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Juca Kfouri: O mundo das transmissões de futebol  na TV pode ser mais sujo e pesado que o das empreiteiras
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Juca Kfouri: O mundo das transmissões de futebol na TV pode ser mais sujo e pesado que o das empreiteiras


04/06/2015 - 15h20

Alemanha e Brasil

Jogar o jogo

por Juca Kfouri, na Folha de S. Paulo

Já contei as três histórias aqui, separadamente.

José Maria Marin, então presidente da FPF, em 1985, depois de ter sido governador biônico de São Paulo, me garantiu, num voo para Assunção, que era impossível sair pobre do Palácio dos Bandeirantes.

Íamos ambos a um jogo da seleção brasileira contra a paraguaia pelas eliminatórias da Copa de 1986.

Dizia ele que independentemente da vontade do político, tudo que se fazia no Estado separava 10% ao governador e não seria ele a mudar tal estado de coisas.

Nunca antes eu estivera com Marin.

Dez anos depois, recebi a visita de J. Hawilla em meu escritório, pois eu acabara de iniciar minha carreira solo depois de 25 anos de Editora Abril. Roberto Civita me pedira para parar de criticar Ricardo Teixeira, porque eu inviabilizava que a TVA fizesse contratos com a CBF.

Hawilla dizia não aguentar mais ter de acordar antes dos filhos para pegar a Folha, e esconder deles, caso tivesse alguma coluna minha contando seus malfeitos.

Jurou que não era sócio de Ricardo Teixeira e garantiu que adoraria viver num mundo em que não fosse necessário comprar cartolas, mas que ele jogava o jogo.

Tínhamos até pouco tempo antes deste encontro uma boa relação. E ele me propôs ser sócio da Traffic.

Finalmente, em 1992, eu havia sido convidado para almoçar com o engenheiro Norberto Odebrecht.

Então, além da “Placar”, eu dirigia a “Playboy”, que fizera reveladora reportagem sobre as empreiteiras brasileiras, de autoria do repórter Fernando Valeika de Barros.

Era demolidora. Como ilustração, um muro de ouro, lama e sangue.

O fundador de uma das maiores construtoras do país foi direto ao ponto, após elogiar a exatidão do que havia lido: “Você acha que eu gosto de ter de pagar para bandido liberar o que os governos me devem?”

Antes de responder, me lembrei da conversa com Marin.

Ao responder, com a arrogância que caracteriza a nós, jornalistas, primeiramente agradeci o elogio feito à reportagem. E em vez de responder, fiz nova pergunta: “Mas por que alguém tão poderoso como o senhor não denuncia os bandidos?”.

“Porque eles acabam comigo e com milhares de empregos que mantenho no Brasil e no exterior.”

Não me restou outra saída que não a de dizer que por essas e por outras é que sou jornalista, não empreendedor.

Diga-se, a bem da verdade, que em nenhum momento da realização da matéria houve qualquer pressão por parte da Odebrecht, diferentemente do que fez a CBF para negociar direitos de TV com a Abril.

Tudo isso para contar que o mundo das transmissões esportivas pode ser mais sujo e pesado que o das empreiteiras.

Além de ter um charme, um glamour, ainda maior, uma gente esperta que, de repente, vai a Suíça e fica. Presa.

E também para insistir que ou se criam novos métodos de governança ou tudo seguirá na mesma porque o Homem, como se sabe, é um projeto que não deu certo.

 Leia também:

Agora só falta explicar por que quem pagou menos transmitiu de forma exclusiva o futebol 

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22 comentários

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Mario

06 de junho de 2015 às 15h55

A Globo que se cuide. O FBI está investigando o resultado Alemanha 7 x 1 Brasil. Naquele momento, era claro o interesse da Globo na derrota da Seleção, pois a Globo achava que a vitória de Dilma nas eleições de outubro dependia exclusivamente da conquista do hexacampeonato.

O FBI investiga a transação, segundo a matéria: http://mzportal.com.br/?p=6129

E o que será que aconteceu na França com o chilique de RONALDO, o “fenômeno”?

Quem comenta é o Nassif:
http://jornalggn.com.br/noticia/os-misterios-de-ronaldo-alem-da-final-com-a-franca

Responder

FrancoAtirador

06 de junho de 2015 às 11h55 Responder

Elias

05 de junho de 2015 às 14h45

Ronaldo (fenômeno) faz propaganda de remédio cujo slogan é “confiança”. Conheço o laboratório e tenho confiança nos seus produtos. Quanto ao garoto-propaganda a palavra “confiança” só me faz relembrar de uma antiga fábrica de balas e guloseimas.

Responder

FrancoAtirador

05 de junho de 2015 às 12h01

.
.
Cosa Nostra Football Club
.
A GLOBO é a Fôfa da CBF.
.
E a CBF é a Fôfa da FIFA .
.
.

Responder

Idalma

05 de junho de 2015 às 11h34

A Globo e a Veja, não tem moral pra apontar o sujo dedo na direção de quem quer que seja, diga-se de passagem, eles são piores, pois, agem com pesos e medidas diferenciados, conforme as suas próprias conveniências, onde os seus desafetos são arrasados, enquanto os seus apadrinhados tucanos tudo podem, roubar, prevaricar, desmandar etc. etc. etc….

Responder

marcio ramos

04 de junho de 2015 às 22h55

… tem bandido pra todo lado, em todos os partidos, toda esta gente que vive junta brigando ente si pelo poder nenhum presta, é uma longa cadeia de produção da canalhice, é geral, vai do empreiteiro aos politicos e as midias – todas elas – com seus auto-enganos, suas sardinhas sendo puxadas para suas brasas, seus interesses nem sempre claros, a ignorancia travestida de “cultura”, “conhecimento”, “esperteza” e avelha e boa justificativa que tenho que ganhar meu din din, veja o Juca que trabalha há tanto tempo pra midia bandida sem ser bandido… sacou????

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    Bonobo, Severino de Oliveira

    05 de junho de 2015 às 07h24

    E, certamente, deve haver alguém honesto sobre a face do planeta que, provavelmente, pode ser vc, porque se julga no direito de qualificar todo o mundo de bandido. Candidate-se e proponha o seu trabalho e prove que serve para alguma coisa, antes de sair por aí espargindo lama para todo lado, como fazia a velha e corrupta UDN.

    Quanto ao Juca, eu discordo de um ponto importante. Há uma grande diferença entre as comissões consagradas nas transações de contratos de empreiteiras, desde os anos 70, com aquelas praticadas nos contratos de transmissão dos eventos esportivos.

    Está no RESULTADO.

    A engenharia nacional cresceu extraordinariamente nos últimos 30 anos e ajudou o esforço do país para projetar a sua influencia comercial para outros continentes, além de deixar formidável parque de realizações concretizadas a dar suporte ao crescimento econômico, gerando milhões de empregos formais.

    Em sentido contrário, o mercado negro das negociações das transmissões televisivas dos grandes eventos esportivos, coordenado pela bandidagem liderada pela GLOBO, causa apenas a infelicidade dos amantes do futebol e a destruição do esporte brasileiro, tristemente comprovada no 7 a 1 aplicado pela seleção da Alemanha.

    O que as empreiteira produzem em uma ano, aqueles procuradores fanfarrões, delegados aecistas e o juiz cooptado pela GLOBO, fundadores da “República de Curitiba”, não farão em contribuição ao país, em todas as suas infames e inúteis existências.

    Assim como a GLOBO, a que estão ligados e servindo, não produzem nada de útil, a não ser espetáculo mediático de baixa qualidade e descrédito nas instituições.

Fernando Santos de Aquino

04 de junho de 2015 às 21h38

Acrescentando ao “anunciar”, e procurando corrigir o comentário postado por mim anteriormente, lembro sua importância em também “denunciar” as injustiças deste país do futebol, do carnaval e da bandidagem engravatada.

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anac

04 de junho de 2015 às 18h09

Sujeira. Os detritos sólidos escorriam pelo esgoto. Mas como sempre tiveram a cumplicidade da justiça brasileira faziam a céu aberto, sem medo ou temor.

Responder

    Bonobo, Severino de Oliveira

    05 de junho de 2015 às 07h37

    That’s the point!!

    A corrupção não existiria disseminada em vários segmentos, de amplo conhecimento geral, se não fosse a inestimável ajuda do judiciário partidário, em permanente conluio com a mídia venal. Está ai o Gilmar Dantas e a insustentável leniência das instituições diante das operações da CBF para confirmar esse evidente e inútil constatação.

    Os caras do judiciário são tão amestrados que fazem a patranha e vão lá no Instituto Innovare receber a ração do dono. Como descrito nos estudos dos cães de Pavlov, eles já começam a salivar, antes de produzir as sentenças encomendadas.

    FrancoAtirador

    06 de junho de 2015 às 13h06

    Bonobo, Severino de Oliveira

    06 de junho de 2015 às 23h37

    Então, o experimento dos Marinhos, condicionando Juizes com os prêmios do Instituto criaram os juízes que podem ser chamados de “Juízes do Innovare”!!

Fernando Santos de Aquino

04 de junho de 2015 às 17h27

Que bom vê-lo de novo na ativa, Juca Kfouri. Você é uma das pessoas cuja visibilidade é fundamental para anunciar as injustiças deste país do futebol, do carnaval e da bandidagem engravatada. Espero vê-lo em breve nas tabelinhas com José Trajano, Mauro Cesar Pereira e outros da ESPN no Linha de Passe. Mais que um programa sobre futebol, o que temos ali é uma das melhores análises políticas e sociológicas de nossa terra.

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Abdula Al aziz

04 de junho de 2015 às 16h59

Boa Juca! Prova disso é esse rascunho de homem que se chama eduardo cunha em letras minusculas mesmo, e muito outros que não dá para citar aqui. Mas Juca não se esqueça que existem muitos homens que assumiram sua condição de simples homens, mas seus gestos os divinizam por isso. Homens que dão suas vidas por seus filhos, suas famílias e seu próximo como vimos a história daquele pai que participou de uma corrida com um filho em uma cadeira de rodas adaptada para tal evento. Podemos ainda apostar naqueles que desejam uma sincera e profunda mudança no coração do homem.

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Romane_lli

04 de junho de 2015 às 16h19

orra, que sistema chato ..afinal, o que há de errado ? ..afinal, quantos deixam de comentar no BLOG por causa dste problema ? ..há um comentário meu travado ..se não for pedir muito ..daria pra liberar ..grato

Responder

FrancoAtirador

04 de junho de 2015 às 16h13

.
.
“Impossível sair pobre do Palácio dos Bandeirantes”
.
“De tudo que se fazia no Estado Paulista
.
10% era para o Governador de São Paulo”
.
Afirmação do ex-Governador Biônico, José Maria Marin,
então Presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF),
ao Jornalista Juca Kfouri, num vôo para Assunção, em 1985.
.
Curiosidade
.
Era ou ainda é?
.
.

Responder

Julio Silveira

04 de junho de 2015 às 15h44

Um dos problemas graves do Brasil, que de tão antigo já criou resistencia, é essa situação em que os detentores do poder passam a sofismar sobre a situação encontrada, se ancorando na dificuldade estrutural para justificar seus proprios e podres interesses.
Essa situação é a luva perfeita para a mão canalha, essa que já entra sabendo o que lhe espera e se programa e prepara para se aproveitar dela e não para combatê-la. Essa justificativa do Marin tem sido a justificativa de muitos cafagestes tanto da politica como de fora dela, são sempre as oportunidades, as facilidades, as responsaveis por sua tentação, nunca é seu mal carater, sua indignidade sua vocação criminal. Mas isso por que são elite, não fossem, rsrsrsrs. Coisas de um país de cultura criada por gente do naipe do Marin, e (nho).

Responder

    anac

    04 de junho de 2015 às 18h16

    Alguns chamam na política de pragmatismo. Aí vemos o PT chegar ao no poder e se quedar diante dessa situação, a mudança de que não muda na essência provocando descredito total na militância e em quem tinha alguma esperança.

    Situação politica tratada pelo escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa (Palermo, 23 de dezembro 1896 — Roma, 23 de Julho 1957) no seu romance Il gattopardo (O Leopardo) sobre a decadência da aristocracia siciliana durante o Risorgimento em que a única mudança permitida é aquela sugerida pelo príncipe de Falconeri: tudo deve mudar para que tudo fique como está.

    Julio Silveira

    04 de junho de 2015 às 21h26

    Exato, Anac, exato. Percebo, então, que não estou sozinho. Tenho feito criticas para a cidadania, para não deixar que essa expressão “pragmatismo” seja mais outra luva costurada sob medida para vestir outras mãos canalhas.


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