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Requião: Petrobras simula prejuízo e desemprega mil para facilitar importação de fertilizantes e criar empregos no exterior
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Requião: Petrobras simula prejuízo e desemprega mil para facilitar importação de fertilizantes e criar empregos no exterior


23/01/2020 - 22h23

Um dos vídeos em que o ex-senador Requião denuncia o fechamento da fábrica de fertilizantes de Araucária, no Paraná

Fechamento de subsidiária da Petrobras deixa mais de mil desempregados no Paraná

Governo federal anunciou desativação da Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR) alegando prejuízo

Ana Carolina Caldas, Brasil de Fato

Petroleiros de diversas partes do Brasil protestaram contra a desativação da unidade subsidiária da Petrobras no Paraná, a Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR), no último dia 17.

O anúncio do fechamento pela empresa e pelo governo federal veio junto à demissão coletiva de mil trabalhadores – diretos e terceirizados.

A decisão aconteceu sem negociação com o sindicato.

Além do desemprego em massa, a medida impactará de forma negativa na economia do município de Araucária e do estado do Paraná.

Segundo nota da Federação Única dos Petroleiros (FUP), baseada nos cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP), “o município de Araucária, onde está instalada a Ansa/Fafen-PR, vai sofrer impacto negativo de R$ 75 milhões anuais com a demissão dos trabalhadores e a perda de suas rendas. A perda se estende também aos cofres do governo do estado do Paraná, que pode deixar de recolher cerca de R$ 50 milhões em ICMS”.

Os 400 funcionários diretos recebem ao todo R$ 10 milhões, ficando 50% em Araucária, conforme informação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas do Estado do Paraná (Sindiquímica-PR).

Gerson Castelhano, diretor de comunicação da FUP, informa que a decisão impactará negativamente na vida de três mil famílias.

“Calculando trabalhadores diretos e terceirizados, são mil famílias impactadas, com o comércio local que são prestadores de serviço da empresa, podemos afirmar que são mais de três mil famílias sem renda por causa de uma decisão intempestiva de um governo que não está preocupado com a soberania nacional”, afirma.

A justificativa do Governo Federal em fechar a empresa é que ela estaria dando prejuízo desde 2013.

Porém, em nota, o sindicato rebate: “É falsa essa alegação, já que quem faz o RASF (resíduo asfáltico utilizado para produzir Ureia e Amônia) é a Repar, refinaria da Petrobras localizada ao lado da subsidiária. Ou seja, quem produz e precifica é a própria empresa. Portanto, foi ela quem criou uma falsa inviabilidade para justificar sua política de desmonte do setor de fertilizantes no Brasil, favorecendo, assim, as multinacionais e criando empregos em outros países”, diz a nota.

Para o país, o impacto também será negativo. Inaugurada em 1982, a Araucária Nitrogenados (Ansa/Fafen-PR) tem capacidade de produção diária de 1.975 toneladas de ureia, 1.303 toneladas de amônia e 450 metros cúbicos de ARLA 32.

A planta produz ainda 200 toneladas por dia de CO2, além de 75 toneladas de carbono peletizado e seis toneladas de enxofre.

Com o fechamento da fábrica, o Brasil terá que importar 100% dos fertilizantes nitrogenados que consome.

Além disso, o país ficará dependente da importação de ARLA 32, reagente químico usado para reduzir a poluição ambiental produzida por veículos automotores pesados movidos a diesel.

Empresa descumpre acordo com trabalhadores

A decisão do fechamento e a demissão de todos os trabalhadores foi anunciada no dia 14 de janeiro, pegando de surpresa funcionários e familiares que, de acordo, com a empresa, serão demitidos no prazo de 30 a 90 dias.

O sindicato enfatiza que a postura da Petrobras não só fere todo e qualquer princípio ético na relação negocial entre entidade de classe e empresa, como também descumpre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2019, documento referendado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e que proíbe demissão em massa sem prévia discussão com a entidade sindical.

Nos próximos dias, o Sindicato tentará reverter a medida junto aos órgãos competentes, como o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Edição: Lia Bianchini

A gestão de Castello Branco na Petrobras foi capturada pelos investidores estrangeiros e pelos acionistas da ex-estatal que representam o dinheiro grosso; eles extraem todos os tostões ao alcance nos bolsos dos consumidores brasileiros e não estão nem aí para o Brasil
Foto FUP

Petroquímicos ocupam entrada da Fafen-PR contra o fechamento da fábrica e demissões arbitrárias

da Frente Única dos Petroleiros

Petroquímicos e petroleiros do Paraná ocupam desde a manhã de terça-feira, 21/01, a entrada da Araucária Nitrogenados (ANSA) para impedir que os gestores coloquem a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-PR) em hibernação, o que significará a desativação da unidade e a demissão arbitrária de cerca de 1.000 trabalhadores.

A Fafen-PR integra o Sistema Petrobras, cuja gestão anunciou o fechamento da planta e comunicou a demissão sumária dos trabalhadores, que souberam da notícia pela imprensa.

Esse fato, além de demonstrar a crueldade dos gestores, contraria o Acordo Coletivo de Trabalho dos petroquímicos, cuja cláusula 26 assegura que “a companhia não promoverá despedida coletiva ou plúrima, motivada ou imotivada, nem rotatividade de pessoal (turnover), sem prévia discussão com o Sindicato”.

Desde o ano passado, quando Roberto Castello Branco assumiu o comando da Petrobras, defendendo a privatização total da empresa, sua gestão vem promovendo o maior desmonte da história do setor petróleo no mundo.

As outras duas fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafen-BA e Fafen-SE) foram hibernadas e seus trabalhadores estão sendo deligados, via PDVs, ou transferidos sumariamente para outras unidades.

Aos trabalhadores da Fafen-PR, que é também 100% controlada pela Petrobrás, não foi dada sequer essa chance.

A gestão da fábrica informou que serão todos demitidos 30 dias após a hibernação da unidade, com prazo até 90 dias para serem desligados da empresa.

Na BR Distribuidora, que já foi privatizada, os trabalhadores também foram sumariamente demitidos e os que ficaram sofrem assédio e pressão para se desligarem da empresa, com redução de salários e de benefícios.

O mesmo acontecerá com os petroleiros das oito refinarias, dutos e terminais que estão em processo acelerado de venda pela gestão Castello Branco.

Para barrar as demissões em massa e os ataques que a direção da Petrobras vem fazendo contra o Acordo Coletivo de Trabalho, os petroleiros estão aprovando o indicativo da FUP de greve nacional por tempo indeterminado, a partir de primeiro de fevereiro. As assembleias prosseguem até o dia 28.

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2 comentários

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abelardo

24 de janeiro de 2020 às 10h59

Considero uma covardia sem tamanho contra os petroleiros, tudo o que esse bando de mercenários está provocando e fazendo contra os trabalhadores e contra a imagem desse grande patrimônio nacional e o símbolo maior da nossa soberania. Só mesmo traidores da causa nacional e dos trabalhadores se submetem a sórdido e imundo papel. Quem pensam que são? Muitos deles não eram nascidos, quando a Petrobras já era símbolo soberano e orgulho nacional. Então surge essa corja de entreguistas e se acham no direito de, com apenas uma canetada, querer dar fim ao nosso maior patrimônio ativo, lucrativo e soberano. Penso que, pacificamente e com todo respeito, os trabalhadores petroleiros, que estão sem paz de espírito, sem sossego, prestes a se verem eliminados do mercado do trabalho e também prestes a verem seus lares e suas famílias serem atacadas e desestruturadas por uma suspeitíssima violência gratuita, que é imposta a um toque de caixa muito estranho e destituída de qualquer justificativa econômica e social que a sustente. Então, em contrapartida, de modo pacífico, com todo respeito, com bastante determinação, com muito equilíbrio e dotados de toda sua característica resistência, um parte dos petroleiros deveriam também seguir na direção que os levem à porta da residência de cada diretor entreguista conivente com as tenebrosas transações envolvendo a entrega da Petrobras, de mão beijada, ao capital estrangeiro. Entendo que deveriam estar lá sim, junto com seus familiares, de frente para a porta de entrada de cada um dos diretores entreguistas e (repetindo) pacificamente, com respeito e sem violência, apenas para mostrar aos familiares de cada membro dessa vergonhosa diretoria entreguista, como é viver injustiçado, assombrado e em completo desassossego. Mostrar aos familiares e ao Brasil, que a causa de tudo isto é a repugnante submissão a ambição, a ganância e a vaidade egoísta, que alucinou e escravizou os traidores, pelo poder do capital. Devem, sim, todos os familiares experimentarem do mesmo desassossego, da mesma indignação e do mesmo desespero que já experimentam os familiares dos valorosos e resistentes trabalhadores da Petrobras.

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Zé Maria

23 de janeiro de 2020 às 22h57

Os Ratinhos, os Ratões e os Ratazanas Entreguistas Fascistas, incluindo os Patifes da Força-Tarefa da Operação Lava-Jato, estão vibrando com o fechamento de uma estatal importante do Paraná.

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