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Diário da Resistência


Carlos Berriel: A origem da “superioridade racial” dos paulistas
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Carlos Berriel: A origem da “superioridade racial” dos paulistas


06/08/2013 - 21h16

Planalto garantiu “preservação” dos paulistas contra invasão, pensava Paulo Prado

Da ficção historiográfica ao paulista
 como ‘raça superior’

por Carlos Orsi, no Jornal da Unicamp, sugerido por Ana Cláudia Romano Ribeiro, no Facebook

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi, no plano ideológico, a iniciativa de uma “oligarquia racista, reacionária e ao mesmo tempo modernista”, para servir aos interesses de classe da elite cafeicultora e a um projeto de hegemonia paulista, que via o Brasil como uma colônia a ser explorada pela metrópole de Piratininga.

Mesmo autores como Mário de Andrade foram próximos a esse projeto, cuja justificativa é construída no livro Retrato do Brasil, de Paulo Prado, cafeicultor, historiador e grande mecenas da Semana de 22. Isso é o que afirma o professor do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp Carlos Berriel, autor de Tietê, Tejo, Sena: a obra de Paulo Prado, livro sobre a trajetória e a obra de Prado.

Publicado originalmente em 2000, o livro, nascido de uma tese de doutorado defendida em 1994, foi relançado neste ano, em edição revista e ampliada, pela Editora Unicamp.

Em entrevista ao Jornal da Unicamp, Berriel falou não apenas sobre a trajetória intelectual de Paulo Prado e a influência de seu pensamento, mas também sobre a necessidade de se rever o lugar do modernismo paulista no cânone da literatura brasileira.

A festa de lançamento do livro, em Campinas, acontece no próximo dia 15, no Empório do Nono, em Barão Geraldo, a partir de 18 horas.

Abaixo, os principais trechos da entrevista, na qual o autor defende também a ideia de que o modernismo paulista sofreu influências inclusive da visão colonialista desenvolvida por intelectuais portugueses no fim do século 19.

Jornal da Unicamp – O senso comum sobre a Semana de Arte Moderna de 22 diz que os artistas de vanguarda engabelaram a elite do café, fazendo os barões pagarem por um espetáculo que eles não entendiam e que, no fundo, os afrontava. Seu livro indica que não foi bem isso… No fim, quem estava usando quem? Os artistas usaram os cafeicultores, ou vice-versa?

Carlos Berriel – Acho que o enfoque correto não é esse. O modernismo paulista é a estética da elite do café, é praticamente a sua visão de mundo. Não se trata de dois partidos que, com consciência limitada, andaram juntos durante um tempo. Isso não é verdade. A tese que defendo, nesse livro, é muito mais ampla: o meu trabalho avalia o modernismo do ponto de vista da sua gênese enquanto consciência de classe social, enquanto projeto político. É um estudo de consciência de classe. A classe de origem do modernismo paulista é a do baronato cafeicultor.

JU – Mas tem a questão do Oswald de Andrade, que depois virou comunista…

Berriel – Oswald de Andrade se separa do núcleo duro do modernismo, do grupo do café, de 28 para 29. Aliás, ele não se separou, ele foi expulso desse grupo porque, como editor da Revista de Antropofagia, permitiu que fosse publicado um artigo tratando, de forma muito desrespeitosa, o Retrato do Brasil, o livro de Paulo Prado que tinha acabado de sair. E Oswald tem uma origem de classe um pouco diferente.

Embora o lado materno seja sim, da aristocracia do café, o pai era um empresário moderno, que foi quem instalou o sistema de bonde em São Paulo e quem urbanizou o que hoje são os Jardins. Mas mesmo sendo membro do Partido Comunista, Oswald manteve sua teoria da Antropofagia, que é modernista.

Mas nós não podemos falar do modernismo como uma coisa unívoca – cada caso é um caso, cada obra existe em si mesma e tem sua razão própria. No fundo, cada autor e dada obra possuem um percurso diferente. E também é importante considerar que existe o modernismo paulista, e existem as letras modernas, que não são a mesma coisa. O modernismo é moderno, mas nem todos os modernos são modernistas.

Há a tendência, de uma historiografia marcada pelo próprio modernismo, de trazer para as águas do modernismo autores e obras que não têm nada a ver com esse movimento, como por exemplo Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo e outros. Então, existem as letras modernas em Minas, no Rio de Janeiro, no Nordeste, etc., e existe o modernismo paulista, que são coisas diferentes. Essa distinção é essencial, e sua ausência é muito danosa para a compreensão da época.

JU – Em uma das notas de seu livro aparece José Lins do Rêgo, reclamando dos modernistas paulistas.

Berriel – Ele dizia: nós do Nordeste não temos nada a ver com isso. E ele é super hostil ao movimento. Graciliano Ramos não chega a escrever sobre isso, mas pelo depoimento de pessoas que foram muito próximas a ele sabemos que a sua opinião de que o modernismo paulista era a pior possível.

Acho que é fundamental tomar autor por autor e ler o que cada um escreveu, e não o que nós achamos que eles disseram. Meu livro busca manter a disciplina de ler exatamente o que o autor disse, exatamente o que ele está dizendo.

Procurei evitar – e espero ter conseguido – acrescentar qualquer coisa minha, a favor ou contra. Procurei manter uma disciplina de objetividade diante do que o texto efetivamente diz. Quis apenas colocar o discurso em pé: ele disse isso. Quais os pressupostos? São esses aqui, conforme está na obra. Foi uma coisa muito difícil, mas não se pode fugir dessa prática.

JU – Algo que chama muito a atenção na obra de Paulo Prado é a questão do racismo, ou racialismo, que em certos pontos me fez lembrar das polêmicas recentes em torno da obra de Monteiro Lobato. Essa questão de raça era uma coisa muito forte na cultura paulista daquela época?

Berriel – As teorias raciais eram uma coisa muito forte da época, e não apenas no Brasil. O final do Império, a libertação dos escravos, ainda era uma coisa recente…

No Brasil temos a tradição de que classe social é raça, que vem do problema da escravidão. E é algo de que não se livra do dia para a noite. E já que estamos falando da elite rural, eles eram ex-escravocratas, e o fato de alguns serem abolicionistas não implicava necessariamente que não fossem racistas. Isso é uma coisa muito presente na cultura brasileira, e aquele foi um período no qual o Brasil ia buscar as suas teorias, os seus arcabouços teóricos, no exterior. Foi comum, nessa época, ir buscar as teorias raciais e trazê-las para cá – teorias que depois deram no que deram.

Para sermos justos com esses autores, precisamos lembrar que nem Paulo Prado, nem Monteiro Lobato ou qualquer outra pessoa, sabia que daí viriam os campos de concentração, por exemplo. Eles não sabiam nem tinham como saber. Então, não podem ser responsabilizados por uma coisa que ainda viria a ocorrer. Porém, eles beberam da mesma fonte teórica do racismo “científico”, e isso precisa ser levado em consideração.

JU – Qual o propósito de se trazer essas ideias ao Brasil?

Berriel – Há um sentido muito prático: o que é que está em jogo no Brasil? Aqui se constituiu, desde a proclamação da República – principalmente na chamada República Velha –, a hegemonia de um setor econômico sobre o conjunto do país. Ou seja, a oligarquia do café, que monopolizava o Estado através da política do café-com-leite, transformou o Brasil em um sistema caudatário de São Paulo, através do chamado Convênio de Taubaté, de 1906, que instituiu no país um sistema semicolonial, em que São Paulo age como metrópole e o resto do Brasil submete-se como colônia.

O sistema funcionava da seguinte forma: São Paulo poderia produzir quanto café quisesse, pois o Estado brasileiro compraria, através de um empréstimo internacional a ser pago com as finanças de toda a nação.

Na prática significa que todos os Estados compravam o café paulista – e não o recebiam – cotado em libras esterlinas. Mais tarde ele poderia ser exportado ou não. Poderia ser queimado ou jogado no mar, tanto fazia.

Na lógica econômica, trata-se de um sistema colonial interno, com um sangramento da economia de todos os Estados brasileiros, que repassam seus recursos para a oligarquia do café – que em decorrência enriqueceu extraordinariamente, e se imaginou uma locomotiva puxando 20 vagões vazios.

Esse sistema durou um terço de século, e quando acabou por decreto de Vargas, em 1932, São Paulo promoveu uma guerra civil pelo retorno de seus privilégios.

O modernismo, a Semana de 22, é a manifestação, no plano artístico, da mentalidade do Convênio de Taubaté – e mesmo Oswald denunciou isso. A política do café e o movimento modernista veem São Paulo como uma entidade capaz de sintetizar o país como um todo, de dar ao Brasil uma lógica histórica que lhe falta e um projeto realista.

JU – Mas parece que, em vez de ser uma síntese, São Paulo se define em oposição ao país como um todo.

Berriel – É o que está na obra de Paulo Prado. Toda essa absurda ficção historiográfica, que não tem pé nem cabeça, que instala os bandeirantes como construtores do Brasil, por exemplo, faz parte de um discurso que preside o ano de 1922. Isso está na lógica fundante do Museu do Ipiranga, também de 1922.

Paulo Prado é o maior produtor e exportador de café do mundo, e ao mesmo tempo a consciência mais lúcida e ousada da oligarquia. E ele é o grande organizador da Semana de Arte Moderna, e sabemos disso pelo depoimento do Oswald, do Mário, de Menotti del Picchia, da Tarsila do Amaral: ele é o cara.

JU – E qual a teoria dele sobre São Paulo e o Brasil?

Berriel – É uma teoria de que existiriam no Brasil duas mestiçagens distintas. Ele elimina a ideia de raça pura, o que não existe mesmo, ele não cai nessa. Então, no Brasil existiriam duas mestiçagens, ligadas à história de Portugal. Aliás, quando se diz que o modernismo foi uma ruptura com a herança portuguesa, na verdade é o oposto: acho que nada, na cultura brasileira, foi mais ligado a Portugal do que o modernismo.

JU – Qual é essa influência portuguesa?

Berriel – Há uma teoria, que vem da chamada Geração de 70 – o grupo do historiador Oliveira Martins, de Eça de Queirós, de Ramalho Ortigão – de que Portugal contou com uma raça heroica que promoveu as navegações, os descobrimentos, e essa raça heroica vai até 1580, que é quando Portugal cai sob o domínio espanhol. Queda da qual não se recuperará jamais, e a partir dela a raça portuguesa entra em decomposição, em decadência.

Então é uma teoria também de base racial, segundo a qual há uma raça portuguesa que degenera, de modo que o português depois de 1580 é um decadente, degenerado e inútil. Paulo Prado absorve essa teoria, que vem de Antero de Quental, que vem de Oliveira Martins – este aliás é a grande referência dele, sob vários aspectos.

Ao mesmo tempo em que Paulo Prado descobre Oliveira Martins, com quem ele convive em Paris na casa do tio, Eduardo Prado, acontece o chamado Ultimatum inglês, em 1889. Na época, Angola e Moçambique formavam um território contínuo de possessão portuguesa. Quando é descoberto ouro no Transvaal, no meio do caminho entre Angola e Moçambique, a Inglaterra ordena que Portugal se retire, e é obedecida: Portugal entrega o território.

Aquilo foi uma crise tremenda em Portugal, e foi, por coincidência, o momento em que Paulo Prado chegava a Paris para morar com o tio na casa frequentada por Oliveira Martins, pelo Eça de Queirós e muitos outros. No mesmo mês, acontecem várias coisas: a queda do império no Brasil, o rei de Portugal morre, vem o Ultimatum, Paulo Prado está chegando a Paris e há a coroação do novo rei de Portugal, que assume um país desmoralizado.

O novo rei, íntimo da Geração de 70, chama Oliveira Martins para reorganizar as colônias, a política colonial. E é esse historiador e essa preocupação que captam o interesse de Paulo Prado: uma teoria sobre colônias. O modernismo paulista começa a nascer a partir de uma teoria do reordenamento das colônias de Portugal.

JU – E a ideia da raça heroica portuguesa, com as duas mestiçagens no Brasil?

Berriel – Paulo Prado observa que São Paulo é o único local que não foi fundado no litoral, mas no planalto, “protegido” do contato exterior pela Serra do Mar. E quem funda São Paulo são os portugueses de antes de 1580, a dita raça heroica. Daí por diante São Paulo fica inacessível aos portugueses da decadência pós 1580.

Ao resto do Brasil, sem a barreira da Serra do Mar, os portugueses apodrecidos chegaram também. E acabam sendo maioria. Então, no Brasil forma-se um amálgama racial com o elemento apodrecido do português pós-1580, com a depravação do escravo negro e a lascívia do índio. Isso então gera o brasileiro, que não serve para nada. É um horror. E é o que explica, na teoria dele, por que o Brasil é a calamidade que é.

São Paulo, ao contrário, vai ser o resultado de outra mescla racial, em que não comparece o negro. E o índio, em São Paulo, inexplicavelmente não é lascivo. O índio que se mistura ao português heroico, gerando o paulista, é alguém que tem o perfeito domínio da natureza e do território. Possibilitando, portanto, o surgimento do bandeirante, que é o português que mantém o espírito das navegações (agora terrestres ou fluviais), e que ao mesmo tempo tem o domínio do ambiente natural, trazido pelo índio.

Essa construção, bastante – digamos – poética e livre de Paulo Prado, serve como diagnóstico que é lido com respeito por muita gente, lido como verdade.

Paulo Prado chega a dizer que o paulista já é uma raça. Então, temos no Brasil uma raça superior e uma raça inferior. E o Estado brasileiro deveria seguir essa lógica. Esse paulista é o único capaz de produzir uma arte autêntica – a modernista –, enquanto o brasileiro rasteja no romantismo, no parnasianismo, etc.

JU – Essa ideia de excepcionalismo paulista é algo que se vê ainda hoje, não? É uma ideia que nasce com Paulo Prado, ou ele foi apenas um vetor?

Berriel – Essa ilusão, essa ideologia, vinha sendo constituída em simultaneidade com o crescimento da importância do café na economia brasileira. Paulo Prado transforma essas ideias num movimento artístico, com a Semana de 22. Quando o café se torna importante, o Brasil já é um sistema político organizado na Corte, no Rio de Janeiro. São Paulo tem uma luta contínua – política, econômica e cultural – para romper com a síntese cultural e política consubstanciada no Rio de Janeiro.

O modernismo é, digamos assim, um sistema cultural em formação que se dispõe contra o sistema cultural dominante até então. Consubstanciado no Rio de Janeiro, na Academia Brasileira de Letras, na Corte, na capital do Império e da República.

O modernismo, quando desautoriza esse sistema, joga no ridículo toda a literatura anterior. Na verdade o que temos é uma disputa de hegemonias. O modernismo luta pela transferência da hegemonia política, cultural e econômica do Rio para São Paulo. É um movimento indissociável da política, portanto, e a desautorização das formas estéticas e literárias dominantes é a outra face da desautorização do sistema político brasileiro, em que todas as províncias possuíam direitos equivalentes.

Dizer que a poesia de Olavo Bilac ou de Coelho Neto não tem qualidade é uma estupidez, como Mário reconhecerá mais tarde. Eliminar, ridicularizar o simbolismo, ou o parnasianismo, como eles fizeram, na verdade é um momento da disputa pela hegemonia política.

A ação iconoclasta dos modernistas buscava cortar os vínculos nacionais com a sua própria tradição, já acumulada. O Brasil não deveria mais se reconhecer pela tradição cultural já constituída, mas seria necessário refundar o país a partir da experiência exclusivamente paulista. Este é o sentido mais profundo da Semana.

JU – Retrato do Brasil faz um diagnóstico dos problemas brasileiros que parece muito atual: corrupção, incompetência, ineficiência… Paulo Prado acertou o problema, mas errou a causa?

Berriel – Parece que esse livro, de repente, ficou muito atual. Esse rol de queixas, muito justas aliás, você vai encontrar em todos os lugares e em todas as épocas, e não só no Brasil. A questão é: se o projeto político modernista tivesse sido vitorioso, os problemas seriam resolvidos? Esse projeto, segundo o que sugere o Retrato do Brasil, passaria pelo fim da igualdade jurídica entre os Estados, e mesmo entre os cidadãos. Um Estado baseado no privilégio racial é eficiente e competente? Seria a solução para os problemas elencados?

Aventou-se o controle da movimentação dos indivíduos, sendo cogitado inclusive o uso de passaportes internos. Os nordestinos não poderiam vir para São Paulo livremente, por exemplo. Isso, no fundo, é o apartheid como o que se implantou na África do Sul. E no fundo, isso não é o sonho inconfessado da direita brasileira? Mas o apartheid resolveu algum problema de corrupção no mundo? O Convênio de Taubaté não seria a mãe de todas as corrupções brasileiras?

JU – Essas questões parecem fazer parte de uma pauta conservadora…

Berriel – Toda vez que a direita paulista se sente um pouco acuada, bate sempre na mesma tecla: a revolução de 32. O que foi a revolução de 32? Havia o Convênio de Taubaté. O país faliu por causa do crack da bolsa de Nova York em 29. São Paulo continua a cobrar este Convênio, sendo que o Brasil produzia café que não tinha mais consumidor.

Mesmo com o sistema internacional falido, a oligarquia cafeicultora quer que o Estado brasileiro mantenha a compra do café, com ou sem comprador internacional. Getúlio anuncia que em 32 não vai mais manter o acordo e dissolve o Convênio de Taubaté.

E aí a oligarquia de São Paulo se levanta pelo respeito “à Constituição”. Que Constituição? Agora, tem todo o discurso ideológico: São Paulo se levanta contra a ditadura de Vargas. Mário de Andrade, Paulo Prado e Alcântara Machado fundam a Revista Nova, que incita à luta armada contra Vargas. Por quê?

Porque de repente “os paulistas”, isto é, os barões do café, se tomaram de amores pela Constituição? Não. Foi pelo Convênio de Taubaté. Estava esfacelado o projeto de São Paulo metrópole de um Brasil colônia. O país estava se desmantelando por causa de uma oligarquia racista, reacionária e – não há como negar — modernista.

JU – Mesmo levando em conta as particularidades de cada autor, pode-se dizer que, de modo geral, o modernismo paulista abraça essa visão de São Paulo grande, bandeirante, condutora da nação?

Berriel – Sim. Mário de Andrade mesmo escreve uma carta a Manuel Bandeira em 1932 onde diz: “eu não sou mais brasileiro, sou paulista”. Mas, em 1942, Mário fez uma grande autocrítica e denuncia os salões da aristocracia como corruptora do movimento. Muito corajoso e lúcido.

JU – Mas isso é curioso, porque a esquerda brasileira abraçou os modernistas. Ou não?

Berriel – Em grande parte, sim. Isso mostra que a esquerda precisa construir sua própria interpretação do Brasil, e não aceitar uma interpretação do país que vem do núcleo da reação. Esse é um dos problemas da esquerda brasileira: ela precisa interpretar o Brasil não só no plano econômico, ou através da história dos partidos políticos, mas precisa entrar na representação simbólica da identidade nacional.

A esquerda brasileira raramente considera relevante a vida literária e artística, e acaba, por decorrência, endossando concepções da direita que nasceram na literatura e nas artes. O importante não é tanto ler os comentadores – como eu mesmo –, mas ler os próprios autores.

Foi o que procurei fazer aqui: estudei o modernismo sem considerar os intérpretes do modernismo, mesmo tendo-os lido. Para que pudesse chegar ao texto. Porque senão eu seria atravancado por essa coisa que o modernismo virou no beabá das escolas, aquelas frases, como “a Semana de Arte Moderna ocorre no ano em que se fundou o Partido Comunista no Brasil”. É verdade.

E não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu poderia dizer, da mesma forma, que a Semana de Arte Moderna ocorreu no mesmo mês em que Mussolini tomou o poder na Itália. É verdade? É. Você tira o que quiser daí, inclusive significados vazios. E perde o país.

JU – E as consequências reais do modernismo paulista para a literatura brasileira: foi tudo isso mesmo que se vende? Ou o pessoal que estava começando a escrever no Nordeste teria feito a mesma coisa sem a Semana?

Berriel – Não teria feito a menor diferença. Para os escritores do Nordeste não faria a menor diferença ter ou não ter existido a Semana. Por outro lado, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade: mineiro, vem de outra tradição, ele foi sim influenciado pelo Mário de Andrade. Manuel Bandeira, não, Manuel Bandeira já estava pronto.

Na Semana de Arte Moderna ele já era um poeta consagrado, toda a herança dele vem do simbolismo, de outros autores. Mas há alguma influência, sim, principalmente do Mário de Andrade, que é um grande escritor, um dos maiores do Brasil.

Quando a gente vai direto aos autores, aos textos, não a interpretações prévias, mas deixa o autor falar, podemos chegar a coisas surpreendentes.

Acho que esse é um programa extremamente interessante, que pode reabrir o cânone literário brasileiro. Reabrir, estudar de novo essas coisas, porque não está funcionando mais a ideia da centralidade da Semana de 22. Há muito tempo não está funcionando mais.

JU – A ideia de que a literatura brasileira estava engessada em beletrismo vazio e aí os modernistas chegaram chutando a porta é um mito?

Berriel – Isso é um mito. E Lima Barreto, e Euclides da Cunha? É muito fácil ridicularizar um escritor, assim como é fácil improvisar um poeta futurista: junta-se um pouco de aeroplano, um torpedo, acrescenta-se uma xícara de onomatopeia de máquina, vruum, zazzz… e você tem um poeta futurista, quentinho.

Mas esse é um procedimento ilegítimo, pois desse modo não se quer compreender um problema literário, mas descartá-lo, simplesmente.

Agora, tome a poesia de verdade, a literatura que existia na época: não é de se jogar fora, não. Por causa, inclusive, desse domínio do modernismo, muita obra interessante, escritores interessantes, caíram no esquecimento. Eu cito, por exemplo, o Visconde de Taunay, um escritor lidíssimo no Brasil, com uma obra muito interessante, que publicou quase 30 livros, dos quais hoje só são conhecidos dois ou três. E os livros dele não são republicados desde 22.

Ele tem um romance que foi um grande best-seller – o que não diz muita coisa, mas diz alguma coisa – chamado Ouro Sobre Azul, que foi o livro mais vendido no fim do século 19. E é um livro de qualidade. E o último romance dele, No Declínio, é um romance de inspiração simbolista extremamente interessante. O modernismo criou uma espécie de buraco negro que escondeu boa parte da literatura brasileira, e que precisa ser redescoberta.

JU – Ligando um pouco o livro com sua área de pesquisa atual, a questão das utopias. Paulo Prado tinha a visão de uma utopia paulista?

Berriel – O Paulo Prado é muito pouco “poético”, ele é muito duro. O livro dele é um ensaio sobre a tristeza brasileira. Você tem ali uma visão racista, uma visão de degradação radical do brasileiro. Ele se utiliza, para construir a sua ideia do Brasil, dos inquéritos da inquisição. Confissões extraídas na tortura, esse é o material que ele usa para dizer o que é o Brasil. Pode ser, talvez, uma distopia. É um mundo muito feio, o que ele monta.

JU – Mas as ideias dele ainda são influentes.

Berriel – Sim, e volta e meia ressurgem. Em 1964 foi assim. Você tem agora essas manifestações na Avenida Paulista, aqueles grupos mais de direita tiram do baú algumas bandeiras que foram do modernismo, impregnadas de naftalina, e as usam para combater um governo, como o da Dilma, que se assemelha muito ao de Vargas: nacionalismo econômico, ampliação do mercado interno através da distribuição de renda, empresas estatais, Estado forte. E aí você tem manifestações que tiram do baú da oligarquia as ditas velhas tradições paulistas. Mas é preciso distinguir a ideologia da oligarquia do café dos reais interesses do homem comum de São Paulo.

JU – Isso é o modernismo?

Berriel – Isso é o modernismo paulista de Paulo Prado. Cada autor deverá ser estudado em si mesmo, e as similitudes e diferenças com o pensamento de Paulo Prado naturalmente aparecerão. Só temos a ganhar com isso.

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41 comentários

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H.92

13 de agosto de 2013 às 22h38

Superior em SP só a burrice, afinal votar 20 anos no mesmo partido coxinha falso moralista e metido a ético é sintomático.

Responder

Raquel

11 de agosto de 2013 às 22h21

Excelente entrevista, vamos ao livro porque este promete revolver cinzas de velhos clich^es!

Responder

C o o l tura

11 de agosto de 2013 às 06h47

[…] Carlos Orsi, no Jornal da Unicamp, sugerido por Ana Cláudia Romano Ribeiro, no FacebookNo Viomundo Partilhar isto:TwitterFacebookGoogle +1TumblrEmailPrintGostar disto:Gosto Carregando… […]

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Pedro

10 de agosto de 2013 às 22h24

Melhor entrevista que leio em muitos anos. Muito fecunda no desfazer das neblinas ideológicas da identidade nacional. Parabéns.

Responder

Bernardino

10 de agosto de 2013 às 21h36

Esse artigo é uma anatomia da burguesia paulista e sua classe media que comem SARDINHA E ARROTA CAVIAR,porem o Grande Getulio desmascarou-os
Gostei do trecho em que o BERRIEL se refere à covardia Portuguesa quando bateu em retirada de Angola e Moçambique por ordem dos Ingleses e em sseguida se proclamkou a republiqueta do Brasi nos idos de 1889

Com certeza faz coro com o que penso da Cultura Poruguesa:CORRUPTA,COVARDE e Antipatriota.Nao é à toa que assistimos a todo esse LAMAÇAL aqui cujo começo foi em 1500 e perdura até hoje independente do partideco que esteja no PODER.A esquerda rouba com a mao esquerda,a direita com a direita e o Centro com asDUAS.Só nos resta Masturbaçao sociologica e Discussao de FUMAÇA!!!

Responder

    António

    19 de outubro de 2013 às 22h39

    Informe-se.
    O Ultimatum foi algo muito triste mas não representou a retirada de Portugal de Angola ou Moçambique.
    Quanto ao lamaçal em que diz que caiu (porque há muitos que não caíram), já teve 500 anos para aprender. Esse já é um discurso gasto e, muitas vezes, nem vem de índios ou negros (os únicos que se poderiam queixar) mas dos descendentes dos que agora fazem as acusações (e dos outros que aproveitaram o clima).

    Respeitosos cumprimentos a todos os que sabem o que significa CULTURA.

    António

    19 de outubro de 2013 às 22h42

    *Descendentes dos acusados, queria eu dizer.

Maria Joaquina Perez

10 de agosto de 2013 às 21h34

São Paulo, que já foi a locomotiva do Brasil é hoje, no máximo, um trem pagador…

A matrix paulistana

Os paulistas conseguiram o que eles sempre quiseram. Tornaram-se os legítimos europeus, ou seja, um povo mitomaníaco:

Mito – 1: São Paulo é a locomotiva do país que carrega 23 vagões vazios.

A Realidade:

A locomotiva virou Maria Fumaça. Na década de 70, a participação de São Paulo no PIB nacional correspondia a 40%. Caiu para 36% na década de 80, e 33% em 2007. Confirmado-se as tendências e prognósticos, a perspectiva é de que a participação paulista esteja abaixo dos 30% já em 2014.

Mito – 2: A USP é uma das universidades mais importantes do mundo!

A realidade:

A USP já foi uma grande universidade, nos tempos de Lévy-Strauss e outros, mas esse DNA já se tornou “viciado” há muito tempo, porque professor da USP fez graduação na USP, mestrado na USP, doutorado na USP. A USP é a universidade mais endógena e de importância inflada que se conhece.

Nos últimos 40 anos, que estudo da USP revolucionou alguma área do conhecimento científico? Nenhum.

A USP (tal como as Federais de outros estados) não é vanguarda em nenhuma área científica importante, apenas acompanha o desenvolvimento científico e tecnológico do primeiro-mundo. Tanto as estaduais paulistas, quanto as federais, apenas procuram reproduzir estudos estrangeiros.

A ficha só cai quando a USP é comparada a instituições de outros países. Nesse caso o resultado é humilhante: “A USP, a universidade da 3ª maior cidade do mundo é apenas a 132ª universidade, se comparada com o resto do mundo”.

Mito – 3: Paulistas são ricos, têm dinheiro e o restante dos brasileiros são pobres e burros.

A Realidade:

Abaixo a lista dos 8 maiores bilionários do país

1º Jorge Paulo Lemann – carioca

2º Joseph Safra – libanês

3º Marcel Telles – carioca

4º Benjamin Steinbruch – carioca

5º Carlos Alberto Sicupira – carioca

6º Antônio Ermírio de Moraes – paulista (origem nordestina)

7º Aloysio Faria – mineiro

8º Eike Batista – mineiro (mora no Rio desde os 4 anos de idade)

Onde estão os bilionários paulistas?
No programa “Mulheres Ricas” da Rede Bandeirantes?

Mito – 4: Todo paulista tem a CRENÇA de que italianos industrializaram São Paulo e que eles foram os responsáveis pelo o que o estado é hoje.

A realidade:

Construiu-se toda uma mitomania em torno do empreendedorismo italiano que não se sustenta. Procuram-se hoje os reflexos dessa herança e não se acha. Pior: descobre-se que são até inexistentes. Ao analisarmos as 300 maiores empresas com “sede” em São Paulo listadas no volumoso encarte “Melhores e Maiores” da Revista Exame, verifica-se claramente que a esmagadora maioria trata-se de empresas de capital estrangeiro. Logo São Paulo não é “sede” de nada… “sede” é eufemismo.

São Paulo é apenas “filial”, porque as matrizes (sedes) dessas empresas estão no exterior. Suas ações são negociadas em seus países de origem. O faturamento e o lucro é todo remetido para fora. O empreendedorismo, portanto, não é paulista e sim estrangeiro.

Se pegarmos então outro ranking, mas nesse caso 100% nacional: “As ações mais negociadas da Bovespa de 2010″ e verificamos claramente a inexpressividade do empreendedorismo paulista: Os maiores conglomerados listados entre as dez ações mais negociadas não são empresas nacionais com sede em São Paulo e sim em sediadas em outros estados: Petrobras, OGX, Vale, CSN, Telemar, Usiminas, Gerdau etc. Entre as top 10 apenas uma única empresa representa o inflado empreendedorismo paulista: o Itaú/Unibanco. E é justamente a única blue chip que não é voltada para produção e sim para agiotagem financeira…

Mito – 5: São Paulo é a Nova York brasileira

A Realidade:

Todo povo de mentalidade colonizada gosta de nomear a sua cidade mais populosa como a “nova iorque” local. Assim Lagos é a “nova-iorque-nigeriana”, Mumbai é a “nova-iorque-indiana”, Jacarta é a “nova-iorque-indonésia”, Karachi é a “nova-iorque-paquistanesa” e São Paulo é a “nova-iorque-brasileira”.

Mas há também, há cidades de personalidade tão fortes que não precisam pedir empréstimo a outras para serem conhecidas. Dessa forma no mundo… Paris é “Paris”, Roma é “Roma”, Buenos Aires é “Buenos Aires” e etc…

Em resumo:

A julgar pela tradicional megalomania paulista, deduz-se que eles se pautam mais numa China superpopulosa e miserável, do que numa Suíça minúscula e rica.

Dentro deste contexto, José Serra sempre será o candidato predileto dos paulistanos, pois o paulistano não quer mudar, não quer pensar, não quer agir… ele quer apenas poder continuar vivendo em sua Matrix: a cidade de São Paulo.

Responder

Elias

09 de agosto de 2013 às 01h09

Não gostei da entrevista. Lembrou-me papos de universitários confusos. Não existe isso de “superioridade racial” dos paulistas. São Paulo tem em seu sítio as mais variadas etnias na mais harmoniosa convivência. Oswald de Andrade foi e ainda é a cara do modernismo e da Semana de Arte Moderna. Ano que vem completa 60 anos sem Oswald. E nessas seis décadas todos os movimentos vanguardistas tiveram influência de Oswald. Os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, Décio Pignatari (Concretismo). Mario Chamie (Poesia-Práxis). (José Celso Martinez Corrêa (Teatro). Caetano Veloso, Torquato Neto (Tropicalismo) e por aí vai. E Oswald acertou ao defenestrar Olavo Bilac e Coelho Neto, ambos os poetas da brasilidade lusitana. São Paulo é pauleira. São Paulo é pau-brasil. O Pirralho. O Homem do Povo. Jornais de Oswald de Andrade. Viva Oswald! Viva O Brasil! Norte! Sul! Leste! Oeste! A “superioridade multiétnica” não é dos paulistas, e sim, de todos os brasileiros.

Responder

    rodrigo

    10 de agosto de 2013 às 20h31

    Qual Oswald? Aquele que ficou com medo da reação do público paulista REACIONÁRIO & PROVINCIANO e demitiu o Alexandre Marcondes Machado da redação d’O Pirralho, depois deste ter ridicularizado de cima abaixo com a imagem do Bilac???

    Elias

    11 de agosto de 2013 às 17h32

    Rodrigo, com todo o respeito

    Quando “Juo Bananere” (pseudônimo de Alexandre Marcondes Machado) começou a escrever em O Pirralho, a revista estava arrendada a Benedito de Andrade. Oswald se encontrava na Europa. Não sei onde você leu isso de Oswald demitir AMM. Se for biografia, é bom desconfiar delas. Como disse no comentário, Oswald sempre zombou de Olavo Bilac. Por que haveria de se contrapor a AMM se ambos tinham o mesmo conceito sobre o poeta?

    rodrigo

    11 de agosto de 2013 às 23h27

    Peço desculpas se me exaltei…

    A propósito, Marcondes Machado, o “jovem quase bobo” nas palavras do Oswald, é combatido até hoje pelos idealistas da “grande nação paulista”. Afinal de contas, o dinheiro da elite e o prestígio do Bilac, como sempre, custaram a cabeça do Juó, nada muito diferente daquilo que acontece volta e meia na grande imprensa.

    rodrigo

    11 de agosto de 2013 às 23h31

    E só uma última coisa – Em 1915, participa do almoço em homenagem a Olavo Bilac, promovido pelos estudantes da Faculdade de Direito. Torna-se membro da Sociedade Brasileira dos Homens de Letras, fundada em São Paulo por Bilac. Chega ao Brasil a dançarina Carmen Lydia, com quem mantém um barulhento namoro. Faz viagens constantes de trem ao Rio a negócio ou para acompanhar Carmen Lydia. – melhor você rever seus conceitos…

    : *

    Elias

    12 de agosto de 2013 às 02h36

    Tudo bem, não vamos polemizar além da conta. Mas devo recusar sua sugestão. Não dá pra rever meu conceito sobre um cara que escreveu Memórias Sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande, e Um Homem Sem Profissão: Sob as Ordens de Mamãe. Temos escritores incríveis, eu os admiro e leio-os, mas se tivesse de escolher apenas dois, seriam Machado de Assis e Oswald de Andrade. Se pudesse ser três, incluiria Clarice Lispector. Abs.

    rodrigo

    12 de agosto de 2013 às 10h24

    Sussa, polemismo foi moda intelectual fútil daquela época. Meus pensamentos não são melhores que os teus, só um pouco diferentes; nada mais do que uma questão de gostos pessoais.

    Elias

    12 de agosto de 2013 às 12h17

    Valeu, Rodrigo.

ricardo silveira

08 de agosto de 2013 às 12h42

Belíssima entrevista! Muito educativa e oportuna para entender as raízes da elite paulista metida a besta.

Responder

Cláudio

08 de agosto de 2013 às 04h13

Meio folclórico (num sentido não tão positivo) até, e sem maiores cuidados na análise (e escrita!) um tanto despretensiosa(s), publiquei postagem no Overmundo (um website colaborativo sobre a cultura brasileira) que pode ter, parece, algo a ver com isso, ao menos obliquamente:

http://www.overmundo.com.br/overblog/o-tumulo-do-samba-e-o-cumulo-de-otras-cositas-mas

O túmulo do samba é o cúmulo de otras cositas mas

– A propriedade, mais do que nunca, é um roubo –

Cláudio Carvalho Fernandes · Teresina, PI
23/2/2012

Os Estados Unidos da América (que pena : ) do Sul, a ‘Chuíça’*, da nova epopéia (pra não dizer tragicomédia) bundeirante não é só o “túmulo do samba” mas túmulo da arte e da cultura, túmulo da democracia(,) da economia …

POR QUE CRIVAR O EIXO RIO-SAMPA E ESPECIALMENTE SÃO PAULO ?

O que move a ação do homem é, geralmente, a economia. Daí que, se manifesta uma situação de desigualdade material e injustiça, pela má distribuição dos bens de todas as naturezas para indivíduos e grupos sociais, a tendência é, se mantida tal ordem, aprofundarem-se as questões e intensificarem-se as tensões em todas as esferas e nos vários aspectos da vida das populações que repartem (desigualmente) essa realidade. Quem pretende que tal situação de desigualdade permaneça ou até se reforce, atenta contra o bem da humanidade e os seus princípios de solidariedade humana. Todos os demais aspectos da realidade desse povo, a partir da materialidade, sofrem a influência da concentração econômica, que termina determinando e/ou também concentrando tais aspectos como a própria organização social e a cultura. Se há iniciativas para reduzir tais desigualdades e estas são rechaçadas por parte de grupos minoritários com ascendência econômica e/ou política sobre parte dos demais participantes, impõe-se o enfrentamento e neutralização das ações centralizadoras desses grupos como forma de se alcançar uma melhor distribuição de bens de natureza material e/ou imaterial (bens culturais, notadamente) para as maiorias oprimidas pela concentração econômica e suas resultantes. A concentração econômica gera conseqüente concentração das iniciativas e participações de ordem cultural, as quais por sua vez vão alimentar ideologicamente a permanência da concentração material, refazendo-se esse ciclo infinitamente, se não descontinuado em sua base natural, física, econômica. Por isso a importância, por exemplo, das políticas sociais/públicas implementadas nos recentes três mandatos populares no governo federal brasileiro, como forma de, entre outras coisas, distribuir renda mais equitativamente e sanar em parte as desigualdades gritantes entre as regiões e suas populações.

No caso da realidade brasileira, é preciso esvaziar o Eixo Rio-Sampa, especialmente São Paulo, do poder econômico e ideológico que o mantém como centro fomentador das desigualdades de toda ordem que se manifestam no contexto nacional. Apesar das mudanças necessariamente começarem pelo aspecto econômico, isso também vale para as dimensões não materiais da sociedade: importa a maior valorização sócio-cultural das regiões que tradicionalmente têm permanecido no cone de penumbra projetado pela excessiva “iluminação” (de origem econômica) das áreas ditas metropolitanas, especialmente as do eixo sudeste. É exatamente a inversão das expectativas em relação ao desigual tratamento histórico da economia e da cultura que faz com que Rio-São Paulo, principalmente este, seja o Eixo do Mal que atinge a sociedade brasileira, baseada, até o momento, nessa ordem desigual, injusta e arbitrária. Tratar os desiguais de forma igual é perpetuar a injustiça e manter a própria desigualdade. “De influência socialista, desenvolvida a partir da segunda metade do século XIX, a igualdade material se volta a diminuir as desigualdades sociais, traduzindo o aforismo tratar desigualmente os desiguais na medida da sua desigualdade, a fim de oferecer proteção jurídica especial a parcelas da sociedade que costumam, ao longo da história, figurar em situação de desvantagem, a exemplo dos trabalhadores, consumidores, população de baixa renda, menores e mulheres” ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Igualdade ). Trata-se, portanto, de dar a cada qual de acordo com as suas necessidades. A exploração econômica se traduz, necessariamente, em um também amplo domínio cultural implícito nas relações diversas mas concentradas (e concentradoras), de hegemonia ideológica na teia dessa cultura de base mais etnocêntrica.

……………………………………….
(*) Chuíça é, no dizer do digno jornalista Paulo Henrique Amorim, o que o PiG (Partido da imprensa Golpista) de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.

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“Com o tempo, uma imprensa [ = mídia ] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma.” >>> Joseph Pulitzer


“Se você não for cuidadoso, os jornais [ = mídias ] farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo” >>> Malcolm X



Ley de Medios Já ! ! !



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Cláudio

08 de agosto de 2013 às 02h13

“a esquerda precisa construir sua própria interpretação do Brasil, e não aceitar uma interpretação do país que vem do núcleo da reação. Esse é um dos problemas da esquerda brasileira: ela precisa interpretar o Brasil não só no plano econômico, ou através da história dos partidos políticos, MAS PRECISA ENTRAR NA REPRESENTAÇÃO SIMBÓLICA DA IDENTIDADE NACIONAL.”. E essa representação simbólica é campo de ação precípuo das artes e, em especial, da literatura.

“A esquerda brasileira raramente considera relevante a vida literária e artística, e acaba, por decorrência, endossando concepções da direita que nasceram na literatura e nas artes.”… Talvez nem tanto propriamente nasceram na literatura e nas artes mas por elas, literatura e artes, TAMBÉM se mantêm e/ou se disseminam.

Muito boa a iniciativa do Viomundo em publicar tal matéria, realmente instigante e merecedora de boas e profundas reflexões. Seria interessante também que procurasse veicular artigos/entrevistas que demonstrem os efetivos e grandes vínculos da indústria cultural e a ideologia do establishment (“Em sentido depreciativo, designa uma elite social, econômica e política que exerce forte controle sobre o conjunto da sociedade, funcionando como base dos poderes estabelecidos. O termo se estende às instituições controladas pelas classes dominantes, que decidem ou cujos interesses influem fortemente sobre decisões políticas, econômicas, culturais, etc., e que portanto controlam, no seu próprio interesse e segundo suas próprias concepções, as principais organizações públicas e privadas de um país, em detrimento da maioria dos eleitores, consumidores[!?!], … [cidadãos] etc.”).

Mais matérias que envolvam (e desenvolvam as relações entre) política, cidadania e arte ! ! ! . . .

‘A poesia tem uma importância fundamental para a formação crítico-reflexiva do sujeito-leitor. A poesia possibilita ao homem o encontro com a cultura humanística, como espaço de revelação e reconhecimento do prazer, da fantasia e da realidade circundante ao leitor, além de propiciar-lhe uma leitura ampla e crítica dos valores vigentes na sociedade.’.

“Com o tempo, uma imprensa [ = mídia ] cínica, mercenária, demagógica e corruta formará um público tão vil como ela mesma.” >>> Joseph Pulitzer


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Mineiro sem liberdade

07 de agosto de 2013 às 21h58

Excelente entrevista! Muita coisa pra se pensar ou repensar…
Adorei!

Responder

Acássia

07 de agosto de 2013 às 18h56

A máfia usando dinheiro do povão para fazer lavagem no povão.

Responder

Acássia

07 de agosto de 2013 às 18h54

E não nos esqueçamos dos portugas, que ainda são coisas separadas do resto. Ninguém quer ser descendente de negro nem de índio, só de português e italiano. Já viram quanto se vendeu de lentes de contato coloridas no lançamento? Um monte. Agora amenizou.

Maioria dessa gente toda tira tatu no nariz enquanto espera o semáforo, mas se acha.

Responder

Bacellar

07 de agosto de 2013 às 17h20

Grande entrevista, muito interessante a tese do Carlos Barriel. Adicione a essa teoria (absurda) de duas miscigenações do Paulo Prado a nona italiana, que quase todo paulistano tem, e teremos a síntese do racismo a la paulista atual!

Responder

João

07 de agosto de 2013 às 16h26

Ainda bem que São Paulo nunca foi capital do Brasil. Lula soube dividir bem direitinho as forças políticas e econômicas, sem este, os nordestinos e nortistas continuariam lascados..

Responder

Maria Izabel L Silva

07 de agosto de 2013 às 15h19

bela entrevista. Adorei.

Responder

Márcio Teles

07 de agosto de 2013 às 14h09

As tendências racistas e supremacistas de boa parte da população de São Paulo e dos três estados do Sul (PR, SC, RS) parecem ser um tema “tabu” até mesmo na esquerda brasileira.

Talvez porque algumas pessoas na própria esquerda paulista e sulista reproduzem, mesmo que de forma inconsciente, a mesma postura supremacista.

Até quando se tenta “ajudar” o povo do Nordeste, ou quando se tenta construir uma interpretação “progressista” sobre os “problemas do Nordeste”, percebe-se nas entrelinhas o tom supremacista. É um veneno que se espalha até mesmo sem que a pessoa se aperceba. Só quem percebe, naturalmente, são os nordestinos.

São tantas as teses que parecem “progressistas”, mas que, em última análise, no fim das constas, são apenas uma consequência da visão, consciente ou não, de que o Norte e o Nordeste são “inferiores” em virtude da sua composição racial da população, na qual os brancos são menos de 50% da população, diferente dos estados do Sudeste e Sul onde os brancos são maioria, são mais de 50% da população.

Aqui vai uma pergunta básica: porque é que se associa o termo “oligarquia” com o Nordeste? Por acaso não existem oligarquias em São Paulo, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul?

Responder

    FrancoAtirador

    08 de agosto de 2013 às 19h49

    .
    .
    Muito oportuno, meu caro Marcio Teles.

    Um ótimo tema para um debate sério.
    .
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Mardones

07 de agosto de 2013 às 12h00

Muito boa a entrevista. Vou procurar o livro.

Parabéns!

Responder

leprechaun

07 de agosto de 2013 às 11h12

o livro deve ser ótimo, só não acho possível que o autor tenha conseguido “…manter a disciplina de ler exatamente o que o autor disse, exatamente o que ele está dizendo.” Ainda que seja uma “busca”, o positivismo corre o risco de entrar pela porta dos fundos.

E, realmente, a esquerda tradicional se perde completamente no campo da cultura, é mera reprodutora e quando se põe a fazer, normalmente, resulta algo panfletário e medíocre. Lê pouco, estuda menos ainda ou
tem aversão às letras. Essa aversão leva a contradições, por falta de conhecimento celebra ícones consagrados pelo conservadorismo. Quantos militantes enchem a boca para repetir o surrado mito conservador que o povo brasileiro é cordial, simpático, pacífico, generoso, blá, blá por natureza? É preciso estudar. Muito mais.

Responder

FrancoAtirador

07 de agosto de 2013 às 10h55

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Mais um jornalista traidor da ideologia neonazi separatista paulista:

Mario Sergio Conti foi demitido dos quadros da TV Cultura Norte-Americana de São Paulo.

A expulsão do apresentador do programa Roda Morta da TV Tucana Paulista repete o ‘modus operandi’ da quadrilha instalada no Governo do Estado de São Paulo.
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Comentário de Leandro Fortes no Facebook:

O antijornalismo

O título não é meu, mas da revista Piauí deste mês, na chamada de capa que faz para um texto do jornalista Mario Sergio Conti.

Trata-se de uma análise devastadora dessa biografia montada para dar suporte à violência editorial da Abril contra José Dirceu e o PT.

Logo depois de ter arrasado com o livro sobre Dirceu, escrito por um repórter da Veja, Conti foi afastado do comando do Roda Viva, o programa de entrevistas da TV Cultura, estatal paulista subordinada ao governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

Para o lugar dele irá Augusto Nunes, colunista da Veja.

Esse é um esgoto sem fim.

(http://limpinhoecheiroso.com/2013/08/06/resenha-desmonta-livro-de-reporter-da-veja-contra-ze-dirceu)
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Biografia não autorizada de Otávio Cabral traz erros históricos crassos, além de realçar aspectos pessoais em detrimento dos políticos

Livro traz barbaridades e invencionices, segundo Mario Sergio Conti

Revista Fórum

O jornalista Mario Sergio Conti publicou na revista Piauí uma resenha (Chutes para todo lado) sobre a biografia não autorizada de José Dirceu.
(http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-incrivel-biografia-de-dirceu-por-mario-sergio-conti)

O livro “Dirceu – A biografia” foi lançado em junho deste ano pelo editor da revista Veja Otávio Cabral (Editora Record).
Em duas semanas, a suposta biografia teria vendido 30 mil exemplares e chegou à lista dos mais vendidos de não ficção.

No entanto, é assustador a quantidade de erros encontrados na obra, que não contou com sequer uma entrevista com o biografado e pessoas próximas a ele.

Conti fez o trabalho de relatar todas as inverdades encontradas em suas páginas, das menores às maiores, estas históricas.
Ele lista vários equívocos só nas seis primeiras páginas do capítulo inicial.

“E a sexta página se encerra com um abuso: Otávio Cabral afirma que José Dirceu apoiava Jango ‘mais para se opor ao pai do que por ideologia’. Nada autoriza o biógrafo a insinuar o melodrama edipiano. Ainda mais porque, dois parágrafos adiante, é transcrita uma declaração na qual José Dirceu afirma que, no dia mesmo do golpe, se opôs à ditadura por “um problema de classe”, completa.

Entre as “invencionices” do biógrafo Cabral, listadas por Conti, estão afirmações de que Dirceu teria trabalhado na TV Tupi, o que não confere. Diz ainda que o presidente do PT Rui Falcão foi colega de Dirceu na PUC, onde estudou jornalismo. A PUC sequer tinha curso de jornalismo e Falcão fez direito na Universidade de São Paulo.
Afirma que uma das ações mais ousadas de Dirceu “foi a destruição do palanque do governador paulista, Abreu Sodré, no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé.
O ataque a Sodré foi feito por metalúrgicos de Osasco, liderados por José Ibrahim”.

O biógrafo afirma que em 1968 “a Guerra Fria encontrava-se no auge e a invasão dos Estados Unidos a Cuba era iminente”.
Mario Sergio Conti corrige: “A invasão de Cuba fora eminente em 1961, quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos, e no ano seguinte, durante a crise dos mísseis, e não seis anos depois. E 1968 não foi o ano do auge da Guerra Fria, e sim o da sua grande crise, que levou o capitalismo e o stalinismo a se darem as mãos”.

Segundo Conti, A Biografia tem dezenas de barbaridades. Uma das melhores é o trecho que diz: “Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo”.
Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.

O biógrafo ainda narra o jogo da Seleção Brasileira contra a do Haiti, em Porto Príncipe, em 2004, que recebeu uma comissão brasileira, com o ex-presidente Lula.
Há um belo relato, porém Dirceu não foi para o Haiti naquela ocasião.

“É torpe a maneira como Otávio Cabral trata as namoradas e esposas de José Dirceu. Ele escreve vulgaridades machistas como “loira alta e voluptuosa”, “encontrou a inesquecível lembrança deitada na cama”, “formas avantajadas”, “a bunduda do sindicato”. Dá nome, sobrenome e profissão de algumas das mulheres que amaram Dirceu. De outras, o primeiro nome ou só a ocupação. “Empresária”, por exemplo. Por quê? Talvez por incerteza. Talvez por covardia. O que sobressai é a alusão melíflua, e não a afirmação direta”, escreve Conti em sua resenha.

Ao comparar a chamada biografia com outras obras, Conti destaca que “Otávio Cabral envolve José Dirceu numa névoa de insinuações para melhor denegri-lo. Em títulos de capítulos, chama-o de ‘camaleão’, ‘bedel de luxo’, ‘o maior lobista do Brasil’ e ‘o maior vilão do Brasil’. Como Dirceu foi condenado e aguarda a prisão, o que Cabral faz é chutar um homem caído no chão. Mas comete tantos erros que acaba chutando a sua própria reputação profissional”.

E a resenha termina com a seguinte conclusão:

“Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante”.

(http://revistaforum.com.br/blog/2013/08/resenha-desmonta-livro-de-reporter-da-veja-contra-ze-dirceu)
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Versão de Elio Gaspari sobre o motivo da demissão de Conti:

Do Diário do Centro do Mundo, via Luis Nassif OnLine

A bizarra saída de Conti do Roda Viva

O pivô, quem poderia imaginar, foi FHC.

Conti foi uma vítima indireta de FHC

Se é verdade o relato de Elio Gaspari sobre a saída de Mario Sergio Conti do Roda Viva, a TV Cultura de São Paulo vive dias de absoluta insanidade.

A versão de Elio é, certamente, a de Conti. Conti fez carreira na Veja sob as asas de Elio quando este era, na década de 1980, diretor-adjunto.

A falta de nexo começa no pivô: Fernando Henrique Cardoso foi, segundo Elio, o motivo da queda de Conti.

Conti convidou FHC para o Roda Viva e o novo chefe de Conti, Marcos Mendonça, desconvidou. Diz Elio que Mendonça fez isso sem sequer avisar Conti.

Ao saber disso, Conti desautorizou quem o desautorizara. Diz Elio que ele ligou para FHC e renovou o convite.

O programa foi, enfim, ao ar.

FHC é tão detestado assim num reduto tucano? Ou Mendonça é tão consciencioso que ficou incomodado com o fato de que a entrevista de FHC se seguiria a uma de Serra no Roda Viva?

Se é verdade que o nome escolhido para substituir Conti é Augusto Nunes, Mendonça terá mostrado que consciencioso não é.

Em outra encarnação, no começo da década de 1980, Nunes foi um excelente apresentador do Roda Viva. Provavelmente, o melhor da história do programa. Boa presença, capacidade de administrar os entrevistadores, sensibilidade para interromper perguntas ou respostas longas.

Mas ele era outro jornalista.

Hoje, comanda um blog histrionicamente contra as administrações do PT e contra qualquer coisa remotamente associada à esquerda. Dilma é “Dois Neurônios” e Evo Morales é “Lhama com Franja”. Rui Falcão, que tem sequelas deas torturas que sofreu, “mente a 80 piscadas por minuto”.

Xinga leitores que discordam de suas opiniões num grau tal que foi processado por um deles por danos morais.

Quem, fora de um círculo restrito, aceitará ir a um Roda Viva sob Augusto Nunes?

Mario Sergio Conti não nasceu para a televisão: é lento ao falar, não tem charme e acaba sendo enfadonho como apresentador.

Mas Augusto Nunes é uma solução pior que o problema.

(http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-saida-de-mario-sergio-conti-do-roda-viva)
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Responder

Leleco

07 de agosto de 2013 às 10h13

Creio que o excepcionalismo paulista,o Convênio de Taubaté e Paulo Prado (e seu Modernismo), tese central do artigo acima , tem raízes muito anteriores ( segundo observações de Saint- Hilaire) :
” Um homem ofereceu-me mesmo seu rancho, assegurando-me que nenhum dos vizinhos me venderia milho tão vantajosamente quanto ele. Em Minas, dizia-me José (que é mineiro), quem tem fome pode estar certo de encontrar, por toda a parte, um prato de feijão e farinha sem ser obrigado a pagar. Aqui, arvoram nas casas um pedaço do galho espinhoso da figueira-do-inferno para avisar aos que não têm dinheiro que serão mal recebidos “. ( Em http://www.brasiliana.com.br/obras/segunda-viagem-do-rio-de-janeiro-a-minas-gerais-e-a-sao-paulo-1822/pagina/152/texto , pág. 151 e 152 ). Saint- Hilaire , 1822,Segunda Viagem do Rio de Janeiro A Minas Gerais e a São Paulo- Ed. Itatiaia.Figueira- do- inferno : nome vulgar da Solanácea Datura stramonium( Mario G.Ferri ). Creio que Saint – Hilaire percebeu , conforme texto acima , a beligerância , o expansionismo e belicosidade dos paulistas,simbolicamente com sua arrogância em colocar ramos espinhosos nas entradas das casas ( estava vindo de Minas e sabia dos Bandeirantes) .Em Minas tem até o Rio das Mortes , nome dado em razão da guerra entre mineiros e paulistas ( Guerra dos Emboabas,com os Bandeirantes querendo o ouro das Minas) .Acho que o motivo do separatismo paulista é anterior mesmo a Saint-Hilaire,é histórico em nossa colonização.

Responder

Gab

07 de agosto de 2013 às 03h43

Um povo que vota no psdb durante 20 anos não tem nada de superior.

Responder

Iza

07 de agosto de 2013 às 02h49

Meus Deus!
A história desse país DEVE ser recontada!
Onde estão os acadêmicos da VERDADE?

Responder

Francisco

07 de agosto de 2013 às 02h07

O que o entrevistado diz tem sentido.

Mas a coisa que mais tem fundo de verdade é o raciocínio de que a esquerda brasileira lê pouco, escreve pouco e quando lê, lê o que a direita diz que “merece” ser lido.

Na academia isso é uma verdadeira doença, uma peste.

O NE sofre horrores com isso: raro curso de Letras no NE estuda autores da terra, ou os lê com “complacência”.

Paulo Freire, Celso Furtado, Milton Santos… pedras angulares do pensamento no Brasil são nordestinas.

E o norte? E o centro-oeste? E o sul? Como saber o que é feito lá? As editoras são paulistas, elas escolhem o que é “relevante” publicar ou republicar.

A vida cultural brasileira é menor que a de qualquer província francesa.

200 milhões de pessoas e 3 canais de TV, 2 produtoras de cinema, 4 ou 5 editoras, 4 ou 5 jornais, 2 ou 3 revistas…

Somos maiores que a Europa em território e população, pô!

Responder

Alexandre Bastos

07 de agosto de 2013 às 00h01

Li. E vou reler. A entrevista é um quase-enasaio da obra, que deve ser muito boa

Responder

Alexandre Ribeiro Marcondes Machado

07 de agosto de 2013 às 00h01 Responder

jõao

06 de agosto de 2013 às 23h39

O misterioso apoio de Alckmin a Robson Marinho no TCE, há 4 anos um homem-bomba no propinão tucano
Para:[email protected]

O misterioso apoio de Alckmin a Robson Marinho no TCE, há 4 anos um homem-bomba no propinão tucano
http://www.youtube.com/watch?v=pp-x3oi0qvo

Este vídeo tem 4 anos. Com apoio do amigo Alckmin (PSDB), até hoje Robson Marinho continua poderoso no Tribunal de Contas, responsável por “fiscalizar”, julgar e aprovar as contas do governo tucano.

Em agosto de 2009, a juíza Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública da capital paulista, determinou o sequestro de bens do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Robson Marinho, incluindo US$ 1 milhão depositado em contas na Suíça, segundo o Ministério Público paulista. O motivo foi a acusação de recebimento de propina da empresa francesa Alstom por contratos com o Metrô. Marinho negou, mas o MP viu motivos robustos para prosseguir na investigação, que corre em sigilo.
(…)
Essa situação deixou Marinho insustentável para continuar na cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, justamente o cargo responsável por aprovar a lisura das contas do governador, da administração estadual, inclusive de empresas estatais paulistas como o próprio Metrô. Insustentável porque a situação, aos olhos do cidadão, é aquela da raposa tomando conta do galinheiro. .. Leia mais aqui.

Responder

Regina

06 de agosto de 2013 às 22h02

não sei muito sobre o modernismo, mas ficava incomodada como a poesia de Olavo Bilac fora considerada arcaica na época. Mas parece que os motivos vão além da poesia. Vou tentar ler esse livro, e quanto a Olavo Bilac, leio e releio inúmeras vezes.

Responder

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