideia de que ao invés da política nós devemos privilegiar a gestão. Uma gestão do tipo tecnocrática, apolítica e etc. Eu me preocupo muito com isso. Esse é um fenômeno mundial: uma tentativa de desacreditar a atividade política mundialmente. Claro que a corrupção tem que ser considerada como um problema grave, porque é antirrepublicana, tem que ser combatida. Mas que ela venha a ocupar um lugar que não ocupou nunca o tema da desigualdade social? Eu nunca vi nas manchetes dos jornais temas da desigualdade social, os temas da nossa dependência econômica, os temas da fragilidade da nossa soberania nacional, os temas da violência no campo, enfim, uma quantidade de outras questões que não têm a mesma incidência que os temas da corrupção têm. Acho que muitas vezes o risco é de que você, ao jogar a água suja do banho, jogue a criança também. Eu tenho a impressão de que hoje em dia, se você tomar as pesquisas, você vai ver que uma das instituições mais desacreditadas do País é o Parlamento. Por quê? Com isso você obscurece totalmente a função de dezenas, centenas de parlamentares que estão lá trabalhando. Qual a avaliação que se faz do funcionamento do Parlamento? É se os deputados estão lá. Eu não sou parlamentar nem quero ser, mas acho que há uma enorme incompreensão. Ou então quando se fala dos salários dos funcionários. Os salários que nós ganhamos no serviço público brasileiro são absolutamente ridículos se comparados com os salários daqueles que escrevem sobre os nossos salários e que não são assalariados. Encontraram formas muito claras de ludibriar os impostos criando essas microempresas e coisas desse tipo. Eu acho que o jornalista tem que ganhar muito bem mesmo. Agora, não me venha falar dos nossos salários porque eles não são compatíveis com o tipo de trabalho que nós fazemos.





32 comentários

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nilton de souza

01 de julho de 2011 às 16h48

itapeba

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Benedito

04 de julho de 2010 às 18h31

Quero parabenizar o grande brasileiro Marco Aurélio, pelo seu brilhantismo, pela clareza de sua exposição e pelas idéias que estão sendo implementadas: pela soberania do Brasil que vem ajudando a implantar na política externa em função dos interesses nacionais e da paz mundial, com uma visão nova de solidaredade entre os povos. Avante, pois, grande brasileiro! nós, simples cidadãos, que acompanham a sua atuação, bem como a do extraordinário Ministro Celso Amorim, que tem trazido tantas esperanças e melhores relações de igualdade, justiça e respeito entre as nações, queremos agradecer e dizer do nosso orgulho, pela atuação de ambos.

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Pitagoras

14 de junho de 2010 às 22h21

Marco Aurélio Garcia foi o que de melhor aconteceu em nossa diplomacia, tradicionalmente melhor que os governos a quem servia.
Seu trabalho elevou o país à posição de protagonista internacional, com paradigmas de equilíbrio, justiça, independência, mostrando ao mundo alternativa à diplomacia dos canhões, do poder econômico, da intolerãncia, da mentira e da ganância material.
Que seja mantido no cargo que tanto enobreceu!

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eduardo ayrton

08 de abril de 2010 às 19h07

marco sempre muito bom em suas entrevistas

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Felipe Machado

08 de abril de 2010 às 16h01

Marco Aurélio Garcia! que nojo..

Desisto de você Azenha..

tchau

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Milton Hayek

08 de abril de 2010 às 15h53

http://www.rollemberg.com.br/noticias/tratado-para-uso-da-base-de-alcantara-pelo-eua-continua-no-congresso/?searchterm=None

Tratado para uso da Base de Alcântara pelo EUA continua no Congresso

Acordo que fere interesses nacionais está pronto para ser votado na CCJ e pode entrar em pauta a qualquer momento

O líder do PSB, Rodrigo Rollemberg (DF), denunciou no começo da tarde de hoje (4/6) em Plenário o acordo espacial que regulamenta o uso da base de lançamento de foguetes de Alcântara pelo Governo norte-americano. A matéria está pronta para pauta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apesar do ministro Celso Amorim ter prometido retirá-la da Casa.
Continua no link acima…………..
Letícia Alcântara/ Repórter da liderança do PSB na Câmara dos Deputados – 4/6/2009

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Fernando

08 de abril de 2010 às 15h05

IPEA: em concentração de renda, Brasil rural só não supera Namíbia
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=172

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Milton Hayek

08 de abril de 2010 às 14h49

Putz!!Que horro!!!!!!!!!Mais um senador estadunidense que não lê a Veja e nem o Gay Talese do Paraguai,o Reinaldo Azevedo!!

Senador americano dá uma surra no PiG (*). O Brasil não é espelho dos Estados Unidos
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=29573

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Neson Batista

08 de abril de 2010 às 14h31

Assim estes cabeças de bagres do Psdb e Dem adoram criticar o homem! Pode?

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Renilton Cruz

08 de abril de 2010 às 14h21

Muito lúcidas as observações do Marco Aurélio Garcia. Uma fala que demonstra soberania.

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Marco Cintra

08 de abril de 2010 às 13h50

Azenha, tu já leu o NaMaria hoje? Então corre lá que o bicho está mais tenebroso que nunca. Imperdível! http://namarianews.blogspot.com/2010/04/o-caso-ar

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    Carlos

    08 de abril de 2010 às 16h49

    Que esforço o dela hein?
    Reunir e analisar/dewstrinchar aquilo tudo de informações.
    JORNALISMO!

Carlos

08 de abril de 2010 às 11h24

O gaúcho Marco Aurélio foi destacado líder estudantil no início dos anos 60.

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Roberto Locatelli

08 de abril de 2010 às 10h06

Estamos num ponto fulcral da História do Brasil.

Em outubro, se Dilma vencer, não apenas teremos a continuidade do crescimento econômico com justiça social, mas aceleraremos rumo a uma transformação social de maior envergadura. Essa entrevista mostra como isso é fundamental para os rumos da América Latina e do mundo.

Se Serra ganhar, a tragédia será grande. O Brasil retrocederá ao atraso e, possivelmente, levará a América Latina junto.

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Milton Hayek

08 de abril de 2010 às 00h25

O que MAG fala é o contrário,exato,do tucanismo louco que ainda deseja destruir o Brasil.Vejam:
http://diariogauche.blogspot.com/2010/04/plano-om

Plano Ômega é um golpe branco que fragiliza a economia brasileira

Os riscos infinitos de um projeto diabólico

O sistema financeiro mundial continua em crise. Os grande bancos norte-americanos foram salvos graças aos aportes financeiros do Estado e, atualmente, dedicam-se ao business as usual, envolvidos em apostas tão ou mais arriscadas do que as que faziam até 2007. Por que acreditar que desta vez os resultados serão diferentes, se o sentimento de impunidade com que os grandes bancos tocam habitualmente seus negócios está agora respaldado pela certeza do salvamento estatal? Os bancos menores lutam desesperadamente pela sobrevivência em um ambiente cada vez mais hostil, pois sua base de clientes (pequenos negócios, imobiliário local e pessoas físicas) também está em crise. Na Europa, o salvamento dos bancos colocou o continente à beira da crise fiscal e o processo de “socialização” dos prejuízos prossegue, como mostra a discussão essa semana da necessidade de absorção de mais prejuízos privados em um país na mira dos “investidores” internacionais. A solução dada para a Grécia – uma garantia mista entre Europa e FMI em caso de agravamento da solvência do país – já suscita a desconfiança do “mercado”. A venda de títulos da dívida grega nessa semana ocorreu a um custo muito alto, mostrando que as iniciativas de solução do problema ainda não surtiram o efeito desejado.

Essa situação de incerteza radical, da qual anedoticamente me utilizo de fatos da conjuntura para mostrar sua validade, tem levado, em um plano estrutural, à busca incessante de novas fontes de lucratividade e de novos modos de funcionamento do sistema de hegemonia financeira. E think tanks, universidades, consultores não faltam para isso, não apenas nos países desenvolvidos, em especial os EUA. Seus epígonos estão por aí, espalhados pelo mundo, sempre prontos a apoiar as idéias dos “mestres” e elevá-las em seu discurso ao mais alto interesse público local. É a fome e a vontade de comer… dólares, of course.

É nesse contexto que tem de ser entendido o chamado Plano Ômega. Dada a fragilização dos mercados financeiros tradicionais, busca-se descentralizar as operações financeiras para locais com maior potencial de crescimento econômico nas próximas décadas. Obviamente, isso tem de ser entendido como um movimento de extensão geográfica do centro pensante da globalização financeira e não como uma disputa “vencida” pelos mercados emergentes. O Brasil, e mais apropriadamente a cidade de São Paulo, tem sido lembrada nessas discussões sobre os rumos do capitalismo global. O Plano Ômega seria um conjunto de mudanças institucionais que, em conjunto com a movimentação dos bancos de investimento globais, colocaria a cidade como centro de fornecimento de serviços financeiros para a região latino-americana. O financiamento das empresas da América Latina como um todo, seja por emissão de ações ou por emissão de títulos no mercado internacional, seria realizado a partir de empresas localizadas em São Paulo. No jargão do mercado, São Paulo seria um hub, uma conexão, entre as empresas da América Latina e os aplicadores globais.

Continua no Diário Gauche…………………

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    Ubaldo

    08 de abril de 2010 às 10h21

    Para Lula se eleger "vendeu a alma ao diabo" ao assinar a carta à Nação e se alinhar com os banqueiros nacionais e internacionais. Meirelles no BC é a prova viva desse acordo qual drena toda a nossa capacidade de investimento. Nunca na hitória "destepaiz" os banqueiros se esbaldaram tanto, nem no governo FHC. Porisso estou de acordo com a tese relatada acima por você.

    Carlos

    08 de abril de 2010 às 13h25

    Fosse você o presidente, o que faria?

    Milton Hayek

    08 de abril de 2010 às 14h31

    Eu faria o que ele já está fazendo!Na moita!!!!Veja: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=29589

    Sai o último “homem do mercado” do BC. Que bom !

    “Texto da ata provocou saída de Mesquita. Ex-diretor não teria gostado das explicações do Copom para manutenção (sic) do juro em março”.

    Mario Mesquita era diretor de Política Econômica do BC e, antes, trabalhou nos bancos ABN e no ING (para onde deve voltar, triunfante, em breve).

    Muito simples.

    Mesquita queria aumentar os juros.

    O que, aliás, é o que os bancos mais queriam que acontecesse.

    O BC não aumentou os juros.

    Ele caiu fora.

    Que bom !

    Mesquita é o último representante “do mercado” na diretoria do BC.

    Um funcionário de carreira do BC o substituiu.

    Que bom !

    O pessoal “do mercado” no BC adora um juro alto.

    O mercado também.

    Paulo Henrique Amorim

    Em tempo: agora, as usual, Mesquita poderá fazer companhia a Ilan Goldfajn e Alexandre Schwartsman, que se despiram da leve túnica de recato para reforçar as páginas do PiG (*) e falar mal do Governo Lula (a que serviram, sob remuneração). Ou fazer como o Armínio Fraga, presidente do BC de FHC, que foi para o exterior, como presidente da Bolsa (brasileira), para falar mal do Brasil. Chega de pessoal “do mercado”. Paul Volcker, por exemplo, não fala do BC americano – só do período em que o presidiu. Uma questão de recato.

    Em tempo 2: Pior fez o diretor do BC Mario Torós, que inspirou reportagem do Valor e revelou segredos de Estado. O que provocou sua imediata demissão.

    (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

    francisco.latorre

    09 de abril de 2010 às 16h11

    na moita.

    devagar mas sempre.

    chegando lá.

    Ubaldo

    08 de abril de 2010 às 15h30

    Carlos,
    Lula deveria usar a virtual credibilidade junto à comunidade internacional para renegociar a dívida pública bruta qual já ultrapassou R$ 2 trilhões (FHC deixou em R$ 687 bilhões) para juros o patamar de 2% ao ano (Os EUA pagam 1% à China) e assim deixaríamos de pagar mais de R$ 140 bilhões ao ano de juros aos banqueiros e investidores. Só que para isso ele deveria deixar de lado a arrogância e fazer isso pelo país mesmo que a consequência seja a não eleição da sua candidata e sua própria desmitificação, a invés de deixar o abacaxi para nossos filhos .

    Milton Hayek

    08 de abril de 2010 às 16h14

    Como fazer uma auditoria na dívida externa ou interna sem os documentos que sumiram do Senado Federal????Como vamos acusar a plutocracia sem papéis???Eu também apoio renegociação,mas fazer isso sem calma é exigir de Lula o que nenhum presidente,absolutamente nenhum,teve cojones pra fazer.O último que tentou dar uma aliviada no peso da dívida(Jango),ao exigir que os lucros das multinacionais ficassem no Brasil,foi deposto e assassinado depois no Uruguai.
    Isso é fácil de falar,Ubaldo.Senta lá e faz!!!
    Olha aqui,com Adriano Benayon da UnB,como a dívida pública interna foi moldada na CF88 para enriquecer a oligarquia brazuca.Inseriram incisivos,no artigo 166,garantindo a farra dos juros internos para pagar banqueiros;empresários privados depois que a CF88 foi votada!!!!!Veja: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=8857

    Anatomia de uma fraude à Constituição

    Adriano Benayon

    doutor em economia, diplomata, advogado, consultor legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, professor de economia política na Universidade de Brasília (UnB)

    Pedro Antônio Dourado de Rezende

    professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB), coordenador do programa de Extensão Universitária em Criptografia e Segurança Computacional da UnB, ATC PhD em Matemática Aplicada pela Universidade de Berkeley (EUA), ex-representante da sociedade civil no Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil)

    Resumo: Este artigo registra uma investigação, e sua publicação visa a dois objetivos: o de preencher uma lacuna na história do Brasil, e o de evidenciar a importância da retenção de documentos de valor histórico ou jurídico em registro material, de forma a permitir, a qualquer um, formar juízo sobre sua autenticidade por meios próprios. A investigação revela como foi inserido na Constituição Federal, de forma ilegal e solerte, dispositivo que acarreta danos cada vez mais pesados à economia e à sociedade brasileiras.

    Sumário: I. Introdução; A ilegalidade; Elementos tipificadores. II. Serviço da Dívida; Conseqüências Socioeconômicas; Implicações Jurídicas. III. Antecedentes e Conseqüentes; Na magistratura; No poder; Bibliografia.

    Milton Hayek

    08 de abril de 2010 às 13h47

    Você está de acordo pelo viés errado,Ubaldo.Nós sabemos que o Meirelles deseja uma desregulação radical do mercado financeiro do Brasil como a que ocorreu, aqui nos EUA, com a extinção do Glass-Steagal Act por Clinton.A mesma coisinha que essa turma do Plano ômega urde na calada dos bastidores.
    Lula nunca permitiria uma coisa dessas e faz uma política fiscal radicalmente diferente da de FHC.Lula só não faz mais pelo Brasil porque escolheu manter a política monetária e cambial de FHC – justamente o que nos impede de crescer mais.Foi um acordo para poder governar e não ser derrubado.
    Não confunda bunda com Raimunda.

Fabio_Passos

08 de abril de 2010 às 02h29

O Marco Aurélio Garcia é uma das melhores cabeças do PT.

Um daqueles que não sucumbiu ao neoliberalismo. Pelo contrário. É um daqueles que está ciente de que a superação de nosso subdesenvolvimento e atraso civilizatório passa diretamente pela superação deste período de terra arrasada neoliberal.

Responder

Milton Hayek

08 de abril de 2010 às 01h31

http://blogdoonipresente.blogspot.com/2010/04/entrevista-de-emprego.html

Entrevista de emprego

– Seu nome?
– Marcos Paulo.
– Escolaridade?
– Terceiro grau completo!
– Vamos começar com perguntas simples, conhecimentos gerais, história, geografia, ciências, personalidades.
– Quem foi Stalin?
– Um cara que cantava estalando os dedos.
– E Lênin?
– Tocava nos Beatles.
– O senhor não quer dizer Lennon?
– Esse fazia dupla com a Lílian.
– Ah… Leno!
– Não… Cantano.
– Vamos mudar de assunto. O que é equação?
– É a arte de montar uma égua.
– E equitação?
– É quando a gente paga todas as nossas dívidas.
– O que é um quelônio?
– É um tipo de mineral radioativo.
– Não seria plutônio?
– Não… esse é o nome completo do cachorro do Mickey.
– O que é fotossíntese?
– Denominação técnica para um retratinho 3 x 4.
– O que é um símio?
– Um cara que nasceu na Símia.
– Na Símia? E qual é a capital da Símia?
– Nessa tu me pegou: não me lembro agora.
– Quem era Pancho Vila?
– Companheiro de Dom Caixote.
– O que é um caudilho?
– Um osso que tem na ponta da coluna e segundo os cientistas, comprova que o homem tinha rabo e descende do macaco.
– Onde fica a vesícula?
– Debaixo da clavícula.
– Onde ficam os glúteos e para que servem?
– Ficam na garganta e servem para engolir.
– Onde fica o baço?
– Não é baço. É braço. São dois e ficam antes das mãos.
– Para que servem as fibras óticas?
– Para movimentar os olhos.
– Onde fica o Triângulo das Bermudas?
– Qualquer costureira sabe: entre o cós e o gavião.
– Quem descobriu a Lei da Gravidade?
– Um médico ginecologista francês, o Dr. Jeckyl.
– Putz! E quem foi Sócrates?
– Sócrates? Jogou na seleção. Tá vendo? Também conheço futebol; não é por ser Tucano que tenho que ser ingnorante!

Responder

    Carlos

    08 de abril de 2010 às 12h38

    Tucano e jornalista diplomado, né?

    Milton Hayek

    08 de abril de 2010 às 14h47

    Jornalista diplomado,de 15 anos para cá,só pode ser tucano…

Augusto da Fonseca

08 de abril de 2010 às 00h40

Piauí (PT) tem melhor desempenho no PAC Saneamento do que São Paulo (Serra)

Em post anterior (clique aqui), mostramos que a Sabesp – empresa de saneamento do Estado de São Paulo – é a principal geradora de atrasos do PAC Saneamento.

As Organizações Serra (Globo, Folha, Estadão e Veja, entre outros) ficam de biquinho calado ou atribuem ao Lula e à Dilma os atrasos do PAC Saneamento, o que é um absurdo.

Hoje vamos mostrar que o Governo do Piauí (PT) tem muito melhor desempenho do que o Governo de São Paulo (Serra).

Piora a situação (para o Serra) porque São Paulo é o estado mais rico da federação, com uma puta máquina administrativa e o Piauí é um dos estados mais pobres do país, com uma máquina administrativa aguerrida mas com poucos recursos.

(continua emhttp://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.co

*

Responder

trombeta

08 de abril de 2010 às 00h32

Um dos melhores assessores de Lula, extremamente politizado e preparado, é um dos responsáveis pelo redesenho da política externa brasileira.

Vida longa a Marco Aurélio Garcia.

Responder

Milton Hayek

08 de abril de 2010 às 00h30

Claudia disse…
Armínio Fraga é acionista do Grupo RBS. Imagina o poder desse grupo mafiomidiáico, caso se efetive esse Plano em nosso país.
http://diariogauche.blogspot.com/2010/04/plano-om

Responder

    José

    08 de abril de 2010 às 10h50

    Quem mais é acionsita da RBS? Pedro Pullen Parente?
    O banco Interamerican Express (ou pessoas ligadas a ele) é um deles?

Fábio

08 de abril de 2010 às 00h09

Agora os países são classificados como desenvolvidos, subdesenvolvidos, emergentes ou imergentes….

Responder

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