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Diário da Resistência


Dallagnol queria investigado “de joelhos” para arrancar delação e mentiu sobre vazamentos
Eduardo Matysiak
Denúncias

Dallagnol queria investigado “de joelhos” para arrancar delação e mentiu sobre vazamentos


29/08/2019 - 12h09

Além da manchete principal da primeira página, o Estadão dedicou uma página quase inteira ao vazamento de Dallagnol. Reprodução

Da Redação

Os mais recentes vazamentos do Intercept Brasil sobre as mensagens trocadas por procuradores da Operação Lava Jato começam a jogar luz sobre a relação de integrantes do MPF com a mídia.

Num caso específico, o diário conservador paulistano Estadão fez uma parceria público privada (PPP) com a Lava Jato.

O procurador Deltan Dallagnol entrou com a parte pública do arranjo: informações sigilosas obtidas a partir de investigações e tratativas bancadas pelo dinheiro público.

O Estadão ficou com a parte privada, ganhando uma notícia exclusiva, vendendo mais jornais ou obtendo maior número de cliques na internet.

O objetivo de Dallagnol com o tráfico de informações era colocar um investigado “de joelhos”, para que fizesse delação premiada.

Mais grave ainda: o procurador chefe da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba mentiu sobre os vazamentos em entrevista subsequente à BBC: “Agentes públicos não vazam informações”, disse.

Acompanhem a íntegra:

Dallagnol mentiu: Lava Jato vazou sim informações das investigações para a imprensa — às vezes para intimidar suspeitos e manipular delações

Glenn Greenwald, Rafael Neves, no Intercept Brasil

Em chats, procuradores admitem ‘vazamentos’. Num episódio, Dallagnol antecipou passo da operação ao Estadão para pressionar suspeito.

Procuradores da força-tarefa da Lava Jato usaram vazamentos com o objetivo de manipular suspeitos, fazendo-os acreditar que sua denúncia era inevitável, mesmo quando não era.

O intuito, eles disseram explicitamente em chats do Telegram, era intimidar seus alvos para que eles fizessem delações.

Além de eticamente questionável, esse tipo de vazamento prova que o coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, mentiu ao público ao negar categoricamente que agentes públicos passassem informações da operação.

Dallagnol participou de grupos nos quais os vazamentos foram planejados, discutidos e realizados.

Em um deles, o próprio coordenador efetuou o tipo exato de vazamento que ele negou publicamente que partisse da força-tarefa.

Um exemplo ilustrativo desse método ocorreu relativamente cedo nas operações.

Em 21 de junho de 2015, o procurador da Lava Jato Orlando Martello enviou a seguinte pergunta ao colega Carlos Fernando Santos Lima, no grupo FT MPF Curitiba 2, que reúne membros da força-tarefa: “qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?”.

Santos Lima disse não saber do que Martello estava falando, mas, com escancarada franqueza, afirmou: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.”

Pela lei das organizações criminosas (que estipulou regras para as delações premiadas), o acordo só pode ser aceito caso a pessoa tenha colaborado “efetiva e voluntariamente”.

Mas o procurador confessou aos colegas que usava a imprensa para forjar um ambiente hostil e, com isso, conseguir delações por meio de manipulação — o que interfere em seu caráter voluntário.

21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2

Orlando Martello – 09:03:04 – CF(leaks) qual foi a estratégia de revelar os próximos passos na Eletrobrás etc?
Carlos Fernando dos Santos Lima – 09:10:08 – http://m.politica.estadao.com.br/noticias/geral,na-mira-do-chefe-,1710379
Santos Lima – 09:12:21 – Nem sei do que está falando, mas meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração.
Santos Lima – 09:15:37 – Li a notícia do Flores na outra lista. Apenas noticia requentada.
Santos Lima – 09:18:16 – Aliás, o Moro me disse que vai ter que usar esta semana o termo do Avancini sobre Angra
Martello – 09:25:33 – CFleaks, não queremos fazer baem Angra e Eletrobrás? Pq alertou para este fato na coletiva?
Martello – 09:26:00 – Para não perder o costume?

A conversa ocorreu dois dias depois da 14ª fase da Lava Jato (voltada às empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez).

Os procuradores estavam debatendo estratégias para conseguir um acordo de delação com Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da Odebrecht.

Freiburghaus escapou da operação, porque havia se mudado para a Suíça em 2014 e já havia contra ele uma ordem de prisão preventiva com alerta da Interpol.

No chat, Santos Lima assume, sem qualquer constrangimento, que vazava informações para a imprensa.

Além disso, o seu próprio comentário, insinua que se tratava de uma prática habitual, dado que ele se refere aos vazamentos no plural — “meus vazamentos”.

E o procurador afirma com aparente orgulho e convicção que agia assim com objetivos bem definidos: induzir os suspeitos a agirem de acordo com seus interesses.

É relevante ressaltar que o comentário do procurador não suscitou qualquer manifestação dos outros membros da Lava Jato.

No decorrer das conversas, os demais membros do grupo permaneceram calados.

No mesmo dia, Deltan e Orlando anunciaram no chat terem vazado a informação de que os Estados Unidos iriam ajudar a investigar Bernardo para repórteres do Estadão, como forma de pressionar o investigado.

Eles estavam antecipando a um jornalista uma movimentação da investigação.

Foi Dallagnol o responsável pelo vazamento, como mostra sua conversa como o repórter do jornal.

21 de junho de 2015 – Chat privado

Deltan Dallagnol – 11:43:49 – O operador da Odebrecht era o Bernardo, que está na Suíça. Os EUA atuarão a nosso pedido, porque as transações passaram pelos EUA. Já até fizemos um pedido de cooperação pros EUA relacionado aos depósitos recebidos por PRC. Isso é novidade. Vc tem interesse de publicar isso hoje ou amanhã, SUPRIMIDO, mantendo meu nome em off? Pode falar fonte no MPF. Na coletiva, o Igor disse que há difusão vermelha para prendê-lo, e há mesmo. Pode ser preso em qualquer lugar do mundo. Agora com os EUA em ação, o que é novidade, vamos ver se conseguimos fazer como caso FIFA com o Bernardo, o que nos inspirou.
SUPRIMIDO – 11:45:44 – Putz sensacional! !!!! Publico hj!!!!!!!

A conversa prossegue, e o repórter avisa que a matéria sobre a ajuda dos americanos no caso Odebrecht (que não estava formalizada à época) seria manchete do Estadão no dia seguinte.

De volta ao grupo FT MPF Curitiba 2, uma conversa entre os dias 21 e 22 detalha as intenções da força-tarefa em relação a Bernardo:

21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2

Deltan Dallagnol – 20:33:52 – Amanhã cooperação com EUA pro Bernardo é manchete do Estadão
Dallagnol – 20:34:00 – Confirmado
Carlos Fernando dos Santos Lima – 20:55:16 – Tentei ler, mas não deu. Amanhã vejo. Vamos controlar a mídia de perto. Tenho um espaço na FSP, quem sabe possamos usar se precisar.

A informação vazada pela força-tarefa de fato virou manchete do jornal, e os métodos de pressão sobre o delator são retomados pouco depois, no mesmo chat:

22 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2

Deltan Dallagnol – 01:56:40 – Acho que temos que aditar para bloquear os bens dele na Suíça
Dallagnol – 01:56:48 – Conta, Imóvel e outros ativos
Dallagnol – 01:57:00 – Ir lá e dizer que ele perderá tudo
Dallagnol – 01:57:20 – Colocar ele de joelhos e oferecer redenção. Não tem como ele não pegar

No fim das contas, a estratégia fracassou, e Bernardo Freiburghaus não delatou.

O que faz disso ainda mais relevante é que Dallagnol tem negado publicamente que os membros da Lava Jato tenham feito qualquer vazamento.

Numa entrevista para a BBC Brasil, após um discurso que ele proferiu em Harvard, em abril de 2017, Dallagnol “disse que agentes públicos não vazam informações — a brecha estaria no acesso inevitável a dados secretos por réus e seus defensores”.

Quando perguntado diretamente se a força-tarefa havia cometido vazamentos, o procurador respondeu: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.

A assessoria de imprensa da Lava Jato negou que os procuradores tenham vazado informações no caso do Estadão, dizendo ao Intercept que a força-tarefa “jamais vazou informações sigilosas para a imprensa, ao contrário do que sugere o questionamento recebido”.

Para justificar essa negativa, a força-tarefa argumenta que uma informação passada à imprensa deve ser ilegal ou violar uma ordem judicial para ser caracterizada como “vazamento”.

Nesse sentido, a força-tarefa argumenta que o material enviado por Dallagnol ao Estadão não violou, na sua visão, nem a lei nem ordem judicial, e que por isso não pode ser considerado vazamento.

Entretanto, essa reportagem não alega nem sugere que Dallagnol ou Santos Lima tenham cometido o crime de violação do sigilo funcional ou desobedecido ordens judiciais ao vazar para a imprensa informações que não eram de conhecimento público.

O argumento da reportagem é que eles fizeram exatamente o que Dallagnol afirmou à BBC que nunca faziam: vazaram informações privilegiadas sobre as investigações que o público e a mídia desconheciam para atingir seus objetivos.

Para defender Dallagnol das evidências claras de que ele mentiu, a força-tarefa está tentando inventar uma nova definição de “vazamento”, um significado que só considera vazamento o que envolve uma violação da lei ou de uma ordem judicial.

Mas não é isso que a maioria das pessoas entende como vazamento.

Em sua entrevista à BBC Brasil, Dallagnol não negou que a força-tarefa realizasse vazamentos ilegais: ele negou que a força-tarefa tenha realizado quaisquer vazamentos: “agentes públicos não vazam informações”, ele disse, completando: “Nos casos em que apenas os agentes públicos tinham acesso aos dados, as informações não vazaram”.

A insistência da força-tarefa de que nunca realizou nenhum vazamento é especialmente bizarra tendo em vista que o próprio Santos Lima alardeou ter feito exatamente isso, usando a justamente palavra vazamento: “meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração”, escreveu, o que demonstra que nem os próprios procuradores entendem a palavra “vazamento” da forma que eles agora definem.

Além disso, em sua conversa com o repórter do Estadão, Dallagnol descreveu a informação que ele estava enviando, sobre a proposta de colaboração com os EUA, como “novidade”, e por essa razão insistiu que a informação que ele enviou só poderia ser publicada “mantendo meu nome em off”.

Se a informação já era pública, como defende a Lava Jato por meio de sua assessoria, por que pedir off?

Além disso, a própria nota enviada ao Intercept admite que os procuradores adiantaram uma ação da investigação ao Estadão – uma informação privilegiada, portanto, ainda que não protegida por sigilo judicial formalizado.

“O único caso mencionado na consulta à força-tarefa se refere a uma reportagem do Estadão que combinava dados disponíveis em processos públicos e uma informação nova, igualmente sem sigilo, sobre possíveis estratégias que se cogitavam adotar no futuro, em relação à formulação de pedido de cooperação a ser enviado, o que não caracteriza vazamento”, diz a nota.

De fato, a colaboração com a Suíça citada na reportagem era pública, mas a “informação nova” (o pedido de ajuda aos EUA que foi a manchete do jornal) não era pública porque nem sequer havia sido formalizada até a publicação do texto.

Dessa forma, a negativa da força-tarefa de que os procuradores fizeram exatamente o que Deltan falsamente insistiu que nunca fizeram — vazar para a mídia informações que não eram de conhecimento público — é desmentida pelas próprias palavras dos procuradores, conforme publicadas no chat acima, em que eles mesmos descrevem suas ações como “vazamentos”.

É também desmentida pela insistência de Dallagnol ao repórter que as informações passadas ao Estadão não fossem atribuídas a ele.

É desmentida ainda pelos repetidos episódios em que os procuradores admitem ter vazado à mídia informações sobre as investigações, quase sempre usando especificamente a palavra “vazamentos” que eles agora buscam redefinir.

E é desmentida, por fim, pela nota enviada ao Intercept.

VAZAMENTO SELETIVO

Esses vazamentos não eram casos isolados. Em 2016, procuradores da Lava Jato falavam abertamente sobre o uso de “vazamento seletivo” para mídia com a intenção de influenciar e manipular um suposto pedido de liberdade para o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha:

12 de dezembro de 2016 – Grupo Filhos do Januario 1

Carlos Fernando dos Santos Lima – 18:45:31 – Recebi do russo : Off recebi uma notícia que não sei se é verdadeira que haveria uma articulação no STF para soltura do Cunha amanhã
Roberson Pozzobon – 18:51:49 – Essa info está circulando aqui a PGR tb
Paulo Roberto Galvão – 18:57:24 – O Stf seria depredado. Não acredito
Athayde Ribeiro Costa – 18:57:40 –toffi, lewa e gm. nao duvido
Santos Lima – 18:58:37 – É preciso ver quem vai fazer a sessão.
Jerusa Viecilli – 18:58:39 – Pqp
Santos Lima –19:00:58 – Alguma chance de soltarmos a notícia da GOL?
Costa – 19:01:35 – vazamento seletivo …

Os diálogos provam que ele mentiu à BBC. A negativa aconteceu depois de Dallagnol ter participado de várias conversas nas quais seus colegas de força-tarefa discutiram explicitamente fazer aquilo que ele negava publicamente.

Isto é, promover vazamentos e usar a mídia para seus próprios interesses.

Ironicamente, o próprio Dallagnol observou à BBC o quão complexa é a tarefa de provar que houve vazamentos, pois, segundo ele, os envolvidos sempre negam: “É muito difícil identificar qual é o ponto (de origem do vazamento), porque se você ouvir essas pessoas, elas vão negar”, afirmou.

João Felipe Linhares colaborou com pesquisa nesta reportagem.

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A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



12 comentários

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Zé Maria

31 de agosto de 2019 às 19h11

O objetivo do Moro e do Dallagnol
não foi punir todos os Corruptos…
Portanto Nunca Foi Contra a Corrupção.

https://pbs.twimg.com/media/D8p5FLbWkAE6vOL.jpg

Responder

Jardel

30 de agosto de 2019 às 21h53

Deltan Dinheirol é um manipulador irresponsável.
Merecia um monumento em praça pública em homenagem à pilantragem.

Responder

Zé Maria

30 de agosto de 2019 às 18h47 Responder

Zé Maria

30 de agosto de 2019 às 18h38

Ex-presidente do TRF-4, Thompson Flores
– que agora atua na 8ª Turma – criou mudança administrativa no Tribunal para que juíza Gabriela Hardt
pudesse ser nomeada pela Corregedoria para atuar
em “regime de auxílio” e permanecer na Lava Jato.

Hardt foi juíza substituta de Sergio Moro, no período em que o hoje ministro era o juiz responsável, e ocupou interinamente a 13ª Vara Federal de Curitiba quando Moro tornou-se ministro do governo Jair Bolsonaro. Tanto nas ausências de Moro por viagens, compromissos e licenças, como posteriormente, Gabriela mostrou ser fiel ao alinhamento do ex-magistrado, tomando medidas similares e congruentes à postura de Moro.

E foi a juíza que, logo após a saída de Sergio Moro da Justiça Federal, condenou o ex-presidente Lula na segunda sentença, relativa ao sitio de Atibaia, usando para isso os argumentos e conclusões de despachos anteriores de Moro.

Além do visível alinhamento, Gabriela Hardt já chegou a se encontrar com o ex-juiz e hoje ministro de governo em eventos como o da Associação Paranaense dos Juízes Federais, na semana passada.

No documento obtido pela Folha e também pelo GGN, a corregedora regional Eliana Paggiarin Marinho publica uma portaria, em maio deste ano, designando Gabriela Hardt a “atuar em regime de auxílio, com prejuízo da própria jurisdição, nos processos do Juízo Federal da 13ª Vara Federal de Curitiba”. A medida estabelece que Hardt auxiliaria Bonat desde maio deste ano, quando a portaria foi publicada, até o fim de novembro.

A portaria nº 489 descreve, claramente, que a magistrada poderia atuar tanto em processos “não relacionados à Operação Lava Jato, no período de 03/06/2019 a 26/11/2019, bem como nos processos relacionados à citada Operação na fase anterior
ao oferecimento de denúncia e posterior à sentença,
no período de 27/05/2019 a 26/11/2019”.

Entretanto, afora a medida assinada pela Corregedoria Regional, um outro documento anterior e obtido pelo GGN [disponibilizado abaixo], foi o que possibilitou essa portaria. Trata-se de uma decisão do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, que por meio de uma resolução, cria este espaço para a mudança administrativa e interna na Justiça Federal.

A modificação nas funções de um juiz, que até então já havia sido afastada e estava na condição de substituta, foi feita com a Resolução Nº 54, no dia 24 de maio de 2019, 10 dias depois de a Corregedoria Regional ter decidido afastar Gabriela Hardt da Vara Federal de Curitiba, por um período de recesso.

íntegra:
https://jornalggn.com.br/justica/exclusivo-thompson-flores-atuou-para-gabriela-hardt-permanecer-na-lava-jato/

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Zé Maria

30 de agosto de 2019 às 16h13

Vaccari foi condenado por Globo e Mídia FasciPaulista
simplesmente porque era Tesoureiro do PT

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teve indulto
de uma condenação de 24 anos de prisão reconhecido
pela Justiça.

A decisão do juiz Ronaldo Sansone Guerra, da 1ª Vara
de Execuções Penais de Curitiba (PR), conferiu a Vaccari uma redução de pena para pouco mais de seis anos.

A pena atual que resta, de seis anos e oito meses,
deve ser cumprida em regime semiaberto.

Mas existem outras, que estão para julgamento no TRF-4
e podem alterar esse quadro.

Vaccari já cumpriu cinco anos e quatro meses em regime fechado, em Curitiba.
A defesa do ex-tesoureiro tenta obter a progressão da
pena para regime semiaberto.
A pena do ex-tesoureiro é de 30 anos e oito meses
por conta de mais dois processos da Lava Jato.

“A VERDADE SOBRE VACCARI”

De acordo com os advogados Pedro Dallari e Pedro Serrano,
que assinam texto de apresentação de um dossiê intitulado
“A Verdade sobre Vaccari”, ele é vítima de investigações
que se chocavam com os fatos.

“Ele não enriqueceu, não possui conta no exterior,
não obteve vantagens indevidas.
Solicitou doações oficiais para o PT, através de
transações bancárias, declaradas e aprovadas
pela Justiça Eleitoral”, ressaltam.

Vaccari foi preso em 15 de abril de 2015
por determinação do então juiz Sérgio Moro.
A prisão, inicialmente temporária, foi convertida
em preventiva, até que o ex-dirigente foi condenado
a 15 anos e quatro meses de prisão por Moro
em novembro de 2015.
Posteriormente, o ex-tesoureiro do PT foi condenado
em mais quatro ações, com penas que variam de seis a
10 anos de prisão, somando 31 anos de reclusão.

Em junho de 2017, a segunda instância
(8ª Turma do Tribunal Federal da 4ª Região – TRF4) inocentou Vaccari de uma condenação por lavagem
de dinheiro.
Contraditoriamente, em novembro daquele mesmo ano,
o mesmo TRF4 decidiu aumentar a pena de Vaccari
de 10 para 24 anos de reclusão, em outro processo,
em vez de absolvê-lo por falta de provas,
como na decisão do tribunal de cinco meses antes.

HISTÓRICO
No texto de apresentação do dossiê “A Verdade sobre Vaccari”,
os advogados Pedro Dallari e Pedro Serrano observam
que João Vaccari Neto, por sua posição chave na gestão
das finanças do PT, no início da década, vinha sendo
vítima de acusações pelo Ministério Público, sempre
tendo alguns veículos da imprensa como ferramenta.

“Vaccari é citado nos depoimentos e em delações
premiadas de investigados por ser tesoureiro do
Partido dos Trabalhadores.
O fato fez com que ele e sua família passassem a ser
alvos de investigação”, dizem os advogados.

“Além da esposa, Giselda, e da filha, Nayara,
o cerco se estendeu à sua cunhada Marice,
que havia sido funcionária do PT.

Marice foi presa e libertada após ter sido constatado
erro do Ministério Público”, relembram.

“Os fatos mostram a violência da investigação
contra Vaccari e sua família.

Vaccari foi conduzido coercitivamente a prestar
depoimento, sem que tenha sido convocado a depor.
Poderia ter se calado, mas esclareceu cada ponto.
Fez o mesmo ao depor na CPI da Petrobras”,
relata o dossiê.

“Condenar Vaccari, da forma como fez Sérgio Moro,
tentando criminalizar as doações oficiais de um único partido,
é um atentado à democracia”, diz o texto assinado
por Dallari e Serrano. (RBA)

https://verdadesobrevaccari.wordpress.com/dossie-verdade-sobre-vaccari/

Responder

Zé Maria

30 de agosto de 2019 às 15h51

.
Glenn revela que Jornal Nacional, da Globo,
atuava como parceiro de Moro/Lava Jato

“A Globo tá lucrando muito sem fazer Jornalismo”

https:/youtu.be/OMwYFWdK1Fw

Responder

ANTONIO SERGIO NEVES DE AZEVEDO

29 de agosto de 2019 às 20h09

NIETZSCHE EM TEMPOS DE VAZA JATO X LAVA JATO

Depois de um longo tempo, relembrar Nietzsche em tempos de Vaza Jato x Lava Jato é retornar a Nietzsche na essência. É ter a sensação de que ‘‘Ecce Homo’’ continua muito próximo, muito vivo. ‘‘O Anticristo’’ teve uma existência complicada. Espírito extremamente crítico, alternava momentos de euforia e depressão, numa dessas recaídas, Nietzsche evidenciou a odisséia humana: ‘‘A vida é o eterno retorno das coisas, se houvesse algum sentido, alguma finalidade já teríamos atingido.’’ Nesse momento, paira no texto um intruso – o título da obra hemingwayiano “Por quem os sinos dobram” que se completa com um recorte da música “Arte Final” de Belchior: “Não perguntes por quem os sinos dobram. Eles dobram por Ri! Ora, senhoras! Ora, senhores!”. Nietzsche tinha razão, o eterno retorno das coisas é facilmente aceito na explicação de muitas neuroses e manias humanas. Embora o seu trabalho não tivesse o merecido reconhecimento, nunca deixou que o alienasse. Espremia os miolos numa busca solitária que a todos passava despercebida, produzindo uma obra original que ultrapassou os tempos. Teve uma vida recolhida, poucos amigos, quase nenhum amor. Mas produziu e escreveu muito. Influenciou e inspirou muitos, a lista é vasta : filósofos, pensadores, políticos, cientistas, escritores. Detalhe: o grande criador da psicanálise, o médico neurologista austríaco Sigmund Freud, por exemplo, teria confessado mais tarde o cuidado que teve com os escritos do sábio alemão ao investigar a psique humana. Ou seja, tudo o que jorrou de Nietzsche, “Além do bem e do mal”, não pode ser considerado absoluto, até porque tudo é relativo e a perfeição não tem morada nesse mundo. Destarte, sempre persistirá no “Humano, Demasiado Humano” a ideia de que existe algo a fazer, algo que deve ser melhorado, algo que deve ser retornado. Mas deve ser feito agora, no próximo segundo, senão o tempo passa, a vida flui, novas sensações, velhas marionetes, os mesmos nomes, vetustas ideologias e daqui a pouco… ‘‘Pluft’’! Cadê você? Assim ele vociferou no “Crepúsculo dos Ídolos”, com a mesma intensidade, ele bradou em “Assim falou Zaratustra”. Assim, a voz do povo – “Longe de a voz do povo ser a voz de Deus, mais vezes do que não, o oposto tem sido a verdade. Siga a voz do povo e mui provavelmente errará” – independentemente do vencedor nessa contenda entre Lava Jato x Vaza Jato, o regozijo retumbante diante da dupla personalidade do cidadão, este continuará exteriorizando sentimentos de amor e ódio, fúria e paixão, direita e esquerda, provocando nos mais incautos e ingênuos – no homem médio – uma gigantesca confusão de identidade, mas que – suavemente – se revela diante dos ensinamentos de Nietzsche: a vida é o eterno retorno das coisas.

ANTONIO SERGIO NEVES DE AZEVEDO, estudante – Curitiba/Pr

Responder

Zé Maria

29 de agosto de 2019 às 13h34

“Estadão, grande vazadouro da Lava Jato!
‘Para colocar gente de joelhos’.
Jornalistas de bolso de procuradores.
Jornalismo ‘investigativo’ à brasileira.”

“O contribuinte paga todo o processo para obter informação.
O procurador vaza. Ganha notoriedade. Faz palestra paga.
Do outro lado o jornalista escreve livro, ganha aumento de salário.
Isso não é jornalismo investigativo.
É tráfico de informação sigilosa!”

https://twitter.com/VIOMUNDO/status/1167074938404179968
https://twitter.com/VIOMUNDO/status/1167084321049632768

Responder

Zé Maria

29 de agosto de 2019 às 13h02

Tudo mundo já suspeitava que o “SUPRIMIDO”
era o repórter do Estadão que mantinha contato
direto com os Patifes da Força-Tarefa de Curitiba.
Agora, todo mundo tem certeza …

Lembra aquela estreita amizade do Policarpo, da Veja,
com o “empresário do ramo de jogos” Carlos Cachoeira.

Responder

Zé Maria

29 de agosto de 2019 às 12h55

“CF(leaks)”: O Migo do “Russo” https://t.co/meETzw3QAQ

21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2

Santos Lima – 09:18:16 – Aliás, o Moro me disse
que vai ter que usar esta semana o termo
do Avancini sobre Angra
.
12 de dezembro de 2016 – Grupo Filhos do Januario 1

Carlos Fernando dos Santos Lima – 18:45:31 –
Recebi do russo :
Off recebi uma notícia que não sei se é verdadeira
que haveria uma articulação no STF para soltura
do Cunha amanhã

https://twitter.com/TheInterceptBr/status/1167019561385938946

Responder

Zé Maria

29 de agosto de 2019 às 12h45

“Vamos controlar a mídia de perto”

Dallagnol escreveu ao repórter contando o caso e perguntou se ele tinha interesse em publicar a história.

“Hoje ou amanhã, mantendo meu nome em off.
Pode falar fonte no MPF”, disse.

O repórter afirma que iria publicar e que a reportagem seria manchete no dia seguinte.

Em seguida, Deltan comenta o seu feito no grupo privado com os demais procuradores.
Carlos Fernando Santos Lima, no grupo FT MPF Curitiba 2, com escancarada franqueza, afirmou:

“meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração”.

m outro Chat disse a Dallagnol:

“Vamos controlar a mídia de perto.
Tenho um espaço na FSP*, quem sabe possamos usar se precisar.”

21 de junho de 2015 – Grupo FT MPF Curitiba 2
Deltan Dallagnol – 20:33:52 – Amanhã cooperação com EUA pro Bernardo é manchete do Estadão
Dallagnol – 20:34:00 – Confirmado
Carlos Fernando dos Santos Lima – 20:55:16 – Tentei ler, mas não deu. Amanhã vejo. Vamos controlar a mídia de perto. Tenho um espaço na FSP, quem sabe possamos usar se precisar.

*Agora dá pra entender por que a FSP hoje desviou o
assunto para a Lavagem de Dinheiro do Silvio Santos.

https://theintercept.com/2019/08/29/lava-jato-vazamentos-imprensa/

Responder

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