VIOMUNDO

Diário da Resistência


Silvio Santos traz de volta dupla que o ajudou a conquistar concessão e frase do auge da ditadura militar; veja vídeo
Ditador Garrastazu Médici com futuro sucessor João Figueiredo, que foi chefe do SNI, o serviço de espionagem da ditadura; a propaganda nos anos 70 era para encobrir censura e tortura
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Silvio Santos traz de volta dupla que o ajudou a conquistar concessão e frase do auge da ditadura militar; veja vídeo


06/11/2018 - 18h36

Além de Eu Te Amo, Meu Brasil, hino dos anos 70, os mais cruéis da ditadura militar, a dupla Dom e Ravel produziu outras músicas utilizadas pela propaganda do regime, que cunhou a frase Brasil, Ame-o ou Deixe-o; ambos estão de volta, agora, nos intervalos da programação do SBT, de Silvio Santos, que produziu uma série de inserções de 15 segundos supostamente patrióticas

SBT nasceu após troca de favores com a ditadura

Mauricio Miranda – estudante de jornalismo da UNIFIEO, em 19/05/2005, no Portal Imprensa

Reprodução parcial

A trajetória da segunda maior rede de televisão do Brasil, localizada na cidade de Osasco, que nasceu após um acordo com integrantes do governo militar

O sítio Paiva Ramos, no extremo norte da cidade de Osasco, foi invadido em agosto de 1996 por um mundo de sensacionalismo, dinheiro, fama e entretenimento.

Pois, a segunda maior rede de televisão do país, em comemoração aos seus 15 anos de existência, concentrava seus estúdios no ousado Complexo Anhanguera, popularmente conhecido como “Cidade de Televisão”, ou CDT.

Um investimento de aproximadamente 120 milhões de dólares, que ocupa 231 mil m² e fez o Sistema Brasileiro de Televisão, SBT, concretizar o seu principal objetivo: “O futuro não pode ser apenas planejado, tem que ser construído”.

Este Complexo estava longe dos sonhos do apresentador e empresário Sílvio Santos, quando ele reencontrou seu antigo colega da Escola de Para-Quedistas, Délio Jardim de Matos, então Ministro da Aeronáutica do governo militar de João Figueiredo. O colega o ajudaria a conseguir a concessão federal para construir o SBT.

Segundo o jornalista Mario Sergio Conti, em seu livro Notícias do Planalto, S.S arquitetou, por meio de um acordo de amigos, uma estratégia para conseguir a liberação de Figueiredo.

Combinou com Matos alavancar a carreira da dupla Dom e Ravel, cantores que valorizavam a ditadura militar, em troca do apoio do ministro junto ao presidente.

Aproveitou também o parentesco de José Renato, jurado do seu programa de auditório, com a primeira-dama Dulce Figueiredo e conseguiu a concessão, derrubando nomes como a Editora Abril, o Grupo Bloch, da revista Manchete e O Jornal do Brasil.

Apoiado na estrutura financeira do Grupo Sílvio Santos, entrava no ar no dia 18 de agosto de 1981 o Sistema Brasileiro de Televisão, que, obrigado por lei a oferecer 12 horas de programação recheou sua grade com desenhos, filmes, seriados e, é claro, o programa de S.S., que já fazia sucesso no tempo em que o apresentador trabalhava na rede Globo.

Além do programa de domingo, “A Semana do Presidente”, que buscava relatar parcialmente e positivamente o dia-à-dia do principal governante do país, uma forma de retribuir a conquista da concessão.

Para preencher esse espaço ocioso, segundo afirma o próprio site da emissora, o SBT decidiu optar por programas popularescos, como “Moacyr Franco Show”, “O Homem do Sapato Branco” e “Alegria”. Isso chamou a atenção do público e fez a emissora ocupar o segundo lugar na audiência, perdendo apenas para a Globo.

Esse estilo de programação perdura até hoje, atingindo o público das classes D e E, com programas ao estilo de “Domingo Legal”, do apresentador Augusto Liberato, apelidado de Gugu, e “Ratinho”, comandado pelo polêmico Carlos Massa.

“De domingo eu não perco Sílvio Santos e Gugu, eu os assisto desde que começaram, pois são os meus preferidos. Além das novelas que são bem melhores que as globais”, confessou a babá Maria Aparecida da Silva, de 45 anos, enquanto lavava as mãos do pequeno Gustavo.

Apesar de se tornar a segunda emissora do país, em 1983 o SBT participava de apenas 5% do bolo publicitário voltado à televisão, bem diferente da Globo que obtinha 60%. Para reverter a situação tentou investir em apresentadores mais conceituados no mercado, como Flávio Cavalcanti, Hebe Camargo e seriados como “Pássaros Feridos” e “Joana”, estrelado por Regina Duarte. No entanto, foi em 1988 que a emissora marcou sua fase na busca pela qualidade, contratando Jô Soares, Carlos Alberto da Nóbrega. Serginho Groisman e Boris Casoy, estreando o departamento de jornalismo da casa (ver box).

“Antigamente eu até assistia bastante o SBT, mas atualmente o S.S. parece ter acabado com tudo que tinha de bom, deixando só os piores programas”, reclamou o engenheiro chileno Osvaldo Amarin, de 35 anos, que se lembra, com um certo orgulho, de algo que se tornou clássico na emissora paulista, o seriado do Chaves.

“Era e é muito bom ver um programa como esse, assistido por toda a America Latina”. Em 17 de junho de 1992, a Revista Veja publicou uma matéria informando que o SBT registrava um faturamento de US$ 140 milhões e atraía o público das classes A e B com os programas de Boris Casoy e Jô Soares, e das classes D e E com Aqui Agora, Sílvio Santos e Gugu. Atualmente a emissora registra 25% de audiência, tem 21% de participação publicitária e é dona de um dos mais modernos complexos televisivos do país.

Mas, segundo dados do IBOPE, publicados no dia 11 de abril de 2005, sua principal fonte de riqueza, com 16% de audiência domiciliar, ainda é o sorridente Sílvio Santos.

PS do Viomundo: Criticada por internautas, a vinheta do SBT que citava o slogan Brasil: ame-o ou deixe-o , da ditadura militar, foi retirada do ar.

A emissora, porém, manteve nos intervalos da programação as outras propagandas com mensagens ufanistas: Brasil de encantos mil!, Brasil pátria adorada!, Brasil pátria amada! Pra frente Brasil! 

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9 comentários

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Cláudio

07 de novembro de 2018 às 04h13

Mas o que é isso, gente!??!!!… Lembrem-se que o Sílvio é Santo ($$ioniSSta)… Uma vez SBesTeira, sempre e$$SSa BesTeira ! ! ! . . . (com dois c(h)ifrões, de, exatamente, SS(=$$) neofaSS$$cinazi$$SSta) . . .

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weez

07 de novembro de 2018 às 02h43

O sentimento de que se é capaz de fazer temer gera uma compensação psíquica para uma situação de impotência real: os impotentes, os fracassados, as vítimas de um sistema produtor de mercadorias e frustração sentem-se, de repente, “empoderados”.
Com o poder de ameaçar sente-se que algum poder é possível ter, nem que seja o de botar medo, mesmo que para além disso não se tenha poder algum.
Nada é mais prazeroso do que pisar na garganta de alguém com toques de sadismo. Ainda mais alguém que se imaginava que estava acima de você, que era mais forte. Nunca subestimem o poder de um ego ferido. Nunca subestimem o poder do reconhecimento público negado, do status social a que se imagina ter o direito negado, do enaltecimento, do aplauso, do louvor público negado. O ser humano se guia pela busca de status, pelo desejo de satisfação do ego.

https://voyager1.net/cultura/cinema/batman-v-superman-origem-fascismo/

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Jardel

06 de novembro de 2018 às 23h43

Saudades da minha infância,… Na minha casa, como em muitas outras, evitava-se falar de política, principalmente na frente das crianças. Havia o medo de que viessem a ser revolucionários e, claro, viessem a morrer ou serem torturados.
Todo “santo” domingo eu ouvia o Sílvio Santos cantando aquela musiquinha FDP de merda:
Presidente Médici
É coisa nossa
Ernesto Geisel
É coisa nossa
Mas que vai vai
Mas que vai vem
Obrigado SS, por me fazer lembrar daqueles tempos tão sombrios! Dá até um frio na espinha.

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Hudson

06 de novembro de 2018 às 21h10

Fernando Brito (Tijolaço.NET) matou a charada do “Brail: ame-o ou deixe-o”:

“Sílvio, como se sabe, já nos deixou e mora na Flórida.”

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Miguel

06 de novembro de 2018 às 20h55

Este é um elemento que tirou uma onda deste pais atrasado a vida inteira, ganhou de mão beijada a tv puxando o saco dos ditadores de plantão, vendeu gato por lebre para milhares de miseráveis com aquele ridículo carnê do Baú, conhecem alguém aposentado pela picaretagem do APOSENTEC ?, Fez das Agências dos Correios verdadeiros pontos de jogatina com aquela Telesena desde o início dos anos 90 e ainda tv o Banco Panamericano salvo pela CEF no fim do governo Lula. Charles De Gaulle estava certo.

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Marise

06 de novembro de 2018 às 20h28

O puxa-saco no Brasil leva a melhor sempre.
Lembro-me bem da queda da Tupy, após a ascensão do SBT.
O Dia do Presidente era a coisa mais conservadora e ridícula que um telespectador podia ver.
Tudo indica que SS funcionou como Goebbels do Regime Militar sanguinário e corrupto. Foi bem recompensado.
E sente saudades disso.

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Bel

06 de novembro de 2018 às 20h04

“Pra frente Brasil” / “Noventa milhões em ação…¨. Então, ação já. Noventa milhões é o total dos que não votaram em Bolsonaro. A margem de acerto é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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Bel

06 de novembro de 2018 às 19h57

Espero que ninguém segure a juventude do Brasil, mesmo. A hora que precisar encher as ruas, serão PT e juventude que lutar para o Brasil não acabar de vez. Os coxinhas vão se esconder na barra da calça…

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Zé Maria

06 de novembro de 2018 às 19h50

O brilho da inteligência na era do dinheiro e do cinismo
Filme de Denys Arcand, ‘A queda do império americano’,
mostra o mundo atual como “uma catástrofe
em que imbecis adoram cretinos”.
Familiar?

https://t.co/JjDiwcrBOe
https://twitter.com/cartamaior/status/1059849512708198401
https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cinema/O-brilho-da-inteligencia-na-era-do-dinheiro-e-do-cinismo/59/42303

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