Moacir Maia: O protesto no shopping de João Pessoa

Tempo de leitura: < 1 min

por Moacir Maia, via Facebook

Outubro de 2013, século XXI…

Noticiário de uma cidade brasileira: jovens negros e pobres serão proibidos de entrar em um shopping! Pior, foram presos e expulsos, pois civilizadamente e elegantemente, fizeram um jogral na praça de alimentação do estabelecimento, para protestar pela violência animalesca com que foram tratados.

Eu queria poder estar juntos com eles, amanhã, na praça em João Pessoa (PB). Sem poder ir, eu grito daqui também!

Enquanto isso, na novela global, o autor acata vozes de setores da “sociedade” e pretende cortar o cabelo black power da criança, pois não seria condizente com a nova vida após ser adotado por pais brancos.

Como canta a grande e maravilhosa Elza Soares: “a carne mais barata do mercado é a carne negra”. Por que sangramos há tantos séculos meus caros?

Se alguém disser para você que o Brasil não é racista, pergunte: em que país você vive?

Se puder comentar e compartilhar o manifesto.

Agradeço a atenção e a gentileza.

Obrigado,

Moacir R. C. Maia

Leia também:

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Comentários

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Alice D.

Só posso dizer o que vejo. Sou advogada e frequento o Shopping por questões de trabalho e pela comodidade de ter estacionamento, lugar para comer, para pagar contas. Já presenciei várias vezes baderna de gangues no shopping e fora dele. Do outro lado da rua, duas meninas que estavam no shopping literalmente chegaram às vias de fato. Pode ter até acontecido preconceito, mas o que vi foi o impedimento na entrada de grupos que já fazem baderna habitualmente. Até eu já conheço alguns de tanto os ver. E antes que falem alguma coisa, sou negra. E não só negros foram barrados.Quanto à homofobia, não sou nenhum pouco homofóbica mas as mesas foram feitas para comer e não para deitar. É muito desagradável saber que posso vir a comer numa mesa que alguém utilizou como assento ou como cama. Ainda não tenho filhos, mas fico me perguntando onde estão os pais desses jovens? Vi num post acima que o shopping deveria identificar os baderneiros, se até eu já os identifiquei, imagina os seguranças? Foi juntamente o ato de barrar a entrada que deu nesse tumulto. O Shopping é um lugar de lazer e não de brigas.

Fabio

E ainda são homofóbicos. Como a dona de uma das lojas, esposa do sócio do shopping, tem o direito de dizer como as pessoas devem viver? Homofobia, autoritarismo, racismo… Vergonha!

http://www.paraiba.com.br/2013/10/24/73205-shopping-admite-controle-de-acesso-mas-nega-discriminacao-beijo-de-homossexuais-e-proibido

Carlos

Notícia, hoje, Movimentos Sociais da Paraíba em ação política contra a discriminação de raça e classe do Shopping Tambiá/João Pessoa/PB.
http://portalinboox.com/tambia/?fb_source=pubv1

rafaela

Entendo a revolta de vocês, mas as coisas nem sempre são como parecem. Existem gangues e facções de João Pessoa que se reúnem nas quartas feiras e fazem baderna neste mesmo estabelecimento e em outras áreas históricas da cidade. Eles bebem, usam e vendem drogas, fazem cenas de sexo explícito. Sei pois trabalho próximo ao Shopping e já vi tais situações.Alguns até entram em lojas e deixam os vendedores assustados. Não é o fato de serem negros mas a marginalização que causam, e no meio existem muitos brancos também. Sinto ressaltar que só quem convive com o dia a dia em nossa cidade pode entender o real motivo desses problemas diários. Sempre frequentei o shopping em questão ao lado de meu marido (que é negro) e nunca fomos barrados. A questão é que levaram isso para o lado racial e social para forçar o shopping a abrir as portas para esses baderneiros,mas os integrantes iniciais sabem que não é bem assim. E usam a boa vontade das pessoas que lutam por justiça para uso enganoso. Entendo a revolta de vocês, mas aqui é ver pra crer. Só ler não adianta…

    Tiago Freire

    Rafaela, também sou de João Pessoa e sei muito bem dos problemas relacionados ao crime organizado na nossa capital. Acontece que, em vez do referido shopping colaborar com a polícia na identificação das pessoas que provocam essas brigas (não tem câmeras nessa porcaria de shopping??) e agir de maneira pontual, eles simplesmente começaram a barrar as pessoas na entrada pela aparência. Isso, no mínimo, cabe uma acusação por constrangimento ilegal (art. 146 do código penal). Como um amigo acima lembrou: cadê a OAB??? Cadê o Ministério Público??? Lavem nossa alma!

    PS: Para quem não é de João Pessoa, uma informação pitoresca: as grandes facções criminosas rivais da cidade se chamam “Al Qaeda” e “Estados Unidos”.

Dos exemplos cotidianos… | vinteculturaesociedade

[…] Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/moacir-maia-o-protesto-no-shopping-de-joao-pessoa.html Share this:TwitterFacebookGostar disto:Gosto Carregando… Etiquetas Economia & sociedade, Sociedade brasileira; racismo; história brasileira Categorias Ação e Reação, Cotidiano e história […]

Antonio Lucio

Sou de JPessoa. Fui presidente da UPES em 1968 antes de cair na clandestinidade p/ continuar lutando contra a ditadura DE CLASSE imposta pela burguesia. Sei o quanto de racismo existe subliminar e explicito na região Nordeste – mas c/ um corte nacional. Nós nordestinos temos etnias brancas, negras e amarelas (nativos) em nossa formação. Além da cultura miscigenada q nos legou o frevo, maracatu, xote, baião, entre outras manifestações. O Jackson do Pandeiro era predominantemente negro e Luiz Gonzaga tb. Mas, observem q foram os seguranças q são treinados por alguém p/ discriminar pela aparência. Eles/as tb são da mesma origem mas assimilaram o comportamento das elites hipócritas da “terrinha”. Assim como os capitãe sdo mato q eram negros perseguidores de escravos fugidos; origem das Policias militares (PMs)q hj em dia perseguem manifestantes, ]são os NEOCAPITÃES DO MATO. Sempre combati essas posturas, inclusive e, principalmente, na minha família, Tenho parentes próximos q se pudessem disfarçariam o biotipo como o Michael Jackson tentou fazer e virou um pastiche de si mesmo. Ideologicamente, sou de formação comunista o q se choca frontalmente c/ essas atitudes execráveis tão presentes no cotidiano. Mês passado estive em JPessoa p/ depor numa audiência das Comissões da Verdade da PB e de Pernambuco. Estive nesse shopping e lamento não ter rolado uma situação dessas no dia em q lá estive para fazer um mini comício assim como o pessoal do jogral o fez. Ressalte-se q esse shopping fica na região central da cidade, pior são os shoppings da zona litorânea (Norte e Sul) onde os narizes empinados predominam. A ironia é q NORDESTINOS somos DISCRIMINADOS na região Sudeste/Sul do Brasil e QQ BRASILEIRO pode tb ser discriminado em países da Europa e dos Estados Unidos; principalmente se for trabalhador imigrante. Tem uma classe “mérdia” q imita os padrões burgueses sem o serem. Meros complexos de vira latas.
Sou professor voluntario em prés vests comunitários no RJ – assim como o fui alfabetizando camponeses e pescadores nos anos 60 em minha região pelo método Paulo Freire. Lamento não estar presente hj mas postarei em redes essa DENÚNCIA q todos/as deveríamos compartilhar.
Vejo q A MESMA DITADURA DE CLASSE BURGUESA PERSISTE, assim, não tenho porque ficar ausente das lutas de rua de hj em dia onde os enfrentamentos contra as policias das “democraduras” batem em professores e estudantes. Qq semelhança c/ as forças de repressão da ditadura civil militar dos anos 60-70-80 NÃO É MERA COINCIDÊNCIA.

Aline C. Pavia

Isso também acontece em SP, Campinas e Sorocaba.

Getulio

São atos racistas como esses que não devemos deixar passar em branco. O racismo neste país é forte, precisamos combatê-lo em todos campos.

Mardones

Apoiados!

Além disso, tem OAB em João Pessoas? Defensoria Pública e Ministério Público?

Onde estão as instituições que devem garantir o respeito aos direitos assegurados na Constituição?

Tem algum deputado, vereador por lá?

É preciso entrar com representação em todas as instâncias contra o Shopping em questão.

Miranda

Taí uma boa oportunidade para fazer uma campanha massiva pelas redes sociais para que a população que tem um minimo de consciencia social deixar de frequentar esse shopping. Não moro em João Pessoa, mas se morasse, não entraria mais nesse shopping.

Francisco Couto

Como paraibano,sinto-me envergonhado,com mais este ato vil cometido pelos atuais herdeiros da casa-grande. E ainda temos,na tal “Grande Mídia” um tal Ali Kamel que publica um detrito intitulado “Não,Nós não somos racistas”. É de dar engulhos.

ricardo silveira

A elite paraibana é preconceituosa, quando vem para o sul maravilha sofre discriminação, êta! zelitizinhas idiotizadas. Falta Ministério da Justiça para cobrar com vigor a ação dos operadores da justiça, o preconceito já não é questão de cultura, é de polícia.

Eunice

Será que a polícia negra não extrapolou de suas obrigações?
Será que a ordem de prisão era legal?
Somos todos escravos.

Jorge Moraes

Conheço e gosto muito de João Pessoa. Solidarizo-me com o movimento, que ao que li, ainda deu-se ao trabalho de requintar o justo com o maravilhoso recurso da arte, no caso, o jogral.

Moro no interior de São Paulo. Não estarei fisicamente lá. Mas só fisicamente.

A tarefa de desescravizar o Brasil, o mundo, as relações entre as pessoas é desafiadora o suficiente para que de longe nos façamos ouvidos. E bocas. E corpos.

Parabéns ao pessoal aí da Paraíba. E a todos os que lutam por um mundo menos sofrido. O que não é pouca coisa!

edir

Por trás de um lindo sorriso e muita simpatia, pode estar a falsidade e a hipocrisia.

lidia virni

Canso de ouvir de pessoas de todas as classes sociais, até das mais baixas e, inclusive, de pessoas que se dizem religiosas e de esquerda, expressões como “aquela negrinha”, “era um negão” e sempre no sentido pejorativo e demonstrando desprezo racial. Esse sentimento abjeto, fomentado no mundo todo pela mídia reacionária e por políticos elitistas, dificilmente acabará. Mas é dever de quem pensa diferente lutar contra esse cancer que denigre nossa sociedade.

    Caracol

    Pois é, Lidia, eu estou com você, concordo com você, mas… veja como é difícil, você não gosta da expressão “negrinha” nem da de “negão”, e no entanto… você diz o seguinte:

    “Mas é dever de quem pensa diferente lutar contra esse cancer que denigre nossa sociedade.”

    Denigre, Lidia? Denigre? Denegrir é tornar negro, e no sentido que você usou é sentido de ruim, e portanto, pejorativo.
    Então veja você como além do fato de você ter razão, a coisa está tão encruada que até a linguagem, o próprio idioma nos faz cair em armadilhas. “Denegrir”, “Judiar”, “A coisa está preta”, e vai por aí afora. Temos muito o que fazer pra reverter esse negócio.
    E eu acho uma pena, pois quando afago minha mulher (ela é branquinha, branquinha) eu sussurro em seu ouvido: te amo, minha neguinha. Um de meus mais queridos amigos é um negão, apelidado de Sorriso (vive rindo) é grande como um armário, e eu o trato fraternalmente por Negão.
    O ideal mesmo seria não existir racismo nem no idioma nem no coração.
    E… sabe de uma coisa? (agora com bom-humor, ta?) eu acho a cor negra a cor mais bela que Deus criou-la. Ah, ah, ah!
    Quanto ao caso de João Pessoa, o ideal mesmo seria juntar a garotada branca esclarecida e fazer um boicote ao shopping. Ah! Se isso acontecesse os administradores iam se transformar rapidinho em inimigos do racismo desde criancinhas.

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