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Marcio Pochmann: Imposto dos pobres paga juros para ricos


13/08/2013 - 20h02

Uma descrição da vida no Wilma Flor from Luiz Carlos Azenha on Vimeo.

por Luiz Carlos Azenha

As cenas acima são um registro do cotidiano numa ocupação do Jardim Wilma Flor, em Cidade Tiradentes, extremo da Zona Leste de São Paulo.

Um lembrete de uma realidade registrada assim no livro Qual desenvolvimento?, do economista Marcio Pochmann:

A concentração da renda e da riqueza é uma marca inalienável do Brasil. De acordo com o Atlas de exclusão social — Os ricos no Brasil (Campos, 2004), somente 5 mil clãs apropriam-se de 45% de toda a riqueza e renda nacional, embora o país tenha mais de 51 milhões de famílias.

Quando o autoritarismo predominou, os ricos foram os mais beneficiados, mantendo inalterado o padrão distributivo excludente no país.

… a composição fundiária segue muito concentrada. A estrutura tributária permanece regressiva, com a população pobre pagando mais impostos e os ricos quase que incólumes, enquanto a estrutura social permanece distante das possibilidades governamentais de garantia da universalidade e qualidade necessária dos bens, serviços e equipamentos sociais básicos para toda a população.

… perceber que a distância da separação entre o menor e o maior salário no país chega a atingir quase 2 mil vezes parece inacreditável nesse início de terceiro milênio.

Os avanços registrados ao longo dos mandatos do ex-presidente Lula e de Dilma Rousseff tangenciaram o problema. A insatisfação popular não deveria surpreender ninguém.

As manifestações de junho e julho, que levaram às ruas uma ampla pauta de reivindicações, foram em certa medida uma expressão disso. Nos protestos verificados no entorno de estádios de que sediaram jogos da Copa das Confederações — Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília — falou-se muito em hospitais, creches e escolas padrão FIFA.

De onde virá o dinheiro?

A resposta surpreendente de Marcio Pochmann é que o Estado brasileiro já dispõe de uma carga tributária adequada para oferecer ao País serviços como aqueles que marcaram o padrão de civilização europeu e que, lá, diante da crise financeira, tem sido dilapidados.

A carga tributária brasileira saltou de 22 a 23% do Produto Interno Bruto (PIB), nos anos 80, para cerca de 35% agora.

O problema é que ela foi colocada nas costas dos pobres e da classe média, que proporcionalmente pagam mais impostos que os ricos.

De um lado o ex-presidente do IPEA, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, defende rever isenções e desonerações.

Por exemplo, os descontos dados no Imposto Renda para gastos com saúde, educação e assistência social privada. Na opinião de Pochmann, os incentivos do Estado deveriam ser no sentido de incentivar a saúde, a educação e a assistência social públicas.

Outras características injustas do sistema tributário brasileiro são amplamente conhecidas. Faz tempo. Tem sido denunciadas, por exemplo, por Pedro Delarue, do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, o Sindifisco.  Ao Viomundo, ele lembrou que os ricos não pagam imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA) para lanchas, jatinhos e helicópteros particulares. O Supremo Tribunal Federal considerou que o IPVA sucedeu o imposto rodoviário e, portanto, só autorizou o imposto para veículos terrestres.

Delarue lembrou, também, que desde 1995, por decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, empresários não pagam imposto sobre distribuição de lucros e dividendos.

Como o emblemático episódio de sonegação da Globo deixou claro — perdão, foi “planejamento tributário” –, o Estado fala grosso com a Bolívia e fala fino com os Estados Unidos.

Voltamos ao livro de Marcio Pochmann:

De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, o trabalhador que recebe mensalmente até dois salários mínimos mensais tem uma carga tributária de até 48% do seu rendimento. […] Já o trabalhador com remuneração superior a 30 salários mínimos mensais, deixa para os impostos somente 26% de sua renda.

Hoje presidente da Fundação Perseu Abramo, Pochmann nos disse em entrevista que outra mudança absolutamente necessária é a redução do pagamento de juros da dívida interna, que saltaram de 1,8% do PIB em 1980 para 5 a 6% atualmente.

O sifão por onde escoam os juros é estrutural à economia brasileira, sustenta Pochmann. Foi instalado no Tesouro para servir à elite.

…constata-se a existência de um elemento de ordem estrutural na dinâmica capitalista atual que transforma o setor público no comandante da produção de uma nova riqueza financeirizada, apropriada privadamente na forma de direitos de propriedade dos títulos que carregam o endividamento público.

… parte dos ricos abandonou o compromisso com a expansão produtiva, o que levou ao parasitismo e às ações anti-republicanas contaminadas pela improdutiva rentabilidade financeira.

Atualmente o peso da dívida líquida do setor público corresponde a cerca de 50% do PIB, praticamente mesma situação verificada na segunda metade da década de 1980.

As exigências das famílias ricas, ao disponibilizarem seus patrimônios na compra dos títulos públicos que lastreiam o endividamento financeiro do Estado são cada vez maiores, fazendo com que o objetivo perseguido pela política econômica seja, muitas vezes, atendê-las, tão-somente. Não sem motivo, o Ministério da Fazenda transformou-se no ministério dos juros.

É uma forma mais diplomática de dizer o mesmo que a ex-auditora Maria Lucia Fatorelli disse, em entrevista ao Viomundo: os banqueiros sequestraram o Estado brasileiro.

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Desfazer este nó é absolutamente essencial para que o pessoal do Jardim Wilma Flor ganhe, afinal, uma ponte de acesso ao bairro, que depende de investimento público:

A ponte de acesso à ocupação from Luiz Carlos Azenha on Vimeo.

Na entrevista abaixo, Marcio Pochmann fala sobre alguns dos desafios diante do Brasil, dentre os quais os serviços ruins, caros e concentrados nas metrópoles, a educação inadequada e o surgimento de um novo segmento social, os agregados modernos, que representam 35% das famílias brasileiras e, apesar de pobres, desenvolvem identidade ideológica com os mais ricos por prestar serviços gerais a eles.

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39 comentários

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Dibem, um cidadão enlutado | Cão Uivador

20 de setembro de 2013 às 02h22

[…] Porém, reclama de não ser reconhecido. Se sente massacrado pelo governo, que tem inveja de seu trabalho duro e lhe cobra imposto de renda. “Sempre punem quem ganha mais, um absurdo!” […]

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Adilson

15 de agosto de 2013 às 13h27

Só mais um detalhe: quando se fala da carga tributária de 35% do PIB (que está na média dos países da OCDE): a afirmação de que essa carga seria suficiente prestar serviços públicos de primeiro mundo a toda a população é gratuita e mal embasada. Países diferentes, com populações de tamanhos diferentes, em estágios diferentes de desenvolvimento, com perfis socioeconômicos diferentes, gastam valores diferentes em serviços públicos essenciais. Será que é tão difícil entender isso? Mesmo sabendo que os chamados ‘déficits sociais’ são bem diversos aqui e na Europa, se for usada como termo de comparação, tem-se dificuldade em perceber isso?

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Adilson

15 de agosto de 2013 às 12h43

A análise de Pochmann é discutível por várias razões. Em primeiro lugar, de nada vale analisar dados econômicos de maneira estanque: o que vale, em análise econômica séria é a evolução histórica de cada indicador que tenha alguma relevância para o estudo em questão. A renda média e mínima têm, ambas, aumentado significativamente. A criação de novas faixas do imposto de renda desmente cabalmente o que ele afirma, que os que ganham mais comprometeriam só 26% de sua renda com impostos. Não é verdade. Pagam imposto de renda e impostos sobre aplicações financeiras, além dos impostos sobre consumo que todos pagam – só que quem consome mais e consome bens menos essenciais paga, na realidade, faixas mais altas de ICM sobre esses produtos. A desoneração da cesta básica também desonera significativamente os mais pobres. A análise de Pochmann e o que é feito dela estão irremediavelmente defasados e pecam por várias inexatidões.

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Julio Silveira

15 de agosto de 2013 às 10h26

Hoje pela manhã estava assistindo TV e vi uma propaganda do BNDES, estimulando empresários a captar a juros baixíssimos, subsidiados com certeza, e listando as opções de informação sobre essas oportunidades entre Bancos oficiais e privados. Não pude deixar de pensar se este agente publico, do sistema publico, tem alguma forma de garantir a chegada das ótimas condições que propõem para o empresariado até o consumidor? Ou se o que fazem apenas servir de caixa para a proliferação de exploradores da cidadania do país. Esses que colocam lucros escorchantes nos seus produtos, além de juros astronômicos, mesmo recebendo de barbada recursos públicos, como vemos diuturnamente acontecer no estado brasileiro, totalmente em dissintonia com o desejo de igualdade de oportunidade na cidadania brasileira.
Até que ponto o estado (nossos representantes?) funciona como cumplice nessa transferência de renda do pobre para o rico ajudando na concentração? Contumaz na sociedade brasileira.

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J Souza

14 de agosto de 2013 às 20h41

E por causa dos juros para os mais ricos, o governo “dos trabalhadores” dá BOLSAS para médicos, ao invés de fazer concursos e pagar SALÁRIOS!
Como o povo está gostando, daqui a pouco vão dar BOLSAS para professores, para policiais, para engenheiros…
Tudo em nome da “responsabilidade” (?) fiscal… Dessa “responsabilidade” eles nunca esquecem… Das outras, porém…

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Fabio Passos

14 de agosto de 2013 às 19h11

É assim que a “elite” branca mantém o Apartheid Social no Brasil: Rouba dos pobres!

O povo pobre tem todo o direito de recuperar a fabulosa riqueza que produz… e que é surrupiada pelos grã-finos parasitas.

Já passou da hora de um acerto de contas definitivo com a casa-grande.

O que merece a diminuta minoria rica que vive no luxo com o dinheiro roubado dos pobres?

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Bacellar

14 de agosto de 2013 às 19h10

Desatrelar investimento de produção é um dos maiores entraves para o desenvolvimento econômico e social. Nunca dantes na historia destemundo (homenagem ao exú da Veja) tivemos uma oligarquia tao parasitária. Como bem disse o Zizek, e isso especificamente diz muito bem, quem dera existisse – como rezam as teorias da conspiração – um grupo de 500 homens se reunindo num castelo assombrado anualmente para decidir os caminhos do capitalismo global, seria ótimo pois por mais canalhas que fossem existiria ao menos algum tipo de direção ponderada no sentido de não conduzir o mundo ao colapso. Não há. Há apenas essa várzea generalizada e a lógica fria e matematica do capital: Reproduzir-se. Seguimos em rota de colisão.

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Urbano

14 de agosto de 2013 às 17h01

E como é bem sabido, de cor e salteado, se não fossem as rapinagens históricas perpetradas sobre os pobres, nem haveria ricos no volume existente, principalmente os nababescamente ricos.

Responder

    Urbano

    14 de agosto de 2013 às 21h09

    Obviamente que se trata de um câncer mundial, valendo até entre as Nações.

Tiao

14 de agosto de 2013 às 15h43

Me aposentei há tres anos,continuei trabalhando mais dois anos.Cheguei a conclusão que estava pagando pra trabalhar.Hoje continuo tendo desconto de IR no meu benefício.Acho que é só no Brasil que aposentado paga IR.

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    Fabio Passos

    14 de agosto de 2013 às 19h15

    E para o PiG o problema são os aposentados que trabalharam a vida inteira e recebem pouco… são “vagabundos” para a corja neoliberal de fhc e cia.

    Já os rentistas parasitas, que sequer trabalham e vivem na maciota com o dinheiro roubado do povo… o PiG aplaude!

    O que merecem marinho, civita, frias e mesquita?

Emilio

14 de agosto de 2013 às 15h38

Só não dá pra concordar com: “Os avanços registrados ao longo dos mandatos do ex-presidente Lula e de Dilma Rousseff tangenciaram o problema. A insatisfação popular não deveria surpreender ninguém.”

Os indignados e insatisfeitos de Facebook e os coxinhas da Faria Lima não estão dando a mínima para o fato de que Lula e Dilma apenas tangenciaram esses problemas. Pelo contrário. A insatisfação é mais com o fato de eles terem feito esse mínimo em vez de terem feito simplesmente nada quanto ao assunto, como sempre aconteceu no Brasil.

Responder

    Mário SF Alves

    14 de agosto de 2013 às 22h23

    Bem observado, prezado Emilio. A correlação é positiva. Ou seja: quanto mais inserção social, quanto menos apartheid social mais coxinhas e PiGs contra o PT. E só contra o PT. Bom, pelo menos até o dia em que o PT prove sua plena “competência” para substituir o já pra lá de falido PSDB. Sobre esse espectro de partido só faltava mesmo o trensalão para jogar a pá de cal.
    _____________________________
    Já vai tarde.

    Pitágoras

    15 de agosto de 2013 às 23h10

    Este é o ponto crucial na análise das “críticas” da direita raivosa à Lula e Dilma: tentam detonar o que fizeram de certo mas se calam sobre o que fizeram de errado ou a menos. Suas “críticas” são as minhas, com sinal trocado.

Gerson Carneiro e o Haiti: Revivendo infância em cidade pobre da Bahia - Viomundo - O que você não vê na mídia

14 de agosto de 2013 às 15h19

[…] Marcio Pochmann e a concentração de renda no Brasil: imposto cobrado dos pobres paga juros para os… […]

Responder

Avelino

14 de agosto de 2013 às 11h03

E onde, o mais pobre, não paga os impostos aos mais ricos?!

Responder

    matheus

    14 de agosto de 2013 às 12h48

    Onde há tributo sobre grandes fortunas e propriedades agrárias, imposto realmente progressivo sobre a renda, taxação de operações financeiras e consumo de luxo.

    Emilio

    14 de agosto de 2013 às 15h35

    Onda a carga tributária é progressiva, e não regressiva, como no Brasil. Na Europa, Estados Unidos, qualquer lugar que tenha um capitalismo mais avançado.

Carlos Cunha

14 de agosto de 2013 às 10h15

A parte escrita peca por não mencionar, em números, quanto é o “bolsa rico”. Tenho conhecimento de que todo o orçamento de assistência social da União, o que inclui o bolsa família e diversos outros benefícios, não deve passar muito de 4 bi. Comparar essa cifra com o número que mencionei acima seria útil para uma melhor compreensão da gravidade do problema. Não tenho acesso aos vídeos de onde estou. Vou tentar acessar de casa para verificar se essa omissão também ocorreu nos mesmos.

Responder

    matheus

    14 de agosto de 2013 às 12h50

    Mencionou o Bolsa-Banqueiro, mas os números apresentados pelo Pochman são subestimados em comparação com os da Maria Lúcia da “auditoria cidadã”, que tem uma pesquisa mais aprofundada sobre o assunto.

Mardones

14 de agosto de 2013 às 08h53

Sempre oportuna a discussão da desigualdade no Brasil. É preciso, no entanto, deixar de lado a narração simples e indicar quem ajuda manter esse sistema desigual, posando de democrata.

É compreensível que o pessoal da ”esquerda”, principalmente ligado ao PT tenha certa mania de não revelar a contribuição do partido nesse crime.

Outra coisa a observar é que sempre nas proximidades das eleições surgem os ‘esquerdista’, muitos ligados ao PT, e suas teses de igualdade e soberania nacional.

No entanto, no poder desde 2003, o PT se juntou à turma da condução do modelo neoliberal, sem reformas, mantendo todas as mazelas que tantas criticam nessas épocas.

Até o Lula tem falado da necessidade de regulação dos meios de comunicação num oportunismo vigarista, manchando o pouco que fez para amenizar a miséria e a pobreza nacional.

Responder

Romanelli

14 de agosto de 2013 às 07h59

No geral falou e repetiu e não tocou em PROPOSTAS

..só não consegui entender do pq, depois de onze anos de governos progressistas, pq ainda não mudamos muito cenário que ainda é dado pras mesmas peças

..será que é pq resolvemos subsidiar o recital de poesias das cantoras baianas ?

PQ ele não falou da corrupção e da impunidade, temas INTRÍNSECOS quando falamos de desperdício e vagabundagem ?

Hoje já importamos médicos, e daqui a pouco engenheiros ..isso, lembrando que profissionais de curso técnico (de boa qualidade e ajustado à realidade) já não se encontra faz tempo ..será, será mesmo que podemos dizer que progredimos também no quesito educação ?

..ainda mais se somarmos a critica do professor quando lembra que AINDA não revolucionamos praticamente nada em métodos e meios educacionais ..e pro se falar nisso, que fim levaram os TABLETs que tinham sido prometidos pros alunos ?

Falar em mobilidade chega a ser PIADA quando vemos os incentivos DESCOMUNAIS que foram dados ao setor automobilístico que contou até com subsídio cruzado à custa da PETROBRÁS pra fomentar o consumo de combustíveis.

Gostei quando fala que gastamos mal, da qualidade PÉSSIMA, da falta de produtividade, dos subsídios cruzados que geram mais deformidades do que soluções ..agora, pedir mais ministério ? pelamordedeus, vamos falar da competência e falta de preparo, das lideranças que INFESTAM o 2o escalão, vai ??!!

NÃO concordo em comparar anos 80 ou 90 com anos do século XXI ..as realidades hoje são completamente outras, a começar pela inflação, pela informação e pela URBANIZAÇÃO ..e mesmo mais recentemente, a realidade já foi bem pior, no quesito custo x divida

A regressividade é elementar, agora, propostas não teve ? ..não falou em reforma fiscal por exemplo ..penso que a CPMF seria (como foi) uma bela tentativa de se conter e simplificar a orgia (custos, sonegação e corrupção por exemplo)

..fora de não falar da MELHORIA de alçadas que deveria vir pra se acabar com a duplicidade como vemos hoje às pencas com a saúde e educação que são tocadas, normalmente, pelos 3 poderes ..ou com o excesso de municípios inviáveis etc etc

Fora que não vi ele falar da FALTA DE REGULAÇÃO saudável que não veio com LULA nem Dilma, ou da internacionalização de alguns mercados, somado a desindustrialização e aos cartéis que DRENAM riquezas, concentram renda e expõe o país a fragilidades e dependências

verdade é que cada vez mais sobra-nos o papel de prestatários, de consumidores empregados em empregos precários

Azenha, do que foi dito na entrevista, acho que foi uma analisa simples e muito difusa, o que dificulta até a crítica

mais, falar em salários dos mais altos contra os mais baixos ??!! ..desculpe, RICO, entendam, RICO-rico, aquele das 5 mil famílias mais ricas, eles não ganham salários, o foco deveria ser outro, inclusive passando pelo incentivo que deveria ser dado à BOLSA como forma de formação de poupança pras famílias emergentes

Responder

    Valentina

    14 de agosto de 2013 às 11h51

    1) Ricos: imposto sobre grandes fortunas adaptado a realidade brasileira e outros
    + percentagem maior do IR

    2)Pobres: se o imposto está cada vez mais no consumo, como separar os pobres? Também há pobres que recebem por uma folha de pagamento de indústria e têm descontos.Nesse caso eles pagam duplamente.

    3) Médios: os médios tem reclamado muito sobre o desconto do IR na folha. Mas entre os reclamantes notei que não fzem economia e vivem uma vida de ricos comparada com europeus da classe média. São funcionários públicos e executivos de empresas,etc. Na Europa eles fazem orçamento até de centavos nas famílias.

    Mas Pochman é bom. E o campineiro perdeu de não eleger ele. Preferiu o pior e não fala mal do pior. Apenas invade a Câmara….

    edir

    15 de agosto de 2013 às 12h41

    Nossa !!! mas como voce é inteligente, deveria correr e escrever um livro, quem sabe voce seria o próximo entrevistado por Azenha.

Mameladov

14 de agosto de 2013 às 07h41

O mais injusto “imposto” que a população pobre “paga” é a inflação, que corrói o poder aquisitivo dos salários, e desarruma economia e os investimentos.
O controle da inflação é o item mais importante da política econômica de um país sério e, também, de um país rico, que é um país sem pobreza.
Entenderam o recado?

Responder

    Valentina

    14 de agosto de 2013 às 11h53

    Entendi. Mas a mídia está exagerando uma inflação de 6% ao ANO,
    num país que viveu uns 30 anos com inflação altíssima e a mídia quietinha bajulando os bancos.Até 80% ao ano ou mais??? Dizem que na real tivemos até 145%, verdade?????

    João Vargas

    14 de agosto de 2013 às 14h13

    Concordo. Os banqueiros e especuladores, com apoio da mídia, se utilizam do fantasma da inflação para faturar os seus bilhões.Nunca antes na história deste país os bancos faturaram tanto.Você pergunta se já tivemos inflação de 145% e eu respondo que esta mesma taxa é cobrada nos cartões de crédito quando a inflação agora é de 6%, pode? algum economista explica este roubo institucionalizado? nós somos os maiores patos do sistema financeiro mundial.

renato

13 de agosto de 2013 às 21h47

Na matéria de Maria Lucia, eu critiquei por isto aparecer logo agora, com a onda de denuncias contra o PSDB.
Fui esquerdista demais, e acho que isto é muito sério, comecei a entender um pouco mais, agora. Sou tanço.
Mas está tudo errado….por que isto continua ocorrendo num governo sabidamente de esquerda.
Por que Pocheman sabe disto e Lula não sabe. Que força estranha é esta, que pode afundar o Brasil. Não sou contra rico, mas não mesmo.
Agora rico a base de mordomias só, nem a pau Juvenal.

Responder

    anac

    14 de agosto de 2013 às 05h05

    A mesma força que levou Getúlio suicídio, defenestrou do poder João Goulart com um golpe e impediu Leonel Brizola, que prometia acabar com a farra dos 1% chegar a presidência pra dar um basta em tudo isso, incluindo a privataria que Brizola denunciava ser um crime de lesa pátria. Hoje descobrimos que o dinossauro tinha razão. A mesma força que levou o mundo a crise de 2008, saindo incólume e impune até nos USA levando milhões do contribuinte estadunidense enquanto famílias perderam casas tomadas pelas inúmeras hipotecas feitas em bancos.É o tal do capetalismo que deixado a solta para se auto regular mata e destrói coisas belas.Dilma por ter ido mais longe que Lula e ousado reduzir taxa de juros escorchante e abusiva que tira do pobre para dar ao rico foi vitima de terrorismo midiático.Lula quando chegou a presidência foi obrigado a assinar uma CARTA que na realidade era um compromisso com os 1% de que iria respeitar os contratos da privataria e não iria mexer nos ganhos milionários – juros extorsivo – que faz sangrar o país há décadas. Teve que entregar o BC e o Ministério da Fazenda para representantes do capital financeiro. Mesmo assim por causa de uma misera quantia destinada a bolsa família por pouco não foi crucificado pelo PiG. O povo brasileiro tem que pagar caro aos agiotas para existir e ser feliz.

    rui

    14 de agosto de 2013 às 12h57

    Brilhante Anac, e ainda faltou dizer que o próprio povo comunga com a mídia golpista, quando Lula falava em fazer diferente não tinha votos para nada, e veja a popularidade da Dilma após as manifestações apoiadas pelo PIG, o povo vai na onda, então…

    Valentina

    14 de agosto de 2013 às 11h58

    Renato:

    Eu sempre fui muito crítica dos projetos do governo Lula. E me pergunto onde erramos, se não foram feitas mudanças radicais e necessárias?
    Parece-me que o tempo passou rápido demais no primeiro mandato e Lula se organizando e etc. E a mídia metendo o pau, mas não nessa falta de projeto, metia o pau pois queria mais para banqueiros……

    Então, quando me dei conta, fui a primeira pessoa a escrever na NET que Lula era bom mas o seu governo MAU pro povo. Daí ficamos esperando o segundo mandato, e o tempo passando.

    E quando os ricos começaram a pedir Lula, agora, e a apoiar Palocci, antes, foi que me caiu totalmente a ficha.

    A de que não reivindicamos, não pressionamos. Lula viajava e era vendedor. E nenhum Ministro trabalhando realmente pro povo.
    Estou sendo injusta?

    Bonifa

    14 de agosto de 2013 às 15h49

    Não erramos em nada. Estamos indo muito bem, o projeto é muito grande e não depende apenas de exame de consciência de atormentados por dúvidas existenciais. É política o que devemos saber fazer e compreender, para ajudarmos e não atrapalharmos nem favorecermos o inimigo.

    matheus

    14 de agosto de 2013 às 12h46

    Te contar uma novidade: o governo não é de esquerda.

    Ou você acha que é possível governo de esquerda com Henrique Meirelles, família Sarney, família Collor, família Gomes, igreja universal, Kátia Abreu, Kassab, Maluf, Sérgio Cabral & Dudu Milícia, Ricardo Ferraço, Jader Barbalho, Eike Batista, Blairo Maggi, Hartung, Renan Calheiros, Henrique Alves, Tony Patriot, Edson Lobão & Filho, Marco Feliciano, Jair Bolsonaro, etc?

    Esquerda privatizando aeroportos, portos, rodovias, ferrovias, petróleo, cortando brutalmente a verba de educação e saúde públicas, tentando desregulamentar o mercado de trabalho, paralizando a reforma agrária e oprimindo índios e favelados?

    Esquerda financiada por Itaú, Bradesco, HSBC, Santander, Gerdau, Odebrecht, Vale, Exxon Mobil, Monsanto, etc?

    Esquerda elogiada em duas capas da Revista Veja?

    Um partido de esquerda que tem Geisel Hoffman, Paulo “Civita” Bernardo, Tony Palocci, etc. entre os seus quadros?

    Pode não ser um partido de extrema-direita, afinal, ainda tem o Eduardo Suplicy, Paulo Paim, Iriny Lopes, Ana Rita, Henrique Fontana e alguma militância honesta na base. Mas classificar o PT como partido de esquerda sem controvérsia é bem difícil. E jamais que o governo de Dilmareth Thatcheff poderia ser classificado como de esquerda. No máximo centro-direita.

    renato

    14 de agosto de 2013 às 18h39

    Acho que vou ser mais crítico com o Governo do PT.
    Do meu caríssimo Lula e Dilma.
    E para direita só vou se cair bêbado.
    Sou de esquerda e só voto na esquerda.
    E se eu me entortar, logo me endireito.
    Mas recebi uma aula, por isto eu quero bem vocês.

jõao

13 de agosto de 2013 às 20h55

Alckmin, o demagogo

http://www.youtube.com/watch?v=pp-x3oi0qvo
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB),está usando de má fé, ou realmente acredita que o povo é burro?. Nessa terça feira (13), para fazer teatro para as câmeras de TV e aparecer no Jornal Nacional, ele anunciou em entrevista coletiva que vai processar a multinacional alemã Siemens por formação de cartel, apesar de manter os contratos com a empresa. Apesar disso, Alckmin afirmou que os contratos atuais com a Siemens estão mantidos.

Agora? Por que Alckmin não processou ou mandou processar em 1998?

Por que não processou quando a Folha registrou em 2006, um vídeo em cartório, mostrando que o resultado de licitação do metrô de São Paulo já era conhecido seis meses antes?

A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) –ele deixou o cargo no início de abril de 2010 para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.

O que o governador de São Paulo anunciou hoje o MP Paulista já anunciou em 2008

O Ministério Público Estadual anunciou em 2008 que estava investigando quatro grandes contratos entre a Siemens e o governo José Serra e Geraldo Alckmin(PSDB). Não investigou. O MP engavetou o caso

Vamos relembrar o governador tucano

As investigações sobre o propinão tucano, denunciada pela Siemens, apontaram que já existiam esquemas de corrupção nos processos de fornecimento de equipamentos em 1998, na gestão do governador Mário Covas (PSDB). Inaugurada em 2002, a licitação da primeira fase da Linha 5 do Metrô, já teria sido alvo do cartel.

As obras começaram em 1998. Outra obra iniciada na gestão Covas foi a extensão da Linha 2, que terminou em 2010.

O Estado de São Paulo é governado pelo PSDB desde 1995. Até 2008 firmou 139 contratos com a Alstom no valor de mais de R$ 5 bilhões Em 2008 o Wall Street Journal revelou que a Alstom estava sendo investigada na França e na Suíça por ter pago propinas em vários países.

E os vinte milhões de dólares recebidos pelo PSDB da Alstom em propinas também serão devolvidos ao Estado? E seus beneficiários, seja lá quem forem, terão seus nomes revelados e processados por corrupção? Mesmo porque a propina é anterior à formação dos cartéis

Responder

    anac

    14 de agosto de 2013 às 05h10

    Má-fé ou povo burro? Fico com as duas opções.Não é por acaso que a Globo diz que a media de seus telespectadores é formada de Homer Simpsons, sinônimo de burrice. Os coxinhas provaram que o PiGLOBO tem razão ao quebrarem tudo pro 20 centavos e não por bilhões roubados pelos tunganos do metro de SP.

    Lafaiete de Souza Spínola

    14 de agosto de 2013 às 13h53

    A quanto anda o investimento na educação básica do Brasil?

    A quanto anda a dívida pública?

    O investimento é pífio, é degradante, mesmo se não houvesse desvios!

    Quantos, aqui, consideram uma prioridade nacional?

    Esse é o nosso maior problema! Não pensamos na prioridade!

    José Souza

    14 de agosto de 2013 às 09h15

    João, não vai acontecer nada com nenhum dos envolvidos. Estamos no Brasil e aqui não se prende rico. Nesse país, quem tem dinheiro faz o que quer e não vai preso. E é assim desde o descobrimento. A estrutura de poder foi montada para funcionar dessa maneira e ninguém tem poder para mudar o que está estabelecido. O país tem donos e os donos não querem mudanças. Se eles se sentirem pressionados chamam as forças armadas, que estão ai para garantir o que está estabelecido. A mim não causa espanto, e a você?


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A mídia descontrolada

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