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Cartas de Minas
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Marcelo Zero: Fusão de Boeing e Embraer é absurdo! Brasil perderá sua única indústria de ponta e terá impactos profundos na defesa nacional

21 de dezembro de 2017 às 19h13

Boeing e Embraer negociam fusão

Negociação foi confirmada pelas empresas; segundo elas, detalhes do acordo estão em discussão e não há garantia de que eventual operação será fechada; ações da Embraer dispararam

Por Marina Gazzoni e Helton Simões Gomes, G1

As fabricantes de aeronaves Embraer e Boeing estão negociando uma fusão. A informação foi divulgada pelo jornal americano “Wall Street Journal” no ínicio da tarde desta quinta-feira (21) e confirmada por volta de 17h pelas duas empresas. As ações da empresa dispararam cerca de 40% no dia.

A união entre as empresas pode criar uma gigante global de aviação, com forte atuação nos segmentos de longa distância e na aviação regional, e capaz de fazer frente a uma união similar entre as concorrentes Airbus e Bombardier.

“Boeing e Embraer confirmaram hoje que as duas companhias encontram-se em tratativas em relação a uma potencial combinação de seus negócios, em bases que ainda estão sendo discutidas. Não há garantia de que qualquer transação resultará dessas discussões. Boeing e Embraer não pretendem fazer comentários adicionais sobre essas discussões”, informaram Boeing e Embraer em comunicado conjunto.

De acordo com o jornal americano, as empresas aguardam a posição do governo brasileiro sobre o negócio. A União tem uma ação de classe especial que dá poder de veto em decisões estratégicas da Embraer. Isso ocorre porque a empresa nasceu como estatal e foi privatizada nos anos 90.

Em comunicado, Embraer e Boeing esclareceram que, se fecharem acordo de fusão, ele ainda precisará do aval de autoridades brasileiras e americanas.

“Qualquer transação estará sujeita à aprovação do governo brasileiro e dos órgãos reguladores, dos conselhos de administração das duas companhias e dos acionistas da Embraer”, disseram as empresas (veja no PS do Viomundo comentário de Marcelo Zero).

Procurado, o Ministério do Planejamento disse que não vai comentar a questão.

Prêmio para acionistas

O acordo envolveria um prêmio alto para os atuais acionistas da Embraer, segundo o Wall Street Journal. Atualmente, a Embraer tem um valor de mercado de cerca de US$ 3,7 bilhões.

Os rumores sobre o negócio fizeram as ações da Embraer dispararem na bolsa de valores de Nova York e de São Paulo nesta quinta-feira (21). As ações chegaram a subir cerca de 40% na bolsa brasileira.

Como subiram mais do que 10% no pregão, as ações da Embraer chegaram a ter sua negociação interrompida por 30 minutos.

A Embraer é uma empresa privada, de capital aberto. A maioria dos seus acionistas são donos de ações da empresa negociadas na bolsa de valores de Nova York e de São Paulo. Esses acionistas, que são donos de fatias menores do que 5% da empresa, juntos detêm um total de 64,5% da empresa. O maior acionista individual é o fundo de investimentos americano Brandes, dono de 15% da empresa. (veja gráfico abaixo).

Tendência de consolidação

As supostas discussões entre Boeing e Embraer ocorrem meses após as suas principais concorrentes, a europeia Airbus e a canadense Bombardier, unirem esforços. A Airbus comprou uma participação majoritária na produção do modelo C-Series, uma família de aeronaves de médio alcance, com capacidade de transportar entre 100 e 150 pessoas, concorrente direta dos jatos da Embraer.

A Airbus e a Boeing são as principais fabricantes de aeronaves comerciais para voos de longa distância. Já a Embraer e a Bombardier lideram o mercado de jatos regionais, com aeronaves equipadas para voar distâncias menores.

Boeing e Embraer já são parceiras em diversos projetos. Elas anunciaram neste ano um acordo para venda e suporte técnico do novo cargueiro da Embraer, o KC-390. As duas empresas mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.

Situação das gigantes aéreas Embraer, Boeing, Airbus e Bombardier (Foto: Infográfico/Alexandre Mauro)

NOTA DA BANCADA DO PT

do site do PT na Câmara

As lideranças das Bancadas do PT no Senado e Câmara veem com extrema preocupação a notícia, veiculada pelo influente periódico norte-americano Wall Street Journal, de que a Boeing está entabulando conversações para “comprar a Embraer”.

Embora ainda não esteja esclarecido qual o escopo do negócio em andamento, é preciso salientar que em todo o mundo empresas que desenvolvem tecnologia dual e militar, como a Embraer, são rigidamente reguladas por seus governos, dado o evidente caráter estratégico de sua produção. O governo norte-americano jamais permitiria que a Boeing fosse comprada por chineses ou quaisquer outros estrangeiros.

Por isso, quando a Embraer foi privatizada, o Estado brasileiro houve por bem manter ações golden-share da empresa, as quais asseguram o poder de veto, ante as seguintes alterações: mudança de denominação da Companhia ou de seu objeto social; alteração e/ou aplicação da logomarca da Companhia; criação e/ou alteração de programas militares, que envolvam ou não a República Federativa do Brasil; capacitação de terceiros em tecnologia para programas militares; interrupção de fornecimento de peças de manutenção e reposição de aeronaves militares; e transferência do controle acionário da Companhia.

Não sabemos qual será o comportamento do governo golpista no caso. Contudo, face ao caráter vergonhosamente entreguista do governo Temer, não duvidamos que tal governo possa estar avalizando uma real venda da Embraer, com transferência de seu controle acionário à Boeing.  Caso essa hipótese se verifique, o Brasil estará renunciando a sua grande indústria de ponta. Além disso, essa possível transferência teria profundas implicações na Defesa Nacional, pois o Brasil perderia a capacidade de desenvolver, de forma relativamente autônoma, tecnologia na sensível área aeroespacial.

Os aviões tucanos, supertucanos e o cargueiro KC-390, por exemplo, passariam a ser aviões norte-americanos. E o Projeto FX2, que prevê transferência de tecnologia da SAAB sueca para a Embraer perderia a sua razão de ser.

As Bancadas do PT estarão atentas a essa nova agressão à soberania nacional e não permitirão que o governo Temer avalize a entrega da nossa principal empresa aeroespacial, que demandou décadas de esforços nacionais para ser construída e que é, com razão, motivo de grande orgulho para todos brasileiros.

Brasília 21 de dezembro de 2017

Deputado Carlos Zarattini (SP) – Líder da Bancada na Câmara

Senador Lindbergh Farias (RJ) – Líder da Bancada no Senado 

PS do Viomundo: Sobre a fusão, Marcelo Zero, especialista em relações internacionais, comentou via whatsapp:

 Isso é um absurdo! O Brasil perderá a sua única indústria de ponta!  A União poderia impedir, pois tem ações golden -share que dão poder de veto. Mas duvido que o governo do golpe impeça. Isso terá impactos profundos na Defesa Nacional. O KC 130 passaria a se r um avião da Boeing! Estão loucos!

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11 Comentários escrever comentário »

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Sebastião Farias

24/12/2017 - 11h15

Ótima matéria de Marina Gazzoni e Helton Gomes, por isso, estão de parabéns e, um significativo legado de informações instrutivas à população, que os dois profissionais da imprensa, estão disponibilizando através deste democrático site.
Essas informações, no entanto, independente de suas vantagens ou desvantagens financeiras para o país, talvez, pouco importe para o mercado que, nesse momento, como a própria imprensa conservadora tem divulgado, é ele que orienta, que sugere e quem manda na economia.
Agora, como cidadão e leigo no assunto mas, não analfabeto em educação política, cidadã e cultural, antevejo algo coerente em tudo isso, com os planos de dominação e colonialistas dos imperialistas, que no Brasil, nesse momento, navegam com ventos favoráveis a eles, algo que nunca aconteceu, nem nos 21 anos de ditadura cívico/militar/midiática, que o país foi obrigado a aceitar, de 1964 a 1985.
Agora, se o governo dos EUA, por questão estratégica e de segurança nacional, não autorizaria a venda da Boeing a outro país, por que o Brasil, logo ele, tem que fazer isso, se desfazendo de sua principal empresa de alta tecnologia aérea, de comprovada eficiência e respeitada, no mundo inteiro?
Caso se confirme a fusão não está muito claro, sobre quem absolve quem e, quem mandará e quem obedecerá?
Agora, perguntamos aos estrategistas oficiais da nação e, ao agentes públicos constitucionais, responsáveis por se posicionarem, analisarem, emitirem parecer e de zelarem pelo patrimônio público e pela segurança nacional, o que têm a dizer ao povo brasileiro, sobre os pontos positivos e negativos do negócio para a indústria aeronáutica, aeroespacial e para o rol de tecnologias de ponta de interesse estratégicos do país, do continente sul-americano e da defesa do Atlântico Sul?
É procedente, que o povo brasileiro, seja proativamente, informado e saiba com clareza, o que está acontecendo, de fato, com essa empresa do país ou não?. Aguardamos, como cidadão, uma resposta pública, da autoridade competente responsável.

Responder

Sebastião Farias

23/12/2017 - 22h48

Essa informação, independente de suas vantagens ou desvantagens financeiras para o país, talvez, pouco importe para o mercado que, nesse momento, como a própria imprensa conservadora tem divulgado, pois é ele que orienta, sugere e manda na economia.
Agora, como cidadão e leigo no assunto mas, não analfabeto em educação política, cidadã e cultural, antevejo algo coerente em tudo isso, com os planos de dominação e colonialistas dos imperialistas, que no Brasil, nesse momento, navegam com ventos favoráveis a eles, algo que nunca aconteceu, nem nos 21 anos de ditadura cívico/militar/midiática, que o país foi obrigado a aceitar, de 1964 a 1985.
Agora, se o governo dos EUA, por questão estratégica e de segurança nacional, não autorizaria a venda da Boeing a outro país, por que o Brasil, logo ele, tem que fazer isso, se desfazendo de sua principal empresa de alta tecnologia aérea, de comprovada eficiência e respeitada, no mundo inteiro?
Caso se confirme a fusão não está muito claro, sobre quem absolve quem e, quem mandará e quem obedecerá?
Agora, perguntamos aos estrategistas oficiais da nação e, ao agentes públicos constitucionais, responsáveis por se posicionarem, analisarem, emitirem parecer e de zelarem pelo patrimônio público e pela segurança nacional, o que têm a dizer ao povo brasileiro, sobre os pontos positivos e negativos do negócio para a indústria aeronáutica, aeroespacial e para o rol de tecnologias de ponta de interesse estratégicos do país, do continente sul-americano e da defesa do Atlântico Sul?
É procedente, que o povo brasileiro, seja proativamente, informado e saiba com clareza, o que está acontecendo, de fato, com essa empresa do país ou não?. Aguardamos, como cidadão, uma resposta pública, da autoridade competente responsável.
Qual será a bola da vez? tecnologia nuclear?

Responder

Sebastião Farias

23/12/2017 - 22h14

Essa informação, independente de suas vantagens ou desvantagens financeiras para o país, talvez, pouco importe para o mercado que, nesse momento, como a própria imprensa conservadora tem divulgado, pois é ele que orienta, sugere e manda na economia.
Agora, como cidadão e leigo no assunto mas, não analfabeto em educação política, cidadã e cultural, antevejo algo coerente em tudo isso, com os planos de dominação e colonialistas dos imperialistas, que no Brasil, nesse momento, navegam com ventos favoráveis a eles, algo que nunca aconteceu, nem nos 21 anos de ditadura cívico/militar/midiática, que o país foi obrigado a aceitar, de 1964 a 1985.
Agora, se o governo dos EUA, por questão estratégica e de segurança nacional, não autorizaria a venda da Boeing a outro país, por que o Brasil, logo ele, tem que fazer isso, se desfazendo de sua principal empresa de alta tecnologia aérea, de comprovada eficiência e respeitada, no mundo inteiro?
Caso se confirme a fusão não está muito claro, sobre quem absolve quem e, quem mandará e quem obedecerá?
Agora, perguntamos aos estrategistas oficiais da nação e, ao agentes públicos constitucionais, responsáveis por se posicionarem, analisarem, emitirem parecer e de zelarem pelo patrimônio público e pela segurança nacional, o que têm a dizer ao povo brasileiro, sobre os pontos positivos e negativos do negócio para a indústria aeronáutica, aeroespacial e para o rol de tecnologias de ponta de interesse estratégicos do país, do continente sul-americano e da defesa do Atlântico Sul?
É procedente, que o povo brasileiro, seja proativamente, informado e saiba com clareza, o que está acontecendo, de fato, com essa empresa do país ou não?. Aguardamos, como cidadão, uma resposta pública, da autoridade competente responsável.

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Cleiton do Prado Pereira

22/12/2017 - 14h23

De quem precisamos nos defender? Se quase tudo que temos aqui já pertence aos EUA, ele que terá de se preocupar em nos defender. Até nossas forças armadas já obedecem ordens dos EUA, sem falar no STF, na quadrilha do Temer, No juiz Moro, na PGR e MPF. Todos alinhados com os EUA. Não por acaso eles despejaram milhares de toneladas de dólares em nossas instituições, Executivo, Judiciário e Legislativo, foi para terem o domínio sobre o país, ainda bem que foram bonzinhos conosco e não fizeram como no Iraque, Líbano, Líbia, Síria, Afeganistão, onde despejaram milhões de toneladas de bombas. Podemos até um dia quem sabe, estarmos recebendo em dólar americano ao invéz de Reais.

Responder

Valdeci Souza

22/12/2017 - 12h30

Na verdade ,as duas empresas, estão aguardando o Governo Brasileiro se posicionar de acordo com as ordens do governo Norte-americano.

Responder

Julio Silveira

22/12/2017 - 09h03

Desde o inicio quando a Boeing se infiltrou com seus “lobistas” trairas nessa empresa, a Embraer, proposta e criada por forças nacionalistas, que seu objetivo seria esse, o de se apropriar da capacidade nacional, para evitar independencia e subordinar o país aos interesses do estado yanke. Por que lá, diferente daqui, as empresas são fortemente ligadas aos interesses do estado yanke, que camuflam suas ligaçãos em orçamentos secretos, cada vez mais vindo a tona na luta que lá fazem contra os embargos da verdade.
E triste constatar que o povo brasileiro perdeu a vontade de possuir um estado ativo e altivo, competidor no cenario internacional. Decidiu aceitar o papel de covarde, de nenhuma contribuição possivel ao mundo legado pelos ladrões da nacionalidade e da democracia. Aceitou ser um coadjuvante de segunda classe, mais um apendice de um estado estrangeiro dominador e insidioso.

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Broadway Hereigo

22/12/2017 - 05h06

“What is at stake is de facto annexation, where Canada would cease to function as a sovereign nation, relegated to the status of a US protectorate.” (Michel Chossudovsky @ Global Research – America’s Plan to Annex and Invade Canada)

Puxa, queria falar mais sobre isso, mas com a ENINT aprovada dia 15 será que pode? Confesso porém que a possibilidade de circular da Argentina ao Canadá com um só tropical green card é animadora. Meu sonho é a Broadway ;-)

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saulo

22/12/2017 - 02h16

Não custa lembrar que quando o Estado chinês tentou comprar a Syngenta, o governo norte-americano vetou porque lesaria o interesse nacional dos EUA.
Detalhe: a Syngenta é uma empresa suíça…

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Jardel

22/12/2017 - 01h44

Poderíamos privatizar também as Forças Armadas… Venderíamos tudo aos EUA e com isso seríamos a maior potência militar do mundo. Que sacada hein? Vou enviar a ideia pro Serra, pro Aloysio e pro Temer.
Poderíamos até usar o slogan da época da Ditadura Militar no Brasil: “esse é um país que vai pra frente”

Responder

Heleno

21/12/2017 - 21h24

Curioso é que isso aconteça justamente após a reforma trabalhista e sobretudo após a Embraer ter desenvolvido o projeto do super cargueiro, o maior avião militar de carga do mundo.
Mas como coxinha é pato, isso será ótimo para o Brasil. Será que essas empresas de construção de aviões tem muitos brasileiros trabalhando.
Ok. Agora é mandar currículo para os EUA. Engenheiro brasileiro serás um reles técnico em mecânica ou mecanico nessas indústrias americanas, européias e canadenses, só se for o Santos Dumond pra conseguir entrar de engenheiro nessas companhias.

Responder

    Dartanhan de Orleans

    21/12/2017 - 21h54

    Já entregaram a Petrobrás e agora a EMBRAER o próximo passo é entregar o Aquífero Guarani para o povo poder morrer de sede e assim o Brasil caminha para sua exterminação.

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