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Stédile concorda com general: Brasil é um Titanic e a elite foge nos salva-vidas; é preciso defender Lula e escrachar a Justiça que tem lado, diz coordenador do MST
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Stédile concorda com general: Brasil é um Titanic e a elite foge nos salva-vidas; é preciso defender Lula e escrachar a Justiça que tem lado, diz coordenador do MST


20/12/2017 - 00h59

Da Redação

Numa bem humorada análise de conjuntura realizada em evento que reuniu os amigos do MST, na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, no interior de São Paulo, o coordenador do movimento, João Pedro Stédile, disparou à esquerda e à direita.

Denunciou o governador da Bahia, Rui Costa, do PT, que numa disputa entre agricultores e latifundiários em Correntina, no interior do Estado, ficou ao lado do grande capital*.

Por outro lado, disse que o atual ocupante do Planalto, Michel Temer, é um “pau mandado, cafajeste”, que só merece consideração no contexto da guerra de classes que irrompeu abertamente depois da derrubada de Dilma Rousseff.

Para Stédile, no campo o capital tem hegemonia total no momento, algo que vem desde o segundo mandato de Dilma, quando a reforma agrária foi praticamente interrompida.

Porém, na avaliação dele, depois das muitas derrotas de 2016 existe agora uma situação de equilíbrio, expressa na incapacidade do governo Temer de aprovar a reforma da Previdência.

Para Stélide, a classe trabalhadora já escolheu seu candidato, e é Lula.

O coordenador do MST disse que os filiados do movimento não são petistas, mas entendem que não existe alternativa ao ex-presidente.

Ele criticou candidatos lançados pela Folha de S. Paulo como candidatos da classe representada pela Folha.

Em 25 de novembro último, o jornal noticiou que Lula teria tentado demover Guilherme Boulos, do MTST, de uma possível candidatura presidencial pelo PSOL.

Stédile não mencionou Boulos pelo nome. O MTST mandou representante ao encontro e tem atuado em parceria com o MST em várias frentes. O atual deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) confirmou quer Boulos foi sondado pelo partido mas não deu resposta conclusiva.

O coordenador do MST concordou com frase dita em entrevista dada em fevereiro deste ano pelo comandante do Exército, Eduardo Dias da Costa Villas Bôas: “Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser.”

Para Stédile, o Brasil é um Titanic e a elite está correndo para os botes salva-vidas, enquanto o povo se afoga nas medidas antissociais.

A saída? Eleger Lula e convocar referendos revogatórios sobre as medidas adotadas pelo governo Temer em janeiro de 2019.

Para o coordenador do MST, a eleição de 2018 será a primeira de sua vida que vai expressar abertamente a guerra de classes. “Não vai ser coisa de publicitário, com paz e amor”, vaticina.

“Ainda bem que o Lula já entendeu”. Mas, para Stédile, a militância de esquerda parece incerta sobre a unidade em torno do ex-presidente.

Ele afirmou que o MST começará em 22 de janeiro vigílias em defesa de Lula diante de fóruns de todo o Brasil, culminando com grandes atos diante dos TRFs de Curitiba e Porto Alegre, no dia 24.

Para Stédile, é preciso denunciar a Justiça brasileira. “[Dias] Toffoli é um puxa-saco do Lula. Carmen Lucia subiu pelas mãos do Itamar Franco. Como é que ela conseguiu comprar uma mansão de R$ 8 milhões no Lago Sul de Brasília? Com dinheiro de salários?”.

Segundo levantamento recente de O Globo, 71,4% dos juizes brasileiros ganham acima do teto constitucional de R$ 33.763,00.

Uma lista de salários do TRF-4, baseado em Porto Alegre, mostra vários desembargadores recebendo acima de R$ 100 mil por causa dos penduricalhos.

No próximo sábado, com a presença de Chico Buarque, será inaugurado o estádio dr. Sócrates em Guararema, com uma partida entre o Politheama e os veteranos do MST. Mais de 500 pessoas já confirmaram presença. O ex-presidente Lula deve comparecer.

Ouça, no pé deste post, a análise de conjuntura completa feita por Stédile.

*Conforme denunciou o Brasil de Fato:

Os camponeses denunciam a destruição do Cerrado para o plantio de monoculturas e o consumo desproporcional de água. Propriedades da empresa do agronegócio Igarashi, exportadora de algodão e grãos, as duas fazendas consomem, aproximadamente, 100 vezes mais água do que toda a população da sede municipal.

O Instituto Estadual do Meio Ambiente (INEMA) concedeu à fazenda japonesa, em janeiro de 2015, o direito de retirar do rio Arrojado um montante de 182.203 m³ por dia. A outorga é uma das centenas concedidas em todo o oeste baiano.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT) este volume de água é suficiente para abastecer mais de 6,6 mil cisternas domésticas de 16.000 litros na região do semiárido. Agrava-se a situação ao se considerar a crise hídrica do rio São Francisco, quando, neste momento, a barragem de Sobradinho, encontra-se com o volume útil de apenas 2,84%.

Guerra pela água

A disputa pela água não é isolada em Correntina. Toda a região do Oeste da Bahia passa pelos mesmos problemas desde a década de 1970, com o início da expansão do agronegócio, tendo se agravado com a chegada das empresas estrangeiras.

Além do capital japonês, há americanos, holandeses e portugueses que, com o uso da violência somado à omissão dos órgãos competentes, realizam grilagem de terras que já chegam a mais de 2 milhões de hectares retirados dos camponeses e ribeirinhos.

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2 comentários

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Mark Twain

20 de dezembro de 2017 às 21h04

Que me perdoe o Stédile, mas dizer que o país está a deriva foi irresponsável.

O povo segue nas ruas aquentando as agruras do dia-a-dia sem romper a ordem institucional, lutando para deixar o país de pé.

Quem quebrou as regras foram eles (poder financeiro). Nada de flertar com a milicada não que isso dá merda, já deu e pode dar de novo. A gente não precisa de milico para organizar porra nenhuma aqui. Do exército queremos desculpas, queremos torturadores na cadeia, queremos que ajudem o povo em situação de calamidade. Queremos o exército fazendo obras de saneamento básico, não flertando com alternativas autoritárias de poder. “O exército permanente é só um braço do governo permanente” já dizia Thoreau.

Temos de pedir responsabilidade por parte da justiça. Fortalecer a via democrática! Sempre!

Responder

Julio Silveira

20 de dezembro de 2017 às 13h52

Concordo com o Stedille, neste momento, de que, sem duvidas, a cidadania hoje deve cerrar fileira para defender a Justiça. E defender a justiça significa defender o Lula, que representa aquela parte do Brasil que recebem dos justiceiros que se apropriaram das instituições, o desprezo legal, para dar curso a seu sistema irregular de distorções dos principios morais da justiça institucionalizando-os. De forma que com isso angariarem privilegios que induzem na direção da perpetuação da utilização desses maus principios no Brasil.

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