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Diário da Resistência


Iberê Lopes e as vozes fascistas que tomam conta do Brasil
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Iberê Lopes e as vozes fascistas que tomam conta do Brasil


07/06/2015 - 13h20

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O idiota que humilhou o frentista haitiano junta sua voz a de muitos outros…

por Iberê Lopes, via Facebook

— Eu escuto vozes fascistas!

— Com que frequência?

— Infelizmente, o tempo todo.

Claro que esta ideia foi provocada pelo mais recente caso de aberração intolerante visto em nosso Brasil.

O pastor M resolve, num átimo de insanidade, dizer aos seus delirantes fiéis para não se perfumarem com produtos da Boticário.

O risco apontado pelo enviado não sei de onde: que a sociedade brasileira pode, após alguns borrifos de qualquer fragrância da marca citada, ficar alegre demais, colorir o mundo de amor e espalhar a doutrina gayzista bolivariana pelo planeta.

Isto é, depois de livre das amarras protestantes, nunca mais precisará dos serviços pastorais para ser salva de nada.

Afinal, quem quer mesmo ficar livre do amor?

Outro exemplo clássico de que estamos — apenas alguns, ainda — infectados pela intolerância, vem dos ventos separatistas de alguns sulistas. É o nosso boçal “jornalista de emboscada”, como se intitula Daniel Barbosa.

O filhote da paranoia direitista, que nem deve saber a diferença entre direita e esquerda, vestido em uma farda do B.O.P.E., aborda um frentista haitiano e começa um interrogatório lunático sobre a sua tarefa militar de implantar um golpe comunista em terras tupiniquins.

Óbvio que na mira intelectualmente frágil de Daniel está a presidenta Dilma. Na cabecinha dele, o trabalhador em questão é um agente preparadíssimo das forças dominantes da esquerda nacional.

Ora, este sim, em minha rasa opinião, precisa ser salvo por alguém! Ei Malafaia, adote esta pobre alma que vaga pelo planeta num transe conspiratório.

Falando nisso, lembrei de mais duas histórias que circulam nas redes e merecem a indignação de cristãos, baianos e troianos.

Primeira: nosso querido Roger Waters (Pink Floyd – aquela banda que bradava a humanidade que derrubasse os muros da formatação infantil nas escolas) pediu encarecidamente aos cantores Gilberto Gil e Caetano Veloso que não se apresentassem em Israel.

Motivo: o Estado sionista é responsável pela morte de milhares de palestinos, incluindo aí mulheres, crianças e idosos para dominar e se apossar de um pedaço de terra.

Eu sei, o conflito não é tão simples de ser explicado. Só vale lembrar, ao silêncio dos artistas brasileiros, que ano passado (2014) escolas e unidades da ONU (Organização das Nações Unidas) foram bombardeadas criminosamente por Israel.

Quer mais alguma razão para não realizar um show por lá?

Segunda e última historinha grotesca: o governo do Distrito Federal vem fechando bares em nome do Senhor. É, pode parecer um absurdo o que digo. Atente para os fatos neste relato meu.

Como, em sã consciência, um café com música de qualidade pode afetar a vida pacata de moradores do Plano Piloto (área central de Brasília) e uma Igreja que cultua Jesus em níveis ensurdecedores não recebem o mesmo tratamento por parte das autoridades.

Pasmem, para respeitar a ordem do silêncio aqui, é preciso não ultrapassar os 50 decibéis permitidos em lei. Se eu colocar uma exclamação nesta frase serei multado! Ops.

Põe na tela: o bar citado acima tem nome, Balaio Café.

Excelente ambiente frequentado por este que versa e também por gente de bem com a vida.

De longe é possível ouvir o samba de terreiro e de perto eles promovem muitos debates sobre diversidade, política e tolerância. Sendo assim, não salva ninguém. Mas, faz uma galera feliz e toda perfumada na Boticário.

Então, qual a diferença entre o charme e o funk? Um anda bonito e o outro elegante, tchê! O tratamento para instituições religiosas evangélicas não deveria ser o mesmo aplicado ao estabelecimento comercial?

Francamente. Tem horas que me sinto num remake de Footloose nesse meu país. Tá decidido! Vou comprar um fusca amarelo calcinha, encher de miguxos e miguxas lavados na Boticário, ouvindo “deixa eu cantar, pro meu corpo ficar Odara” e abastecer no primeiro posto que houver um haitiano comunista ralando.

E por último, num megafone cor de rosa, vou pedir de volta a grana que pagou as passagens da mulher de Eduardo Cunha para ir visitar Israel e as explicações da mídia sobre as propinas na FIFA.

Aqui ninguém é palhaço, doutor! Aqui, a turma reclama no padrão FIFA.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



10 comentários

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Francisco

08 de junho de 2015 às 17h25

Em tempo de ajuste fiscal: sabia que religiões não pagam imposto no Brasil?

Responder

Marco Palmanhani

08 de junho de 2015 às 16h40

Depois de tudo o que os pastores disseram da campanha publicitária do Boticário, eu não vejo a hora de me perfumar, sair por aí borrifando as fragrâncias, e sentir-me como no final do livro “O Perfume – A história de um assassino”: no meio de uma grande suruba…

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Helena/S.André SP

08 de junho de 2015 às 08h50

Amei essa postagem e destaco os 3 últimos parágrafos. E concordo com Roger Waters, que pediu para Caetano e Gil não se apresentarem em Israel. Realmente, esse Estado sionista merece ser ignorado pois mataram milhares de palestinos, dentre eles crianças, mulheres e idosos.

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Otto

08 de junho de 2015 às 07h11

O sujeito está preocupado com o Funk, chamando de fascista quem não gosta deste fenômeno e quer tranquilidade. Falta do que fazer…

Responder

Marco Sousa

07 de junho de 2015 às 22h33

100% CORRETO!. Ótimo texto!.

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Rodrigo

07 de junho de 2015 às 22h17

Por mim que fechassem os bares e igrejas.

Ninguém é obrigado a aturar bêbado achando que é cantor e pastor achando que e Cristo.

Responder

FrancoAtirador

07 de junho de 2015 às 18h43 Responder

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