VIOMUNDO

Diário da Resistência


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Heitor Scalambrini Costa: Um alerta sobre os salvadores da Pátria


29/10/2013 - 10h02

Mas, o que há por trás das grandes obras?

O modo socialista de governar: caso de Pernambuco (III)

por Heitor Scalambrini Costa* (terceiro e último texto da análise que nos foi enviada pelo professor ANTES de Eduardo Campos se lançar candidato ao Planalto)

O Brasil é um país fantástico. Governantes são transformados em excelentes gestores, gênios e salvadores da pátria, da noite para o dia. Uma eficaz máquina de propaganda faz milagres.

Temos ao longo da nossa história diversos exemplos. O mais recente é o governador de Pernambuco, um quase futuro presidenciável em 2014. Caso jamais venha a ser presidente da República, ele terá como ganhar a vida como empresário de mídia & marketing, tal sua capacidade de criar notícias positivas que enchem os noticiários.

O uso da máquina de propaganda é tão desproporcional, que cedo ou tarde vai chamuscar sua credibilidade. Por exemplo, até em velórios e enterros a produtora de vídeo acompanha o governador, e produz as peças de divulgação do “socialista”.

Foi o caso de sua presença (da produtora) no velório e no enterro do ex-ministro da Justiça Fernando Lyra. Para destacar o “chefe”, não se mede esforços, nem se tem limites.

Para divulgar o modo socialista de governar, a propaganda é a alma do negócio, e é usada intensamente. No próprio Diário Oficial do Estado, que deveria ser um instrumento de difusão de atos oficiais, a pessoa do governador é focada, com textos de promoção pessoal, sem caráter informativo, não se acatando assim a impessoalidade na publicidade institucional. Leis? São para os outros.

A propaganda personalista dos feitos da gestão Campos é tamanha, que chega a ser surrealista, visto a realidade que se encontra o Estado. Para muitos ainda as referências de desenvolvimento apontam para o Sul, Sudeste.

Somos induzidos a pensar que o desenvolvimento está ligado a eventos como a chegada de novas empresas que vêm aqui se instalar, a vinda de capitais de fora que para cá se dirigem atraídos por diversos fatores (recursos naturais, posição geográfica, oferta de mão de obra barata, incentivos fiscais, frouxidão na aplicação da legislação ambiental) ou ainda pela realização de grandes investimentos públicos em obras ou instalações. Mas o progresso almejado vai muito além das obras.

Com uma educação que nada se distingue de estados vizinhos, a propaganda apresenta ações pirotécnicas, que nada mudaram a estrutura falida que compromete as gerações futuras. Vergonhosamente, Pernambuco ocupa a 16ª posição nacional no ranking dos estados no que se refere às notas dos alunos das escolas públicas avaliados pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado para medir a qualidade de cada escola e de cada rede de ensino.

Na saúde, o modelo gerencial é incompetente. Verdadeiro “caso de policia”, deixa a população como vítima da terceirização, sofrendo nas extensas filas, sem remédios para quem precisa e com falta de médicos.

Todavia, há ampla divulgação de novas construções de unidades hospitalares, mas que efetivamente, após a “inauguração”, se mostram inoperantes, não atendendo às necessidades da população, nem garantindo o acesso à saúde pública de qualidade. A construção de edificações está muito longe de traduzir excelência nos serviços.

Por sua vez, os serviços de água e luz no Estado são verdadeiros descalabro. A crise no abastecimento de água mostra a incompetência das autoridades do setor, em particular da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), sociedade anônima de economia mista, com fins de utilidade pública, vinculada ao Governo do Estado de Pernambuco por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos.

A imagem desta empresa junto à população é a pior possível. Nesta época de escassez de chuvas, fica claro quanto sua gestão é incapaz, pois nada planejou para enfrentar problemas recorrentes e previsíveis na região, que só tendem a se agravar com as mudanças climáticas em curso.

Estudos têm apontando a vulnerabilidade da região, frente a este que é o maior flagelo já defrontado pela humanidade, o aquecimento global.

Ao invés do planejamento estratégico para se preparar para o pior, a empresa, como é de práxis no governo socialista, apela para a propaganda, admitindo a incapacidade de atender sua missão. Repassou para a iniciativa privada o controle do saneamento, através de parceria público e privada pouco transparente e sem a necessária discussão com os interessados.

Além disso, mente descaradamente, com um racionamento draconiano na região metropolitana, resultando num rodizio anunciado de 20 horas (com água) x 28 horas (sem água), mas que chega a 72 e até 120 horas sem uma gota sequer nas torneiras. Isto é gestão eficiente?

Sem contar com a tragédia que assola as regiões do semi-árido, agreste e zona da mata, sem obras estruturadoras que garantam a convivência com a seca na região.

Já com relação à distribuição de energia elétrica, a privatização deste serviço em 2000 só trouxe mazelas à população, enganada pelo discurso oficial que falava na melhoria dos serviços e na diminuição da tarifa para justificar a venda da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe).

Hoje a realidade é bem diferente. Paga-se uma tarifa altíssima, que tem proporcionado à empresa lucros estratosféricos (basta ver os balancetes contábeis) apesar de um serviço conhecido como de “vagalume”.

As interrupções no fornecimento elétrico viraram rotina, não somente na capital, mas em todo o interior. Enquanto isso, os indicadores de qualidade da empresa, comparada a outras 31 classificadas no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mergulharam do 4º lugar em 2011 para 16º lugar em 2012. Qualidade dos serviços cai, lucros sobem. Receita ingrata para os consumidores pernambucanos.

Contudo, foi uma instituição oficial que revelou recentemente as razões para tamanho descaso com o fornecimento de energia. O relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), analisando as contas da gestão do governador, relativas ao ano base de 2011, detectou a ineficiência e o sucateamento da Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe), autarquia especial vinculada ao Gabinete do Governador, órgão com atribuição estratégica.

Principal constatação: a falta de pessoal para monitorar e fiscalizar os serviços prestados pela Celpe. Desde 2001, o TCE recomenda ao executivo estadual a contratação de servidores por meio de concursos públicos, já que a grande maioria do quadro funcional da Arpe é de comissionados. Sem estrutura e suporte de pessoal para realizar as fiscalizações permanentes, a população fica à mercê dos serviços precários que são oferecidos.

Os problemas encontrados no Estado não se resumem às áreas de educação, saúde, abastecimento de água e energia. Todavia, os marqueteiros, pagos a peso de ouro, mostram o irreal.

Um Pernambuco que não existe, um verdadeiro “oásis” no território nacional. Uma “ilha da fantasia”, cercada por feitos de um governo aplaudido pela população. A intenção é colar na figura do governador o gestor moderno, o “novo”, a “renovação” na política brasileira, e assim atender à sua ambição e obstinação pelo poder.

Um dos focos propagandeados é a implantação do Complexo Industrial Portuário de Suape. Claramente se percebem ali politicas públicas dirigidas para um crescimento econômico a qualquer custo. Isso é facilmente constatado nas constantes violações de direitos sociais e ambientais praticadas nesta obra faraônica, de grande concentração de investimentos e de renúncia fiscal.

As denúncias dos moradores nativos do entorno de Suape (agricultores, pescadores, outros), que envolvem 15 mil famílias, mostram a situação de barbárie em que se encontra a região, onde o poder público não somente se exime de suas responsabilidades mas é quem pratica o desrespeito às leis.

O próprio artigo 225 da Constituição de 1988 tem sido desprezado. Segundo ele, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida, cabendo a todos e ao poder publico o dever de preservá-lo e defendê-lo para as presentes e futuras gerações.

“Como não há uma só obra da qual o governador não tenha controle no seu computador”, conforme difundido pelos seus auxiliares diretos, a ele deve ser imputada toda a responsabilidade, não somente dos crimes ambientais cometidos na região, mas também do não cumprimento da lei com relação aos processos de “desapropriação”.

Não se respeita nem a Constituição Estadual e nem o Marco de Reassentamento Involuntário-MRI do Projeto Pernambuco Rural Sustentável-PRS, cujo objetivo é o tratamento das questões que envolvem a mudança ou perda involuntária do local de moradia, a perda de renda ou meios de subsistência em decorrência da implementação de projetos.

Do ponto de vista do ideário deste jovem moço, mas velho e carcomido pela prática da velha politica expressa no neocoronelismo e no nepotismo, valores como os da ecologia e sustentabilidade, democracia e transparência, direitos humanos e justiça, não são praticados; são desrespeitados e ignorados na implantação do modelo predador e excludente, chamado e propagandeado como de “desenvolvimento sustentável”.

Mesmo com uma alta popularidade medida pelos institutos de pesquisa de opinião, pode-se afirmar que a imagem do governador foi construída pela propaganda exacerbada, na tentativa de criar uma unanimidade em torno do seu governo.

A cooptação dos poderes constituídos, aliado à vocação adesista da grande mídia, que tece loas diárias ao governo, se tornando na prática uma extensão do diário oficial, são outros elementos da estratégia montada — e até então bem sucedida — pelos marqueteiros do governador. Também não esqueçamos daqueles que aderem por medo. Todavia, não se pode esperar que um governo mantenha sua popularidade em alta somente às custas de notícias produzidas e pela propaganda.

A expectativa da população para a agenda política e administrativa de um bom governo é que a administração combine eficiência dos serviços públicos, planejamento estratégico e equilíbrio nas relações políticas que envolvem os interesses do Estado. E que tenha sensibilidade social para diminuir o tremendo fosso da desigualdade social reinante  em Pernambuco. Verifica-se que estes ingredientes não fazem parte do exercício do governo estadual, pelos inúmeros problemas apontados e por estar mais afinado com o empresariado do que com os [email protected], com aqueles mais carentes.

No campo do equilíbrio político, seria fundamental que o relacionamento do Executivo com o Legislativo tivesse contornos precisos.

A articulação política deveria ter como norte o respeito à autonomia da Assembleia Legislativa (Alepe), e o estabelecimento de uma pauta focada nas prioridades da população.

A propósito, esse deveria ser o melhor remédio para combater o pragmatismo político e os interesses patrimonialistas tão evidentes na Casa de Joaquim Nabuco. Infelizmente isto não acontece na relação Executivo-Legislativo.

A subserviência da casa de leis é tamanha que o Executivo patrocinou a mudança na Constituição do Estado para que deputados, apaniguados do governador, pudessem por três vezes seguidas ficar à frente da mesa diretora da Alepe.

Caberia ao Executivo a implementação de um programa de governo e ao Legislativo o debate plural, visto que este é composto de representações partidárias que expressam variados programas e ideologias.

Esperar-se-ia que um bom chefe do Executivo demonstrasse sua capacidade de atender aos anseios da coletividade. Já um bom Parlamento seria aquele capaz de elaborar boas leis, propor projetos, aperfeiçoar aqueles originários do Executivo e fazer um eficiente controle externo, a fiscalização.

Todo mundo concorda que não faz bem à democracia e à saúde política do Estado a existência de relações promíscuas entre o Executivo e Assembleia Legislativa. A sociedade cobra dos seus representantes posturas éticas e altivas.

As críticas do Parlamento em sintonia com o interesse público merecem respeito. O que não cabe numa relação republicana é a transformação da crítica em instrumento de defesa de interesses particulares ou de grupos. Lamentavelmente, é o que ocorre em Pernambuco.

A construção de uma base de sustentação política do governo no Legislativo não poderia estar dissociada do interesse público. O Estado só tem a ganhar quando Executivo e Legislativo se respeitam, e ambos respeitam a população. Mas, infelizmente a base politica de sustentação do atual governador foi conseguida através da “velha” e odiosa prática do dando que se recebe, com o oferecimento de cargos pagos com recursos públicos, da troca de favores nem sempre republicanos.

Nunca se viu na história de Pernambuco um parlamento tão subserviente e inoperante, que se restringe a renovar “ad infinitum” o mandato dos seus dirigentes, apoiar tudo que vem do Executivo (não legisla) e conceder cidadania pernambucana a [email protected] Não que [email protected] não mereçam, mas este “trabalho” é insuficiente para justificar o salário dos nobres [email protected]

O fato é que hoje Pernambuco se ressente da presença de uma oposição com credibilidade (com raras exceções), atenta, sistemática e incisiva, para acusar erros, criticar e apontar desvios. Vive-se no dilema bairrista. E se o governador for candidato? Serei contra alguém da minha terra?

Faça-se justiça aos movimentos sociais. Questionadores, críticos, propositivos, tem sua participação democrática nos destino do Estado dificultada pelo nível de “captura” dos poderes constituídos. Oposição é um ingrediente crucial para o pleno exercício da democracia, e sem algum tipo de contraditório a própria razão fica ameaçada. Discordar e apontar erros não é torcer contra. Somente governos autoritários fazem este tipo de interpretação.

Estabelecido o estrito controle da política estadual — incluindo a prefeitura recifense — o resto do mandato do governador será dedicado a promessas, ações de marketing e sua constante ausência do Estado para a campanha eleitoral.

Pouco importa o que ficará de herança econômica, administrativa, política e social para os pernambucanos.

O que conta é o uso de toda a administração pública em favor de um projeto político dúbio, ambíguo, flexível, que ora se diz aliado da Presidente da República, ora procura alianças em todo espectro ideológico para construção de um palanque próprio.

O que se configura é que até 2014 vamos assistir a essa ”dança de rato”, à custa da angústia, do sofrimento, das aflições e das imensas carências do povo pernambucano.

O que impressiona é a ganância do governador Campos em ser presidente, sem ao menos fazer a tarefa de casa que seria cuidar bem do seu Estado.

Problemas de toda natureza estão presentes: um transporte público de péssima qualidade, reprovação na educação, falta de condições aos professores, hospitais públicos na UTI, saneamento básico precário, problemas de abastecimento de água e energia, carência de habitação popular, violência — principalmente com a falta de cuidados com os jovens e adolescentes — mobilidade urbana chegando a nível caótico, estradas mal cuidadas, etc, etc.

Ao escrever, e refletir sobre o ”modo socialista de governar: o caso de Pernambuco”, analisamos a situação presente de Pernambuco com relação às diversas politicas públicas. Nestes três artigos procurei apontar as mazelas, pois as poucas ações pontuais exitosas o governo trombeteia aos quatro cantos. Também tive a intenção de denunciar o que está sendo orquestrado nos “laboratórios dos marqueteiros”.

Minha convicção é de que a “criatura criada” não é boa, nem para Pernambuco e muito menos para o Brasil. E aqui fica um alerta para não nos iludirmos com os salvadores da pátria.

*Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Leia também:

O modo socialista de governar Pernambuco (1)

O modo socialista de governar Pernambuco (2)

Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet



28 comentários

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Coutinho

31 de outubro de 2013 às 10h57

Moro em João Pessoa e votarei em Dilma. Acho que o articulista foi injusto; deixou de falar na implantação de grandes indústrias e obras que se pode ver no litoral Sul e naquelas que estão sendo instaladas nas imediações de Goiana. Estradas de boa qualidade e UPAS foram ou estão sendo construídas no interior, particularmente no Sertão do Pajeú. Por outro lado, se a educação está longe de ser a ideal, é melhor que a dos governantes anteriores, em termos de salários e material para discentes e docentes, além de criação de diversas escolas técnicas. Porém, convém dizer que sem ajuda do governo Lula, ele não teria feito tanto. Eduardo não teve o azar do avô: ser boicotado por FHC.

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Como é a Ley de Medios que apavora o baronato da mídia - Viomundo - O que você não vê na mídia

30 de outubro de 2013 às 11h19

[…] Heitor Scalambrini Costa: Um alerta sobre os salvadores da Pátria […]

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Tomudjin

30 de outubro de 2013 às 10h48

Os opositores não podem condenar o eleitor que preferiu não votar em qualquer um deles.
Enquanto não proibirem o cidadão de votar – e eu espero que este dia nunca chegue -, nem pitbuls, nem salvadores da pátria, nem mesmo a velha imprensa terão o poder de convencimento que, antes, tinha sobre o eleitor, de mudar um voto.
A verdade é que alguém, em um dado momento da nossa história, sugeriu uma forma de “poder que emana do povo”; e, certamente, muitos já se sentem arrependidos.

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ccbregamim

30 de outubro de 2013 às 03h39

eduardo quem?

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J Souza

30 de outubro de 2013 às 00h21

Pois, já que a moda é prometer, eu prometo para vocês que em 2015 haverá uma grande “derrama”, acompanhada de um grande “arrocho” salarial e nos gastos públicos, ganhe quem ganhar… Haverá “choro e ranger de dentes”… Mas, de nada adiantará! Porque o “mercado” (financeiro) é implacável. Com a manipulação de alguns bilhões em alguns dias, e alguns rebaixamentos de notas, pode fazer o valor do dinheiro derreter em poucas semanas… Ou fazer o governo “comer na sua mão” para que isso não aconteça.

P.S.: Dizem, por ai, que o Banco Central vai ser “independente” (do governo, e dependente do mercado financeiro…).

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anderson

29 de outubro de 2013 às 21h34

Paulo Moreira leite:
De Grandis e a PEC 37

Se você acha que fez papel de bobo porque acreditou no slogan “PEC 37= impunidade”, não precisa ficar muito deprimido. Só um pouco.

A descoberta de que o inquérito sobre a Alston foi parcialmente interrompido, na Suíça, porque o procurador Rodrigo de Grandis não atendeu a uma solicitação das autoridades daquele país é um fato que merece um minuto de reflexão.
A explicação de Grandis é bisonha. Ele não teria dado sequencia ao pedido das autoridades suíças, feito em fevereiro de 2011, porque a solicitação ficou guardada na gaveta errada – e nunca mais pensou no assunto.

Há, é claro, uma suspeita de prevaricação no caso.

Código Penal – Prevaricação (art. 319): Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
Lei 8429/92 – Art. 11: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
(…) II – retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

Há três meses, em 25 de junho, o Congresso rejeitou, sob uma pressão que seria mais conveniente definir como chantagem, a PEC 37, que pretendia garantir aos delegados de polícia a exclusividade sobre a condução de um inquérito policial. A votação foi um massacre: 430 a 9.

O monopólio dos delegados sobre uma investigação tampouco era uma boa ideia, quando se recorda o histórico de nossas corporações policiais. Mas a PEC 37 ajudava a fazer um debate necessário e poderia permitir correções úteis.

Nos bastidores de Brasília, policiais, procuradores e representantes do ministério da Justiça tentavam chegar a um acordo, a partir da PEC, para assegurar os direitos da polícia sobre a investigação sem deixar de atender os principais pleitos do Ministério Público. Pensava-se em criar uma nova divisão do trabalho de apuração, mais inteligente e produtiva.

Mas, com o apoio dos meios de comunicação, que passaram a tratar a rejeição à PEC 37 como se fosse como se fosse uma reivindicação tão popular como a redução da passagem de ônibus, o Ministério Público garantiu a votação em bloco, sem qualquer concessão à outra parte. Confusos, e mesmo acovardados, vários parlamentares preferiam omitir-se e votar errado para não ser criticados pelos jornais nos dias seguintes.

Naquele momento, o procurador geral da República, Roberto Gurgel, travava uma luta de morte para fazer o sucessor. Seu prestígio atingia o ponto máximo em função do julgamento da ação penal 470.

A denúncia ainda não havia sofrido a primeira (e até agora única) derrota, representada pela aceitação dos embargos infringentes para 12 condenados.

Acreditava-se em junho que qualquer arranhão na imagem do Ministério Público poderia chamar a atenção para incongruências e falhas do julgamento. Foi essa a motivação que impediu uma discussão civilizada, com argumentos ponderados.

Três meses depois, comprova-se uma verdade fácil de reconhecer, mas que não era conveniente admitir.

Enquanto os manifestantes acreditavam estar berrando contra a impunidade em Brasília, o pedido das autoridades suíças era esquecido na gaveta de De Grandis em São Paulo.

Ergueu-se, ao longo de vários anos, um muro de aço contra a apuração de um dos mais prolongados escândalos de corrupção da história política brasileira, formado por 45 inquéritos arquivados sem o devido esclarecimento (sim, 45!).

Ninguém ficaria sabendo o que estava acontecendo se não fosse o trabalho competente corajoso de meus colegas da IstoÉ Alan Rodrigues, Pedro Marcondes e Sérgio Pardellas sobre o propinoduto, capazes de produzir reportagens à altura dos fatos descobertos.

Não há instituição a salvo de pressões políticas nem de iniciativas estranhas a sua missão legal. Erros ocorrem. Desvios, também. E coisas piores, você sabe.

Se você acha que fez papel de bobo porque acreditou no slogan “PEC 37= impunidade”, não precisa ficar muito deprimido. Só um pouco.

Muita gente está se sentindo da mesma maneira.

Responder

    pai

    29 de outubro de 2013 às 22h14

    copy+paste? Fora de contexto….

jose bernardes neto

29 de outubro de 2013 às 21h27

“Os salvadores da Pátria” são todos iguais, vejamos: Aécio-Eduardo-Marina e Serra…..Todos eles adoram publicidade pessoal e são falastrões, enganadores e mentirosos e são apoiados pela grande mídia elitista…Não têm propostas para o país; a verdade é uma só: querem apenas derrotar o PT e nada mais…

Responder

    Romanelli

    30 de outubro de 2013 às 10h48

    concordo, mas e..

    ..e LULA, vc se esqueceu ? ..e Dilma então ? a grande gerente que foi levada a ser presidente e que logo de cara fora de sentar no sofá da Hebe e jantar com o PIG não tardou e tascou-nos mais SELIC ?

    Por acaso vc se esqueceu das promessas do submarino, dos presídios, dos navios e aviões, da Trans nordestina, da auto suficiência e da Norte Sul, da infra ..da saúde que já tava quase boa e das estradas que atá Marisa falou pra ele recapear ?

    Por acaso não lhe ocorreu que dos passivos que NUNCA sanamos, como com a falta duma JUSTIÇA célere, ou da falta de habitação e ERRADICAÇÃO das favelas, ou duma mobilidade urbana de dar pena, esta que se junta a eterna falta de médicos, engenheiros e mão de obra qualificada, os caras, agora, a 12 anos no poder e uns 30 em todos os parlamentos e esfera de poder, que eles tem lá sua ENORME parcela de culpa também ?

    Adrian Márcio

    30 de outubro de 2013 às 11h01

    Como eu já desconfiava, viomundo não passa de mais um pelego defensor do atual governo.

pai

29 de outubro de 2013 às 21h13

Como bem colocou o internauta Renan, mesmo o Azenha já noticiou que Pernambuco sim melhora.
Os esquerdistas intransigentes de visão estreita preferem dizer que é tudo graças ao Lula. Ora, transferir recursos e investimentos é OBRIGAÇÃO DO GOVERNO FEDERAL. Não é pra fazer joguinho político mesquinho como fazem agora.
Falem um Estado do Brasil que não seja um LIXO? SIM, LIXO?? Um só, por favor. Tem lixo grande, enorme, mais ou menos, mas sempre LIXO.
Interessante a análise dos dados. Gostaria de ver que análise o “professor” faria do currículo do Lulla antes de se eleger. O que ele havia conquistado? Empreeendido ou realizado? Criou o PT? Fez greve? E não me venham com aquele filme da Glória Pires tenham dó.
Não gostam de salvadores da Pátria? Eu Tampouco!! Mas os esquerdopatas não ficam sem os seus- Lula, Dilma. Tratados como responsáveis isolados por qualquer coisa que boa ocorra e isentos de todas as besteiras…..
Eu não caio nessa.
Ninguém valoriza o empreendedor que dá o sangue e paga os impostos para os incompetentes/corruptos desperdiçarem em projetos eleitorais.

Responder

Renan

29 de outubro de 2013 às 20h15

Engraçado é que o próprio Azenha já fez uma série de reportagens pro Jornal da Record enaltecendo o progresso do Pernambuco qd o Eduardo ainda nem era cogitado para a presidência

http://www.youtube.com/watch?v=gdmhcXOqMZU

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    Luiz Carlos Azenha

    29 de outubro de 2013 às 20h21

    É fato que Pernambuco cresce muito. Ninguém discute. Por conta de quem? Lula? Dilma? Eduardo Campos?

Regina Braga

29 de outubro de 2013 às 13h56

Uma dupla da nova era…com propostas da nova era.Mudem a roupagem…tucanos nunca mais.Agora só pavão e pavãozinho.Com sustentabilidade da rede itaú,pois golfinhos e vaquinhas, estão condenados.Na economia um tiro no pé…insetos para matar a fome,petróleo pra alimentar cavalos ou jegues e rodanas para as empresas.Para visitas internacionais,balões.No governo da rede-psd só sobrevive…Natura,Itaú,a rainha e o pig…com o aval do aliado Alckimin e do pcc.Tudo muito novo!

Responder

Cassada seis vezes, prefeita de Mossoró resiste no cargo - Viomundo - O que você não vê na mídia

29 de outubro de 2013 às 13h52

[…] O salvador da Pátria que vem de Pernambuco […]

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Bernardino

29 de outubro de 2013 às 13h36

RENATO E MARDONES,as suas COLOCAÇOES sao perfeitas e pertinentes

ALIAS,o DUDU é ramal das esquerdinhas:PT<PCDOB E PSB todos vivem em funçao do MarKETING politico. A D DILMA nao olha de lado sem pergunar ao Joao SANTANA,falam que esse é ministro plenipotenciario!!

Sao useiros e veseiros dos metodos da DIREITA e eu ja falei aqui temos as esquerdias mais CORRUPTAS e Covardes da America latina.Todos estao nivelados.DUDU nao é melhor que ninguem,tampouco D DILMA.Essa lutando pra preservar o PODER,o outro pra conquistar e promover as politicas neoliberais.Politica que os PETRALHAS vem fazendo e aprenderam como os irmao TUCANALHAS!!

ESSE SR Articulista ou é ingenuo demais ou está a serviço dos Petralhas la em Pernambuco.Falta o CONTRADITORIO pra saber quem ele é? SE verdadeiro ou a serviço do PT,A dúvida precisa ser esclarecida e as redes sociais existem para tal!!

Cada POVO tem o Governo que merece!!Parece que a CULTURA PORTUGUESA está fadada a nos dar so PILANTRAS na chefia do estado.EXCEÇAO aqui ao GARANDE e Gigante DR GETULIO DORNELES VARGAS,Criador e Fundador do ESTADO Brasileiro,integrando todo seu Territorio com Politicas Publicas que ate hoje CIMENTAM a NaçÃO:

LEIS Trabalhista-Siderurgicas-PETROBRAS(lei 2004)-BNDE(hoje BNDES)IBGE e tantos institutos que integraram o ESTADO Brasileiro.

AH,Getulio fi ditador!!E daí se nao fosse o estado NOvo nao teriamos Leis TRabalhistas. Por acaso o ESCORPIAO muda a si PROPRIO?Com essa Demkocracia de araque que temos e um Congresso pilantra a serviço do CAPITAL jamais teriamos LEIS Trabalhistas!!

Eu já ouvi da boca de um Semianalfabeto e Fánatico dizer:LULA é superior a GETULIO=O GRAU Máximo da ASNEIRA!!
O SR LULA não existira se nao fosse o DR Getulio,criador das Leis Trabalhistas e SINDICATOS.O Resto sao FANFARRAS!!!

Responder

    pai

    29 de outubro de 2013 às 21h26

    As “criações” de Getúlio tiveram seu tempo. Estão ultrapassadas e hoje só emperram o crescimento, precisam ser revistas.

    Augusto

    31 de outubro de 2013 às 19h03

    Hummmmmmm…..então Ditadura pra fazer Leis trabalhistas pode…..entendi!!!

Renato Barros

29 de outubro de 2013 às 12h31

Se o governador continuasse apoiando o PT, será que este artigo seria publicado aqui?

Responder

    Luiz Carlos Azenha

    29 de outubro de 2013 às 12h41

    Sim. abs

    Mena

    29 de outubro de 2013 às 19h40

    Claro q não do contrário já estaríamos sabendo.

    Sagarana

    29 de outubro de 2013 às 23h20

    Não seria publicado pelo simples fato de que não teria sido produzido!

    Luiz Carlos Azenha

    30 de outubro de 2013 às 11h07

    O autor produziu e publicou. A gente reproduziu. abs

    pai

    29 de outubro de 2013 às 22h16

    Desculpe azenha, com todo o respeito, mas DUVIDO que o artigo fosse sequer redigido pelo ilustre professor, muito menos replicado aqui.
    Após a “TRAIÇÃO”, o PIG (partido da imprensa governista) só faz descer a lenha nele e na Marina.

    Luiz Carlos Azenha

    30 de outubro de 2013 às 11h09

    O professor produziu e publicou. Não tem nada de traição. É uma visão de um pernambucano de esquerda sobre o socialismo do Eduardo Campos. abs

    Romanelli

    30 de outubro de 2013 às 10h50

    sim ..só não se publicaria se ele NÃO fosse candidato a se ser um adversário a desafiar o puder dos que hoje estão encastelados

Julio Silveira

29 de outubro de 2013 às 11h56

O ruim disso tudo é que se convencionou na politica que os resultados de gestão tem que ser mostrados através de efeitos midiáticos, pouco sentidos, ignorados mesmo. Sendo rejeitado o fator povo na divulgação dos atos de seu interesse. Como mais uma soberba desses agentes sobre cidadania, que viram meros recipientes vazios para serem cheios por essas propagandas e, lógico, auxiliados por seus cumplices partidários, beneficiários temporários do poder que emana do estado.

Responder

Mardones

29 de outubro de 2013 às 10h25

Retrato do Brasil. Quase tudo que foi escrito nessa série sobre o Dudu pode ser aplicado à esfera federal.

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