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Pimenta quer anulação do depoimento de Léo Pinheiro contra Lula: Vendeu sua delação e como prêmio genro ganhou a Caixa
Lula Marques, reprodução de vídeo e Agência Brasil
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Pimenta quer anulação do depoimento de Léo Pinheiro contra Lula: Vendeu sua delação e como prêmio genro ganhou a Caixa


01/07/2019 - 22h21

Pimenta denuncia armação da Lava Jato e cobra anulação de depoimento de Léo Pinheiro contra Lula

PT na Câmara

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), defendeu hoje (1º) a anulação, pelos tribunais superiores, do depoimento à Lava Jato do empresário Léo Pinheiro, da construtora OAS.

O depoimento do empresário foi modificado sucessivas vezes até que incriminasse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pavimentando o caminho para tirá-lo das eleições para a Presidência da República ocorridas em 2018, por meio de um processo fraudulento e uma condenação injusta.

Conforme lembrou o líder petista, “Leo Pinheiro vendeu sua delação e recebeu o pagamento do governo que ajudou a eleger – a nomeação do genro”.

Segundo Pimenta, outra pessoa com papel central na trama urdida pela operação Lava Jato para condenar Lula sem provas foi o ex-juiz Sérgio Moro, também recompensado pelos seus esforços, com a nomeação para o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro, o qual ajudou a eleger.

Pimenta observou que as novas conversas reveladas a partir do conteúdo obtido pelo site The Intercept Brasil e publicadas em parceria com o jornal Folha de S. Paulo no domingo (30) trazem luzes sobre o caso.

Para ele, trata-se de um “verdadeiro escândalo”, pois demonstrou-se de forma nítida como procuradores da força-tarefa da Lava Jato tratavam as negociações com advogados da construtora OAS para pactuar um acordo de delação premiada para Léo Pinheiro, ex-presidente da empresa.

 Trama maquiavélica

“Os trechos das conversas entre procuradores e entre eles e Moro mostram que faziam de tudo para prejudicar Lula, rasgando a Constituição, as leis, em nome de um projeto político que se consolidou com a eleição de um candidato de extrema direita”, disse Pimenta. “E este candidato premiou os dois atores principais da conspiração”, acrescentou o líder.

Um dos aspectos graves de tudo é que a defesa de Lula, antes das revelações do The Intercept, havia encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça uma petição questionando a validade do depoimento de Léo Pinheiro, confirmada diante de reclamação em processo trabalhista no qual constam documentos em que ele fez “pagamentos com o objetivo de modular delações”.

Esse fato tornou ainda mais passível de descrédito o depoimento prestado por Léo Pinheiro para incriminar Lula, em troca de benefícios. Com as mentiras de Pinheiro, ele conseguiu reduzir sua pena inicial de 16 anos de prisão para 2 anos e meio, com direito a prisão domiciliar e manutenção de sua fortuna.

Delação combinada

O STJ não acatou a argumentação da defesa de Lula, mas, na opinião de Pimenta, agora é uma questão de tempo a Corte rever sua posição, diante das novas provas que apareceram com as revelações do The Intercept.

O líder lembrou que as contradições da delação premiada de Léo Pinheiro têm sido denunciadas sistematicamente pela defesa de Lula desde que o executivo da OAS resolveu mudar o seu depoimento ao mentir que o tríplex do Guarujá pertencia ao ex-presidente, além de associá-lo a crimes da Petrobras.

Pimenta frisou que o empresário só mudou o depoimento para ganhar crédito com os procuradores da Lava Jato e, em troca, reduzir sua pena e manter sua fortuna.

A delação combinada foi feita de tal forma que garantiu que o caso caísse nas mãos do ex-juiz Sérgio Moro ao dizer (sem apresentar qualquer materialidade) que o ex-presidente estava envolvido nos escândalos da petroleira brasileira.

Telegram

“Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt. Guarujá”, escreveu numa conversa de Telegram o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes a outros integrantes da equipe de negociação com a empreiteira: “[Os advogados] diziam q não tinha crime”.

Em nota divulgada na manhã de domingo pela defesa de Lula, os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins escreveram: “Léo Pinheiro, que ao longo do processo nunca havia incriminado Lula, foi pressionado e repentinamente alterou sua posição anterior em troca de benefícios negociados com procuradores de Curitiba, obtendo a redução substancial de sua pena”.

As negociações entre a OAS e a Lava Jato começaram em fevereiro de 2016. As mensagens acima datam de agosto do mesmo ano.

Léo Pinheiro só apresentou a versão sobre o tríplex no Guarujá que permitiu a acusação e condenação de Lula em abril de 2017. Meses antes, em junho de 2016, os jornais brasileiros noticiavam que Léo Pinheiro negava ter pago qualquer propina ao ex-presidente.

Delação combinada

O depoimento do empresário, no dia 24 de abril de 2017, foi crucial para que o Ministério Público Federal (MPF) estabelecesse conexões fictícias entre o apartamento e os casos de corrupção na Petrobras.

Preocupado com a imagem da operação, Deltan Dallagnol disse na época em conversa com colegas pelo Telegram: “Não pode parecer um prêmio pela condenação de Lula”.

O acordo de delação premiada com a OAS foi firmado no fim de 2018, mas não foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal até hoje.

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3 comentários

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Zé Maria

02 de julho de 2019 às 13h51

Falando em Parentes na Lava Jato …

De Cada Lado do Balcão, um Castor de Mattos

Procurador da Lava Jato Diogo Castor de Mattos e seu irmão Rodrigo, advogado, aparecem atuando juntos em pelo menos cinco procedimentos judiciais da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Os nomes dos irmãos Rodrigo e Diogo Castor de Mattos são listados juntos em pelo menos cinco procedimentos judiciais que tramitam na 13ª Vara Federal de Curitiba, comandada pelo juiz Sérgio Moro.
De lados opostos:
o primeiro [Rodrigo] como advogado de defesa e o segundo [Diogo]
como membro do Ministério Público [Acusação].

Os irmãos Castor de Mattos atuaram na delação premiada do marqueteiro
João Santana e sua mulher, Monica Moura, presos na fase “Acarajé” da Operação.

Foi esse processo que chamou atenção do ministro Gilmar Mendes, do STF, e o levou a publicamente pedir que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a relação entre os irmãos.

Na sessão de 11 de abril deste ano [2018], o ministro aproveitou o julgamento
de um habeas corpus do ex-ministro Antonio Palocci para falar sobre o assunto.

Ele interrompeu o voto do colega Ricardo Lewandowski para afirmar que
“a corrupção já entrou na Lava Jato, na Procuradoria”.

Primeiro, o ministro citou que o advogado Roberto Batochio o procurou
para informar que estava deixando a defesa de Palocci por uma exigência
da força-tarefa de Curitiba para as negociações da colaboração premiada
do ex-ministro.

Citado por Gilmar Mendes, procurador da Lava Jato Diogo Castor de Mattos e seu irmão advogado, Rodrigo, aparecem atuando juntos em pelo menos cinco procedimentos judiciais da 13a Vara Federal de Curitiba

9 de maio de 2018
Amanda Audi
Atuação de familiares no mesmo processo é vedada por lei
Advogado atuou em processos como o de João Santana e de José Dirceu

Em conversas reservadas, pessoas ligadas à operação Lava Jato costumam
chamar o advogado curitibano Rodrigo Castor de Mattos como
“o irmão do procuradorzinho”. Se referem ao procurador Diogo Castor de Mattos, integrante mais jovem da força-tarefa da operação.

https://apublica.org/2018/05/de-cada-lado-do-balcao-um-castor-de-mattos/
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07/defesa-de-lula-pede-suspeicao-de-procurador-do-caso-do-sitio-de-atibaia.shtml

Responder

martha Aulete

02 de julho de 2019 às 13h14

Humberto Costa (PT) é um ignorantão — sem erudição — que nunca leu 1 livro na vida. Trata-se de um apedeuta. De um mau gosto enorme. Já por outro lado, Sr. Moro é inteligente, honesto e ELEGANTE

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Guanabara

02 de julho de 2019 às 10h39

Gostaria de saber se os órgãos como as OAB’s da vida irão se pronunciar sobre esses casos.

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