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Eduardo Marques: Raízes da instabilidade econômica e mundial
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Economia sem mistério

Eduardo Marques: Raízes da instabilidade econômica e mundial


16/03/2020 - 14h22

RAÍZES DA INSTABILIDADE ECONÔMICA BRASILEIRA E MUNDIAL

por Eduardo Marques*

Nestes últimos anos, a economia brasileira e mundial vive períodos de intensa instabilidade.

Particularmente, no caso brasileiro, todos os números são recordes: alta disparada do dólar, queda vertiginosa da Bolsa de Valores, pior recuperação da economia (em 2017, 2018 e 2019), depois da pior crise da história econômica brasileira (em 2015 e 2016), altíssimo desemprego, aumento da dívida pública, mais baixo nível de investimento público e privado da história.

Entender os motivos desta situação necessita que analisemos suas razões estruturais e conjunturais.

Do ponto de vista estrutural, a hegemonia de uma economia capitalista globalizada, completamente financeirizada e oligopolizada, está na origem destes movimentos bruscos observados.

Enquanto globalizada, as economias de todos os países estão permanentemente conectadas graças às novas tecnologias de comunicação e informação, ditando os movimentos do dinheiro, das mercadorias, dos serviços e do trabalho ao redor do mundo.

Por financeirizada, entendemos que o setor financeiro define as “regras do jogo” para o lado real e produtivo, uma vez que as condições de financiamento e crédito são vitais para o consumo e a produção, bem como a valorização do capital na esfera financeira adquire proporções muito superiores às taxas de lucro no setor produtivo.

A oligopolização corresponde a uma tendência histórica da economia capitalista de centralização e concentração de capital, onde não temos o perfeito funcionamento dos mercados, uma vez que poucas empresas dominam a produção e circulação das mercadorias e serviços, inclusive os financeiros, definindo os preços de produção e comercialização.

Além destas questões estruturais mais gerais, temos outras que definem os problemas vividos pela economia brasileira desde que esta passou a se tornar importante no cenário global, nos anos 30 do século passado.

Mecanismos econômicos e políticos que geraram uma altíssima concentração de renda e riqueza, provocando uma das maiores desigualdades sociais do planeta.

Industrialização periférica, com pouca inovação e desenvolvimento de produtos no país e, lógico, baixíssima transferência de tecnologia por parte das nações desenvolvidas.

Industrialização com endividamento externo nos anos 50, 60 e 70, crise do petróleo nos anos 70, hiperinflação nos anos 80 e parte dos 90, tendo como resultado a explosão do endividamento, colocando o setor público refém de forma permanente do sistema financeiro privado. Por este motivo, sempre convivemos com as mais altas taxas de juros do mundo, dificultando qualquer retomada de crescimento de forma sustentável.

A constante pressão de fuga de capitais em momentos de crise e pânico na economia mundial, a desindustrialização brasileira nas últimas décadas e seus reflexos negativos sobre as exportações em relação às importações, bem como a concentração das exportações em bens primários (agrícolas e minerais), com baixo valor agregado, reforçam a tendência de crises permanentes nas contas externas do país, reduzindo nosso potencial de crescimento econômico e colocando nossa moeda em constante pressão por desvalorização.

Diante destas questões mais estruturais da economia mundial e da economia brasileira, somam-se uma série de episódios conjunturais que colocam mais instabilidade no sistema.

A gravíssima crise econômica e financeira que atingiu a economia americana em 2008 e depois se espalhou para o mundo todo nos anos seguintes não foi devidamente resolvida.

Políticas econômicas que mantiveram a liberdade dos sistemas financeiros e quebraram os orçamentos públicos produziram inúmeros problemas fiscais, sociais e políticos não resolvidos até hoje.

A reação política na direção da xenofobia fascista (do inimigo externo) e econômica, na direção do liberalismo absoluto, com redução do Estado e mais liberdade ainda aos mercados, não vem garantindo a retomada do crescimento econômico, mas sim provocando enormes crises sociais que realimentam a radicalização política na direção de posições cada vez mais autoritárias.

O confronto geopolítico entre Estados Unidos e China, de proporções gigantescas, não ocorre tanto no campo militar, mas sim no campo econômico, político, jurídico e das informações, afetando todas as economias do mundo inteiro, uma vez que ambos possuem um poderio muito superior aos demais países.

Apenas para lembrar, os Estados Unidos continuam sendo a maior economia do mundo, com a moeda de circulação internacional mais poderosa, a maior máquina de guerra do planeta e uma força ideológica incomparável em relação à maior parte dos países existentes.

Já a China desponta como a segunda maior economia do mundo, o primeiro país em população, possui hoje a “indústria do mundo” e representa a economia mais dinâmica do planeta, com taxas de crescimento altíssimas mesmo em períodos de crise. Por esses motivos, tornaram-se os maiores investidores globais.

A pandemia do novo coronavírus, finalmente, tornou-se o assunto das últimas semanas, exigindo medidas reais de redução do fluxo e concentração de pessoas, com efeitos negativos sobre o consumo e a produção em todo o mundo, rebaixando as expectativas econômicas e trazendo mais instabilidade sobre os mercados financeiros.

No caso brasileiro, vemos uma série de erros na condução da economia nos últimos seis anos, erros em série que produziram uma profunda recessão e uma lentíssima recuperação, as piores de nossa história econômica.

O enfrentamento da crise com renúncias fiscais gigantescas a partir de 2013 e que se tornam permanentes, elevaram violentamente o déficit público.

As políticas de busca do reequilíbrio fiscal através de cortes no gasto social (educação, saúde, assistência, moradia) e nos investimentos públicos em infraestrutura, a partir de 2015, reduziram as possibilidades de retomada do crescimento.

Por outro lado, a crença de que reformas estruturais (previdenciária, trabalhista, administrativa e tributária), por si só, reascenderiam o “espírito capitalista” do setor privado no curto prazo revelaram-se infundadas.

Diante desta conjuntura econômica internacional e nacional, estaremos condenados a continuar “patinando” nos próximos anos, ainda mais tendo um governo local com características autoritárias, antinacionais e antipopulares.

Nuvens escuras continuarão em nosso céu econômico.

*Eduardo Marques é economista, professor de Economia, especialista em Gestão e Políticas Públicas



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1 comentário

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Sebastião Farias

26 de março de 2020 às 13h13

Concordo e acho uma boa observação, Caro Eduardo Marques. No entanto, não devemos esquecer que tudo isso de ruim que nos acontece, é mais grave ainda, porque, resulta da vontade de um povo alienado e sem noção cidadã e patriótica e, capaz de sentir o perigo que sempre rondou e ronda, a democracia e o estado de direito do Brasil e, que sequer, medita sobre a sua condição de cidadão livre e responsável, à luz do Parágrafo único do Artigo 1º da CF diz “ Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Urge que todos acordem para a necessidade de conhecer pelo menos, os 07 primeiros Artigos da Constituição Federal, da Constituição Estadual e da Lei Orgânica do Município, aliados ao Inciso X do Artigo 49; aos Artigos 70 a 75 e; ao §1º do Artigo 166 da Constituição Federal, dentre outros.
E então o que se vê é um Congresso Nacional temeroso e assustado e, os Poderes Legislativos estaduais e municipais que representam o povo e o Estado brasileiro ao que parecem, infelizmente, subjugados e alinhados aos Poderes Executivos, num confronto desrespeito ao Artigo 2º da Constituição Federal, cuja maioria dos parlamentares se sujeitam a isso por vaidade do poder e, para satisfazerem-se politicamente e, terem algumas vantagens pessoais em tudo isso, daí, aprovam essas Políticas Públicas, estratégias várias e projetos nocivos ao país e prejudiciais ao povo, à revelia, ao que parece, do Artigo 3º da CF.
E pior ainda, por serem eles, os Poderes Legislativos também, fiscais constitucionais do povo, são por isso, tão culpados por esses resultados nacionais insatisfatórios, por se omitirem dessa responsabilidade e, por permitirem essas desconformidades constitucionais acontecerem, tanto quanto os Poderes Executivos, que executam as Políticas Públicas e seus desdobramentos, com desconformidades e prejuízos de recursos, de obras e serviços públicos sem qualidade e sem boa funcionalidade, para todos os cidadãos, os seus patrões..
Essas verdades do nosso dia-a-dia e constitucionais, para os cidadãos, é tabu, porque a maioria acha mesmo, que o funcionamento institucional correto seria esse mas não é (vide a Constituição Federal) e para os cristão deslumbrados e desviados da fé, abram os olhos para a Verdade e, atentem para o que Paulo aconselha Timóteo: “Estas coisas te escrevo, mas espero ir visitar-te muito em breve. Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.” (1Tm 3,14-15).
têm que conhecerem, têm que saberem e têm que delas se lembrarem sempre, para que não só aprendam a avaliar e a votarem conscientes, em candidatos de sua confiança e comprometidos com a casa do povo e da nação mas, principalmente, para que na hora de pedirem conta mensalmente de todos os membros dos poderes executivos locais, das obras contratadas/executadas e dos serviços públicos prestados e executadas com recursos do povo, para o seu bem-comum e melhoria de vida.
Essas verdades constitucionais servem também, para que na hora de responsabilizarem os criminosos dos interesses públicos, do povo e do Estado, não esquecerem de incluir os membros responsáveis do Congresso Nacional, dos poderes legislativos estaduais e/ou municipais quando for o caso e, dos tribunais de contas competentes e coniventes, com essas desconformidades, como coautores desses malfeitos e dos crimes constitucionais efetivados, nos competentes processos investigativos e corretivos, de acordo com as leis e as normas específicas para cada caso.
São atos com esses que os homens públicos infiéis ao povo, nos mostram, segundo a Bíblia Sagrada, as ações e obras do anticristo, obras essas más, iníquas e que promovem o aumento das desigualdades quando, deveriam ser voltadas para o bem-comum, promoção da vida, do direito, da justiça e da fraternidade dos cidadãos e que, tudo isso, fosse de pleno conhecimento de todos os cidadãos em nosso país e no mundo e, principalmente, pelos políticos, autoridades competentes e religiosos alinhados e desviados da verdadeira fé em Deus (São Mateus 28, 18-20).
Que a verdade, o amor ao próximo e a justiça imparcial inspirada por Nosso Senhor e Nosso salvador, toquem os corações dessas pessoas más dos 03 Poderes do Brasil e, transformem-nas, em pessoas boas, éticas, corretas e comprometidas com o bem-estar do povo que nelas confiou e, faça com que seus atos de hora em diante, se realizem e se transformem em boas obras e atos justos e corretos e, que sejam positivos, construtivos e, voltados sim, plenamente, para o bem-estar comum, à paz social, à justiça social e fiscal através de um Salário Mínimo em torno de U$ 800,00 (oitocentos dólares americanos), à geração de emprego, de renda e de segurança das famílias brasileiras.
Da mesma forma, que seus atos e ações, sejam voltadas à eliminação da pobreza, da miséria e da desigualdade e através de investimentos produtivos estratégicos, de acordo com as necessidades/potencialidades e peculiaridades regionais e também, que o fortalecimento do mercado interno do país tenha prioridade em relação às imposições e vontades do mercado internacional, tendo em vista que as necessidades do povo brasileiro são prioridades que, não devem se sujeitarem a nada de fora do Brasil, etc, pois esse, é o segredo para a nação vencer essa crise e seguir sua vocação natural de potência econômica sustentável, independente, soberana e não alinhada ideologicamente, para satisfação e segurança da sua população e, para o pleno desenvolvimento do Brasil (2Tm 3,1-17) e da América Latina.
Essa sabedoria que a Bíblia nos proporciona e nos mostra também, como identificarmos o anticristo nos dias atuais, pois São João em sua profecia de advertência aos cristãos primitivos, nos deixa sinais indicativos sobre isso, na atualidade e até o final dos tempos, pois a Igreja de Jesus Cristo (Mt 16, 13-19) que é eterna e, como Jesus garantiu: “nunca o mal prevalecerá sobre ela”.
És o que ela diz:“Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos.”(1 João 2, 18-19 ).
São Pedro confirma o que S. João advertiu sobre o anticristo: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme.” ( Pedro II 2, 1-3).
Está feito, os males que se abatem contra as pessoas na atualidade, em todo o planeta e, em especial no Brasil e que, obrigam as pessoas, independente de idade, raça, credo, status social, etc, a fazerem uma parada para meditarem e, na provação e na dor, lembrarem que Deus existe e que, neste momento, todos estamos em suas mãos e dependentes de Sua imensa misericórdia. Humilhemo-nos, peçamos perdão pelos nossos erros e pecados e, reconheçamos que todos somos iguais e irmãos, cujo Pai e Senhor é Deus. Que os governadores unidos, já que o governo federal não demonstra interesse,tomem a iniciativa de junto com cientistas da FIOCRUZ, de fazerem consulta ao governo de Cuba, sobre a verdade da eficiência do seu medicamento Inteferon Alfa 2B contra o COVID-19 e, depois de sua comprovação por nossos cientistas, tomarem a iniciativa de adquirirem lotes adequados a serem distribuídos às populações necessitadas, por cada região do País.
São essas, as nossas considerações sobre a matéria e, sugestões às autoridades competentes para agirem, proativamente.
Paz e bem.
Sebastião Farias
Um brasileiro Nordestinamazônida

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