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Diário da Resistência


Emanuel Leite Jr.: Como a Globo promove o apartheid no futebol e o Brasil corre o risco de repetir a Espanha, ter apenas dois campeões
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Emanuel Leite Jr.: Como a Globo promove o apartheid no futebol e o Brasil corre o risco de repetir a Espanha, ter apenas dois campeões


29/07/2015 - 10h26

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Cotas de televisão do campeonato brasileiro: “apartheid futebolístico” e risco de “espanholização”

enviado por Emanuel Leite Jr., especial para o Viomundo

Até 2011, os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro eram negociados pelo Clube dos Treze.

A entidade realizava, também, a divisão dos recursos – o que ficou conhecido por “cotas de TV”.

Cenário que mudou em 2012.

Após um racha na associação*, cada clube acordou individualmente com a Rede Globo.

O futebol brasileiro passou, então, de um modelo de negociação coletiva com divisão que não agredia a isonomia (causando, por isso, o que denominei apartheid futebolístico), para o modelo de negociação individual (trazendo o risco da “espanholização”, em alusão à concentração em apenas dois clubes – na Espanha, Real Madrid e Barcelona).

Ironicamente, no ano em que o governo espanhol promulgou o Real Decreto-ley 5/2015, regulamentando uma negociação coletiva da exploração comercial dos conteúdos audiovisuais do campeonato espanhol, no Brasil o fosso entre os clubes deverá se aprofundar ainda mais.

A Globo prepara um novo contrato em que vai aumentar substancialmente os valores oferecidos a Flamengo e Corinthians.

Este é o tema que analiso em meu livro, “Cotas de televisão do Campeonato Brasileiro: apartheid futebolístico e risco de espanholização”, que lanço nesta quinta-feira, 30 de julho.

O Clube dos Treze negociava os direitos de transmissão de todo o campeonato, incluindo não só os direitos de seus 20 membros, mas também dos demais clubes que não pertenciam à entidade.

A associação ainda adotava seu critério próprio de divisão dos recursos, privilegiando os seus associados em detrimento dos demais, que eram, inclusive, denominados como “convidados” (termo, por si só, absurdo, como se fosse possível “convidar” alguém para negociar aquilo que lhe era de direito – a imagem de transmissão de seus próprios jogos).

Dentro da própria entidade ainda havia uma estratificação hierárquica, que representava diferentes valores a serem auferidos.

Criava, então, um pequeno, restrito e privilegiado grupo de elite, em prejuízo dos que não eram seus membros.

Tal situação gerava uma brutal desigualdade.

Fazendo surgir, assim, o que denominei de apartheid futebolístico, em analogia ao que o Senador Cristovam Buarque tão bem definiu como apartheid social, quando analisou a triste realidade de desigualdade social e econômica do Brasil.

Parafraseando Cristovam Buarque, os membros do Clubes dos 13 eram os “incluídos”, ao passo que os não-membros, que a própria entidade referia como “convidados”, seriam os “excluídos”.

Esse modelo de negociação e divisão dos recursos não era justo, pois carecia de critérios pré-estabelecidos, que respeitassem a equidade.

Quando se fala em isonomia, é bom ressaltar, não se busca a igualdade absoluta.

Afinal, como preconizou Aristóteles, “a igualdade consiste em tratar os iguais igualmente e os desiguais na medida de sua desigualdade.”

O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello elucida as dúvidas com seu questionamento essencial: “quem são os iguais e quem são os desiguais?”

Ou seja, ao invés dos critérios arbitrados pelo Clube dos Treze, seria imprescindível a existência de critérios distintivos razoáveis que justificassem os tratamentos diversos.

Como escavar um abismo

O futebol brasileiro, contudo, passou de um modelo que gerava desigualdade para outro que tende a escavar ainda mais o fosso que divide um seleto e restrito grupo de grandes clubes de todas as outras agremiações que praticam futebol no Brasil.

Nas negociações individuais, a tendência, pelo que mostram experiências de campeonatos nacionais da Europa, é de se ampliar o individualismo, privilegiando os grandes clubes e prejudicando os menores.

Assim, perspectiva-se o aumento da segregação dos clubes, reforçando a ideia de apartheid futebolístico no Brasil.

No nosso país, ao invés de se ter discutido a transição para modelos coletivos de negociação como os dos campeonatos da Inglaterra, Itália, Alemanha e França, permitiu-se que se passasse para as negociações individuais, tal qual ocorre em países como Portugal e Espanha.

Quer dizer, neste último, ocorria.

Uma vez que na Espanha, após intervenção estatal, o Real Decreto-ley 5/2015 veio para regulamentar a divisão do dinheiro dos direitos de transmissão.

Portanto, enquanto os espanhóis caminham para corrigir a injustiça que impunham aos concorrentes (se é que se pode usar este termo, diante de tamanha distorção) de Real Madrid e Barcelona, os novos contratos no Brasil, que deverão viger no triênio 2016-2018, apresentam uma perspectiva ainda mais sombria, uma vez que Flamengo e Corinthians ampliarão, em valores brutos e percentuais, a distância para todos os oponentes do Campeonato Brasileiro.

Valores das cotas do Brasileirão 2012-2015

Grupo 1 — Flamengo e Corinthians: R$ 110 milhões
Grupo 2 — São Paulo: R$ 80 milhões
Grupo 3 — Vasco e Palmeiras: R$ 70 milhões
Grupo 4 — Santos: R$ 60 milhões
Grupo 5 — Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 45 milhões
Grupo 6 — Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético-PR: R$ 27 milhões
Grupo 7 — Atlético-GO (2012), Figueirense (2012), Náutico (2012 e 2013), Ponte Preta (2012 e 2013), Portuguesa (2012 e 2013) e Criciúma (2013): R$ 18 milhões.

A Rede Globo, ao negociar individualmente com cada clube, adotou, de certa forma, a estratificação que o Clube dos Treze adotava quando repartia o bolo dos recursos até 2011.

Dos antigos 20 membros do Clube dos Treze que estão na Série A, apenas a Portuguesa foi despromovida por parte da Globo.

Se seguisse a antiga divisão interna do Clube dos Treze, a Globo pagaria R$27 milhões para a Lusa.

Contudo, o time paulista recebeu em 2012 e 2013 o mesmo que Náutico e Ponte Preta, R$18 milhões.

Os clubes do “grupo 6”, onde se encontra o Náutico, recebem 21,4% do valor a que Flamengo e Corinthians têm direito.

Analisando os recursos obtidos pelos dois rivais pernambucanos, o Náutico, com seus R$18 milhões, recebe 66% do valor que a Globo paga ao Sport (R$27 milhões).

Valores das cotas do Brasileirão 2016-2018

Grupo 1 — Flamengo e Corinthians: R$ 170 milhões
Grupo 2 — São Paulo: R$ 110 milhões
Grupo 3 — Vasco e Palmeiras: R$ 100 milhões
Grupo 4 — Santos: R$ 80 milhões
Grupo 5 — Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 60 milhões
Grupo 6 — Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético-PR: R$ 35 milhões
Grupo 7 — Demais clubes: negociações anuais com a Globo, a depender da participação na Série A

A partir de 2016, Flamengo e Corinthians, por exemplo, vão ampliar a diferença que hoje é de R$ 30 milhões em relação ao São Paulo (do segundo grupo) para R$ 60 milhões.

Vasco e Palmeiras vão ver a diferença, que até 2015 era de R$ 40 milhões, subir para R$ 70 milhões, para citar outro exemplo.

A Europa e seus modelos conflitantes: negociações coletivas vs. negociações individuais

Nos campeonatos nacionais da Europa, países como Alemanha, Inglaterra, Itália e França adotam o modelo de negociações coletivas, com a primazia à competitividade através da divisão equânime dos recursos financeiros.

Como já foi dito, a Espanha também passa a ter negociações coletivas.

Assim, dentre as seis principais ligas do Velho Continente, apenas Portugal segue adotando a negociação individual.

Restam, portanto, apenas ex-colônia e ex-metrópole, juntas, como símbolos de um modelo desigual.

Projeto de lei no Brasil

Em 2014, o então deputado federal Raul Henry, atual vice-governador de Pernambuco, apresentou o Projeto de Lei 7681/2014.

Tomando como base os meus estudos que agora são apresentados no livro “Cotas de televisão do Campeonato Brasileiro: apartheid futebolístico e risco de espanholização”, o projeto previa o acréscimo de alguns dispositivos ao artigo 42 da Lei 9.615/1998 (“Lei Pelé”).

Como Henry deixou o Congresso Nacional, seu PL fora arquivado.

Em março de 2015, porém, o deputado Betinho Gomes reapresentou a proposta.

O agora PL 755/2015 tem o mesmo conteúdo do PL 7681/14 e segue em tramitação na Câmara dos Deputados.

Se aprovado, traz regulamentação legal para a negociação coletiva para os contratos vindouros.

Ou seja, aplicaria ao Brasil aquilo que foi feito na Itália em 2011 e o que acabou de ocorrer na Espanha.
 
Sobre o livro

O livro é fruto dos estudos do repórter Emanuel Leite Jr. para sua monografia de bacharelado em direito, concluído em 2008.

Material que serviu de base para o projeto de lei 7681/14, do então deputado federal Raul Henry, atual vice-governador de Pernambuco (que assina o prefácio da obra).

No trabalho, o autor, a priori, busca lançar, sob a ótica de princípios constitucionais — como o princípio da igualdade, elemento fundamental de um Estado que se pressupõe democrático –, a questão da equidade sobre o tema. Num segundo momento, o autor passa à exploração do caso concreto.

Procura-se trazer o conhecimento teórico fruto de pesquisas trazendo para o debate a comparação com experiências bem-sucedidas (e as malsucedidas, do ponto de vista da preservação da equidade) das grandes ligas de futebol europeias, símbolos de sucesso tanto no âmbito desportivo quanto no âmbito do grande mercado do negócio do futebol.

Serviço

Título: Cotas de televisão do Campeonato Brasileiro: “apartheid futebolístico” e “risco de espanholização”
Autor: Emanuel Leite Jr.
Preço: R$ 30 (com o autor)
Páginas: 120
Formato: 14×21
ISBN: 978-85-8165-341-9
Lançamento: 30 de julho (quinta-feira)
Horário: a partir das 19h30
Local: Winner Sports Bar (Rua Venezuela, 148, Espinheiro, Recife-PE)

PS1 do Viomundo: Num recente debate sobre o assunto, resumimos a situação assim. Na NFL, liga do futebol com as mãos dos Estados Unidos, oito cidades tiveram clubes campeões nacionais nos últimos dez anos; no Brasil, foram três. Três dos maiores mercados brasileiros — Salvador, Fortaleza e Brasília — estão fora do principal campeonato brasileiro (população superior a 8 milhões de telespectadores). Dos 20 clubes no Brasileiro, 18 são do Sul e do Sudeste. Média de público da NFL, que vende vários pacotes a diferentes emissoras: 68.331. Média de público na liga americana de soccer: 19.148. Média de público no País do Futebol: 16.555. Como a NFL divide os direitos de televisão? Igualmente entre os clubes, para equilibrar o campeonato e torná-lo mais competitivo. Mais gente no estádio, mais gente na TV vendo se o seu time será campeão. A NFL vende os direitos direto ou tem um intermediário? Vende direto. Na NFL não tem J. Hawilla, que no Brasil fazia o trabalho de… pagar a propina.

*PS2 do Viomundo: No livro O Lado Sujo do Futebol, demonstramos que a implosão do Grupo dos Treze foi promovida pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, ao lado do presidente do Corinthians, Andres Sanchez. Teixeira, ao abandonar o cargo, perseguido por denúncias de corrupção, mereceu uma reportagem laudatória do Jornal Nacional. Por que?

Leia também:

Vejam como a Globo se despediu de Ricardo Teixeira

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



17 comentários

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Armando

01 de agosto de 2015 às 21h17

Também sou contra,mas não posso falar de injustiça pois na hora da venda do ppw e feito uma pesquisa de torcedores então os clubes com maiores torcedores e q assinam o ppw tem uma cota maior não acho justo,mas e um critério,acho que poderia os clubes todos se reunirem e tentar uma nova distribuição,mas acho difícil o Corintians e o Fla aceitarem, falarem que corremos o risco de ficarmos igual a Espanha e uma verdade,mas isso levado para outra área por ex a do povo brasileiro já esta assim a muito tempo os ricos cada vez mais e a classe media alta cada vez menos,onde esta a novidade no capitalismo e assim q funciona se alguém achar uma forma igualitária ai vem aquele papo de populismo essa e a nossa raça infelizmente,saudações vascainas

Responder

Lucas

31 de julho de 2015 às 00h46

Percebe-se que já há uma insatisfação no torcedor. O caso da torcida do Santos que protestou contra a emissora é um exemplo. Mas essa insatisfação ainda não tomou corpo na sociedade. Ou seja, existe muita gente ainda que precisa saber de toda essa maracutaia da Globo no esporte.

O que foi exposto na matéria deveria ser levado a escolas, faculdades, sindicatos e associações de bairro, e ser exibido em cartazes, panfletos ou em palestras. Acredito que os jovens irão se interessar bastante por isso. As cidades que têm times de futebol tradicionais, porém preteridos pela Globo, também irão se interessar. Pode-se até incluir outros esportes como basquete e vôlei na discussão, pois a Globo não os exibe em TV aberta, somente as finais dos campeonatos. E existem cidades em que esses esportes são até mais populares do que o futebol.

A população precisa saber que é possível ter uma melhor transmissão esportiva, ter mais canais transmitindo jogos, mais variedade de esportes, ver o time da cidade na TV. Porém precisamos fazer com que essas informações cheguem às pessoas interessadas para que elas possam reivindicar essas mudanças, como ocorreu na Argentina.

Responder

Bacellar

30 de julho de 2015 às 19h05

Aliás poderia ser o pulo do gato da EBC hein? Direitos de futebol….

Sonho meu…Sonho meu…

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Bacellar

30 de julho de 2015 às 18h42

O mais inacreditável (junto com o valor pago ao Vasco, alguém aí sabe se os Marinhos são vascaínos? Não é possível!!!) é que nessa estratégia de “espanholização” parecem não estar levando em conta na medida correta a incompetência colossal crônica das diretorias de Flamengo e Corinthians.

Responder

Vinicius Zanetti Garcia

30 de julho de 2015 às 12h18

Necessário se faz de uma rápida mobilização popular para impedir esta nefasta ação sobre o nosso futebol.
Até mesmo entre as categorias de base temos os efeitos surgindo. O país que era rico produtor de meias habilidosos, hoje só produz zagueiros, volantes e atacantes que mais parecem micos amestrados de circo.
A “filosofia” que impera entre os “técnicos” é a de impedir a derrota e não a de buscar a vitória.
O torcedor, cansado talvez da mesmice do espetáculo feito no estádio, busca na violência uma forma nova de entretenimento, sem temor, uma vez que a punição de tais atos é inexistente.
O Brasil como equipe leva de 7 em casa, numa Copa e a “solução” é fazer ressurgir um técnico que já mostrou ao que serve, enfim, um impositor do estilo brucutu que os mesmos alemães já dispensaram avistando a ineficácia da fórmula.
Quando o comando é cego, toda esperança fica nos soldados, enquanto houver soldados…

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Antonio

30 de julho de 2015 às 11h59

No post falta citar e definir a responsabilidade do Andrés Sanchez que ajudou a Globo a acabar com o Clube dos 13 quando uma concorrente venceu a licitação para transmissão das partidas de futebol.
O Andrés Sanchez não fez aquilo tudo de graça!

Responder

Emilson

30 de julho de 2015 às 11h51

Texto que ironiza a forma como a mídia trata a crise viraliza nas redes sociais
Postado em 30 de julho de 2015 às 6:34 am

Viralizou nas redes sociais um post no facebook em que o crítico de cinema Pablo Villaça ironiza a forma como a mídia noticia a crise econômica. Você pode ler abaixo.

APESAR DA CRISE
———————
Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.

Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?

Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que o de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.

Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos – e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz, etc.
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Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.

Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro – porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não?

Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.

“Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.”

“Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise”

“Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas”

“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”

“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre”

“Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015″

“Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015″

“Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.”

“Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,”

“16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;”

“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais”

“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas”

Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.

A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro.

Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população – o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.

Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis – no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos.

E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam.

Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.

Responder

    Elias

    30 de julho de 2015 às 16h22

    Incrível, Emilson! Pablo Villaça matou a cobra (e como sempre diz o presidente Lula) e mostrou a cobra morta. 400 mil resultados no Google para “apesar da crise” foi uma descoberta de Villaça digna de virilizar não só no Brasil como no
    mundo. Imprensa encardida essa que corre no país.

Leo

29 de julho de 2015 às 23h06

Azenha, eu achei que nunca mais leria artigos como esse por aqui. Vejo que o Viomundo está voltando as suas origens. Isto é muito saudável!
.
Que tal uma Operação Lava-Jato no âmbito da mídia brasileira?
.
Abraços

Responder

FrancoAtirador

29 de julho de 2015 às 21h09

.
.
Ó, Mái Dárlim!
.
Standard & Poor’s Corta Grau de Confiança no Grupo Globo
.
A Agência de Classificação de Risco Queridinha [email protected] Globais
.
revisou para Negativa a Perspectiva da Nota de Crédito
.
da GLOBOPAR (Globo Comunicação e Participações S.A.).
.
(http://noticias.r7.com/economia/agencia-de-risco-revisa-perspectiva-de-30-empresas-brasileiras-de-estavel-para-negativa-29072015)
.
.

Responder

Miguel Silva

29 de julho de 2015 às 20h35

Os clubes que estão em níveis de remuneração inferior, de 2 para diante, deveriam se unir e criar uma liga independente. Aí acabaria a banca da Globo e da CBF corruptas.

Responder

Cláudio

29 de julho de 2015 às 19h13

:
.:. 19:13 … .
Ouvindo A Voz do Bra♥S♥il e postando:
Valeu a pena ! ! ! ! Dá gosto ser o cantor do seu povo ! ! ! !
… .
* 1 * 2 * 13 * 4
*************
… .
Uns poemas (acrósticos) de autoria de Cláudio Carvalho Fernandes (poeta anarcoexistencialista) para Dilma Rousseff, a depenadora de tucanus, e Lula, o comedor de tucanus :
.:.
D uas vezes contra o espectro atro
I nscreveu já seu nome na história
L utando contra mídia venal & Cia e seu teatro
M ulher forte de mais uma vitória
A deixar tucanus na ó-posição de quatro ! ! ! ! de quatro ! ! ! ! de quatro ! ! ! ! DE QUATRO ! ! ! !
.:.
D ilma, coração valente,
I magem de todo o bem em que se sente
L ivre o amor maior pela brasileira gente
M uito humana e inteligente
A PresidentA do nosso Lula 2018 de novo Presidente
.:.
D ignidade
I ntegridade
L iberdade
M aturidade
A mabilidade
.:.

D ilma, de uma nação vitoriosa
I lustre brasileira lutadora
L uz de dedicação esplendorosa
M otivando a pátria gloriosa
A uma luta digna, vencedora.
::
L uz do povo brasileiro
U m digno e fiel lutador
L astreando com real valor
A honra do Brasil inteiro.
.:.
D ilma, os conscientes te agradecem
I nfinitamente por tua digna história
L utando por todos que reconhecem
M ais a vida no bem comum de fazer na glória
A grande pátria-nação que os brasileiros merecem
.:.
D ilma, coração valente,
I sso que a gente sente
L ibertar o ser plenamente
M antendo sempre presente
A humanidade inteligente
.:.
D ilma deu mais uma surra na ó-posição
I gual ao que Lula também já fez
L ivrando o povo brasileiro da infelicitação
M ostrando que o Brasil tem voz e vez
A o mundo todo dignificando sua população
.:.
L ula livrou 40 milhões da pobreza
U m feito memorável sem precedentes
L utando contra a mídia venal, teve a certeza
A bsoluta de estar ao lado dos brasileiros conscientes
.:.

D ilmais deu mais uma surra na ó-posição
I nstalada na grande mídia venal
L ula teve a sua participação
M andando o pig & Cia ao
A bismo na quarta eleição
.:.
D oar-se a seu povo é exemplo dignificante
I luminando a vida de outros seres lhanos
L ouve-se quem bem merece que se cante
M aravilhas de se acreditar nos humanos
A promover em cada ser o mais do ser em ser interessante
.:.
L ivrando da pobreza absoluta 40 milhões de brasileiros
U m feito sem igual que por si só já bastaria
L ula segue sendo no mundo um dos primeiros
A fazer de seu povo a eterna rima rica de sua poesia
… .
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Ley de Medios Já ! ! ! ! Lula 2018 ! ! ! !
♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ ♥

Valeu a pena ! ! ! ! Dá gosto ser o cantor do seu povo ! ! ! !

Responder

José Carlos Vieira Filho

29 de julho de 2015 às 17h51

Uma pergunta inocente: por que o Brasil não conhece e não tem acesso à TeleSur?

Responder

    FrancoAtirador

    29 de julho de 2015 às 21h17

    .
    .
    Por que o Cartel das Empresas de Telecomunicação Norte-Americanas e Europeias
    .
    instaladas no braZil Não Permitem a Inclusão da TeleSurTV nos Pacotes de Canais.
    .
    Assim como também impedem de todas as maneiras o acesso à TV Árabe Al Jazeera.
    .
    .

Octavio

29 de julho de 2015 às 14h14

Sinceramente, eu sinto pena daqueles que criam seus filhos para idolatrar pessoas, cujo único atributo é o de chutar uma bola, lançar um dardo, correr mais rápido, cuspir a distância. Claro que penso que devemos, sim, respeitá-los, mas nunca torná-los mais importante do que eles são. Não são exemplos de superação, pois apenas as pessoas com aquelas determinadas habilidades conseguem chegar a marcas olímpicas. Além de terem seus corpos mutilados pela fadiga do treinamento e competição. Acredito que, se todo o esporte fosse amador, teria o mesmo grau de sucesso. O resto é apenas dinheiro. E isto se aplica ao futebol. Não é esporte é atividade econômica.

Responder

Urbano

29 de julho de 2015 às 14h00

Em área em que a responsabilidade é muitíssimo mais séria, como a República brasileira, os escroques da oposição ao Brasil estão impondo o caos, a fim de voltar ao posto de mando e impor a sua política bandida da locupletação, a única inerente a seu ser…

Responder

Sidnei

29 de julho de 2015 às 11h15

Não pode ser somente o Timão Campeão!!! rssss

Calma, brincadeira….. realmente a CBF e a Grobo disputam para ver quem consegue acabar com o futebol primeiramente…

Responder

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