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Consumidor fica sem água, mas Sabesp vai muito bem nos lucros
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Consumidor fica sem água, mas Sabesp vai muito bem nos lucros


30/10/2014 - 11h12

represa

A crônica de um fracasso

por Heitor Scalambrini Costa*

Governos têm sucesso quando executam políticas públicas que respondem aos desafios apresentados, e criam assim condições para um futuro melhor. No caso do que se convencionou chamar da crise de desabastecimento de água em São Paulo, algumas características deste evento foram sendo delineadas, e hoje estão bem definidas.

O sistema Cantareira, que abastece 364 municípios paulistas, de um total de 645, atendendo 27,7 milhões de pessoas que respondem por 73% da receita da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo detém 50,26% das ações da companhia, e os outros 49,74% estão nas mãos de acionistas privados), poderá deixar 6,5 milhões de paulistanos sem água em suas torneiras.

A culpa é menos de São Pedro do que do governo de São Paulo que administra a Sabesp, e que subestimou os impactos das mudanças climáticas, da extração desordenada e descontrolada de recursos hídricos, da falta de conservação e proteção dos mananciais, e, não menos relevante, da poluição.

Faltaram planejamento estratégico na gestão integrada e compartilhada dos recursos hídricos, e os investimentos necessários em obras que poderiam ter amenizado o racionamento existente (sobre o qual o presidente da Sabesp demonstrou descaso ao dizer que “Não existe racionamento, existe uma administração da disponibilidade de água”).

Em 2004, uma série de seminários com especialistas debateram a crise de 2003 do sistema Cantareira, e apontaram para a necessidade de ampliar a disponibilidade de água do sistema, indicando que o melhor caminho para isso era buscar água no Vale do Ribeira através de uma obra que demoraria aproximadamente 10 anos para ser estudada, projetada e concluída, mas que, caso tivesse sido realizada, provavelmente não haveria problema de escassez de água como ocorre atualmente.

E a falta de transparência ficou evidenciada, mais do que nunca, quando foi tornado público um relatório de 2012 da própria Sabesp, revelando o risco de desabastecimento no sistema Cantareira, e alertando investidores da Bolsa de Valores de Nova York para a estiagem prevista e seus impactos nas finanças da empresa. Somente encarou o problema a partir do inicio de 2014, quando criou um bônus para quem economizasse água.

A irresponsabilidade técnica e gerencial da empresa merece ser destacada. O plano enviado a ANA (Agência Nacional de Águas) para operar o sistema Cantareira até abril de 2015 não tem amparo adequado na realidade.

A probabilidade de recuperação do sistema é altamente arriscada, com um cenário traçado que já não se confirma neste mês de outubro (2014).

A arrogância e soberba dos gestores da água em São Paulo levaram a Justiça Federal a proibir a captação da segunda cota do volume morto do sistema Cantareira, já que a empresa vinha captando mais água que o autorizado.

Tudo se faz para não decretar oficialmente o racionamento, nem prejudicar o valor de suas ações na bolsa. A água é tratada como um mero “negócio”, não como um bem coletivo.

Apesar dos problemas verificados nos anos 2000, o que se constatou foi um aprofundamento ainda maior da política da água como mercadoria, e da empresa a serviço do mercado e de interesses políticos escusos, com diretorias indicadas por estes interesses inconfessos, sem nenhuma abertura para um planejamento técnico sério, vinculado às necessidades da população.

Prova disso é o quadro funcional da Sabesp, reduzido de 21 mil trabalhadores para 14 mil. Em particular, o setor de engenharia e operação foi diminuído a ponto de, atualmente, várias unidades terem um quadro de técnicos capacitados abaixo da necessidade para a atividade fim da companhia.

Por outro lado, no último balanço divulgado foi comemorado um lucro de 1,9 bilhões de reais da companhia, mostrando que do ponto de vista mercadológico a empresa vai bem.

O centro da questão está na malfadada gestão dos recursos hídricos de responsabilidade do governo do estado de São Paulo.

Não por acaso o Ministério Público possui, segundo a Promotoria de Justiça do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente, 50 investigações sobre a gestão da água feita pela Sabesp.

A mercantilização de um bem essencial a vida, cujo lucro, ao invés de usar na realização de obras, paga dividendos a acionistas e especuladores é que tem provocado uma crise de tal dimensão, e consequentemente o sofrimento da população paulista.

*Professor da Universidade Federal de Pernambuco

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32 comentários

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Antonio José Perez Lima

03 de novembro de 2014 às 10h52

A situação de São Paulo é grave, muito grave, e as consequencias são imprevisíveis, ou seja, a seca, produto da irresponsabilidade do Governo Estadual poderá trazer doenças pela falta de higiene da população,além do que as pessoas mal poderão se alimentar, as industrias que dependerem da água irão desacelerar as suas atividades e o desemprego virá junto com um quadro socioeconômico desalentador.A economia do país estará em risco.A América Portuguesa, que nunca deu certo, pode ficar ainda pior.Políticos corruptos, interesseiros, que nunca são punidos, alta criminalidade, baixa instrução, são fatores que mataram o Brasil.

Responder

Lindivaldo

02 de novembro de 2014 às 10h47

A folha de hoje diz que a seca em SP está afetando a Economia.

O PSDB cobra de Dilma uma Economia robusta, mas oferece suas gestões em frangalhos.

Como poderá o Brasil crescer este ano com os prejuízos causados pelas más gestões do PSDB em SP e MG?

E não adianta jogarem a culpa no clima nem regionalizar o problema!

A crise era previsível, administrável e localizada em SP, com poucos desdobramentos em MG.

O que houve foi falta de planejamento!

Responder

FrancoAtirador

31 de outubro de 2014 às 21h24

.
.
“Diante dos áudios em que a diretora-presidente da SABESP, Dilma Pena [PSDB],

declara ter recebido ordens do Governo do Estado [PSDB]

para esconder a grave Crise de Abastecimento de Água em São Paulo,

fica claro que o governo do PSDB colocou seus interesses eleitorais

acima do interesse público.”

Deputado Federal Chico Alencar (PSOL-RJ):

“A grave crise de abastecimento hídrico atravessada atualmente pelo estado de São Paulo merece atenção de todo o país, bem como esforço amplo para a superação do problema.

O baixo nível dos reservatórios do sistema Cantareira ameaça o fornecimento de água para cerca de 14 milhões de pessoas da região metropolitana da capital e de outros 12 municípios, como Campinas, Piracicaba e Itu.

Por mais que devamos nos preocupar com o aquecimento global e adotar políticas ousadas para seu enfrentamento, não é essa – nem meramente a falta de chuvas – a principal razão para a pane no sistema de abastecimento de água.

A Relatora das Nações Unidas para a questão da água, Catarina de Albuquerque, é categórica: a crise hídrica em São Paulo é de responsabilidade direta do governo estadual.

A avaliação do Ministério Público é semelhante. A promotora Alexandra Facciolio afirma: “Estamos passando por esta situação porque o planejamento falhou. Não foi feito o que era necessário”.

Segundo diversos especialistas, os vinte anos de gestão estadual do PSDB não providenciaram os investimentos necessários para garantir o equilíbrio do sistema de abastecimento de água, com capacidade de suportar períodos de estiagem.

A privatização da gestão, controle e distribuição da água, transformada em ativo financeiro e objeto de especulação nas bolsas de valores, é uma das maiores razões para isso.

Para a Relatora da ONU, “os recursos deveriam estar sendo investidos para garantir a sustentabilidade do sistema e o acesso de todos a esse direito”, ao invés de remunerarem lucros de acionistas da Sabesp, empresa mista responsável pela gestão do sistema, e que tem quase 50% de suas ações distribuídas entre bolsas de SP e de Nova Iorque.

Segundo o economista Bruno Peregrina Puga, “os anos recentes têm sido generosos com os acionistas da Sabesp, sempre pagando um payout elevado, ao passo que o investimento não tem acompanhado a mesma intensidade crescente do lucro”.
[…]
Além da instrumentalização mercantil e financeira, há evidência de grave e ilegal ingerência política eleitoreira sobre a Sabesp, em prejuízo da transparência da gestão pública.

Diante dos áudios em que a diretora-presidente da SABESP, Dilma Pena [PSDB],

declara ter recebido ordens do governo do estado [PSDB]

para esconder a grave crise de abastecimento de água em São Paulo,

fica claro que o governo do PSDB colocou seus interesses eleitorais

acima do interesse público.

Com esse fundamento, o Deputado Carlos Giannazi [*],
líder da bancada do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado de SP,
protocolou, no dia 24, pedido de cassação do mandato
do governador Geraldo Alckmin [PSDB] por crime de responsabilidade,
com base na legislação federal e estadual,

além de Representação no Ministério Público Estadual,

pedindo que o órgão responsabilize criminalmente,

e por prevaricação, a Presidente da SABESP [PSDB} e o próprio Governador [PSDB].

Por mais que o governo tucano tenha tentado esconder, a falta de água já era sentida há tempos, em especial na periferia, em bairros como Itaquera, Carapicuíba e Campo Limpo, conforme denuncia Guilherme Boulos, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

A população de Itu, no interior, foi a primeira a sofrer com o problema, desde setembro do ano passado, enfrentando racionamentos prolongados e imprevisíveis, que afetam da merenda escolar à ida de estudantes ao banheiro nas escolas, da dificuldade de lavar roupas e tomar banho às filas enormes e ininterruptas na bica de água da cidade.

Na raiz da escassez, a falta de transparência e de investimentos
do poder público e da empresa privada que é concessionária do serviço
de abastecimento de águas na cidade desde 2007.

Como infelizmente tem sido praxe, os governantes têm respondido com violência,
e não com políticas públicas adequadas, à revolta popular
que ocorre em Itu pelo direito à água.

Nesse cenário, manifesto todo apoio à representação do Deputado Carlos Giannazi
contra a cúpula do Governo [Estadual] de SP e da Sabesp [PSDB]…

Água é direito humano, essencial à vida, não pode ser mercadoria!

Agradeço a atenção,

Sala das Sessões, 28 de outubro de 2014.

Chico Alencar
Deputado Federal (PSOL)”

[*] (http://www.eleicoes2014.com.br/carlos-giannazi)
.
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Responder

FrancoAtirador

31 de outubro de 2014 às 10h55

.
.
CASO ALSTOM

CORREGEDORIA DO CONSELHO NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO (CNMP)

DETERMINA INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

CONTRA PROCURADOR REGIONAL PAULISTA RODRIGO DE GRANDIS (MPF-SP)

Nº Processo: 0.00.000.001562/2014-84 [Reclamação Disciplinar]

Documento de Origem: SEC/CN/CNMP n° 1845/2014

Dt. Distribuição: 30/10/2014

Relator: Jeferson Luiz Pereira Coelho

Requerente: Corregedoria Nacional do Ministério Público

Requerido: Rodrigo de Grandis – Procurador da República/SP

Resumo: Processo Administrativo Disciplinar contra membro
do Ministério Público Federal no Estado de São Paulo
[por indícios de irregularidades na conduta (NEGLIGÊNCIA)
do procurador da República em São Paulo
Rodrigo de Grandis, no chamado “Caso Alstom”]

Nº para Consulta no Sítio do CNMP: 001562 2014 84

(http://aplicativos.cnmp.mp.br/consultaProcessual/detalhaProcesso.seam?cid=151489)
.
.

Responder

    Antonio

    31 de outubro de 2014 às 11h46

    Seria cômico se não fosse trágico.
    A possível punição a esse procurador será um advertência ou censura pelo seu procedimento.
    Serra e ele devem estar rolando de tanto rir.

    Antonio

    31 de outubro de 2014 às 12h05

    Franco Atirador, o prefeito está aceitando a pauta imposta pelo governo do estado.
    Esse problema da falta de água é conhecido há pelo menos dois anos.
    Louvável o esforço do prefeito que entre seus passeios de bicicleta e audições de música tenha tido tempo para tratar do assunto.

    FrancoAtirador

    31 de outubro de 2014 às 15h05

    .
    .
    Pois é, Antonio.

    Quem sabe na próxima tu vota no Serra

    que não sabe andar de bicicleta.
    .
    .

    Antonio

    31 de outubro de 2014 às 17h03

    Jamais me passou na mente a ideia de votar no Serra.
    Esse pilantra é conhecido desde o Comício da Central em que, saindo dele embarcou para o Chile para posar de exilado.
    Nem por isso deixo de criticar o PT, principalmente o de São Paulo pelas falhas que apresenta.
    Não dar importância a elas é deixar a porta aberta para que continuem fazendo o que fazem.

    FrancoAtirador

    31 de outubro de 2014 às 20h10

    .
    .
    O Prefeito Fernando Haddad fez o máximo possível

    para impedir que faltasse água aos paulistanos.

    Acontece que a gestão da SABESP e da SARESP

    é de exclusiva [in]competência do Governo Estadual,

    do PSDB de Alckmin, Serra, Aloysio Nunes e Telhada.

    Portanto, quanto à Crise de Abastecimento de Água,

    em São Paulo, os Tucanos é que devem ser criticados,

    pois eles foram e são os [ir]responsáveis diretos.
    .
    .

Antonio

31 de outubro de 2014 às 10h45

Prezada Conceição,
Quero deixar claro que não fiz nenhuma crítica ao Vi o Mundo que considero um dos melhores, senão o melhor blog, que acompanho desde há muito. Acompanho o trabalho do Azenha como acompanhei todas as reportagens sobre a Venezuela, que conheço e pude constatar a lisura das reportagens.
Sobre a reportagem que cita, me lembro dela, sou um leitor e algumas vezes, participante diário do blog.
Minhas críticas são para os parlamentares da oposição e principalmente do PT que jogam para a torcida, sem usar canais que estão à disposição deles.
Quanto ao Estado de São Paulo, a Opus Dei está lá sim a começar por um dos colunistas da pg 2.
Dois vereadores que se movimentaram nestes dias, suas assessorias nem se deram ao trabalho de acusar o recebimento quanto mais uma resposta.
Me perdoe mas mantenho minha opinião, jogam para a torcida com essas comissões que montam como fazem o mesmo jogo com pedidos de impeachment, já são dois.
Fazem o que o governador quer para se safar.

Responder

Cascão

31 de outubro de 2014 às 07h48

Geraldo já deixou os paulistas sem banho, e agora quer cortar a água dos cariocas também. É o paraíso!!! Por isso votei fechado no 45. hahahaha

Responder

Alves Reis

30 de outubro de 2014 às 23h13

Os eleitores paulistas são três Pês:Paulistas,Porretas e Politizados, e não podem nem devem reclamar de nada, pois não deram 57% de aprovação pro desgoverno Alckmin? Eu MIFU, mas acho é pouco.

Responder

    Antonio

    31 de outubro de 2014 às 11h47

    Discordo totalmente!
    Os eleitores paulistas, quase 60% deles são ELEOTÁRIOS!

Cesar Augusto M

30 de outubro de 2014 às 18h05

e mais um modelo tucano fracassado, privatista, entreguista.

Responder

    Antonio

    30 de outubro de 2014 às 18h42

    Que tende a perdurar pois não estão dando a devida importância a um sujeito perigosíssimo, o governador Alckmin.
    Dissimulado e cínico são seus atributos.
    Saiu-se vencedor com 60% dos votos em São Paulo e espera do momento certo para dar o bote no PSDB para controlar o partido com mão de ferro.
    Não deverá ter muitos obstáculos pois é pródigo em distribuir benesses de todo tipo e é isso que os políticos desejam, pouco se importando com o resto.
    Perceba a forma como se referiu ontem à necessidade de ajuda do governo federal.
    Quando será feita uma séria investigação sobre o papel da Opus Dei na blindagem desse dissimulado incompetente?
    Até que ponto a Opus Dei, ao que parece já controla o judiciário em São Paulo, influencia ou atua para a blindagem que a imprensa lhe proporciona?

Antonio

30 de outubro de 2014 às 17h29

Prezada Conceição, agradeço sua resposta e credito a não publicação do comentário a algum problema no envio e recebimento.
No comentário que não vi publicado fazia críticas ao pedido de impeachment do governador Alckmin proposto pelo deputado Chico Alencar do Rio de Janeiro e também fiz críticas ao pedido feito pelo deputado Giannazi aqui de São Paulo. Aos dois, pela forma açodada desses pedidos que nesta altura é tudo o que o governador precisa.
Minha crítica era no sentido de que todos esses movimentos de deputados oposicionista eram muito mais “jogo para a torcida” do que objetivos práticos e tangíveis.
Citei o caso da poderosa comissão de transportes que tem membros que são do PT. O que fizeram enquanto corria e corre solto o escândalo do Metrô, o que fizeram além de votar favoravelmente para o batismo de pontes e viadutos no que diz respeito as privatizações das rodovias. Nestes anos todos estiveram participando como membros ativos da Comissão de Transportes da ALESP, preocupados com o que efetivamente. Me sinto no direito, como cidadão, em perguntar, estão na folha das concessionárias? O mesmo vale para os oposicionistas principalmente os do PT nas comissões que deveriam fiscalizar água e saneamento básico.
Chamar jornalistas para o momento que tentam protocolar um pedido de CPI, de antemão, sabendo que não vão conseguir é o que?
Onde estavam estes deputados quando em 2012 a SABESP teve o desplante de avisar seus acionistas em NY que haveria redução de lucros em função da crise hídrica que já estava em curso? Onde estavam, soubemos disso agora!
Usam o argumento que o governador não lhes dá espaço e a imprensa muito menos. Até ai nenhuma novidade. Mas, e as verbas de gabinete que são usadas até para editar revistas em quadrinhos? E as organizações sociais aos quais são ligados, sindicatos etc? Por que não procuraram outros meios para divulgar e denunciar o que a imprensa, como sabemos, não faz?
O projeto e a política de governo federal em curso correu sério risco de ser interrompido em razão da omissão do PT de São Paulo. O prefeito tocando violão, a Veja publicando uma mentira e os parlamentares e o próprio prefeito, onde estavam?
Pedidos de impeachment como estão sendo feitos é tudo o que o governador quer para se safar da sua irresponsabilidade.
Da forma como devem ter sido feitos serão recusados pela justiça ou pelo plenário da ALESP. Depois do quarto ou quinto talvez nem a justiça os acolha.
Para a irresponsabilidade do governador em privilegiar distribuição de dividendos colocando em risco sanitário e a omissão dessas informações para se reeleger com grande maioria se credenciando para concorrer à presidência, cabe sim um pedido de impeachment.
O pedido dos deputados e vereadores deveria ser elaborado por advogados especialistas em direito e administração públicas assessorados por técnicos da própria SABESP e de outros órgãos.
Um pedido bem elaborado, embasado tecnicamente, assinado por todos sem as veleidades de primas-dona tão comum aos nossos parlamentares de qualquer partido cujo objetivo primeiro de cada um, e ao que parece único, é o de se reeleger.
Nesse documento poderiam também pedir a cassação da licença da SABESP para tratar e distribuir água no estado e a intervenção federal na companhia pela forma irresponsável como foi conduzida sua administração, por sua diretoria e pelo governador.
Já vejo na imprensa o início do trabalho de preservar a Sra. Dilma, presidente da companhia com a divulgação do áudio em que ela faz alertas sobre a situação e se dizia impedida por ordens superiores.
Um diretor responsável, honesto que não fosse cúmplice desse desmando, teria pedido demissão e alertado a população. É partícipe e corresponsável!
Em paralelo poderiam solicitar a lista dos primeiros compradores das ações, se é que isto é possível.
Acredito que tenham sido postas a venda subvalorizadas pois foram revendidas dias depois por valores muito maiores do que o preço pelo qual foram postas a venda.
Minha crítica aos deputados e vereadores de oposição tem razão de ser pois nem acusam o recebimento de mensagens que eu e outros conhecidos enviamos aos seus gabinetes, quanto menos uma resposta.
Estão jogando para a torcida!

Responder

    Rafael F T

    30 de outubro de 2014 às 22h43

    Isso aí. Óbvio que o governador é o maior responsável, mas se a oposição em SP estava quieta, tem responsabilidade também. Aliás, são responsáveis também a ARSESP e a ANA. Medidas imediatas: planejar e executar a recuperação do fornecimento de água e apurar e punir os responsáveis.

    Conceição Lemes

    30 de outubro de 2014 às 23h51

    Rafael, não foi por falta de alertas. A questão é que a mídia blinda os tucanos desde sempre. sds

    Antonio

    31 de outubro de 2014 às 09h20

    Perdoe-me por discordar, prezada Conceição.
    Não é só a blindagem que a imprensa proporciona ao governador. É um fato que ela existe e desconheço até que ponto a Opus Dei tem participação ou influência a imprensa.
    A cantilena de blindagem por parte da imprensa se assemelha muito à cantilena dos impostos altos/custo Brasil.
    Os deputados de oposição principalmente do PT estão acomodados nos seus mandatos. Historicamente dão ligados aos movimentos sociais e aos sindicatos. Por que não usam ou usaram essas associações para denúncias?
    Quer exemplo maior, Dilma começou a virar quando Lula chamou a militância, por que não fizeram isso?
    O PT de São Paulo em nada difere do restante dos partidos. Aliás tem uma diferença em relação aos tucanos, deixam o “rabo” aparecer.
    Me desculpe pela colocação dura, mas aqui os parlamentares do PT na maioria estão todos muito bem de vida. Não poderiam ter feito isso.
    Todos, menos eles!
    Foram e são no mínimo omissos e coniventes para preservar seu status.
    Eu e outros conhecidos que temos o hábito de cobrar dos parlamentares via email ou telefone, enviamos mensagens e nenhuma resposta incluo ai dois vereadores que se movimentaram nestes dias.
    O prefeito de São Paulo está pilotado por um parlamentar que formou uma das dinastias da política paulista. Há muitas histórias mal contadas e não esclarecidas.
    Se apossou do setor de transportes, no CET continua a bandalheira, nenhuma medida saneadora, a começar que lá continua o Roberto Freire.
    O Kassab gastou uma fortuna para reformar a Paulista, vão quebrar tudo para fazer “pista para bicicletas”, tenham dó.
    Este mesmo secretário está pintando faixas para bicicletas na cidade toda, sem planejamento e sem preparo. Muitos gostam e elogiam.
    Eu, como cidadão, só tenho uma pergunta: – Como foi escolhida a empresa que pinta estas faixas e qual a ligação dela com o secretário?
    Ele acredita que isso não vai “estourar” na próxima campanha para reeleger o prefeito.

    Conceição Lemes

    31 de outubro de 2014 às 09h40

    Antonio, primeiro, a Opus Dei tem influência, sim, na mídia. No Estadão, tem gente da Opus Dei, que se manifesta em artigos. Muitos jornalistas foram e continuam a ir para a Universidade de Navarra, na Espanha, É um dos QGs da Opus Dei no mundo. Segundo, são poucos os deputados estaduais do PT combativos, de fato.Terceiro, a mídia fez vista grossa à crise da água em São Paulo. Foi conivente. Tanto que o Alckmin se reelegeu muito bem no primeiro turno. Imagine se o PT estivesse no poder, a mídia já estaria batendo desde lá trás. Quarto, o Viomundo acompanhou muito bem essa questão. Foi provavelmente o primeiro veículo a denunciar o racionamento que já havia começado, na prática. Se vc pegar uma entrevista que fizemos ainda no primeiro semestre com o professor Júlio Cerqueira César, vai que ele cantava a pedra de tudo o que está acontecendo. abs

    FrancoAtirador

    31 de outubro de 2014 às 11h18

    .
    .
    Quinto:

    O Prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT)

    vem, há tempos, questionando e cobrando

    a atuação da ARSESP Agência Reguladora

    de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo:

    Em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim,
    do blog Conversa Afiada, o prefeito de São Paulo
    Fernando Haddad (PT) questionou a atuação da ARSESP
    (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo),
    que deveria ter fiscalizado melhor o trabalho da SABESP
    (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo)
    durante a crise de água anunciada
    após o colapso do Sistema Cantareira.

    Na entrevista realizada nesta terça-feira (28),
    Haddad também fala sobre o papel da grande mídia
    na falta de publicação de fatos relacionados
    à crise de água na Região Metropolitana de São Paulo.

    Na visão do petista, a população não foi bem informada
    sobre o que se passa na gestão hídrica conduzida
    pelo Governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

    PREFEITO DE SÃO PAULO FERNANDO HADDAD (PT)

    FALA SOBRE A CRISE DA ÁGUA NO ESTADO PAULISTA:

    “Ela (a crise) tem elementos desconhecidos
    da população e dos gestores.

    Se desde 2011 há essa ameaça e a imprensa não divulgou?

    Um relatório só foi divulgado
    na segunda-feira depois do primeiro turno,
    com o (Governador) Alckmin já reeleito.

    Eu acho que a condução pela Sabesp
    e pela agência estadual reguladora ARSESP
    (Agência Reguladora de Saneamento e Energia)
    merece criticas.

    Causa estranheza ninguém saber o nome
    do presidente dessa agência reguladora.

    Todos os prefeitos da região metropolitana buscam informações.

    Já há desabastecimento, que agora a imprensa tem noticiado.

    Reuniões da SABESP com a Prefeitura foram marcadas e remarcadas

    Todos exigem transparência.

    Queremos saber sobre o planejamento da SABESP.

    Queremos manter o assunto na Grande Política,
    mas dando uma resposta satisfatória à população”

    (http://youtu.be/Bsx12aHZnlE)
    (http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2014/10/29/haddad-veja-e-boatos-roubaram-votos-da-dilma-em-sp)
    .
    .

Antonio

30 de outubro de 2014 às 16h13

Uma pena que o blog tenha recusado um dos comentários que fiz sobre o mesmo assunto. O anterior a esse.
Nele não fui ofensivo e fiz algumas colocações que podiam ser contestadas, nada mais.
Fiz uma dura critica ao PT e seus membros que jogam sim para a torcida.
Uma pena que este blog também pratique censura.

Responder

    Conceição Lemes

    30 de outubro de 2014 às 16h30

    Antonio, não vetamos nenhum comentário seu. abs

    Julio silveira

    30 de outubro de 2014 às 16h56

    Veja se você não enviou para outro destino, que sabe não enviou pro blog do Reinaldo Azevedo, ele é quem costuma dar espaço somente a vozes concordantes e tucanas.

    Antonio

    30 de outubro de 2014 às 17h53

    Não meu caro interlocutor.
    Pela resposta do blog, acredito que tenha sido algum problema no envio.
    Quanto a ser discordante, tenho sérias críticas ao PT de São Paulo que no mínimo é omisso em relação a alguns pontos e quando pode fustiga a presidente atrás de cargos.
    Votei na presidente Dilma para eleger e agora para reeleger quem considero mais capacitada para dirigir o país.

Julio Silveira

30 de outubro de 2014 às 15h49

Paulistas não se preocupem a Dilma já está olhando para voces, breve terão direito as cisternas.
Mas só depois que os tucanos sairem, senão podem dizer que foi trabalho deles.

Responder

DUDE

30 de outubro de 2014 às 14h18

Atenção, atenção:

vai chover no final de semana.

Aproveitem. Pegue baldes, bacias, coloquem-nos na chuva, é de graça. Depois encham o tanque, se conseguir todas as caixas d´água.

São Pedro não cobra

Façam tudo que puderem fazer porque as chuvas que teremos não irão ressuscitar o sistema Cantareira da noite para o dia.

Deus nos ajude!

Responder

    Antonio

    30 de outubro de 2014 às 17h56

    E não vão mesmo.
    Para retornarmos à condição que havia em março deste ano que tinha o volume morto intocado, serão necessárias chuvas para que o Cantareira termine o período com 56% da sua capacidade.
    É uma longa crise que mal começou e o risco maior é o sanitário.
    São 18 milhões de pessoas, não serão carros pipa que irão resolver os problemas.

Fabio Silva

30 de outubro de 2014 às 14h01

Questão-pegadinha do próximo ENEM:

“É um lugar quente, seco, onde as pessoas mal têm água para beber e onde os coronéis recebem muitos votos”.

Responder

Léo

30 de outubro de 2014 às 13h10

Os paulistas estão tão indignados com a falta d’água quanto estão com a reeleita presidente da republica? Só acho que não. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder

Manoel Cyrillo

30 de outubro de 2014 às 11h34

A CVM da Bolsa passa a ter o dever de punir esta empresa. Ou “os mercados” não estão nem ai para este detalhe desonesto da SABESP?

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