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Diário da Resistência


A brutal repressão da PM aos manifestantes da Greve Geral no Rio; veja a bomba detonada no palco enquanto deputado discursava
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A brutal repressão da PM aos manifestantes da Greve Geral no Rio; veja a bomba detonada no palco enquanto deputado discursava


29/04/2017 - 09h16

por Maria Fernanda Arruda, com posts do Facebook e Bem Blogado

Manifestação linda e pacífica até a polícia chegar atirando bomba de gás lacrimogêneo.

“O ataque foi exatamente em cima de nós , de nossos companheiros…. atacaram o palco…. onde eu estava …. a PM barbarizou a área….depois, quem pode retornou…”

Sobre a manifestação de hoje no Rio de Janeiro

Por Juliana Krapp

Jornalista – Fiocruz

Não, a culpa da truculência e da absurda violência que dispersou a manifestação no centro do Rio, nesta tarde 28 de abril, não foi de vândalos. Não acreditem nisso que as TVs e os jornais — os mesmos que apoiaram o golpe civil-militar de 64 — estão querendo vender. Não teve a ver com ônibus queimados ou vidraças quebradas, amigos. Não caiam nessa esparrela, por favor.

Eu estava lá, junto a milhares de outros trabalhores que, pacificamente, protestavam contra o brutal corte de direitos que representam as reformas trabalhistas e da previdência. Nós fomos covardemente encurralados. Viramos alvo de bombas, gás pimenta, bolas de borracha.

Eu estava parada numa roda de amigos na Cinelândia, em frente à Câmara. O clima estava amistoso, tranquilo, e apenas as notícias de confusão na Alerj poderiam trazer alguma preocupação. Assim que ouvimos o ruído das primeiras bombas, vindo da Rio Branco, decidimos seguir para zonas mais à beirada.

A correria nos pegou na calçada do Amarelinho, com as bombas e o gás vindo em nossa direção. Seguimos pela Alcindo Guanabara, achando que poderíamos sair do tumulto, ir embora. Mas a polícia simplesmente havia cercado tudo, feito um círculo ao redor da manifestação e seguiu nos encurralando, atirando bombas ao deus dará. Ela nos impressou, sem que houvesse saída. Uma tocaia, literalmente.

Havia crianças chorando, idosos, muita gente passando mal, em pânico. Eu e uma amiga conseguimos abrigo num prédio da Rua Álvaro Alvim, onde já havia uma pequena multidão, espremida.

Uma mulher deitada ao chão chorava copiosamente, gritando que sua filha havia ficado lá fora. Estamos numa guerra, pensei. O cheiro do gás fez com que subíssemos as escadas — e cada vez mais.

Com medo de que a polícia entrasse no prédio, seguimos até a Lapa. Era tudo terror, era tudo inacreditável. Na Rua da Lapa, nova correria, mais bomba. Entramos no pátio da ACM. O carro de guerra da polícia estacionou na frente, com os policiais apontando as armas — sem deixar nenhuma dúvida de sua disposição ao ataque. Repito: não havia nada ali acontecendo. Apenas pessoas caminhando, indo embora, nada mais.

Mais espera, mais terror, e alcançamos a Glória. Paramos no bar Vila Rica para beber alguma coisa e tentar raciocinar, aturdidos pelo gás e por todo o resto. Não estávamos mais num protesto. Era o Vila Rica, era a Glória, com a calçada cheia de jovens aproveitando a noite de sexta, gente indo correr, cachorros passeando. Em poucos minutos, a correria nos alcançou novamente. E as bombas, e o gás. Pois a polícia não apenas encurralou manifestantes pacíficos — ela os perseguiu, por diferentes bairros.

Nos abrigamos numa padaria. As notícias dos grupos de whatsapp e via Fabebook eram assustadoras. Amigos ajudando pessoas que passavam mal na plataforma do metrô, onde o gás também chegou. Amigos ainda presos ao labirinto de bombas da Cinelândia e da Lapa. Nas ruas, pavor e correria.

Agora já estamos em casa, e eu queria muito dizer: não, não foram os “vândalos”. Não acredite nisso.

por Noilton Nunes, via Maria Fernanda

Eu estava bem na frente do palanque na Cinelândia.

A plenária pública de avaliação da Greve Geral seguia pacífica.

Zora Motta terminava sua fala enquanto a polícia militar começava a se movimentar vindo em direção ao centro da praça.

Alguém pegou o microfone e começou a gritar pedindo calma para os policiais.

Quem está aqui na praça são trabalhadores, honestos, lutando pelos seus direitos…

Muitas pessoas começaram a correr. Não corram, não corram, era o que se pedia, mas poucos atendiam.

Começamos a cantar bem alto o Hino Nacional. Mas não conseguimos passar do… “Em teu seio, ó Liberdade Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó pátria amada Idolatrada… Salve! Salve!..

E tudo virou “um conflito selvagem e irracional. A PM é de fato uma organização criminosa que deve ser abolida.”

Bombas estourando, gases lacrimogêneos por todos os lados. Chorei muito. Gritei muito. Corri muito. Tremi muito.

Ao meu lado caiu uma mulher ferida na perna…

Não sei de onde apareceram santos enfermeiros da Cruz Vermelha e a atenderam fazendo curativos ali mesmo, em plena rua Treze de Maio. Triste Brasil.

A sensação que fica é que não há mais condições para diálogos com esse governo ilegítimo, corrupto, golpista.

A Revolução Brasileira está no seu Marco Zero e é irreversível. Salve-se quem puder.

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11 comentários

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Edson

01 de maio de 2017 às 09h46

Esse relato dos fatos ocorridos no RJ, oriundos da PM, É CRIME GRAVE !!!!
A PM do RJ comportou-se como organização TERRORISTA !!!!!!
A atitude criminosa tem que ser denunciada na câmera federal, tem que ser denunciada na imprensa internacional e na ONU !!!!
Os atentados terroristas feito pela PM, não podem ficar só na indignação, é preciso tomar atitudes serás contras essas atitudes TERRORISTAs da PM !!!!
Luciana Genro e Blablarina, VOCÊS acham correto esse terrorismo da PM ?
De que lado vocês estão ?

Responder

Fábio

30 de abril de 2017 às 16h56

“A PM é de fato uma organização criminosa que deve ser abolida.”. E vai botar quem para combater a marginalidade,? Os bundões e cagões petistas ?

Responder

Luciano Prado

29 de abril de 2017 às 15h21

E a OAB do Rio – onde Wadih Damous foi presidente e agora agredido junto com toda a população que se manifestava pacificamente – não vai se manifestar?

Responder

Divulgando a Grande Farsa (p/ Cavalcanti)

29 de abril de 2017 às 14h43

A #VERDADE sobre a #manifestação de hoje no #Rio de Janeiro – Por Juliana Krapp, Jornalista – Fiocruz

Não, a culpa da truculência e da absurda violência que dispersou a manifestação no centro do Rio, nesta tarde 28 de abril, não foi de vândalos. Não acreditem nisso que as TVs e os jornais – os mesmos que apoiaram o golpe civil-militar de 64 – estão querendo vender. Não teve a ver com ônibus queimados ou vidraças quebradas, amigos. Não caiam nessa esparrela, por favor.

Eu estava lá, junto a milhares de outros trabalhores que, pacificamente, protestavam contra o brutal corte de direitos que representam as reformas trabalhistas e da previdência. Nós fomos covardemente encurralados. Viramos alvo de bombas, gás pimenta, bolas de borracha.

Eu estava parada numa roda de amigos na Cinelândia, em frente à Câmara. O clima estava amistoso, tranquilo, e apenas as notícias de confusão na Alerj poderiam trazer alguma preocupação. Assim que ouvimos o ruído das primeiras bombas, vindo da Rio Branco, decidimos seguir para zonas mais à beirada. A correria nos pegou na calçada do Amarelinho, com as bombas e o gás vindo em nossa direção. Seguimos pela Alcindo Guanabara, achando que poderíamos sair do tumulto, ir embora. Mas a polícia simplesmente havia cercado tudo, feito um círculo ao redor da manifestação e seguiu nos encurralando, atirando bombas ao deus dará. Ela nos impressou, sem que houvesse saída. Uma tocaia, literalmente.

Havia crianças chorando, idosos, muita gente passando mal, em pânico. Eu e uma amiga conseguimos abrigo num prédio da Rua Álvaro Alvim, onde já havia uma pequena multidão, espremida. Uma mulher deitada ao chão chorava copiosamente, gritando que sua filha havia ficado lá fora. Estamos numa guerra, pensei. O cheiro do gás fez com que subíssemos as escadas – e cada vez mais.

Com medo de que a polícia entrasse no prédio, seguimos até a Lapa. Era tudo terror, era tudo inacreditável. Na Rua da Lapa, nova correria, mais bomba. Entramos no pátio da ACM. O carro de guerra da polícia estacionou na frente, com os policiais apontando as armas – sem deixar nenhuma dúvida de sua disposição ao ataque. Repito: não havia nada ali acontecendo. Apenas pessoas caminhando, indo embora, nada mais.

Mais espera, mais terror, e alcançamos a Glória. Paramos no bar Vila Rica para beber alguma coisa e tentar raciocinar, aturdidos pelo gás e por todo o resto. Não estávamos mais num protesto. Era o Vila Rica, era a Glória, com a calçada cheia de jovens aproveitando a noite de sexta, gente indo correr, cachorros passeando. Em poucos minutos, a correria nos alcançou novamente. E as bombas, e o gás. Pois a polícia não apenas encurralou manifestantes pacíficos – ela os perseguiu, por diferentes bairros.

Nos abrigamos numa padaria. As notícias dos grupos de whatsapp e via Fabebook eram assustadoras. Amigos ajudando pessoas que passavam mal na plataforma do metrô, onde o gás também chegou. Amigos ainda presos ao labirinto de bombas da Cinelândia e da Lapa. Nas ruas, pavor e correria.

Agora já estamos em casa, e eu queria muito dizer: não, não foram os “vândalos”. Não acredite nisso.

Responder

Guilherme

29 de abril de 2017 às 14h13

Quem foi o comandante da PM responsável por isso?

Responder

Roberto Almeida

29 de abril de 2017 às 13h22

O que ocorreu no Rio foi um ataque terrorista praticado por representante de uma espécie inconsequente, desconhecida da ciência, mantidos com recursos da sociedade. Diante destes fatos far-se-a necessário extinguir esta organização criminosa/terrorista.

Responder

    Fábio

    30 de abril de 2017 às 16h57

    E você vai para as ruas combater a bandidagem do Rio ??

Pedro Aurelio Zabaleta

29 de abril de 2017 às 12h55

De volta à repressão da ditadura.
De volta à ditadura.

Responder

Claudio

29 de abril de 2017 às 11h24

É um erro contumaz impor a culpabilidade na polícia.
A polícia é apenas um braço controlado, que como o judiciário recebe ordens de quem não faz parte da instituição.
Tentar negar isso é encobrir os verdadeiros opressores na nação.
Não adianta falar da grande mídia, pois a grande mídia é um braço sob controle.
Existem crimes, sim!
Quem vai investigar e punir?
Judiciário e polícia corrupta?
Quem vai legislar isso?
Legislativo corrupto?
Quem vai informar isso?
Mídia corrupta?
Quem vai educar o povo?
Educação corrupta que funciona como centro de emburrecimento de massa?
Para começarmos em falar em uma justiça, fusta, polícia honesta e uma mídia descente é necessário desvincular essas instituições do domínio opressor das sociedades privadas e ocultas.
O que é público tem que ser público e o que é privado, que seja privado.
Não pode é o privado controlar o público e impor leis que prejudicam a coletividade.
E é exatamente o que acontece pelo fato do judiciário não agir com uma instituição pública.

Responder

    Luciano Prado

    29 de abril de 2017 às 15h33

    Cláudio, suas colocações são muito boas, mas não se pode apurar de trás pra frente.
    É preciso começar pelo fato concreto que constitui crime. A PM cometeu excessos que a apuração pode dizer se foram criminosos ou não. A partir dai pode-se tentar criminalizar os responsáveis em todas as esferas. Vai conseguir? Provavelmente não.
    Mas é preciso expor a exaustão os excessos. De todos, sem exceção.
    Isso se pretendermos uma país melhor.
    Houve manifestação em todo o Brasil. E em inúmeras cidades com público record sem que se verificasse excessos.
    O Rio de Janeiro tem se constituído num problema crônico, você tem razão. Mas é preciso começar pelo excesso da PM que foi flagrantemente contra a população.

    Claudio

    30 de abril de 2017 às 16h32

    Certo
    Obrigado pela postagem.
    Luciano Prado
    Observe o que foi divulgado recentemente: o policial que agrediu jovem em Goiás não era policial, mas o comandante geral da polícia militar de Goiás.
    O comandante geral da polícia militar é “cargo de confiança” do governador do estado (Marconi Perillo do PSDB).
    PSDB se manifestou contra as manifestações.
    PSDB controla as PMs em SP, Goias. Mato Grosso, Mato grosso do sul, Pará e Paraná. PMDB governa em 7 estados.
    Dessa forma quem agrediu e quem é responsável pelas PMs são os governadores, contudo, ninguém falou dos governadores e são eles que mandam nas PMs.
    E talvez você não saiba, mas quando o cidadão chega a graduação de capitão recebe uma cartinha para se filiar a maçonaria.
    Não aceitando sua promoção fica empacada e provavelmente jamais será coronel. Dessa forma, não poderá ser comandante geral.
    Dessa forma quem é que controla as PMs?
    Maçonaria é contra governos de esquerda e já vimos várias manifestações da maçonaria nesse sentido.
    Juiz Moro é grão mestre.
    EUA é um país maçônico que dita a “ordem mundial”.
    “Tá tudo dominado!”
    Basta pesquisar.
    Felicidade e paz


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