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Antônio de Souza: Alckmin não cumpre promessa; rentabilidade das concessionárias de estradas é quase quatro vezes maior que a dos bancos
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Antônio de Souza: Alckmin não cumpre promessa; rentabilidade das concessionárias de estradas é quase quatro vezes maior que a dos bancos


09/07/2015 - 20h20

Nova leva de secretários de Alckmin inclui Saulo de Castro nos Transportes

por Antônio de Souza, especial para o Viomundo

Na campanha eleitoral de 2010, Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB ao governo de São Paulo, prometeu que iria revisar o preço dos pedágios paulistas, que são os mais caros do Brasil.

Alckmin esqueceu a sua promessa e resolveu congelar os preços por um ano, mas manteve as tarifas muito altas e as tem reajustado mesmo  que as concessionárias devam R$ 2 bilhões para o governo paulista.

Em 2013, o governador não concedeu reajuste da tarifa do pedágio e, para bancar o custo de aproximadamente R$ 500 milhões, adotou as seguintes medidas: cortou em R$ 130 milhões os recursos para a Artesp; adotou a cobrança do chamado eixo suspenso de caminhões; utilizou os créditos que o governo estadual tem referentes a obras atrasadas; e, por último, reduziu da receita de concessão, ônus fixo, a ser pago pelo governo estadual.

Já em 2014 e agora em 2015 Alckmin concedeu reajuste. Mesmo assim, a receita de pedágio subiu 16% em valores corrigidos pelo IPCA até maio de 2015. Ou seja, as empresas quase não sentiram o efeito de não ter sido dado o reajuste em 2013. Aliás, de 2000 até 2014, as concessionárias paulistas tiveram ganhos de 269% acima da inflação pelo IPCA.

Em 2000,  a receita de pedágio corrigida pelo IPCA era de R$ 2,5 bilhões e  agora chegou a R$ 9,47 bilhões. Um dos fatores que explicam isto é que os contratos até recentemente eram corrigidos pelo IGP-M. De março de 1998, quando foram assinados os primeiros contratos  para concessão das rodovias até maio 2015, o IGP-M cresceu 197%, enquanto a correção pelo IPCA seria de apenas 155%. Esta diferença de mais de 42% explica parte da elevação astronômica da arrecadação de pedágio. O aumento do fluxo de  veículos e da frota, causados pelo maior desenvolvimento do país, pode também ter contribuído.

Pedágio 1

LUCRO DAS CONCESSIONÁRIAS CRESCEU EM MÉDIA 290% 

O lucro das concessionárias rodoviárias em valores corrigidos pelo IPCA pulou de R$ 520 bilhões para pouco mais de R$ 2 bilhões, ou seja 290%. De 2010 para 2014, este crescimento foi de 56,5%. O mais interessante é que a maior participação dos lucros frente à receita de pedágio foi em 2013, ano que não teve o reajuste do pedágio, e em 2014. Foi o terceiro percentual mais alto da série histórica e quase 5 pontos percentuais acima da média do período. Ainda vale lembrar que nos primeiros cinco anos as concessionárias acumulam prejuízo, visto que devem bancar as obras e depois ter o retorno.

Quanto ao lucro líquido, há duas situações distintas.

As concessionárias antigas (os contratos são principalmente de 1998 a 2000), que já passaram da fase de perdas dos primeiros cinco anos, quando os encargos são maiores. Integram esse grupo Autoban, Tebe, Viaoeste,Via Norte, Ecovias, Autovias, entre outras.

E as concessionárias novas, que passaram a operar após 2008. Por exemplo, Ecopistas, que administra a Ayrton Senna e a Carvalho Pinto, Rodoanel e Auto Raposo Tavares.

Pedágio 2

Já as antigas concessionárias – que são a imensa maioria — superaram um ano de crise econômica com um crescimento do lucro líquido de 356 % comparando 2003 com 2014. Já comparando 2014 com  2010, este valor passou de R$ 1,67 bilhão em 2010 para R$ 2,37 bilhão.

Desde que começaram a operar, o lucro líquido total das antigas concessionárias chegou a R$ 16,6 bilhões. Curiosamente os maiores valores de participação do lucro líquido frente  à receita ocorreu em 2013, quando não houve reajuste, e no ano passado, quando chegaram a 25%.

RENTABILIDADE DE 70% NAS ANTIGAS CONCESSIONÁRIAS EM 2014 

A rentabilidade seria o percentual de Lucro Líquido ou Prejuízo Líquido auferido relacionado ao montante total aplicado pelos acionistas, ou patrimônio líquido. Neste quesito a campeã é a Via Oeste (123%), seguida da autoban ( 114%) e Centrovias (81%).

Na média, a rentabilidade das concessionárias chega a 70%, o que é elevadíssima, visto que a dos bancos gira em torno de 18%. Ou seja, é quase quatro vezes maior que as dos bancos.

Pedágio 3-001
INVESTIMENTOS EM RODOVIAS  CAEM 30%
 

Se o lucro  e  a rentabilidade das antigas concessionárias vão bem, os investimentos realizados nelas vão mal. Em 2013, foram gastos com novas construções R$ 4,24 bilhões, especialmente graças à construção do Rodoanel Leste. Já em 2014,este valor chegou a R$ 2,93 bilhões essas despesas. Ou seja, caíram R$ 1,3 bilhão.

As maiores quedas de investimentos, entre 2014 e 2013, ocorreram na Autoban (-32%), Renovias (-71%), Ecopistas (-24%), Rota das Bandeiras (-11%), Marechal Rondon Oeste (-40%) e Spmar (-64%). Já a Ecovias elevou os investimentos em 70%.

Os números desfazem as promessas do governador de São Paulo de revisão dos pedágios e estes ainda pesam muito no bolso dos paulistas. A partir de 2018, quando o Estado deixará de receber das concessionárias algo como R$ 1 bilhão, referente ao ônus fixo,  os lucros aumentarão ainda mais. Além disto, os R$ 2 bilhões cobrados a mais pelas concessionárias não são usados para beneficiar os cidadãos paulistas e estes mais uma vez  vão pagar por esta conta.

Leia também:

Para cruzar o Estado de São Paulo caminhão paga até R$ 260 mil de pedágio em uma única viagem 





19 comentários

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Antonio

13 de julho de 2015 às 01h52

Esse post mostra com clareza quem sustenta a folia tucana em São Paulo.

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walter melo

12 de julho de 2015 às 14h50

olhaí paulistada! voces não aprendem.
20 anos votando nos mesmos: impressionante!

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Carlos J. R. Araújo

11 de julho de 2015 às 14h31

E não seria demais dizer, depois de tudo o que a direitona política paulista aprontou nos últimos vinte e tantos anos – o episódio das terceirizações/concessionárias dos transportes é apenas mais uma onerosa parcela do prejuizo social, político e econômico que ela proporcionou – , que nada disto teria acontecido se o próprio paulistano não aceitasse e não contribuísse para a materialização desta verdadeira insanidade. Enfim, o paulistano merece, até porque além de aceitar, aplaude.

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Marat

10 de julho de 2015 às 18h47

Meu povo de SP sofre da Síndrome de Estocolmo… nas próximas eleições, qualquer tucano que se candidatar (pode ser empresário corrupto, burguês inútil, ex-prefeito sonegador, superfaturador de ambulâncias etc.) ganhará… Eita povinho burro, sô!!!

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Roberto Locatelli

10 de julho de 2015 às 13h15

Esse é o Geraldo Alstom que eu conheço!!

Acho que tem mesmo que tirar o couro dos paulistas. O ser humano, às vezes, só aprende apanhando muito.

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Luís CPPrudente

10 de julho de 2015 às 12h51

O governador Picolé de Chuchu faz isto, pois ele deve receber uma participação especial nos lucros das concessionárias. Que na época das eleições, ainda dão dinheiro para a campanha do Picolé de Chuchu.

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Bonobo de Oliveira, Severino

10 de julho de 2015 às 11h35

O Ansioso Blogueiro, PHA, diz sempre no CAf uma verdade acerca desses políticos do PSDB. Diz que, se não fosse o PiG, eles não passariam de personagens da Zoologia Fantástica de Jorge Luiz Borges. O que é chamado de PiG, Partido da imprensa Golpista, denominação cunhada pelo ex-deputado Fernando Ferro – PE, é o oligopólio midiático liderado pela Rede Globo que distorce e manipula informações impedindo que a população, sobretudo do Tucanistão, saiba quem são as pessoas que ela elege e o que eles fazem com o mandato que recebem.
Esse Alckmin é um caso especial. Dizem que segue a linha religiosa do Opus Dei. Mas, na verdade, todo o PSDB pratica na realidade, com fervor, o culto ao Deus Mercado. Em reverencia a esse Deus destroem por onde passam todas as estruturas do Estado que a população também, por conta da atuação deletéria do PiG, não sabem nem o que é isso. De uma forma resumida e simplificada, a destruição das estruturas do Estado, que em nível nacional foram fortemente recompostas nos anos recentes, representa o afastamento do cidadão comum da condição de objeto e agente das politicas públicas, que passam a servir exclusivamente aos interesses das classes dominantes.
O tal Deus Mercado exige dos seus seguidores o rigoroso cumprimento das doutrinas do Estado Mínimo que levaram as maiores economias do mundo ao colapso em 2008 e 2010, lançadas num buraco de que não conseguiram sair até hoje, com pesadas cargas jogadas sobre as costas das populações daqueles países.
O Mauro Santayana explica muito bem a falácia que é empurrada pela goela dos eleitores por esses farsantes, nesse artigo publicado no CAf, em que trata da falaciosa doutrina em nível mais abrangente do mesmo fenomeno que ocorre na decadente província do Tucanistão.
“O Conversa Afiada reproduz texto de Mauro Santayana”

http://www.conversaafiada.com.br/economia/2015/07/09/lava-jato-combater-a-corrupcao-mas-sem-arrebentar-com-a-nacao/#comment-2020826

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Gerson Carneiro

10 de julho de 2015 às 07h54

Está tudo dominado.

As contas de campanha do Alckmin foram aprovadas pelo TCE em uma sessão que durou apenas uma hora e meia com pausa para cafezinho.

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    Rita

    10 de julho de 2015 às 14h20

    Mas eles não passarão.
    Como tenho religião, rezo e peço sempre a Deus que nos dê uma ajuda. Afinal, Jesus disse pra gente pedir. Eu peço. Peço a Deus que os fariseus hipócritas sejam desmascarados. Temos que ter esperança.

Gerson Carneiro

10 de julho de 2015 às 02h47

Financiadoras das campanha eleitorais do Alckmin.

Responder

FrancoAtirador

10 de julho de 2015 às 00h11

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Milicos Empijamados Mijaram nas Pantufas.
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Íntegra do texto publicado pelo Clube Militar:
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A Presidente Dilma cambaleia ladeira abaixo, em meio a grande confusão de atos e fatos que complicam sua situação política.
Sem qualquer ponto de apoio que possa ajudá-la a manter o prumo, suas cambalhotas na direção do precipício beiram o dramático.
No mesmo pacote mal feito se misturam a inflação ascendente, o desemprego crescente, o desencanto dos eleitores, que lhe deram um segundo mandato há pouco mais de meio ano, os infindáveis escândalos de corrupção, envolvendo empresários, políticos e a outrora sólida Petrobrás, a incompetência administrativa assombrosa, a revolta com a teia de mentiras que foi imposta ao eleitorado e a falta total de apoio por parte de seu partido e de seus parceiros, inclusive de seu guru Lula.
A base de apoio do governo ruiu completamente e todos procuram salvar-se, levando a melhor parte dos destroços.
Tudo bem, Dilma colhe o que plantou.
No entanto, há outros sinais assustadores. Seus aliados teóricos jogam cascas de banana em seu caminho já escorregadio, votando demagogicamente medidas de gosto popular que completariam a destruição de nossa economia e deixando-lhe a antipática alternativa de apelar para o veto, tentando salvar algo do periclitante, mas imprescindível, ajuste fiscal.
O horizonte é ensombrado pelos vetos que podem ser derrubados e por, no mínimo, três grandes nuvens negras ameaçadoras na esfera judicial: o TCU, na verdade órgão fiscalizador do Legislativo, caminha para rejeitar as contas governamentais de 2014, em consequência das famosas “pedaladas”, artifícios contábeis usados para mascarar os desastres fiscais do desgoverno; o TSE que se inclina a analisar possível abuso do poder econômico e uso de verbas de origem duvidosa nas eleições de 2014; e o STF com atenta observação das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público no caso da Operação Lava Jato, que chegam cada vez mais perto do Planalto.
Raposas felpudas discutem de maneira não muito discreta as alternativas a seu impeachment, acertando cenários, acordos e divisão do espólio após sua possível queda.
As conversações envolvem o invertebrado PMDB – teoricamente aliado de Dilma – e as facções mineira e paulista do PSDB – oposição retórica do governo petista, além de personagens menores.
Enquanto isso, ministros dos tribunais superiores movem-se discretamente, trocam mesuras e sussurros, repelem pressões mal disfarçadas, aceitam outras, lançam balões de ensaio.
No deslize acelerado rumo ao abismo, cujo fundo é muito distante e inimaginável, dois importantes atores do drama brasileiro medem cuidadosamente suas ações ou omissões.
Um é o camaleônico Lula, movendo-se com muita cautela para não ser tragado pelo mesmo desastre que ora incentiva, ora acalma.
Sua situação, no entanto, também não é tranquila.
O braço da lei vem se aproximando e ele deve muitas explicações sobre a criação do pesadelo em que vivemos.
A outra, incrivelmente discreta, mas crescentemente descontente, é o povo brasileiro, vítima maior dos descalabros e também responsável pelos mesmos, por nunca ter exigido as satisfações que lhe são devidas.
Escorrega junto com Dilma, sentindo-se sem carta, sem rumo e sem piloto.
O clamor das ruas virá, mais cedo ou mais tarde.
Quando chegar, a solução aparecerá, para o bem e para o mal.
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(http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2015-07-09/clube-militar-avalia-que-dilma-segue-na-direcao-do-precipicio.html)
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Responder

    Bonobo de Oliveira, Severino

    10 de julho de 2015 às 11h14

    Esses do pijama parecem não se envergonhar do ato lesa pátria que cometeram quando rasgaram a Constituição Federal que todo militar jura e tem a atribuição de defender. Talvez seus esclerosados neurônios já tenham se esquecido das barbaridades e desumanidades que patrocinaram, em decorrência daquele ato insano. Por culpa do STF, em decisão de Eros Grau, tampouco a população pode saber a história e os crimes perpetrados na esteira do Golpe, porque foi concedida a anistia à Lei da Anistia, garantindo a impunidade dos criminosos e a ocultação de tudo o que ocorreu. Devemos agradecer ao STF a nosso desconforto de ver frequentemente esses fantasmas insepultos bradando as suas interpretações aberrantes da realidade que ocultaram. Se houvesse no Brasil um judiciário decente, boa parte desses velhinhos estariam passando seus últimos dias numa “Casa de Repouso” cercada de muralhas em compartimentos fechados com barras de ferro, como foi feito com os seus colegas de países da América Latina que possuem um Poder Judiciário digno desse nome.

    Julio Silveira

    10 de julho de 2015 às 11h24

    Meu caro Franco, assim tu fica parecido comigo. Sabe, tenho começado a achar que a Dilma foi escolhida para isso. Por não ser uma habil politica do naipe dos “sobreviventes” desse país, esses que costumam ser incensados por todas as matizes ideologicas, se é que isso signifique alguma coisa maior que a vontade de ver o país seguir incluindo cidadãos em cada vez maior numero nos beneficios sociais, antes limitados a alguns poucos privilegiados detentores do poder de se privilegiarem. Tenho começado a pensar que ela foi matreiramente conduzida ao cargo para ser o cordeiro que seria imolado para aplacar a ira do “deus” que aplica corretivos levando aos homens o ranger de dentes.
    Por que, meu caro, sinceramente, a pobre coitada esta sendo exposta de forma vergonhosa e humilhante, seus acessores de partido são tão incompetentes que só podem estar sendo de forma deliberada. Já disse aqui e vou repetir, o partido da governante e tão traidor quanto os outros, e agora começo a a reditar que trai tambem a governante e de diversas formas, algumas já é do conhecimento de todos, senão de forma isolada, mas por aceitar e acatar a regras perniciosas que foram construidas no tempo em nosso país. Essa pratica que obriga, com sabemos, todos a se tornarem farinha do mesmo saco, em prol de poucos e contra os interesses de dignidade da cidadania. Outras mostrando toda sua culpabilidade através duma complacencia e duma cordialidade tão covarde, para aqueles que sempre tiveram no dito do quem cala consente. Coitada da presidenta, no frigir dos ovos é a melhor coisa que já passou nos governos dessa republica, mas será justamente ela que estão sangrando para trazer de volta o de sempre, os corruptos, os sugadores, os aproveitadores, silenciosos, que trabalham assim em consenso e harmonia. Sds

José Carlos Vieira Filho

09 de julho de 2015 às 21h45

Essa foto é do picolé ou do Cunha?

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Julio Silveira

09 de julho de 2015 às 21h19

Eu gostaria de saber de que forma incidem os impostos sobre esse serviço, já que o tickets que são repassados aos motoristas costumam ser descartados. Será que é cobrado por amostragem? Por que se for dá espaço para muita sonegação. Com outras cozitas mais de consequencia. Podendo ser uma mina de ouro de dificil fiscalização.

Responder

FrancoAtirador

09 de julho de 2015 às 20h35

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A Culpa é da Dilma.
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Responder

    Bonobo Severino de Oliveira

    09 de julho de 2015 às 23h13

    E o Lula também deve ter alguma parcela de culpa.

    Juarez

    12 de julho de 2015 às 00h46

    E quem recebe propina é o Zé Dirceu… O trio Covas/Serra/Alckmin não recebeu nadinha. Oh dó!


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