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Em NY, Guedes promete queima total do patrimônio brasileiro: ‘Estamos vendendo tudo! Em silêncio, já vendemos US$ 12 bi’
Válter Campanato/Agência Brasil
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Em NY, Guedes promete queima total do patrimônio brasileiro: ‘Estamos vendendo tudo! Em silêncio, já vendemos US$ 12 bi’


11/04/2019 - 06h01

EXCLUSIVO: EM ALMOÇO EM NOVA YORK, O MINISTRO DA ECONOMIA PAULO GUEDES PROMETE QUEIMA TOTAL DE ESTOQUE DO PATRIMÔNIO ESTATAL

Do Comitê Defend Democracy in Brazil/ NY

Causou espanto a declaração do Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante almoço com investidores em Nova York.

“Nos conhecemos há 30 anos e você tomou uma decisão muito inteligente, voou para fora do Brasil. Você foi muito esperto de morar fora do Brasil”, disse Guedes a um empresário brasileiro que vive em Miami há vinte e cinco anos e queria saber o que o governo vai fazer caso não consiga aprovar, no Congresso, a reforma da previdência.

No almoço, Guedes elogiou quem achou melhor fazer a vida fora do país. Ainda assim, garantiu à platéia de potenciais compradores do patrimônio brasileiro que tudo vai bem no país.

“A democracia vai bem”, disse mais de uma vez, como quem precisa convencer quem está pensando o contrário. E insistiu: “vocês devem observar o que está acontecendo no Brasil como um resultado natural. Não devem ficar chocados ou desesperados, achando que é um fenômeno incompreensível ou que algo muito sério está acontecendo por lá”. E “vamos aos negócios”, pois para isso foi marcado o almoço, promovido pela empresa XP Investimentos, que tinha como tema os cem primeiros dias do governo Bolsonaro.

Ministro de destaque no governo de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes surpreendeu ao responder uma única pergunta durante almoço com investidores em Nova York, no dia 10. Um antigo conhecido que vive em Miami há vinte e cinco anos perguntou se Guedes tem um plano B caso não consiga aprovar no congresso o projeto da reforma da previdência.

“Estamos vendendo”, anunciou Paulo Guedes. “Já vendemos 12 aeroportos, concessões, estamos vendendo tudo!”, garantiu.

E pelo visto, o governo Bolsonaro tem pressa: “temos que acelerar a privatização. O Brasil ficou dormindo 10 anos”, disse Guedes, explicando que o dinheiro da venda das empresas e investimentos brasileiros será usado para pagar a dívida interna. Mas nem tudo… “Nem todo o dinheiro será usado para reduzir a dívida porque quando o Banco do Brasil ou a Petrobrás vendem partes de suas operações, uma porcentagem do dinheiro vai para os investidores privados”.

Guedes garantiu que na surdina, o governo já está implementando a venda dos bens nacionais. “Nossa meta é vender US$ 20 bilhões este ano. Em silêncio, sem fazer barulho, já vendemos US$ 12 bilhões. Mais da metade. Vamos superar nossa meta”, afirmou. O ministro também deixou claro que se depender do atual governo, o Brasil em breve não terá mais uma empresa estatal de petróleo. Nas palavras claras de Guedes:

“- A Petrobras tem que focar no seu principal negócio. Explorar petróleo, é isso que vai fazer. O resto vende. Assim se concentra no que tem que fazer, se torna mais eficiente, concentrada, fácil de vender.”

Ele garantiu que a reforma da previdência será aprovada porque os políticos estão encurralados, pressionados pela opinião pública.

Mas uma pesquisa CUT/Vox populi, divulgada enquanto o Ministro discursava em Nova York, revela que 65% rejeitam a proposta de reforma apresentada pelo governo. A mesma pesquisa indica que subiu para 70% o índice de brasileiros insatisfeitos com o Brasil de Jair Bolsonaro.

Os eleitores do nordeste ficaram ainda mais insatisfeitos se tivessem ouvido o que o ministro disse a respeito de uma das obras mais importantes dos governos do PT para a região.

Segundo Guedes, um dos maiores problemas do Brasil é a concentração de recursos nas mãos da União. Com tanto dinheiro, disse ele, o governo federal faz projetos absurdos. “Constrói pontes prá lua, até muda cursos de rios.. é muito dinheiro pra fazer coisas muito loucas”, disse, zombando da importante transposição do rio São Francisco.

Talvez seja algo que ele retifique, como fez com a declaração em 12 de março, de que o ex-Presidente “Lula não roubou um tostão”, e que ontem evadiu em entrevista a um blog de extrema direita.

Guedes disse que hoje é um homem popular. Onde quer que vá, garantiu, os brasileiros querem tirar fotos com o Ministro da Economia.

Mas ele preferiu não testar toda essa popularidade em Nova York, onde os ativistas foram expressivos contra os Ministros do governo Temer. Optou por escapar por uma saída lateral e evitar a imprensa que o esperava na porta do salão onde acabara de prometer uma ampla queima de estoque de empresas brasileiras em quatro anos de governo.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



5 comentários

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Nelson

11 de abril de 2019 às 23h09

Meu caro Mário. Eu gostaria muito de estar equivocado em minha análise sobre os rumos do nosso país e da Argentina. Contudo, o “andar da carruagem” vai mostrando que a análise está correta.

A resposta à primeira pergunta é simples. Queiroz está sendo guardado como trunfo do Sistema de Poder, para moldar os Bolsonaros àquilo que esse Sistema quer.

Caso algum deles queira trilhar caminho diferente do traçado, a Lava Jato, Moro ou qualquer outro integrante do Judiciário será chamado a prosseguir com a investigação acerca do Queiroz.

À segunda pergunta eu respondo assim. Eu já penso que o Sistema de Poder já nem precisa mais comprar essa canalhada toda, oferecendo mais moeda, digamos assim. Sofisticado, este Sistema hoje já tem condições de espionar todo mundo e, portanto, cada detalhe da vida de cada um.

A partir daí, fica fácil manejar com a chantagem. Ou o sujeito entrega aquilo que o Sistema está a exigir, ou ele que será entregue a Sérgio Moro ou aos procuradores tementes a Deus da Lava Jato. Então, com medo de ir parar na cadeia, o sujeito, querendo salvar seu pescoço, entregará tudo o que o Sistema quiser.

Por que ele ainda não está preso? Ora, meu caro, pela mesma razão porque Fernando Henrique Cardoso não está preso – na verdade, a que eu saiba, nem um mísero processo chegou a ser aberto contra ele -, pela mesma razão porque José Serra não está preso, pela mesma razão porque Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira “Gato Angorá” Franco também não estão presos e processos que vierem a ser abertos contra eles dormirão nas gavetas até que prescrevam.

Todos os que citei e muitos outros mais, que trabalham ou trabalharam para que os objetivos do Sistema se materializem ou materializassem, não são deixados “sentados à beira do caminho”, serão amparados.

E a última pergunta. A Venezuela tem um governo que, há mais de 20 anos vem ousando não seguir o caminho determinado pelos Sistema de Poder que domina os Estados Unidos. Então, como já aconteceu com outros desobedientes, é preciso fustigá-lo até que desista da desobediência e volte a fazer parte do rebanho de cordeirinhos amestrados do Tio Sam.

Já a Argentina tem um governo que colocou o país de volta ao rebanho de cordeirinhos. Portanto, como comporta-se como o riscado não pode ser alvo de questionamentos para não manchar a reputação do Sistema de Poder que domina os EUA.

O que de ruim lá acontece só deve ser noticiado muito tangencialmente, de forma a que as pessoas assimilem como apenas alguns efeitos indesejados do neoliberalismo que logo vão desaparecer e a bonança será estendida a todos.

Responder

Zé Maria

11 de abril de 2019 às 15h18

Esses R$ 12 Bi são pra pagar os acordos
de delações da Força-Tarefa de Patifes?

Responder

Nelson

11 de abril de 2019 às 10h17

Pode ser só coincidência, mas acabei de ler, agora há pouco, uma nova matéria que vem ratificar o que afirmei no comentário anterior: “Estado argentino fecha as portas a 2 mil cientistas”.

A postura de Macri – tal qual a de Temer e a de Bolsonaro – é escandalosa e abjetamente antinacional, vende-pátria mesmo. Vejamos alguns trechos da matéria:

“Cada vez menos científicos argentinos pueden acceder al Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas (Conicet). En la última convocatoria de ingreso a la carrera de investigador abierta en 2018 quedaron confirmados este mes solo el 17% de los aspirantes.”

“Respecto de 2018, este año los nuevos ingresos cayeron de 600 a 450 y para muchos científicos la única opción viable es la salida del país. Este hecho resulta paradójico, ya que una gran cantidad se formó en carreras universitarias, maestrías, doctorados y postdoctorados en instituciones públicas y gracias al acceso a becas de estudio, financiadas por el Estado. Sin embargo, completados todos los requisitos para aplicar al Conicet, la mayoría ya no tiene lugar para desarrollar su carrera en el país.”

“Este año, 2.145 aspirantes al Conicet quedaron fuera y varios ya comunicaron que continuarán sus carreras en el exterior, tendencia que crece en Argentina y que popularmente se denomina como “fuga de cerebros” hacia los países desarrollados. Estos últimos reciben científicos formados durante muchos años, sin haber invertido nada en sus largas carreras educativas, que son de entre 10 y 12 años en promedio.”

“La mayoría de estas personas a las que les fue notificado el rechazo del Conicet quedaron además automáticamente sin becas ni empleo y pasaron a engrosar la lista de nuevos desocupados.”

A matéria está disponível em https://www.rebelion.org/noticia.php?id=254697.

Responder

Nelson

11 de abril de 2019 às 10h03

Sem surpresas. Em meus debates sobre a eleição de 2018, eu sempre procurava mostrar que aquele que fosse eleito, entre Alckmin, Amoêdo, Dias, Meirelles ou Bolsonaro, apenas daria sequência à destruição nacional iniciada pelo golpista, corrupto e vende-pátria Michel Temer.

Assim como o de Temer, o governo Bolsonaro está apenas aplicando o projeto que o Sistema de Poder que domina os Estados Unidos elaborou para o Brasil. Não só para o nosso país, mas também para a Argentina, que Macri está também destruindo.

O objetivo é transformar nossos dois países, os dois maiores e mais viáveis da América Latina, em meras colônias. Nos tornaremos meros exportadores de commodities, agrícolas ou minerais.

A indústria, notadamente a de tecnologia mais avançada, pesquisa, ciência, estão proibidas, pois se investirmos nestas áreas chegará um momento em que passaremos a prescindir da tecnologia dos países ricos.

Mais que isso, teremos condições de competir com as corporações do chamado primeiro mundo no fornecimento da tecnologia a outros países que não a tem. A consequência disso é óbvia: perda de espaços de obtenção de lucros por essas corporações.

Então, amigo, é preciso aniquilar com a capacidade de países como o Brasil e a Argentina, e vários outros, de investirem e de desenvolverem seu potencial. É preciso eliminar competidores, atuais e futuros.

A denúncia feita pelo Observatório de Ciencia y Tecnologia [OCT], associado ao Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico [CLAE] mostra, clara e limpidamente, o projeto de que falei acima:

“Desde que a aliança neoliberal Cambiemos assumiu o governo argentino, em dezembro de 2015, se produziram cortes orçamentários drásticos em todas as áreas relacionadas com a Ciência e a Tecnologia. O resultado é o desmantelamento das empresas estatais de tecnologia, espacial, agrária, industrial, entre outras, substituindo o conhecimento estratégico soberano por contratos com empresas estadunidenses e israelenses.”

A matéria com a denúncia do OCT está disponível em https://www.rebelion.org/noticia.php?id=247419

Responder

    mario

    11 de abril de 2019 às 14h04

    Muito bom seu comentário. tenho algumas perguntas:
    1- Onde está o Queiroz?
    2- Quanto este lesa pátria e seu grupo de banqueiros fraudulentos estão levando nas negociatas?
    3- Por que este sujeito ainda não está preso?
    4- Por que só falam da venezuela enquanto aqui nas barbas do quintal bananeiro a Argentina está levando seu povo à miséria e à fome?
    Só para refletir…


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