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Diário da Resistência


Antônio David questiona seriedade de pesquisa sobre impeachment feita na Bahia pelo Paraná Pesquisas
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Antônio David questiona seriedade de pesquisa sobre impeachment feita na Bahia pelo Paraná Pesquisas


17/10/2015 - 17h44

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Murilo Hidalgo é o diretor-presidente dei Instituto Paraná Pesquisas

por Antônio David, especial para o Viomundo

Em 2014, no contexto da eleição presidencial, pesquisas realizadas pelo Instituto Paraná Pesquisas foram alvo de polêmica.

Na época, o jornalista Renato Rovai escreveu sobre o assunto.

No último dia 15 de outubro, o Instituto Paraná Pesquisas voltou às manchetes com uma sondagem realizada na Bahia, pela qual 68% dos baianos seriam favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff.

O Instituto Paraná divulgou o relatório da dita pesquisa em seu site.

Instituto do ParanáComo se pode notar (página 4, imagem ao lado), não consta do relatório a faixa de renda dos entrevistados nem a região onde vivem (capital ou interior). O curioso é que a pesquisa indica dados referentes às classes “A, B, C, D, E”. Não é estranho que o relatório tenha omitido a amostra?

 

Por si só, essa lacuna coloca em dúvida a seriedade da pesquisa. Como todos sabem, a preferência pelo PT e o apoio ao governo são maiores entre os mais pobres e menores entre os mais ricos.

A dúvida é mais pertinente quando damos conta de que a Bahia é um Estado com grande concentração de população nas faixas de renda familiar mais baixas. Em pesquisa realizada pelo Ibope em maio de 2014 na Bahia, 67% dos entrevistados faziam parte da faixa de renda familiar até 2 salários mínimos.

Além disso, caberia à pesquisa perguntar aos entrevistados o que eles sabem sobre o impeachment e por que meios têm obtido as informações, se eles sabem o que acontecerá em caso de impeachment e, sobretudo, as razões do impeachment.

Em agosto deste ano o Ibope fez essas perguntas.

A pesquisa mostra que apenas 2% dos entrevistados atribuem o impeachment a suposto “envolvimento pessoal da Presidente com corrupção” e que expressivos 34% atribuem o impeachment a “situação econômica, inflação, juros e desemprego”.

Para a infelicidade dos golpistas signatários do aclamado pedido de impeachment, o percentual dos que atribuem o impeachment às ditas “pedaladas fiscais” é ridículo: 1%.

O que a pesquisa Ibope mostrou e a sondagem do insuspeito Instituto Paraná Pesquisas omitiu é que o impeachment verdadeiramente almejado pelo povo é a demissão do ministro Joaquim Levy.

Antônio David desenvolve pesquisa de doutorado no Departamento de Filosofia da USP.





7 comentários

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Vicente

19 de outubro de 2015 às 15h37

“A preferência pelo PT e o apoio ao governo são maiores entre os mais pobres e menores entre os mais ricos”

Errado!

A preferência pelo PT e o apoio ao governo são maiores entre os menos escolarizados. Por serem menos escolarizados, são mais pobres.

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sergio m pinto

18 de outubro de 2015 às 09h53

Pesquisa desse instituto tem endereço certo – os midiotas. São eles que acreditam e apoiam o impeachment

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Julio Silveira

18 de outubro de 2015 às 09h39

Deve ser mais um tipo de pesquisa feita sob encomenda para agradar ao contratante.

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marco

17 de outubro de 2015 às 21h23

Pelo jeito,esta pesquisa foi encomendada pelos AECISTAS de GUANTANOMO!

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Eumesmo

17 de outubro de 2015 às 20h10 Responder

Marinho

17 de outubro de 2015 às 20h00

Este tal instituto Paraná dava a vitória de Aécio Neves no segundo turno com uma boa vantagem. Como se viu, não tem a menor credibilidade tal instituto.

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Sidnei Brito

17 de outubro de 2015 às 18h08

O desfecho do texto é fantástico.
A grande verdade é que os motivos que faz boa parte das pessoas apoiar o impeachment não justificam, legalmente, o recurso a tal medida. Óbvio.
São problemas que podem ser solucionados com mudanças na política econômica. Óbvio.
O que não parece muito óbvio, e que deveria sê-lo inclusive para os conservadores, é que o ministro Levy simplesmente não entregou o que prometeu.
Sua simples nomeação, afirmava-se, faria retomar a confiança do empresariado e botaria a economia para girar novamente. Vimos acontecer exatamente o contrário.
Tem algo errado nisso, não? Óbvio.

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