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Laurindo Leal Filho: Criminalizar a política é convite ao golpismo


21/08/2012 - 10h39

Seguranças diante do STF (foto Fábio Rodrigues Pozzebom, Agência Brasil)

Colunistas| 15/08/2012 | Copyleft

DEBATE ABERTO

A criminalização da política

O Brasil é a única grande democracia do mundo onde não existem debates políticos regulares nas redes nacionais abertas. Política para a mídia brasileira em geral é sinônimo de escândalo. Ao exercerem no cotidiano a criminalização da política, os meios de comunicação, em sua maioria, brincam com o fogo, traçando o caminho mais curto em direção ao golpismo.

Laurindo Lalo Leal Filho, na Carta Maior

(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil (Edição de Agosto de 2012)

Política para a mídia brasileira em geral é sinônimo de escândalo. Para grande parte da população resume-se a eleições. 

Pessoas menos informadas costumam referir-se ao ano eleitoral como o “ano da política”, fechando dessa forma o círculo da incultura cívica do país, do qual não escapa um ensino alheio ao tema.

Nação de base escravocrata, às camadas subalternas brasileiras sempre foi negado o direito de efetiva participação no jogo político. 

Como concessão permite-se o exercício do voto, dentro de regras restritivas, feitas sob modelo para perpetuação das elites tradicionais no poder.

O descompasso entre presidentes da República eleitos a partir de programas de governo reformistas, com apelo popular, e composições parlamentares no Congresso conservadoras e patrimonialistas têm sido uma constante da política brasileira desde a metade do século passado. 

O suicídio de Vargas e o golpe de Estado sacramentado pelo senador Auro de Moura Andrade em 1964 ao declarar vaga a presidência da República legalmente ocupada pelo presidente João Goulart são símbolos da ambiguidade política brasileira, na qual enquadra-se até a renúncia tresloucada de Jânio Quadros. Cabem aí também as chantagens exercidas por grupos parlamentares contra os governos Lula e Dilma, obrigando-os a dolorosas composições partidárias.

Diferentemente da eleição majoritária, onde os candidatos a chefe do executivo falam às grandes massas e são obrigados a mostrar seus projetos nacionais, deputados e senadores apóiam-se no voto paroquial, no compadrio, no tráfico de influência, herdeiros que são do velho coronelismo eleitoral. 

E no Congresso, sem compromisso ideológico com o eleitor, defendem os interesses dos financiadores de suas campanhas, quase sempre poderosos grupos econômicos do campo e da cidade, ao lado das igrejas e até de entidades esportivas. 

São candidaturas cujo sucesso só ocorre pela falta de um crivo crítico, proporcionado por debates constantes que apenas a mídia tem condições de oferecer em larga escala. No entanto, jornais, revistas, o rádio e a televisão não estão interessados em mudanças.

Por pertencerem, no geral, aos herdeiros dos escravocratas (reais ou ideológicos), a existência de um eleitorado esclarecido e consciente apresenta-se como um perigo para os seus interesses. 

Por isso, usam de todos os meios para manter a maioria da população distante da política, criminalizado-a sempre que possível. 

As raízes da tensão histórica existente entre o executivo e o legislativo brasileiros não fazem parte da pauta da mídia nacional. 

Como também não fazem parte as várias propostas existentes no Congresso voltadas para uma necessária e urgente reforma política.

Entre elas, por exemplo, a que acaba com o peso desigual dos votos de cidadãos de diferentes Estados, as que propõem a adoção do voto distrital misto, o financiamento público de campanha ou até o fim do Senado, cujo debate e votação são sempre bloqueados pelos grupos conservadores dominantes.

O dever social da mídia seria o de ampliar esse debate, levando-o à toda sociedade e tornando seus membros participantes regulares da vida política nacional. Mas ela não presta esse serviço.

Prefere destacar apenas os desvios éticos de parlamentares e os “bate-bocas” nas CPIs. São temas que caem como uma luva nas linhas editoriais dos grandes veículos, movidas por escândalos e tragédias espetaculares, sempre tratadas como “fait-divers”, sem causas ou consequências, apenas como show. 

O resultado é a criação de um imaginário popular que nivela por baixo toda a atuação política institucionalizada. Seus atores são desacreditados, mesmo aqueles com compromissos sérios, voltados para interesses sociais efetivos.

A definição de uso corrente de que “são todos iguais” reflete essa imagem parcial e deformada da política, criada pela mídia. 

No caso específico da televisão, por onde se informa a maioria absoluta da população, a situação é ainda mais grave. 

O Brasil é a única grande democracia do mundo onde não existem debates políticos regulares nas redes nacionais abertas. 

Só aparecem, por força de lei, às vésperas dos pleitos, reforçando ainda mais a ideia popular de que política resume-se a eleições.

Ao exercerem no cotidiano a criminalização da política, os meios de comunicação, em sua maioria, brincam com o fogo, traçando o caminho mais curto em direção ao golpismo.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.





38 comentários

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Nicolelis: São Paulo como capital da inovação cultural e intelectual « Viomundo – O que você não vê na mídia

28 de outubro de 2012 às 13h45

[…] Laurindo Leal Filho: Criminalizar a política é convite ao golpismo […]

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Mino Carta: A mídia brasileira e os políticos « Viomundo – O que você não vê na mídia

07 de setembro de 2012 às 17h29

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Marcos Coimbra: Pesquisas confirmam quadro previsível « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de setembro de 2012 às 18h42

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Valor: Serra perde votos até entre tucanos « Viomundo – O que você não vê na mídia

02 de setembro de 2012 às 13h20

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Sagarana

23 de agosto de 2012 às 13h25

Pela lógica do missivista os “políticos” estão imunes às leis e suas respectivas sanções. Cabe ainda perguntar ao valente: “estão brincando com fogo” por que?

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João Vargas

22 de agosto de 2012 às 17h11

É difícil não criminalizar a política quando sabemos que verdadeiros bandidos e chefes de quadrilha fazem do parlamento um escudo para não responderem por seus crimes. No afã de protegê-los contra perseguições políticas a Constituição criou uma blindagem para estes bandidos. Como explicar, por exemplo, que Paulo Maluf continue transitando pelos corredores do Congresso enquanto que se sair do país será imediatamente preso? Podem argumentar que existem políticos honestos, e realmente existem, mas a impotência do Estado em punir os corruptos contamina todo o sistema.

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Sérgio Troncoso

22 de agosto de 2012 às 12h17

Não entendi o final do artigo do Sr. Laurindo, pois depois de esmiuçar corretamente o mecanismo de funcionamento política/mídia em nosso país (e me parece que hoje em dia isso se dá no mundo todo), finaliza com uma frase sem noção: “a mídia brinca com fogo”. Ora, manter a “espada” golpista no pescoço da democracia brasileira, é justamente um dos maiores objetivos de todas as ações descritas no texto. O “brincar com fogo”, oculta a ação que a elite prefere não usar, mas se necessário usa, pois todo esforço de criminalização da política faz com que o zé povinho apoie as ações de cunho autoritário e/ou ditadorial quando são adotadas. A grande mídia é a voz que avaliza e justifica as ações das grandes corporações, e dos desvios políticos dos ladrões do suor alheio (privados ou estatais).

Um abraço.

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Valdeci Elias

22 de agosto de 2012 às 11h38

Eu acho, um absurdo, a propaganda do TRE. Onde ele diz ao eleitor, que pode ir votar, pois com a ficha limpa, o politicos corruptos eleitos “RECENTEMENTE” , não poderam mais ser votados.
Antigamenete não existia corrupção no Brasil ? Só de pouco tempo pra cá ?
Tem um comercial que aparece um mecanico, que faz uma correlação entre as mãos sujas de graxa, e os politicos recentemente eleitos.

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Mardones Ferreira

22 de agosto de 2012 às 11h24

Infelizmente esse estado de coisas no campo das comunicações segue em banho-maria.

A própria aceitação por parte do PT de entrar na disputa pelo poder, formando baso com o PMDB já mostrou que não haveria progresso nessa área.

Os oligopólios têm uma relação com muitos coronéis que impedem avanços significativos nesse campo.

A mais recente demonstração de força de coação dos oligopólios (Marinhos, Mesquitas, Frias, Civittas e cia ltda) ocorreu com a convocação do vice presidente da República por parte dos Marinhos e Civittas para desautorizar a convocação de profissionais da imprensa ligados ao grupo de Cachoeira, flagrados pela Polícia Federal em tramas contra agentes públicos.

Por essas e outras, a nossa democracia caolha segue sem ordem e com progresso para poucos.

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Dialética

22 de agosto de 2012 às 09h38

Eu sempre quis saber mais sobre Auro de Moura Andrade.Pois em algumas regiões (ex. baixa mogiana) ele é endeusado.

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FrancoAtirador

22 de agosto de 2012 às 08h15

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Plenário pode votar percentual do PIB para educação em 19 de setembro
Data para discussão do PNE foi definida em reunião de líderes partidários

Agência Câmara de Notícias

O Plenário poderá votar em 19 de setembro o Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), que destina 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor. Os líderes partidários chegaram a um acordo sobre a data durante reunião nesta terça-feira (21).

No dia 19, os deputados inicialmente vão analisar um recurso para decidir se o PNE deve seguir diretamente para o Senado ou passar por votação no Plenário da Câmara.

O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que é favorável à votação do projeto em Plenário. Ele afirmou que será possível votar o PNE no dia 19 caso a pauta esteja destrancada, sem medidas provisórias na fila. “Nesta semana, já vamos votar duas MPs, então é perfeitamente possível votar também esse projeto”, sustentou.

Maia lembrou, no entanto, que ainda não há acordo sobre o percentual obrigatório de investimentos em educação. “Vamos trabalhar até o dia 19 para construir esse entendimento”, afirmou. Em 18 de setembro, a Câmara realizará uma comissão geral (debate em Plenário) sobre a proposta.

O PNE foi aprovado em 26 de junho por uma comissão especial e, de acordo com a tramitação original, seguiria direto para o Senado. No entanto, 80 deputados de 11 partidos apresentaram um recurso para que o tema seja objeto de votação no Plenário, onde o percentual de verbas para o setor poderá ser modificado.

“É importante ter uma discussão em que todos os deputados possam opinar”, disse o líder do PT, deputado Jilmar Tatto (SP).

Já o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), defendeu a ida imediata da proposta para o Senado. “Conseguimos marcar uma data. Neste dia [19 de setembro], o Plenário vai dizer se quer que o projeto seja votado pelo Plenário ou se seguirá para o Senado. Não há acordo de mérito”, disse Araújo.

Ponto polêmico
A fixação de 10% do PIB para a educação é o ponto mais controverso do PNE e poderá ser alterado no Plenário com a nova votação. A proposta original do Executivo previa o aumento do investimento em educação dos atuais 5% para 7% do PIB em até dez anos. O índice foi sendo ampliado gradualmente pelo relator, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), que chegou a sugerir a aplicação de 8% do PIB ao setor.

Para assegurar um percentual de 10%, Jilmar Tatto defendeu a vinculação de parte dos royalties do petróleo como fonte de financiamento da educação. Para o deputado, o PNE e o projeto da divisão dos royalties (PL 2565/11) deveriam ser votados ao mesmo tempo.

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse nesta terça-feira, durante reunião com parlamentares da base governista, que qualquer aumento no investimento em educação deve ser amplamente discutido. “Se a maioria da Câmara entender que é fundamental, em dez anos, a gente chegar a 10% do PIB, é [preciso] que fique bastante claro de onde vai vir o recurso. Se tem como alternativa os royalties do pré-sal, tem que ser feito agora.”

A ministra disse temer, no entanto, que o momento atual – período eleitoral – possa “contaminar” os debates.

Obstrução em Plenário
Desde o início de agosto, a oposição conseguiu barrar as votações das medidas provisórias em Plenário para pressionar pela liberação de emendas orçamentárias dos parlamentares de oposição. Segundo Bruno Araújo, o acordo ainda não foi cumprido, mas a oposição aceitou retomar as votações nesta semana em troca da votação do PNE. “O governo não cumpriu o acordo, mas conseguimos algo importante para o País”, disse.

Íntegra da proposta:

http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=490116

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/424594-PLENARIO-PODE-VOTAR-PERCENTUAL-DO-PIB-PARA-EDUCACAO-EM-19-DE-SETEMBRO.html

Responder

Paciente

22 de agosto de 2012 às 05h15

A vocação da politica é (ou deveria ser) pensar as questões sociais.

Quando criminalizamos a politica, apenas pomos a público a visão do social como questão de policia.

Por tabela, debate ideológico é aquilo que deve ocorrer no pau-de-arara.

O pessoal da esquerda que reclama que “Dilma ‘virou’ neo-liberal” ou que o PT “esta lento”. Não faz ideia do quanto ainda há para andar.

E só vai andar se estivermos constantes!

Eu não aceito que se cobre de um general cujos soldados desertam que ele vá para a guerra sozinho.

Quando um general tem que ir para o combate sozinho é sinal de que a sociedade ainda não esta pronta para os combates que trava.

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Bonifa

22 de agosto de 2012 às 04h53

Há outra forma de fazer política que cresce dia a dia no país. São encontros e seminários onde se ensina aos jovens que Che Guevara era um louco terrorista que assassinava criancinhas. E se faz dele ligação direta com o que ainda resta de esquerda ideológica no Brasil.

Responder

    MARCELO

    22 de agosto de 2012 às 13h03

    Só o Emir Sader acha que o horário político serve pra
    alguma coisa.Só se for pra encher o bolso dos que fazem
    campanha.

Ferreira

22 de agosto de 2012 às 01h48

O PIOR ANALFABETO É O ANALFABETO POLÍTICO,

Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, da renda de casa,
dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e enche o peito de ar
dizendo que odeia a política.
Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
aldrabão, o corrupto
e lacaio dos exploradores do povo.

Bertolt Brecht

Responder

SILOÉ-RJ

21 de agosto de 2012 às 23h09

Näo!!! Näo é um convite ao golpismo, é o próprio GOLPE.
Inclui-se aí, além do PIG, a atuacäo da PGR e do judiciário.
Näo pelo julgamento do mensaläo. Nesses “casos” ingenuidade custa caro. Com arquivamentos, protelamentos e enxurradas de habeas corpus, CONLÚIOS e CONCHAVOS, subiram na mesa, sapatearam e fizeram a festa.
A coincidência do ridículo julgamento do Arruda, justo agora, centos anos depois, como um biscoitinho para adocicar a nossa boca, é uma prova de que eles agem como se fôssemos idiotas.
Só que dessa vez, com os blogs bombando, mostrando todas as falcatruas do lado de lá, com o PIG desmoronando, o buraco vai ficando mais embaixo e o poväo mais alerta e desobediente.
E, como burrice também custa caro:
SALVE, SALVE, CACHOEIRA!!!

Responder

FrancoAtirador

21 de agosto de 2012 às 23h02

.
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Não poderia ser diferente um País com um terço de analfabetos funcionais,

que não sabem escrever o que pensam e, muito menos, entendem o que lêem.

E que, por isso mesmo, só se “informam” pelo Jornal Nacional da Rede Globo.

Responder

FrancoAtirador

21 de agosto de 2012 às 22h39

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É simples demais se eleger para cargos executivos no Brasil:

Basta o candidato obter 50% dos votos mais 1 milionário.
.
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Responder

Fabio Passos

21 de agosto de 2012 às 22h36

A UDN não muda.
Na falta de votos… tenta o golpe.

Tentaram o golpe contra Lula em 2005 e fracassaram.
Agora é uma reedição fajuta.

Já tivemos paciência demais com estes golpistas safados.
Tá na hora de mostrar que o Brasil pertence aos seus cidadãos e não a meia dúzia de oligarcas mofados da mídia.

Responder

Almeida Bispo

21 de agosto de 2012 às 21h12

Pior é que a classe média, quase toda teleguiada, “papagaio de telejornal” como diz o Max Gonzaga (IN Sou Classe Média)vive a reverberar a destruição dos políticos comandada pela mídia. É temerário o preconceito que a dita classe tem contra os políticos; justo ela que deveria ser a mais consciente dos benefícios da democracia que é imposssivel sem políticos. É alarmante. Não foi à toa que os bocós da época foram às passeatas pelo Golpe, pra cinco anos depois estarem choramingando pelos cantos quando a dura realidade da ditadura bateu em suas portas.

Responder

josaphat

21 de agosto de 2012 às 20h36

Tá, mas e daí? Que adianta este tipo de matéria aqui em seu blog, Azenha? A maioria dos que aqui vêm já sabem dessa situação.

“São candidaturas cujo sucesso só ocorre pela falta de um crivo crítico, proporcionado por debates constantes que apenas a mídia tem condições de oferecer em larga escala. No entanto, jornais, revistas, o rádio e a televisão não estão interessados em mudanças.”

Esperar que a mídia, ela mesma, se dê em holocausto e faça a mudança, que ela torne-se ética um dia? Ingenuidade, não?
Eu volto sempre à mesma tecla: Por que o primeiro governo eleito diretamente pelo povo não deflagrou um grande projeto nacional de educação para este mesmo povo, dotando-o de matéria prima e ferramentas melhores para não se deixar levar pelo canto da sereia de todos os anos eleitorais?
Eu mesmo respondo: Porque não quis. Não lhe interessou que o povo fosse melhor educado e municiado de um discernimento de maior qualidade, porque também a este partido, que chegou ao poder representando o povo, interessa que o povo continue sem discernimento, ingênuo, achando o máximo ganhar um salário mínimo por mês, com carteira assinada e, é claro, que vote nele novamente, para que o sonho de um Zé Dirceu torne-se realidade: o monopólio do governo por pelo menos 30 anos por parte do PT e congêneres.
É por essas e outras que, pela primeira vez, votarei NULO!
Agora, é triste constatar que a chamada esquerda (existe no Brasil?) só faz é culpabilizar e, utilizando uma expressão do próprio texto, criminalizar a mídia, que, todos sabemos, é mesmo uma bosta.
Mas quem teve, pela primeira vez, a chance de amenizar, ao menos, a situação não o fez. E ficam sempre resmungando o mesmo lenga-lenga.
Blá!

Responder

    madureira

    21 de agosto de 2012 às 22h19

    Cara e vc se lamuriando pelos cantos em todos os blogs a mesma choradeira. Cresce rapaz, parece criança.

    Marcelo Macêdo

    21 de agosto de 2012 às 23h05

    Azenha,
    Acredito que a maioria – não diria todos – daqueles que passeiam por blogs como o seu, sabem o que procuram, seja para corroborar com discussões como essa, seja para desvirtuar as mesmas. No entanto, cabe aqueles que, de forma consciente, veem aqui uma tribuna para apresentarmos o contraditório ao que apregoa a grande e nefasta mídia, buscar meios de nos tornarmos multiplicadores desse ideal combativo dos que por essas bandas militam. Levar a quem não sabe da existência desses espaços, a mensagem que eles existem, que estão acessíveis e disponíveis para todos, é o nosso maior papel, a meu ver. Procuro de minha parte fazer com que meus alunos tenham contato com textos aqui veiculados, que de uma forma direta ou não participem desse debate. E que percebam, acima de tudo, que a verdade nem sempre é aquela que acreditamos conhecer. Essa é a missão daqueles que não aceitam a manipulação alienadora das falsas elites brasileiras.

    MARCELO

    22 de agosto de 2012 às 12h44

    Nooooosssssa,pacrece um daqueles candidatos do PSTU que
    nem a mãe deles vota.Eu morro de rir….

    nina

    22 de agosto de 2012 às 00h33

    Como se fosse fácil esse enfrentamento ! Quem não sabe que tudo isso que vc propõe é necessário ? Certamente eles sabem também medir forças, perceber perigos, riscos. Os aliados dos meios de comunicação não são fracos, são capazes de qualquer coisa, vivem ensaiando um golpe fatal nos governos democratas. Mesmo para instituir a Lei das Midias tá difícil …

    Bonifa

    22 de agosto de 2012 às 05h07

    Porque não quis, não. Lula fez muito mais do que o impossível neste sentido, na educação e em tudo o mais. Apesar dos ataques diários da direita e extrema direita, aliadas com sua criatura mais querida, a esquerda infantil inconsequente, que a mídia paparicava babando de gozo, enquanto ela abraçava, sorria e pulava junto com os piores cafajestes da direita, a cada derrota do governo no Congresso. Cuidado, porque a ordem dos traidores agora é ir contrabadeando em cada texto um ataque a Lula.

    josaphat

    22 de agosto de 2012 às 12h42

    É, madureira, pelo menos a choradeira provocou alguma discussão, e não apenas a monofonia dos esquerdas deitados em berço esplêndido.
    Mas tem também alguns milhares de professores e profissionais da educação que choram comigo.
    Quem sabe que um choro que se chora junto não vire realidade…
    Vai você trabalhar pelo povo, ó madureira! Que não é só olhar para o próprio umbigo nos blogs ditos “de esquerda”.
    Bonifa, eu votei em Lula a vida inteira. E discordo COMPLETAMENTE de você. O PT não tem quaisquer projetos consistentes para revolucionar a educação no país. Está aí a greve que não me deixa mentir. Mas cada um vê o que quer.
    O que me aborrece em vocês, comentaristas de esquerda em blogs de esquerda é que tudo me parece um pouco maneta. Monofonia chata e inútil, onde uns levantam a bola para os outros cortar. Semelhante ao que vocês chamam de blog de esgoto.
    Parabéns ao Marcelo por levar a discussão aonde ela é útil: nas salas de aula. É o único caminho possível. Diferente dos que só falam ao próprio umbigo.

Fabio Passos

21 de agosto de 2012 às 19h50

Não há dúvida.

O PiG é um amontoado de lixo udenista. Propaganda da direita para adestrar uma parcela da classe média mal instruída.
Não há debate e nenhuma pluralidade no PiG.

É tudo uma coisa só:
globo = psdb = febraban = veja = dem = fiesp = fsp = pps = cna = estadão

Agenda do PiG:
Todo dia o dia todo combatendo ações em prol da justiça social.
Todo dia o dia todo defendendo os privilégios indecentes da minoria branca e rica.

Responder

Vlad

21 de agosto de 2012 às 19h34

Mas, de fato, os políticos são a grande e perniciosa máfia.
Que a mídia não é isenta, todo mundo sabe. Mas querer por a culpa de tudo na mídia é de uma desonestidade assustadora. Até porque a maioria dos veículos de comunicação estão sob o comando de políticos ou de seus laranjas.

Tá mais uma aí embaixo. Mais uma.

http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/1137228-politicos-sao-os-maiores-latifundiarios-do-brasil-diz-livro.shtml

Responder

Julio Silveira

21 de agosto de 2012 às 19h12

Alguns especialistas dizem que existe no universo da população cerca de 1(um) a 2(dois)por cento que tende para o “lado negro da força”. Sendo esse percentual replicado mesmo dentro de instituições voltadas para o bem comum, desde escolas até policia, e as estatisticas estão ai mesmo para provar.
Isso tende a virar um grande problema quando essa turma consegue dominar os outros 99%. Quando esses noventa e nove, e sua representação, não se precavêm pra prevenir e brecar o acesso ao controle de postos de poder importantes por esse grupo menor, quer por negligencia, imprudencia ou impericia. É o mesmo que fazer roleta russa. Brincar de adulto não é o mesmo que ser. Abdicar de revolucionar buscando a ética, é abdicar do principio da multiplicação coisas boas. E quando os velhacos, os embusteiros, se apropriam dos meios se apropriam do povo, que via de regra se torna vitima.
Aqui no nosso País, depois de tantas situações criticas, e percalços por que passamos, as pessoas que se dizem engajadas deveria, estar sempre vigilantes, atentas aos principios, para não ter como unica opção buscar o coração dos cidadãos com uma chantagem emocional baseada na cumplicidade da má memória, que se atentos não precisaria.

Responder

Rodrigo Leme

21 de agosto de 2012 às 17h21

Enquanto o PT era oposição, o “300 picaretas com anel de doutor” era lindo, um mantra e o sentimento de que “são todos iguais” guiava a comunicação do partido e de seus prepostos.

Hoje que o partido é vidraça, esse discurso é tratado na base do “veja bem, não é bem assim…”. Que rico.

Responder

    Almir

    21 de agosto de 2012 às 21h32

    O PT evoluiu, enquanto os demotucanossauros petrificaram.
    Vocês não se adptaram aos novos tempos, e terão o mesmo destino de seus primos dinossauros: serão extintos.

    josaphat

    22 de agosto de 2012 às 19h41

    Amigo, cai na real, vão ser ptodos extintos.

    Rodrigo Leme

    23 de agosto de 2012 às 10h25

    Sim, evoluiu na direção da picaretagem, aí o discurso teve que mudar. Infelizmente, venha da direita ou da esquerda, o Tiranossauro da picaretagem nunca será extinto.

Urbano

21 de agosto de 2012 às 16h48

Mas uma boa parte dos órgãos de imprensa ditos brasileiros, porém apátridas, e que vêm a formar o pig, tem trabalhado arduamente desde tempos imemoriais exatamente para isso.

Responder

carlos dias

21 de agosto de 2012 às 14h30

A midia tem de mudar. Isso é ponto chave.. agora.. nós temos de sair de frente da TV… há mil coisas a fazer, os debates podem ser em quaisquer níveis, podem ser no trabalho, no bairro.. estamso muito paradões.. que tal desligar o televisor e conversar com amigos… há uma infinidade de coisas a fazer.. um universo de amplas possibilidades… tem que levantar a bunda do sofá e agir um pouco.. paremos de esperar por um milagre midiático…

Responder

lulavescovi

21 de agosto de 2012 às 11h43

Os programas do Kenedy Alencar na REDETV são exceções de boa qualidade na TV aberta.

Responder

ricardo silveira

21 de agosto de 2012 às 11h42

Bom artigo, a mídia não presta para informar a população, para abrir o espaço público ao debate sério e responsável, a mídia não presta para o Brasil, a mídia só presta para manter o Brasil politicamente atrasado e assegurar a exploração da maioria. E não há lei que a impeça de defender interesses privados.

Responder

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