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Diário da Resistência


‘Atitude do agressor de Manuela não pode ser vista como ato tresloucado; precisa ter consequências severas e servir de exemplo’
Foto: Foto Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Denúncias 02/08/2022 - 21h00

‘Atitude do agressor de Manuela não pode ser vista como ato tresloucado; precisa ter consequências severas e servir de exemplo’


Por Redação

Por Conceição Lemes

Nessa segunda-feira, 01-08, ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB) denunciou em redes sociais novos ataques sofridos pela internet.

Sordidez total. Em mensagens recebidas, ela é xingada, ameaçada de morte e estupro.

O agressor faz ameaças também à sua filha de 6 anos, à sua mãe e ao ex-presidente Lula.

Em seus perfis nas redes sociais, Manuela comentou:

“Ser uma mulher pública no Brasil é ser amaçada permanente. É escolher um lugar para o medo, outro para a coragem, outro lugar pro fingir ignorar.

Ser mulher pública é conviver com a ameaça de estupro como correção pela coragem, com a ameaça de morte como silenciador.

Ser mulher pública é ouvir de muitos que não aguentariam nem metade, que tá tudo bem, que é assim mesmo.

Como se fosse o preço a pagar por estar num lugar que não é o nosso, que não é pra nós.

Essa é mais uma das ameaças que eu, minha filha e também minha mãe sofremos”

Manuela é vice-presidenta do PCdoB.

Ontem mesmo, em notas (na íntegra, ao final), o partido repudiou a violência contra Manuela e exigiu punição do agressor.

A direção nacional destaca:

“Receber de forma reiterada ameaças contra si, mas também contra sua filha e sua mãe é algo abominável. Todas as pessoas, independentemente da sua posição política e ideológica, deveriam manifestar sua indignação, e as instituições do Estado deveriam atuar para coibir essa forma vil de violência”.

O PCdoB-RS salienta:

“Denunciamos constantemente a misoginia e violência às mulheres públicas no Brasil, como as dirigidas reiteradamente contra Manuela. Exigimos que as autoridades tomem as providências para garantir que cessem as ameaças e que os criminosos sejam punidos”.

Nesta terça-feira, 02-8, a Secretaria Nacional de Mulheres e PT-RS também divulgaram nota (na íntegra, ao final) de solidariedade ”à companheira de lutas” e veemente “repúdio aos ataques inaceitáveis e criminosos sofridos por Manuela e sua família”.

Por ser referência e ter papel de liderança, Manuela é alvo frequente da violência política no Brasil.

“Ela recebe ameaças dos mais variados tipos e origens”, conta-nos a jornalista Renata Mielli, Secretária Nacional de Comunicação do PCdoB e coordenadora do Barão de Itararé.

“Para a extrema-direita misógina que cresce assustadoramente no Brasil, ter mulheres como a Manuela na política é motivo de ódio”, avalia.

Renata explica.

A participação dessas mulheres é fundamental para ampliar a diversidade de vozes na condução política do país.

Por isso, eles usam o medo para afastar as mulheres da política e da disputa eleitoral tão importante para recuperar nossa frágil democracia.

Temos que ter mais mulheres representando a sociedade nos espaços de poder. Portanto, a violência política de gênero precisa ser combatida com determinação.

“É inaceitável que o Brasil naturalize esse tipo de violência política, particularmente a violência política de gênero”, observa Renata.

“‘A atitude desse agressor da Manuela não pode ser visto como um ato tresloucado; precisa gerar consequências severas para ele, inclusive para servir de exemplo”, frisa

Nota da direção nacional do PCdoB

O Partido Comunista do Brasil manifesta a mais irrestrita solidariedade à sua vice-presidenta nacional Manuela D’Ávila e à sua família por mais um ataque infame e sórdido que sofreram nesta segunda-feira, 1º de agosto.

A violência política é inadmissível em uma sociedade que se afirma democrática. O debate de ideias deve acolher as divergências e as suas manifestações de forma respeitosa.

Receber de forma reiterada ameaças contra si, mas também contra sua filha e sua mãe é algo abominável. Todas as pessoas, independentemente da sua posição política e ideológica, deveriam manifestar sua indignação, e as instituições do Estado deveriam atuar para coibir essa forma vil de violência.

O PCdoB reafirma sua luta cotidiana pelo fim da violência política; principalmente a violência política de gênero, que têm crescido no país estimulada pela misoginia de governantes que atacam mulheres com papel de destaque político, sem qualquer tipo de responsabilização.

Exigimos das instituições do Estado brasileiro que atuem para responsabilizar o autor das ameaças contra Manuela.

#ForçaManu

Partido Comunista do Brasil
01/08/2022

Nota da direção estadual do PCdoB/RS

A Direção Estadual do PCdoB/RS vem a público manifestar sua total solidariedade à Manuela d’Ávila que tem sofrido constantes ataques a si e a sua família de forma infame e perversa.

Em um mundo civilizado, livre da barbárie, criminosos deste tipo estariam presos respondendo por seus crimes.

Denunciamos constantemente a misoginia e violência às mulheres públicas no Brasil, como as dirigidas reiteradamente contra Manuela.

Exigimos que as autoridades tomem as providências para garantir que cessem as ameaças e que os criminosos sejam punidos.

À Manuela e sua família nosso total apoio.

Conclamamos a militância democrática e civilizada a defendê-la de tais ameaças.

Fascistas, machistas, não passarão!

Direção Estadual do PCdoB/RS

Nota de solidariedade das mulheres do PT 

”O Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul e a Secretaria Nacional de Mulheres do PT vem expressar sua solidariedade à companheira de lutas, Manuela D’Ávila, e expressar veementemente o nosso repúdio aos ataques inaceitáveis e criminosos sofridos por Manuela e sua família.

Não podemos aceitar nenhum tipo de ataque, tampouco quando isso acontece com a intenção de intimidar para silenciar uma das vozes mais importantes na luta por igualdade e por mudanças na sociedade brasileira.

Exigimos que as autoridades investiguem e punam o autor dessas ameaças, por fim, mas uma vez reafirmamos nossa irrestrita solidariedade a Manuela e sua família com a certeza que seguiremos juntos e juntas na luta contra a misoginia e demais crimes de ódio”.

Leia também:

”Vereadora Juliana Cardoso foi vítima do crime de violência política contra mulher”, afirma advogada Tânia Mandarino





7 comentários

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Zé Maria

04 de agosto de 2022 às 14h24

https://twitter.com/i/broadcasts/1eaJbNaZmnVJX

Entrevista: PAULO PIMENTA

“O Bolsonarismo praticamente legitimou
os Grupos Nazi-Fascistas Históricos do Sul”

Na TV GGN, via Canal da Resistência:

https://youtu.be/6WUVd4LRO1g

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1554616024686661632

Responder

Ibsen Marques.

04 de agosto de 2022 às 07h31

Vejam que o ataque é tanto misógino quanto ao ideal político na defesa da liberdade é independência das mulheres e, de resto, de todos os trabalhadores e trabalhadoras. Há que se observar que esses ataques são sempre dirigidos às mulheres de esquerda e nunca uma Simone Tebet ou uma Carla Zambelli da vida ( sem querer nivelá-las em todos os campos), Donde se conclui que não basta eleger mulheres, é preciso eleger as mulheres que atuam na luta das mulheres trabalhadoras desse país por equidade e respeito.
A misoginia do ataque é inquestionável na medida em que o ataque é desferido apenas às mulheres da família. Um ataque tanto canalha quanto covarde. É preciso que se dê um basta nessa forma vil de coerção e é preciso que não só às mulheres do PT, mas todos de todos os partidos se unam para apoiar a causa das mulheres que também representa a causa por uma sociedade mais justa e equilibrada.

Responder

Zé Maria

03 de agosto de 2022 às 23h55

“Pesquisa Vox Populi Mostra o que Pensa o Bolsonarista Típico”

Por Marcos Coimbra*, na Carta Capital, Edição nº 1184

Que palavra você usaria para se referir àqueles que não acreditam que
a economia brasileira vai mal e a pobreza aumentou?
Que acham que não passamos por uma pandemia?
Que não admitem que as mulheres são tratadas desigualmente no Brasil?
Que não enxergam o crescimento do preconceito racial?

Uma hipótese seria dizer que são lunáticos.
Outra que são tão limitados, que não conseguem entender o óbvio.
Ou que vagueiam em uma realidade paralela, longe da gente normal.

Há outra resposta, que a mais recente pesquisa do Instituto Vox Populi
permite perceber.

Esses brasileiros são tudo isso e, quase sempre, mais uma coisa:
bolsonaristas.

Muitos fazem parte de seu “núcleo duro”, admiradores entusiasmados
do capitão, dispostos a defendê-lo com unhas e dentes.
Em reciprocidade são os principais interlocutores do discurso
e aqueles que o governo trata com mais carinho.

Bolsonaro sempre cuidou dessa turma.
Calcula que, com ela, consolida uma base suficiente para voltar a ser o que foi
na eleição de 2018: o mais forte candidato da direita, em quem todas as correntes
terminaram por confluir, goste-se dele ou o despreze.

É o inverso do que fizeram, em seu tempo, os tucanos, que levaram a ultradireita
a apoiá-los, mesmo que sem entusiasmo.

Para aqueles que hoje são o “núcleo duro” do bolsonarismo, deve ter sido difícil
votar em Fernando Henrique Cardoso, por exemplo.

A pesquisa Vox Populi mostra o que pensa o bolsonarista típico
dos problemas nacionais e como suas opiniões se articulam
com seu comportamento político.
O retrato que emerge não é bonito.

Os entrevistados foram abordados a respeito de dez “questões
que têm sido discutidas no País e nos meios de comunicação”;
se consideravam que as notícias sobre cada uma eram:
a) “verdadeiras, acreditavam nelas”;
b) “verdadeiras, mas exageradas”, ou
c) se eram “mentira, não acreditavam nelas”.

A primeira tratava de “aumento do custo de vida e da inflação dos preços
de alimentos, gasolina e energia”, e 73% dos entrevistados responderam
que achavam verdadeiras as notícias a respeito.

O extraordinário foi que 18% preferiram a segunda opção,
dizendo que eram “exageradas”, e 5% que eram “mentira”.

Ou seja, no Brasil, para 23% da população, não é verdade que exista inflação
nos preços desses produtos, ou que “não é tão elevada quanto se diz”.

Esse padrão de respostas se repetiu nos demais temas.

Entre dois terços e três quartos dos entrevistados afirmaram considerar
verdadeiras as notícias a respeito de “o aumento do número de pessoas
em situação de pobreza extrema e da fome”, “os números da pandemia,
de doentes e mortos”, “o aumento da violência em geral”, “o aumento
da violência e da discriminação contra as mulheres”, “a crise ambiental,
a degradação do meio ambiente e da Floresta Amazônica”, “a crise hídrica
e a falta d’água”, “o aumento do ódio e da intolerância entre as pessoas”,
“o aumento do preconceito racial” e “a corrupção do governo Bolsonaro”.

Um pouco menos de um terço dos entrevistados vive, no entanto, em outro país:

acha exagerado ou mentiroso o noticiário que trata desses assuntos.

Para essa fração, as coisas vão bem ou são mostradas como mais negativas
do que deveriam sê-lo.

São proporções significativas, embora não formem maioria, o que é um alento
para quem espera que tenhamos, a partir de 2023, um governo capaz de combater
os nossos problemas.
A precondição para resolvê-los é reconhecer que existem.

Entre os eleitores de Lula, 82% estão conscientes da gravidade dessas questões
e apenas 4% acham se tratar de “mentira”.
Eleito, não será, portanto, difícil convocar o País a enfrentá-las.

O complicado são os bolsonaristas: quase 60% imaginam que esses problemas
ou não existem (24%) ou “não são tão graves” (33%).

Acreditam que o Brasil não tem problemas ou que pode até tê-los,
mas não são graves.

Por que razão então arriscariam trocar o capitão por outros nomes,
menos conhecidos ou em quem confiam menos?
Ainda mais porque acham que ele “não faz mais por culpa do sistema
que não deixa”, um mantra que qualquer bolsonarista tem na ponta da língua.

Pode ser inacreditável para quem olha a situação do Brasil com realismo,
mas existe uma parcela nada irrelevante da população que crê no capitão
e não concorda que tenhamos problemas.
Por isso é tão pequeno o espaço para uma tal terceira via.

*Sociólogo. É Presidente do Instituto Vox Populi.

https://www.cartacapital.com.br/carta-capital/negacionismo-economico-dos-bolsonaristas-inviabiliza-outras-candidaturas-a-direita/

Responder

    Zé Maria

    04 de agosto de 2022 às 00h39

    Excertos

    “Um pouco menos de um terço dos entrevistados vive, no entanto,
    em outro país:
    acha exagerado ou mentiroso o noticiário que trata desses assuntos.
    Para essa fração, as coisas vão bem ou são mostradas como mais negativas
    do que deveriam sê-lo.
    “quase 60% [desses Bolsonaristas] imaginam que esses problemas
    ou não existem (24%) ou “não são tão graves” (33%).

Nelson

03 de agosto de 2022 às 15h41

Vivo correndo atrás da máquina, sempre acreditando que o dia deveria ter umas 4 ou 6 horas a mais para que eu pudesse fazer o que gostaria de fazer e não faço por faltar tempo.

Então, custa-me acreditar que tenha gente que encontre tempo para ir atazanar, infernizar a vida de outra pessoa sem qualquer motivo, sem a mínima justificativa. Fico ainda mais incrédulo em saber que existe gente que consegue encontrar tempo para se dedicar a fazer ameaças uma mulher como a Manuela.

Eu ia escrever “a uma mulher frágil como a Manuela” e me detive, pois lembrei do caso do Marcelo Arruda, morto em Foz do Iguaçu.

Marcelo era um guarda municipal, ao que parecia corpulento, que tinha habilidade – em grau bem mais elevado que o meu, pelo menos, que só peguei em uma arma para atirar uma vez na minha vida – no manuseio de armas, e ainda assim foi covardemente assassinado em sua festa de aniversário.

Ora, frágeis somos todos, e ficamos ainda mais frágeis todos nós, quando vai se esvaindo em parte considerável das pessoas a mínima consideração pela condição humana do outro, quando a insanidade e a barbárie passam a tomar conta do nosso entorno.

Definitiva e lamentavelmente, o fanatismo fundamentalista vai se fazendo mais e mais presente entre nós. Onde vamos parar?

Responder

Zé Maria

02 de agosto de 2022 às 22h22

Esses NeoNaziFascistas são Covardes e Sádicos.
Homúnculos Vis, Infames e Fracos de Caráter.
Essa Escória da Humidade só atua nas Sombras.
Geralmente atacam, ofendem e ameaçam as
Mulheres que têm Posicionamento Político
Forte e Marcante em Defesa [email protected] Demais.

Responder

    Zé Maria

    03 de agosto de 2022 às 19h31

    “As companheiras @ManuelaDavila e @samiabomfim
    foram atacadas com ameaças de estupro e morte
    pela turma do ódio estimulada pelo [Poderoso] Chefão.
    É assim que devemos agir, denunciar,
    pedir punição dos agressores e seguir
    sem abrir mão da Luta pelo Brasil.
    Toda solidariedade a Manuela e Sâmia.”

    Deputada Federal Gleisi Hoffmann (PT/PR)
    Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores
    https://twitter.com/gleisi/status/1554826437806342145


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