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Diário da Resistência


Diesel sobe 10 centavos por litro mesmo com ameaça de greve dos caminhoneiros
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Diesel sobe 10 centavos por litro mesmo com ameaça de greve dos caminhoneiros


17/04/2019 - 22h50

Petrobras anuncia aumento de R$ 0,10 no preço do diesel

Segundo o CEO da companhia, reajuste representa uma alta entre 4,5% e 5,1% no valor do combustível nas bombas, a depender do ponto de venda

do Infomoney

SÃO PAULO – A Petrobras anunciou na noite desta quarta-feira (17) um reajuste de R$ 0,10 no litro do diesel, o que, segundo o CEO da companhia, Roberto Castello Branco, representa uma alta entre 4,5% e 5,1% no valor do combustível nos pontos de venda da companhia.

Com a notícia, os ADRs da estatal negociados em Nova York dispararam 3%.

Em coletiva, o executivo disse que a empresa não teve perdas com o adiamento do ajuste do preço do diesel e que isso se deu, em partes por sua política de hedge, sendo que foi o preço do frete marítimo que permitiu este reajuste menor.

Castello Branco defendeu em sua fala a abertura do mercado de combustíveis do país, bandeira defendida também pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“O monopólio é incompatível com a sociedade livre. Não é bom para economia e nem para o monopolista. Queremos competição, quero a Petrobras mais forte e pronta para competir”, afirmou o CEO da estatal.

Sobre a periodicidade dos reajustes, o executivo disse ainda que será flexibilizado “para quando achar importante ter”. Segundo ele, a Petrobras segue livre para definir os preços dos combustíveis: “a palavra final é minha”. Hoje os reajustes são feitos com intervalo mínimo de 15 dias.

Após anunciar um aumento de 5,7% no preço do diesel na última quinta-feira, a estatal voltou atrás no mesmo dia após o presidente Jair Bolsonaro ligar para o CEO da petrolífera, Roberto Castello Branco, e pedir a suspensão do reajuste.

Na sexta, as ações da companhia desabaram 8%, levando a empresa a perder R$ 32,4 bilhões de valor de mercado.

Já na última terça, ocorreu uma reunião entre Bolsonaro, ministros e o presidente da Petrobras. Após o encontro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o presidente pensou na dimensão política do reajuste quando ligou para o chefe da estatal.

Além disso, o ministro afirmou que estão em estudo várias alternativas para dar mais transparência à política de reajuste de combustíveis da Petrobras, entre elas indexar o preço do frete ao valor do diesel.

Ele citou que essa é a política utilizada nos Estados Unidos e disse que foram feitas “interrogações” à Petrobras durante a reunião com o presidente Jair Bolsonaro.

“Tudo tem que ser estudado para o futuro, o presidente da Petrobras já estava estudando. Esse episódio precipita a aceleração de estudos”, ressaltou Guedes. “O próprio presidente da Petrobras está recalculando quais seriam as melhores praticas”.

PS do Viomundo: O “mercado” sabe que a frase ‘o monopólio é incompatível com a sociedade livre’ significa o esquartejamento da Petrobras, que será reduzida a furar poços. Exxon, Chevron, BP e as estatais que controlam a maior parte do petróleo do mundo vibram! É raríssima nos dias de hoje a oportunidade de acesso a fontes provadas de petróleo por uma barganha. Para fazer isso no Iraque, os Estados Unidos torraram bilhões de dólares numa guerra. Como diria aquele antigo personagem de humor, brasileiro é tão bonzinho. Uma das lideranças dos caminhoneiros ameaçou greve: “Se o diesel aumentar um centavo que seja e não houver efetiva fiscalização da aplicação do piso, a gente para no dia 21, quando a greve do ano passado completará um ano”, disse Wanderlei Alves, do Paraná. É muito mais provável que os caminhoneiros sejam duramente reprimidos do que Guedes e seu time desistam de esquartejar a Petrobras, deixando o preço do diesel e da gasolina flutuar — ou seja, subir — ao gosto do “mercado”.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



4 comentários

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henrique de oliveira

22 de abril de 2019 às 15h40

Os caminhoneiros , assim como paneleiros e manifestoches , só vão no embalo da mídia golpista , não queriam o Bozo , agora aguentem , estão acovardados e morrendo de vergonha , pediram a desgraça e agora Inês é morta , que se danem.

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Zé Maria

20 de abril de 2019 às 19h07

https://twitter.com/i/status/1119428773802401793
Ainda veremos o dia em que a Classe Trabalhadora e os Estudantes, juntos,
cruzarão os Braços, como a menina, e dirão Não! ao Fascismo de Mercado.
Aliás, já está beirando 70% os que balançam a Cabeça da Direita pra Esquerda.
https://twitter.com/Debora_D_Diniz/status/1119603803601416193

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Jair Soares

19 de abril de 2019 às 10h10

“Quando a cabeça não pensa, o corpo sofre as consequências”.
Boa sorte aos caminhoneiros, a categoria que se achou politizada e foi usada como massa de manobra. Quem sabe a intervenção militar que eles tanto pediram não chegue agora…

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João

18 de abril de 2019 às 08h56

A GREVE DOS CAMINHONEIROS É SÓ POR CAUSA DE 10 CENTAVOS? NÃO É BEM ASSIM

Já derrubaram uma presidenta por causa de um reajuste de 20 centavos, dizem, no preço das passagens do transporte coletivo da maior cidade do Brasil, Sampa. Portanto, o reajuste não afetava todos os brasileiros, porque valeria para uma única cidade.

Agora, os caminhoneiros ameaçam o governo com uma segunda greve depois do golpe “dos vinte centavos”. E por apenas 10 centavos no preço de um litro de óleo diesel. Pode, Arnaldo?

10 centavos na refinaria equivale a pelo menos a 15 centavos na bomba, já que o preço final do produto depois do reajuste depende de alguns fatores, sendo o principal deles a distância entre a refinaria e o posto onde o diesel vai ser vendido.

Por outro lado, a distribuição do óleo diesel é feita por caminhões taques que são movidos também a diesel.

Considerando que os percentuais de impostos devem continuar os mesmos, na bomba o preço do diesel deve sofrer um reajuste de pelo menos 15 centavos/litro.

Um caminhão faz entre 2,8 a 3,5 km por litro de diesel, dependendo da sua marca, do peso da mercadoria transportada, da sua idade, do desempenho do motorista. Depende também das condições de tráfego das estradas (buracos e desvios) e das revisões periódicas.

Com 11 horas de trabalho diário (este é o máximo de horas que a legislação permitiria) um caminhoneiro roda 800 km, que divididos por 3,5 (a média de quilometragem por litro de diesel) dá aproximadamente 230 litros de combustível/dia. Uma carreta deve gastar mais do que isso.

Mas, calculemos as perdas em cima dos 230 litros. 15 centavos multiplicados por 230 é igual a aproximadamente R$ 35,00/dia, que multiplicados por 30 (motorista do seu próprio caminhão não pode se dar ao luxo de ter finais de semana nem feriados livres no mês) dá R$ 1.050,00 reais a menos no faturamento mensal.

Isto é o que um motorista gasta de comida, café, água , refrigerantes, cigarros e/ou drogas (para se manter acordado) mensalmente, se não viajar com a companheira de lado.

E então, você ainda continua com peninha dos acionistas da Petrobrás?

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