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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Médicos repudiam atitudes de colegas: Que mal Dona Marisa causou a estes desumanos?

04 de fevereiro de 2017 às 12h23

Marisa velório -002

Foto: Christian Braga, para os Jornalistas Livres

NOTA DO CEBES

Humanismo, ética e saúde

Nas democracias, deve ser assegurado o direito à livre escolha de ideologias e religiões, mas não pode retroceder o parâmetro civilizatório do humanismo e da ética.

A ética nos distingue da barbárie onde são abolidos os limites, dando espaço para as emoções mais primárias, como a intolerância e o exercício do ódio aos diferentes.

A conduta dos profissionais de saúde que divulgaram exames e sugeriram procedimentos para matar Dona Marisa Letícia expõem uma grave situação e indicam uma prática distante da noção mais elementar da ética, da solidariedade e do humanismo, pressupostos básicos para a prática médica.

Todo cuidado de saúde está baseado em confiança, respeito, empatia e no acordo de deveres entre cuidador e paciente, entre eles o dever do sigilo de informações cuja propriedade é do paciente ou de sua família.

As informações são necessárias aos profissionais para melhor prestar os cuidados necessários mas jamais devem ser usadas para outros fins.

A gravidade dos casos em torno de Dona Marisa exigiu adoção imediata de medidas da direção das instituições nas quais esses deformados médicos atuavam.

Para além das demissões, punições ou cassações de registro profissional que o caso exige, este episódio exige profunda reflexão e adoção de medidas sobre a formação e exercício de profissionais de saúde.

Por que estes profissionais são capazes de infringir de forma banal e grotesca preceitos mínimos no exercício de sua profissão?

Instituições formadoras assim como conselhos de fiscalização do exercício profissional devem agir sincronicamente para mudar o curso desse grave sintoma que ultrapassa os limites civilizatórios conquistados.

O CEBES (Centro Brasileiro de Estudos em Saúde) tem compromissos históricos com a democracia e com a saúde como um bem comum e direito universal de cidadania.

Por isso, repudiamos as atitudes abomináveis destes indivíduos e exigimos dos órgãos de fiscalização do exercício profissional e de segurança do paciente medidas punitivas imediatas que possam, inclusive, produzirem efeitos pedagógicos sobre o conjunto da categoria que deve considerar esse tipo de comportamento inadmissível.

O CEBES convoca um urgente e imprescindível esforço conjunto das instituições formadoras de profissionais de saúde e respectivas entidades de classe que atuem vigorosamente para garantir profissionais da saúde cujo exercício profissional seja centrado na dignidade e defesa da vida. Sob o risco de ser tarde demais…

Marisa-Letica-Lula-1980

NOTA DO MOVIMENTO MÉDICOS UNIDOS

Pela ética, contra a banalidade do ódio

Inicialmente prestamos nossa homenagem a Dona Marisa Letícia, falecida hoje no Hospital Sírio e Libanês em São Paulo, expressando nossa solidariedade a toda a sua família e inúmeros amigos e antigos companheiros.

Dona Marisa foi uma ilustre cidadã brasileira, operária, sindicalista, militante política, mãe de família e dona de casa, primeira-dama do Brasil durante 8 anos.

Como médicos, também nos solidarizamos com sua família e lamentamos sua partida precoce, aos 66 anos, vitimada por um acid ente vascular cerebral, provavelmente atribuível, pelo menos em parte, ao enorme processo de estresse pessoal a que a paciente vinha sendo submetida nos últimos dois anos.

Assistimos com estarrecimento à manifestação e comportamento de diversos colegas de profissão durante o triste episódio da internação e morte de Dona Marisa.

A médica que divulgou imagens da tomografia cerebral da paciente; o médico que se manifestou em redes sociais dissertando sobre o método que garantiria o fracasso da terapêutica e aceleraria a morte; redes sociais de médicos fazendo troça com a imagem do defeito físico do marido da paciente, o ex-presidente Lula, comprazendo-se com o momento de dor do familiar.

Os exemplos são, infelizmente, inúmeros, constituindo um triste monumento iconográfico ao ódio, à intolerância e à absoluta incapacidade ética e humanista para tais profissionais exercerem a medicina.

A medicina não é uma profissão melhor que nenhuma outra. Todo trabalho humano é digno, e capaz de produzir o sentimento de orgulho e pertencimento ao esforço comum dos seres humanos em melhorar a vida e buscar a felicidade. Por isso, é preciso respeitar, proteger, dignificar o trabalho, nas inúmeras esferas da atividade humana.

Não sendo melhor que nenhuma outra, a medicina tem, entretanto, especificidades que lhe são essenciais. O médico escolhe esta profissão em nome da defesa da vida, não da morte. Da reabilitação, não da desqualificação e do estigma. Da dignidade do paciente, qualquer que seja ele, não do desrespeito e ofensas. Justamente por lidar com o cuidado a pessoas fragilizadas pela situação de doença, não se concebe um médico que não tenha uma visão humanista e solidária, empática, com o sofrimento.

Isto não tem relação com a posição política do médico. Como qualquer cidadão, ele terá suas escolhas ideológicas, sua visão de mundo, suas perspectivas de projeto de vida, sua filiação a segmentos partidários. De direita, de centro ou de esquerda. De apoio a projetos autoritários de condução da política. De desacordo radical com o modo de conceber a política dos partidos de esquerda. É um direito de todos terem e manifestarem suas posições políticas.

Mas não se deve reconhecer o direito, em nenhum cidadão ou cidadã, de nenhuma profissão, de expressarem suas posições políticas através do ódio, preconceito e intolerância. Isto se torna mais grave quando o cidadão que é médico lança mão de argumentos de sua profissão para expressar este ódio.

Vivemos no Brasil um caldo de cultura de ódio e intolerância, acentuados vertiginosamente a partir de 2014, e vinculados a um debate político que não se dá no plano da política, mas sob a forma de guerra, confronto, desqualificação das diferenças do outro.

Esta cultura do ódio e intolerância é nutrida e sustentada pela inaceitável coalização de parte de instituições do Estado (Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal) com os grupos dominantes da mídia, sob liderança do conglomerado Globo de rádio, TV e jornais.

Ações espetaculares de exposição vexaminosa de pessoas sob investigação, e o fornecimento de material sigiloso para ampla divulgação em telejornais são ferramentas de disseminação da intolerância e alienação.

A narrativa, repetida obsedantemente, de desqualificação da política e do pensamento de organizações de esquerda e dos movimentos sociais, produz as condições materiais e objetiv as sem as quais os efeitos da psicologia de massas do ódio e da intolerância não teriam emergido da forma tão assustadora como vem ocorrendo no Brasil.

Mas os determinantes políticos e institucionais da disseminação da cultura do ódio e intolerância não absolvem os indivíduos da responsabilidade por seus atos. Os médicos que disseminam e propagam esta cultura são responsáveis pelo que fazem. Infringem a ética das relações humanas, e a ética da profissão médica.

Cabe aos Conselhos Regionais e Nacional de Medicina saírem de sua posição contemplativa, e assumirem a responsabilidade de zelar pela ética da profissão médica.

Porém, mais do que uma tarefa de conselhos profissionais, cabe a todos nós, médicos e cidadãs e cidadãos brasileiros, iniciarmos um amplo movimento de reconstrução das bases solidárias e humanistas da sociedade. Antes que seja tarde demais.

Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2017

MOVIMENTO MÉDICOS UNIDOS

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Ilustração: Girafa

NOTA DO MOVIMENTO “MÉDICOS PELA DEMOCRACIA” EM DEFESA DA ÉTICA E HUMANISMO NA MEDICINA

(Em repúdio a atitudes intolerantes e agressivas de colegas médicos relativas ao padecimento, agonia e morte de Dona Marisa Letícia Lula da Silva)

Nós, Médicos pela Democracia, defendemos que a Medicina seja exercida com ética, humanismo e compaixão ativa no cuidado com o ser humano.

Para isto é preciso observar quatro princípios da Bioética: a autonomia, respeitando as escolhas do paciente, sempre que possível, ou da família, quando de sua incapacidade de decidir; beneficência, que se refere à obrigação ética de maximizar o benefício do ato médico e minimizar o prejuízo; não-maleficência, que proíbe infringir dano deliberado, evitando agravos à saúde do paciente; justiça, que é a obrigação ética de tratar cada indivíduo conforme o que é correto e adequado e dar a cada um o que lhe é devido.

Temos que observar um quinto princípio fundamental, previsto no Código de Ética Médica-2009: “o médico guardará sigilo a respeito das informações que tenha conhecimento no desempenho de suas funções, com exceção dos casos previstos em Lei”.

Defendemos, portanto, que o exercício da Medicina seja uma celebração à vida, às relações humanas solidárias, numa prática amorosa da compaixão ativa, na busca da superação do sofrimento físico e psíquico das pessoas que suportam agravos à sua saúde.

Por defendermos estes princípios é que, nós Médicos pela Democracia repudiamos veementemente a postura de intolerância, desprezo pela vida e injúria moral por parte de alguns colegas médicos, feitas publicamente em Redes Sociais, ao debochar da cidadã brasileira Marisa Letícia Lula da Silva, esposa do ex-presidente Lula, quando do seu adoecimento grave, agonia e morte.

Estes colegas, lamentavelmente, expuseram ideias fascistas, zombaram de uma pessoa em grave sofrimento, sendo que um deles propôs omissão de socorro e conduta lesiva que causaria a morte.

Que mal Dona Marisa causou a estes raivosos, desumanos e intolerantes médicos?

Nossa indignação e repúdio às atitudes destes colegas nos faz pedir formalmente ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo para iniciar imediatamente processo ético contra estes colegas, por infração ao Código de Ética Médica, assegurando o direito de ampla defesa:

1 – G.A.M. – Reumatologista do H. Sírio Libanês – por divulgar dados sigilosos

2 – P.P.S.F – por repercutir informações de G.A.M. e divulgar Tomografia comentada que seria de Dona Marisa

3 – R.F.H. – Neurocirurgião que propôs “romper o procedimento. Daí já abre a pupila. E o capeta abraça ela”.

Omitimos os seus nomes por exigência do Código de Ética Médica, que recomenda discrição para que a denúncia seja cabalmente aceita e examinada, mas os três são facilmente identificáveis pelas noticias dos jornais de São Paulo.

Em defesa da Ética, do Humanismo e da Compaixão ativa no exercício da Arte da Medicina

Em defesa de uma sociedade justa, fraterna e de paz!

#SomosTodosPelaVida
#MenosÓdioMaisAmor

03 de Janeiro de 2017

Movimento “Médicos pela Democracia”

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Roberto

06/02/2017 - 16h57

Custo a acreditar que esse texto seja real. Mas devem existir médicos honestos. Devem existir…

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Luiz Carlos P. Oliveira

06/02/2017 - 15h40

CUIDADO: coxinhas estão provando que podem ser assassinos em potencial.

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Luiz Carlos P. Oliveira

06/02/2017 - 15h37

Depois destes fatos, podemos afirmar, com toda a certeza: o Brasil está dividido em duas classes sociais: esquerdopatas (segundo os coxinhas) e PSICOPATAS (que são os próprios coxinhas.
Está resolvido. Cada um sabe de que lado está. O fabricante do Rivotril agradece aos coxas. Eu, como esquerdopata, não preciso de medicamentos, pois minha consciência me impede de dizer loucuras.

Responder

Mauricio

04/02/2017 - 21h33

Pior de tudo é ver “comentaristas políticos” pagos com gordos vencimentos, ou simplesmente boçais que vomitam seus comentários de graça na internet, tentando transferir a culpa desse clima de ódio ao Lula e ao PT, ou acusando-os de estarem explorando a morte da ex-primeira dama com fins políticos. Depois não reclamem quando o caldo entornar e voar sujeira para todo lado….

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TIÃO

04/02/2017 - 18h17

Antes dizia-se que o brasileiro era um povo cordial, depois de 2014, a glopista começou a implantar o ódio entre as pessoas, principalmente contra o PT, esse sentimento mesquinho veio á tona.Que deus tenha piedade desses infelizes!

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Manuel Troyano

04/02/2017 - 15h26

Só faltava que o coletivo de profissionais médicos deixasse de execrar seus colegas calhordas. O caso da esposa do ex-presidente Lula é emblemático. Como é possível que pessoas que tiveram tudo para ser esclarecidas tornem públicas ideias patológicas dentro de uma profissão, a profissão médica? Há algo muito errado quando se percebe que a mais alta educação pode estar associada a bandidos da pior espécie. O ódio permeia o comportamento das pessoas. O que é que desencadeia esse ódio? Não sei se estou certo, mas o ódio deve ter sido um motor da evolução. Quem não odeia não ataca. Quem não ataca, morre. Suponho que vivemos numa sociedade estruturada. Pelas leis que temos, essas porcarias têm que ser presas. E para que servem os Conselhos Regionais? Para nada. Se limitam a ver se o indivíduo se graduou numa entidade reconhecida pelo ministério competente, tem registro no conselho e paga as mensalidades. Ou seja, o que o sujeito faz além disso na profissão é coisa do capeta chupando manga, Há ou não que botar ordem nessa baiúca?

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