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Diário da Resistência


Capangas encapuzados fuzilam dois integrantes do MST na Paraíba
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Capangas encapuzados fuzilam dois integrantes do MST na Paraíba


09/12/2018 - 16h03

“No que depender de mim, o agricultor, o homem do campo, vai apresentar como cartão de visita para o MST um cartucho (de) 762”. Jair Bolsonaro, em evento público, em 2017

“Àqueles que me questionam se eu quero que mate esses vagabundos, quero, sim. A propriedade privada numa democracia é sagrada. Invadiu, pau nele”. Idem

Dois trabalhadores do MST são assassinados em acampamento na Paraíba

Grupo fortemente armado invadiu a área e matou militantes enquanto jantavam

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)

José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino foram assassinados na noite deste sábado (08) por volta das 19h.

Os dois eram militantes do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores Sem Terra (MST) da Paraíba e estavam no acampamento Dom José Maria Pires, localizado no município de Alhandra, quando um grupo de 4 homens armados entraram na área e atiraram neles enquanto jantavam.

O acampamento Dom José Maria Pires, antiga Fazenda Garapu, pertence ao Grupo Santa Tereza e completou um ano de resistência em julho deste ano.

“Vamos comparecer ao velório e fazer um ato político”, disse a deputada estadual eleita, Cida Ramos, através de nota.

O MST da Paraíba também se posicionou através de nota dizendo: “ Exigimos justiça com a punição dos culpados e acreditamos que lutar não é crime”.

Confira a nota do MST na íntegra abaixo:

Nota da Direção do MST Paraíba sobre o assassinato de dois militantes no Acampamento Dom José Maria Pires, município de Alhandra.

O que seria deste mundo sem militantes? Como seria a condição humana se não houvesse militantes? Não porque os militantes sejam perfeitos, porque tenham sempre a razão, porque sejam super-homens e não se equivoquem. Não é isso. É que os militantes não vêm para buscar o seu, vem entregar a alma por um punhado de sonhos.

 Ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST-PB) perde nesta noite de sábado (08) por volta das 19:30 dois militantes: José Bernardo da Silva, conhecido por Orlando e Rodrigo Celestino.

Foram brutalmente assassinados por capangas encapuzados e fortemente armados.

Isso demonstra a atual repressão contra os movimentos populares e suas lideranças.

O ataque aconteceu no Acampamento Dom José Maria Pires, no município de Alhandra na Paraíba.

Área da Fazenda Garapu, pertencente ao Grupo Santa Tereza, ocupada pelas famílias em julho de 2017.

Exigimos justiça com a punição dos culpados e acreditamos que lutar não é CRIME. Nestes tempos de angústia e de dúvidas sobre o futuro do Brasil, não podemos deixar os que detém o poder político e econômico traçar o nosso destino.

Portanto, continuamos reafirmando a luta em defesa da terra como central para garantir dignidade aos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.

Justamente dois dia antes das comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de dezembro, são assassinados de forma brutal dois trabalhadores Sem Terra.

Neste sentido, convocamos a militância, amigos e amigas, aos que defendem os trabalhadores e trabalhadoras, denunciar a atual repressão e os assassinatos em decorrências de conflitos no campo.

Solidariedade à família de Orlando e Rodrigo.

Direção do MST – PB

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

Edição: Heloisa de Sousa

Foto Lula Marques

Ministério Público Federal repudia assassinato de trabalhadores sem-terra na Paraíba

Em nota, três órgãos do MPF também se solidarizam com MST e familiares das vítimas

Daniela Stefano, Brasil de Fato | São Paulo

A Procuradoria Geral da República (PGR), a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba (PRDC/PB), órgãos do Ministério Público Federal, manifestaram solidariedade aos familiares de José Bernardo da Silva e Rodrigo Celestino, brutalmente assassinados na noite deste sábado (8).

“Diante desse quadro, a PGR, a PFDC e a PRDC/PB reiteram o compromisso com a proteção dos direitos humanos dos assentados e envidarão todos os esforços perante os órgãos de investigação para que a autoria do duplo assassinato seja esclarecida e os responsáveis punidos conforme a lei”, afirma a nota, assinada por Raquel Dodge, Procuradora-Geral da República, Deborah Duprat, Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão e José Godoy, Procurador Regional dos Direitos do Cidadão.

Em nota, os amigos do MST na Paraíba expressaram a solidariedade ao MST e aos familiares de Orlando e Rodrigo: “Consideramos que o assassinato covarde desses companheiros se inscreve como ato continuo da truculência exacerbada pelo cenário político vivido no país com a ascensão do ideário neofascista e de criminalização das organizações e movimentos populares deste país.”

Por volta das 19h deste sábado (8), Rodrigo Celestino e José Bernardo da Silva – mais conhecido como Orlando – estavam jantando no acampamento Dom José Maria Pires, no município de Alhandra, litoral paraibano, quando quatro homens armados entraram na área e dispararam contra eles.

O acampamento Dom José Maria Pires completou um ano em julho deste ano.

Está na área da antiga fazenda Garapu, vinculado ao Grupo Santa Tereza.

Paraíba: lutas e conflitos

A luta pela terra na Paraíba é antiga.

As Ligas Camponesas, um dos movimentos mais importantes pela Reforma Agrária estava intensamente presente no estado entre as décadas de 1950 e 60, principalmente na região de Mari, no agreste paraibano.

Até hoje, a região é marcada por conflitos, explica o professor e pesquisador da questão agrária Marco Antonio Mitidiero Júnior: “O acampamento Antas está na beira da estrada há 20 anos e fica a cerca de 500 metros da casa onde viveram João Pedro e Elisabeth Teixeira, das Ligas Camponesas”.

João Pedro Teixeira foi assassinado em 1962. Décadas mais tarde, Maria Margarida Alves também seria assassinada na Paraíba, em 1983.

De acordo com Mitidiero, no entanto, os conflitos são mais intensos na Zona da Mata e Brejo paraibano.

Alhandra, local dos assassinatos deste sábado, fica na Zona da Mata e, segundo o professor, é uma área marcada pela violência no campo.

O deputado e padre Luiz Couto, do PT, por exemplo, vive sob proteção da Polícia Federal há mais de 10 anos por ter denunciado a ação de pistoleiros no local.

“É uma região violenta e muito cobiçada por conta da cana-de-açúcar e pelo minério de calcário”, afirma o professor.

De acordo com ele, Alhandra está dentro da Zona da Mata, que se inicia no litoral alagoano e vai até o Rio Grande do Norte.

“Há muitos conflitos e o registro de inúmeras ocorrências de violências e ameaças”, explica.

O professor ressalta, no entanto, que nos últimos anos o número de assassinatos caiu. Antes da mortes ocorridas ontem, o mais recente assassinato havia sido em 2016.

Na ocasião, o assentado Ivanildo Francisco da Silva levou três tiros dentro da própria casa. Ele era presidente do PT local e apoiador da Comissão Pastoral da Terra.

No total, 31 pessoas perderam a vida por defender os direitos das trabalhadoras e trabalhadores rurais entre 1962 e 2018 de acordo com o banco de dados de Mitidiero e da CPT Nacional.

Homenagem

Um ato político na tarde deste domingo (9) na cidade de Mari, na Paraíba, deve homenagear os trabalhadores rurais assassinados.

Familiares, simpatizantes da luta pela terra e autoridades, como a presidenta do PT, Gleisi Hoffman, e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), devem participar do velório e ato, que ocorre na capela do assentamento Nossa Senhora Aparecida, no assentamento Zumbi dos Palmares.

O corpo de Orlando deve ser velado na capela Nossa Senhora Aparecida, no assentamento Zumbi dos Palmares, em Mari.

Era ali que ele vivia, com sua família. Rodrigo Celestino deve receber as últimas homenagens de maneira reservada, apenas com parentes e amigos, em João Pessoa.

Edição: Luiz Felipe Albuquerque

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4 comentários

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Zé Maria

09 de dezembro de 2018 às 21h35

Não foi só no Campo, Botsonauro estimulou a Violência em todo o paíZ:
.
.
Ocupação 29 de março em Curitiba: O primeiro dia depois de perder tudo

Moradores relatam como foi voltar para casa e só encontrar escombros

Reportagem: Frédi Vasconcelos

Igrejas e outras entidades estão recolhendo doações para as famílias
A mobilização em solidariedade começou logo nas primeiras horas da manhã

Para doações solidárias, procure os PONTOS DE COLETA
relacionados no Jornal Brasil de Fato:

https://www.brasildefato.com.br/2018/12/08/ocupacao-29-de-marco-o-primeiro-dia-depois-de-perder-tudo/

Moradores suspeitam de ação criminosa de PM em incêndio no Paraná

De acordo com o Instituto Democracia Popular (IDP), que esteve no local esta manhã,
moradores relataram que policiais estiveram no local ontem (7) e teriam avisado
que ateariam fogo nas casas em represália pela morte de um colega de farda.

https://www.esmaelmorais.com.br/2018/12/moradores-suspeitam-de-acao-criminosa-de-pm-em-incendio-no-parana/

O crime já está correndo solto no braZil.

Imagina só quando a Nulidade assumir.

Responder

Zé Maria

09 de dezembro de 2018 às 21h17

Empresário do Agronegócio Paulista esteve com o presidente eleito
em lobby pelos produtores de BANANAS do Vale do Ribeira (SP);

Ministério Público constatou que ele não manteve a reserva legal de sua fazenda em Jacupiranga.

O empresário Rene Mariano fez parte da comitiva de BANANEIROS
do Vale do Ribeira, no interior paulista, que foi recebida na última terça-feira (04/12),
em Brasília, pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL)
e pela futura ministra da Agricultura,
a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS).
Ele foi condenado em agosto do ano passado, em ação civil pública
proposta pelo Ministério Público de São Paulo,
por não manter a reserva legal de sua fazenda – a São Lourenço –
em Jacupiranga.

https://deolhonosruralistas.com.br/blog/2018/12/06/recebido-por-bolsonaro-dono-de-empresa-de-aviacao-agricola-foi-condenado-por-desmatamento/

Os Bananeiros paulistas esperam ser prontamente atendidos pelos Sinistros da Ex-planada,
já que o paíZ é o Maior Produtor Mundial de Bananas.

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Zé Maria

09 de dezembro de 2018 às 20h58

E atendendo indicação da Sociedade Rural Brasileira (SRB),
– ONG de Ruralistas historicamente mais reacionária do paíZ –
e dos Usineiros da União da Indústria de Cana-de-Açúcar,
Botsonauro nomeia Ricardo Salles que fundou em 2006
o Movimento Endireita Brasil (MEB), ONG parceira do Instituto Millenium.

Quando era Secretário do Desgoverno de Geraldo Alckmin (PSDB),
Salles foi denunciado pelo MP-SP – sendo réu em Ação de Improbidade Administrativa –
por haver adulterado vários mapas de zoneamento do Plano de Manejo
da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, criada em 1987, com 7.400 hectares,
abrangendo doze municípios da região metropolitana de São Paulo:
Salesópolis, Biritiba-Mirim, Mogi das Cruzes, Suzano, Poá, Itaquaquecetuba,
Guarulhos, São Paulo, Osasco, Carapicuíba, Barueri e Santana de Parnaíba.

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Politica/noticia/2018/12/bolsonaro-anuncia-ricardo-salles-como-ministro-do-meio-ambiente.html

Responder

Zé Maria

09 de dezembro de 2018 às 20h04

Assassinaram dois militantes do MST na Paraíba.
Entre 1985 e 2017 foram mais de 1900 assassinatos
de pessoas ligadas à luta no campo e na floresta.
Mas a direita chama os movimentos sociais de violentos…

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1071799600363778049

https://pbs.twimg.com/media/Dt_ZtyHWoAA9Fyn.jpg

No final de semana em que dois sem terra do MST são barbaramente executados na Paraíba é anunciado um ministro de Meio Ambiente que fez uma propaganda eleitoral pregando munição calibre .30-06, usada em fuzis, “contra a esquerda e o MST”:
https://twitter.com/rubensvalente/status/1071826522829406209
https://twitter.com/ju_granjeia/status/1071810984510177282

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