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Joana Monteleone e Adriano Diogo: O pato da Fiesp não tem nada de inocente; repetindo 64, entidade prega o golpe
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Joana Monteleone e Adriano Diogo: O pato da Fiesp não tem nada de inocente; repetindo 64, entidade prega o golpe


14/12/2015 - 14h13



Na reportagem acima, a denúncia de uma testemunha: a Fiesp pagou em dólares a um general para mudar de lado e abandonar Jango

A Fiesp e a revolução dos patos

via IHU Online

O Pato da Fiesp selou a aliança da federação com os golpistas de hoje e lembra o papel que os empresários tiveram na ditadura militar. O comentário é de Joana Monteleone e Adriano Diogo em artigo publicado por Painel Acadêmico, 13-12-2015.

Eis o artigo.

Na Avenida Paulista, alguns poucos paulistanos carregavam um gigantesco pato de borracha. O Pato faz parte de uma campanha da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) contra a volta da CPMF sobre as transações financeiras. Nos últimos meses ele tem frequentado não apenas a avenida Paulista, mas também as praias cariocas, a esplanada dos ministérios e outros cenários turísticos do país. Apesar do apoio massivo de publicidade e assessoria de imprensa, ninguém estava dando a menor bola para o Pato de borracha cego dos olhos.

Nas manifestações deste dia 13 de dezembro de 2015, no entanto, o pato da Fiesp acabou por se tornar símbolo do pedido de impeachment da presidenta Dilma. Esse movimento não tem nada de ocasional. Da mesma maneira que o ato convocado para hoje, 13 de dezembro, rememora o Ato Institucional número 5 que prendeu, torturou e assassinou os que se opunham ao regime ditatorial, o Pato símbolo do impeachment lembra a todos o papel da Fiesp no golpe militar – um papel do qual a Fiesp, pode-se ver hoje, se orgulha, quando deveria envergonhar-se.

Da mesma maneira que em 1964 a Fiesp pagou para que os golpistas se organizassem e derrubassem o presidente eleito João Goulart – comprando armas, alugando petroleiros, pagando viagens de oficiais das forças armadas –, hoje a Federação das Indústrias de São Paulo está aliada ao ainda presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na tentativa de derrubar a presidente Dilma Rousseff. Com o Pato na rua, a aliança da Fiesp com os golpistas ficou mais do que clara – ficou evidente, óbvia, escancarada. Só não vê quem não quer.

As poucas pessoas que rodeavam o Pato não apenas sabiam dessa ligação espúria, mas a apoiavam e aplaudiam os feitos e o dinheiro gasto para planejar o golpe hoje curso. O Pato da Fiesp é o nosso Cavalo de Troia, traz dentro de si o que há de pior na política brasileira. Um Pato que não é só um Pato: todos os dias a Fiesp, contrariando a lei da cidade limpa, faz propaganda contra o governo federal, num show de luzes brega montado no próprio prédio pelo senhor Paulo Skaff. Prédio este, aliás, erguido com muitas facilidades governamentais na década de 1970, os anos mais sanguinários do regime militar.

Um dos aspectos menos conhecidos do golpe de 1964 foi a participação civil na derrubada do regime e a instauração da ditadura. O apoio de empresários, de boa parte do judiciário e da grande parte da classe média – sem falar da elite reunida em diversas entidades empresariais e institutos “de pesquisa” – e da mídia foi fundamental para dar legitimidade aos golpistas de então.

Foi a Fiesp, através do anticomunista descontrolado Henning Boilesen, quem montou o Centro de Integração Empresa/Escola em 1964, para domesticar ideologicamente trabalhadores. Em 1968, mais uma vez, foi o então presidente da Fiesp, Theobaldo de Nigris, ao lado de Luis Eulálio Bueno Vidigal, dono da Cobrasma, quem mandou a ditadura reprimir violentamente os trabalhadores em greve em Osasco, dando início ao clima político que desembocaria no AI-5.

Como em 1964, a tentativa de um golpe, ou de impeachment paraguaio da presidente Dilma, não se improvisa. E custa caro, muito caro. Também não custa lembrar que foi a Fiesp quem pagou um dos maiores centros de repressão e tortura do país – a Operação Bandeirantes, a Oban.

De inocente o Pato da Fiesp não tem nada.

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26 comentários

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ciro

16 de dezembro de 2015 às 18h05

…não tem mais pt pra prender, nem por domínio do fato ou “evidências”, “suspeitas”, “vamos atacar e expôr a base e vir com o : com a gente vocês não estariam passando por isso…foram apoiar nossos inimigos por uns pixulecos e carguinhos, serão sangrados…se não tirar a mulher vai piorar”
Pátria da Chantagem…Bancos…Imprensa…Fiesp…maçonaria…, já não vimos esse filme algumas vezes?

Responder

FrancoAtirador

15 de dezembro de 2015 às 18h15

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BUMLAI AFIRMA QUE NÃO CONVERSAVA SOBRE NEGÓCIOS COM LULA
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O empresário e pecuarista José Carlos Bumlai declarou em seu depoimento à Polícia Federal (PF) na segunda-feira, 14, que eventualmente se encontrava com Lula em finais de semana, mas “QUE POSSUÍAM UMA REGRA DE QUE NÃO SE PERMITIAM DISCUTIR ASSUNTOS ECONÔMICOS OU POLÍTICOS EM TAIS OCASIÕES”.
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Conforme Termo Escrito divulgado pela PF do Paraná,
Bumlai afirmou que recebia diversas propostas, cartas, mensagens,
das mais diversas pessoas que, por saberem da relação de amizade de ambos,
pediam-lhe que fossem encaminhados ao presidente,
porém “nunca atendeu a qualquer um destes pedidos”.
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O Empresário Rural reiterou que Lula nunca se envolveu em suas demandas comerciais
e que “nunca solicitou ao Presidente que mantivesse qualquer diretor da Petrobrás em seu cargo.”
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Por fim, Bumlai disse que nunca pediu a Fernando Baiano [PMDB],
a Vaccari [PT], a Nestor Cerveró [PMDB] ou a Moreira [PMDB]
qualquer espécie de interferência interna em negócios com a Petrobras.
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“Aliás, gostaria de reforçar que nunca procuraria o então Presidente da República
para que este interferisse nesta ou em qualquer outra questão comercial”, ratificou.
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(http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/10/1695950-lobista-da-lava-jato-acusa-mais-dois-ex-gerentes-da-petrobras-de-corrupcao.shtml)
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Responder

FrancoAtirador

15 de dezembro de 2015 às 12h45

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O Roteiro do Golpe da OC PF/MPF/JF-Paraná com a Mídia Jabá:
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Fôdam-se os Escrúpulos, a Lei, a República e o Povo do Brasil:
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O Negócio é Derrubar Dilma, Tirar o PT do Poder e Prender Lula.
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PPSDeMB FAZ ACORDO COM EDUARDO CUNHA:
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RENUNCIA À PRESIDÊNCIA, EM FAVOR DE JARBAS,
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E PRESERVA O MANDATO DE DEPUTADO FEDERAL.
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(http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/oposicao-e-cunha-conversam-sobre-renuncia-em-troca-de-mandato.html)
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Responder

Francisco

15 de dezembro de 2015 às 00h02

Vou descrever qualé o problema de Dilma:

A Comissão da Verdade de Dilma não foi categórica e terminante quanto a esse fato gravíssimo de suborno de comandante militar para dar golpe de Estado (fato que pode se repetir A QUALQUER MOMENTO, porque não? Dinheiro continua sendo dinheiro…), porque achava que tinha todo tempo do mundo e que tinha espaço para errar e, amanhã ou depois, remendar.

Assim como fez com a Comissão da Verdade, fez (e faz…) com quase tudo. Mas a História não retrocede.

Responder

Euler

14 de dezembro de 2015 às 23h45

Excelente reportagem do Azenha sobre o golpe de 1964. Deveria ser exibida em cada sala de aula do país. E contextualizada com o momento atual. Algumas coisas mudaram, mas os golpistas permanecem quase os mesmos. Globo, Folha, Fiesp; SP, como base social do golpismo; os EUA sempre financiando inimigos do povo de qualquer país; um congresso nacional eleito às custas de financiamento empresarial formando grandes bancadas de direita – do agronegócio, da bala, de evangélicos reacionários. O papel das forças armadas mudou, mas a essência do golpe é a mesma ou pior até, pois procura manter a aparência de legalidade democrática, com instrumentos como impeachment, Lava Jato ou via TSE, neste caso sempre de forma seletiva: doações legais ao PT tem origem em propina; doações das mesmas empresas ao PSDB ou DEM tem as bençãos do Papa, é dinheiro limpo.

Um outro dado piorou: em 1964, segundo as pesquisas, tínhamos um eleitorado muito mais simpático à esquerda do que hoje. O que constitui um contraste, já que foi nos 13 anos dos governos do PT que a população de baixa renda teve os melhores índices na renda e nas condições de vida. Faltou, portanto, a disputa política e ideológica, ficando o monopólio golpista da mídia com total e ampla liberdade para atacar o governo, as conquistas sociais e difundir ideologias neofascistas e neoliberais. Em função disso, boa parte dos beneficiários das políticas públicas implantadas pelo PT se tornou base social da direita golpista.

Este segundo mandato da presidenta Dilma, infelizmente, com as medidas neoliberais de ajustes fiscais como nota única acabou contribuindo para fornecer base social para a direita. Jango também vivia períodos de crises, mas apontava como solução outros caminhos, mais à esquerda. Errou, talvez, por subestimar a capacidade e articulação golpistas dos seus inimigos – ou dos inimigos do Brasil. Mesmo erro que a presidenta Dilma hoje comete ao agir tão ingenuamente, mantendo no ministério da justiça uma pessoa de baixa capacidade política e autoridade moral; articulando muito mal com o congresso – tem demorado a construir uma maioria, ou pelo menos o apoio certo de um terço mais um dos deputados, capazes de impedir os golpes da direita; não consegue formar um projeto de governo que mobilize a maioria do povo brasileiro, com políticas de geração de emprego e renda, não recessivas; não consegue sequer controlar a PF e dar um basta nesse estado policialesco paralelo que se formou com a operação Lava Jato – cuja história real ainda será revelada no futuro. Reparem que a Globo/ Folha/ Veja e afins não passam um dia sequer sem dar destaque aos agentes da Lava Jato e sua perseguição seletiva ao PT e aliados.

Ante aos ataques de várias frentes, articulados por setores como Fiesp, mídia, parte do judiciário e MP e PF, interesses estrangeiros e oportunistas locais, a presidenta deveria montar uma equipe de altíssimo nível, quase que um comitê de guerra para enfrentar estes canalhas e mobilizar o país para a resistência. Não se trata de enfrentar mera oposição democrática, mas de articulações golpistas como as de 1954 ou 1964, que ameaçam a democracia brasileira e que deveriam ser combatidas com mais seriedade do que este republicanismo de araque e infantil do governo federal.

Apesar dessa fraqueza do governo, que a maioria dos brasileiros dos de baixo saiba resistir ao golpe, mais um, e reconquistar o protagonismo perdido nos últimos anos.

Responder

    Carlos Alves

    15 de dezembro de 2015 às 11h14

    Sr. Euler parece que não viveu nos anos 60. Distorcendo os acontecimento da época. Graças a Deus tivemos um Regime Militar e não uma ditadura como a de Cuba e outras q , se não fossem os militares teríamos sofrido muito mais. Naquela época uma ditadura seria implantada no Brasil, a q tivemos, Regime Militar, ou uma ditadura cubana ou soviética da época em q as pessoas, como nesses regimes comunistas, não usufrui de liberdade e são fuziladas se
    forem contra ou tiverem pesamentos de contra. Em 64, o Brasil era 42° pib mundial, ao ac abar o regime Militar eramos o 10° pib mundial. Se compararmos o desenvolvimento do Brasil durante o R. M. e os após eles, veremos q o Brasil regrediu.

marcosomag

14 de dezembro de 2015 às 22h49

O clássico da historiografia brasileira “1964: A Conquista do Estado”, do excelente historiador René Dreyfus (infelizmente, morto ainda jovem), mostra com riqueza de detalhes e muitos documentos a participação decisiva do empresariado paulista na conspiração que levou ao Golpe de 1964. Documentos “desclassificados” pelo governo dos EUA corroboraram, muitos anos depois do livro de Dreyfus, as sua tese sobre o assunto.

Responder

Gilberto Nobrega

14 de dezembro de 2015 às 22h24

Ah! A FIESP!
Seria hipocrisia não manifestar “apoio” ao golpe em curso. A direita (elite financeira, industriais entupidos de incentivos fiscais e grande mídia) garimpa urgentemente incautos e imbecis despolitizados para apoiar a tese esdrúxula do impeachment de uma presidente que não teve, sequer suas contas apreciadas definitivamente pelo TCU e julgadas definitivamente pelo legislativo, com condenação expressa.
Até hoje tudo o que vemos são ataques a uma pessoa, por mero reflexo, via erros e malfeitos cometidos por terceiros. E vejam que estes terceiros estão sendo livremente investigados pelas instituições, para o cumprimento do devido processo legal, sem qualquer interferência do Executivo. Ou seja, nunca na história deste País se investigou tanto as pessoas, dando-se cumprimento ao Princípio da Igualdade (todos são iguais perante a lei).
Ah! tempos do Governo do Sr. FHC, que se orgulhava em manter o engavetador-geral da república sob seu controle direto. Indaguem sobre as investigações de políticos na década de 1990 a 2002.
Gente, o Brasil tal como ele é não começou em 2002 e, sequer deixará de sê-lo, se um salvador da pátria (oriundo da elite golpista) se outorgar presidente.
Vejam as incoerências: conforme noticiou o Jornal do Brasil, aquele mesmo banqueiro detido recentemente no caso do Sr. Delcídio do Amaral, pagou a lua de mel do Sr. Aécio Neves, num dos melhores hotéis do mundo. E a mídia? A mídia não diz nada. Também segundo a imprensa, o Sr. Delcídio do Amaral, quando dos quadros do PSDB, teria recebido dinheiro obscuro em contratações de obras envolvendo nossa Petrobras. E a mídia? A mídia foi ao FHC, que disse que isso era apenas um caso isolado, não contumaz!!! Que sagaz explicação!
Por essas e outras, pensem bem antes de derrubarem indevidamente um governo legítimo eleito pelo povo. Não brinquem com a entidade sagrada chamada Democracia.

Responder

Marat

14 de dezembro de 2015 às 21h56

Quem cai de pato (ou marreco) é o povo incauto, que acredita nas presepadas dos sonegadores da FIESP, e, neste caso, solicito ao PT e às esquerdas, que saiam da modorra e façam bonecos representando empresários sonegadores e políticos corruptos do PSDB!!!

Responder

andre dias

14 de dezembro de 2015 às 21h46

República dos canalhas unida pelo golpe
Por Bepe Damasco, em seu blog:

Sem medo de errar, ao longo de toda a história da República brasileira, nunca se viu entre os conservadores e direitistas brasileiros uma concentração tão grande de políticos da pior espécie. Essa escória, para a desgraça da nação, ainda conta com o decidido e militante apoio do império midiático, que aplaude e amplifica as ações e manobras políticas mais torpes e calhordas.

A oposição tucana sabota a democracia do país desde que perdeu pela quarta vez consecutiva a eleição para presidente da República. Do questionamento sobre a lisura da urna eletrônica à sólida aliança com um notório corrupto como Eduardo Cunha, passando pelas tentativas de reprovar as contas de Dilma no TSE e pela pressão pela rejeição das contas do governo no valhacouto de políticos fracassados que atende pelo nome de TCU, o PSDB se esmera em esculhambar o regime democrático e agravar as dificuldades econômicas do país.

Nem o currículo de Eduardo Cunha fez com que ele fosse alvo de quaisquer restrições por parte do monopólio midiático, desde que se lançou candidato e venceu as eleições para a presidência da Câmara dos Deputados. Ao contrário, foi festejado por ser inimigo do governo e capaz de lhe criar todo tipo de problema. Logo, Cunha acabou glorificado quando passou a impor derrotas ao governo e a tocar uma pauta das trevas na Câmara, atacando direitos civis e conquistas republicanas.

Até aí nenhuma surpresa, já que estamos falando de gente que se merece. É preciso ser analfabeto político ou um rematado idiota para acreditar na sinceridade do moralismo da mídia corporativa ou no seu zelo patriótico pelo erário público. O discurso contra a corrupção, isto sim, sempre serviu como arma para tentar destruir governos com compromissos populares, como no passado com Vargas, Jango e Brizola, e hoje com Lula e Dilma.

Parte do PIG se viu forçado a mudar de tom em relação a Cunha depois que vieram à tona suas contas na Suiça e mais uma penca de denúncias de recebimento de propina. Mas sempre com a preocupação de não queimar as pontes com ele, de olho na sua prerrogativa de aceitar ou rejeitar os pedidos de impeachment da presidenta. Mas a revista Veja, por exemplo, fiel a sua condição de esgoto do jornalismo brasileiro, nem essa pequena inflexão fez. Para blindar Cunha, seguiu explorando da forma mais sórdida a Lava Jato contra Dilma e o PT, ao mesmo tempo em que perseguia Lula e sua família.

No dia em que Cunha aceitou o pedido de impeachment como vingança pelo fato de o PT ter decidido que seus três deputados votariam contra ele no processo ao qual responde no Conselho de Ética por quebra de decoro, a imprensa retomou sua lua de mel com o presidente da Câmara. Nenhuma matéria de Globo, Folha, Veja e Estadão tocou na brutal injustiça, na canalhice elevada à enésima potência que envolve essa decisão. Como pode um desqualificado como Cunha, prestes a ser preso, aceitar um pedido de impedimento de uma governante honrada, que nunca respondeu a processo e contra quem não pesa nenhuma acusação ?

Se não tivesse enveredado por um caminho sem volta rumo ao cinismo mais escrachado com fins políticos e partidários, esses veículos de comunicação teriam que apontar a falta do mínimo de condições morais e políticas de Cunha para liderar um processo de impeachment. Na sua obsessão golpista, a mídia não hesita em se associar a alguém cuja ficha corrida lhe impede de julgar a conduta de quem quer que seja, especialmente de uma presidenta da República. E, apenas para purgar suas culpas e fingir indignação com as manobras desavergonhadas de Cunha no Conselho de Ética, Globo e Folha escrevem editoriais pedindo a saída do presidente da Câmara. Pura encenação.

Também a aliança golpista a céu aberto entre Cunha e o PSDB é vista com naturalidade, como um fato corriqueiro da cobertura política, e não como um acordo espúrio visando a destruição da democracia em nome da ganância pelo poder. Mesmo sem voto. Mesmo sem legitimidade. Mesmo que o preço seja rasgar a Constituição.

Da mesma indulgência desfruta o vice-presidente Michel Temer. Conspirando no submundo da política, Temer apunhalou pelas costas sua companheira de chapa, revelando deploráveis falhas de caráter. Mas a mídia ignora solenemente essa traição repugnante dispensando-lhe o tratamento de futuro chefe de Estado e de governo e abrindo-lhe generosos espaços para que exponha seus planos antinacionais e antipopulares de governo.

Diante de tanta nojeira, resta o consolo de que todos esses personagens têm lugar assegurado no lixo da história.

Responder

    FrancoAtirador

    15 de dezembro de 2015 às 12h23

    Nassif informa que Ciro cancelou a Entrevista.

Mauricio Gomes

14 de dezembro de 2015 às 20h54

Essa canalhada da FIESP, que sempre chora por menos impostos e pede mais arrocho contra os trabalhadores, agora tirou a máscara e aderiu oficialmente ao golpe. Esse Skaf é um preposto do Temer traidor, não dá um pio contra a corrupção que grassa em SP nos governos tunganos. Se o golpe acontecer, iremos mergulhar nas trevas e o povo não pode esquecer os nomes dos traidores da pátria que querem estuprar a constituição e a democracia.

http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/209550/Fiesp-oficializa-apoio-ao-impeachment-de-Dilma.htm

Responder

Urbano

14 de dezembro de 2015 às 18h12

Entidades assim, que por sinal há do Oiapoque ao Chuí, deve-se considerá-las como de escol ou de escroques?

Responder

roberto

14 de dezembro de 2015 às 18h01

Pelo número de pessoas que esse pato mal feito,conseguiu levar para a rua, a Fiesp está mais por baixo que focinho de toupeira.
Não apita nada, não tem mais prestígio e sua imagem junto ao povo só tem chuvisco.
Só resta para eles o prédio envidraçado………por enquanto !!

Responder

Antonio

14 de dezembro de 2015 às 16h37

Foi o Sr. Scaff foi quem arregimentou empresários que doaram fortunas a sua campanha para governador e recentemente em um banquete num dos mais caros restaurantes de São Paulo arrecadou muito dinheiro, repassado ao deputado Eduardo Cunha com o compromisso deste fazer aprovar a terceirização das atividades primárias.
O empresariado paulista é pródigo em ações deste tipo.

Responder

Julio Silveira

14 de dezembro de 2015 às 16h17

Qual a novidade. São Paulo é o centro irradiador do pensamento conservador oligárquico brasileiro. Lá vivem os neo escravistas, o neo libeles, os supra sumos da concentração de renda. São Paulo, apesar de ser o centro financeiro do Brasil, acumula, talvez até em função disso, também o espirito do egoísmo nacional.

Responder

Mauricio Gomes

14 de dezembro de 2015 às 15h30

São Paulo foi e continua sendo o foco do golpe e do fascismo no Brasil. Isso vem desde a derrota em 1932, passou pelo boicote a Getúlio, na participação do golpe de 64 (marcha da família, fiesp) e agora na tentativa de apear a Dilma na marra. Essa fiesp é o antro do golpismo, um bando de parasitas da nação. E não duvido que a mesma conexão descoberta em 64 esteja em marcha novamente agora.

Responder

Otto

14 de dezembro de 2015 às 15h29

Se a manifestação de ontem não teve um número extraordinário de pessoas (embora tranquila e bem-sucedida), a de quarta-feira,, a dos petralhas, montada com grandes recursos do aparelho de Estado, será bem mixuruca. Espero que tenham bom senso e que o pão com mortadela que sobrar seja doado para os necessitados.

Responder

    Mauricio Gomes

    14 de dezembro de 2015 às 20h57

    Você não tem vergonha de escrever isso? Que manifestação tranquila é essa onde pessoas pedem a volta da ditadura, queimam caixões com o símbolo do PT, proferem palavras de ódio até contra a imprensa suja que os apoia? Melhor comer pão com mortadela do que comer merda, o que parece ser o seu caso….

JOHN J.

14 de dezembro de 2015 às 14h39

OS DEFENSORES DA DEMOCRACIA DEVEM NO DIA 16 SE PREVENIREM CONTRA OS OPOCIONISTAS QUE DEVERÃO ESTAR INFILTRADOS PARA VANDALIZAREM. DESCONFIEM DE TODOS QUE AGIREM ESTRANHAMENTE.
DESCONFIEM DE MOCHILEIROS. DESCONFIEM DE MASCARADOS.
LEMBREM-SE QUE EM SÃO PAULO A POLICIA É TUCANA E COMANDADA POR TUCANOS. LEMBREM-SE QUE OS TUCANOS PAULISTAS E PAULISTANOS SÃO A ELEITE FINANCEIRA DO BRASIL E QUE SEMPRE TEM MUITA GRANA SOBRANDO PARA PAGAR BLACKBOKS E ARRUACEIROS.
LEMBREM-SE QUE LEMAN AMIGO DO SERRA JÁ FINANCIOU GRUPOS DE OPOSITORES COM FAIXAS E CARTAZES.
ELES NÃO TEM SENSO DE HUMANISMO E HUMANIDADE E SÓ LHES INTERESSA O PODER E O DINHEIRO.

Responder

    Conceição Lemes

    14 de dezembro de 2015 às 17h04

    John,letras minúsculas nos comentários, por favor. Norma do Viomundo. abs


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