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A entrega do pré-sal em catorze figuras realmente pornográficas que não saem na capa de jornal
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A entrega do pré-sal em catorze figuras realmente pornográficas que não saem na capa de jornal


16/09/2019 - 16h16

Brasil e o ciclo extrativo do petróleo: Nova colônia em pleno século 21

por Felipe Coutinho*

O Brasil está sendo submetido à exploração do tipo colonial; depois dos ciclos do pau-brasil, do açúcar, do ouro, prata e diamantes, do café, da borracha e do cacau, é a vez do ciclo extrativo e primário exportador do petróleo brasileiro.

O petróleo do Brasil tem sido exportado em volumes recordes, cerca de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, volume equivalente a 45% da produção de petróleo cru no país.

Existe relação entre o consumo de energia, o crescimento econômico e o desenvolvimento humano.

O consumo per capita de energia no Brasil é muito baixo, quase seis vezes menor em relação aos Estados Unidos e quase cinco em relação à Noruega.

No entanto, quase metade do petróleo produzido no Brasil não tem sido consumido no país, está sendo exportado, em grande medida por multinacionais estrangeiras.

Enquanto se exporta o petróleo cru do Brasil, o país importa cada vez mais produtos refinados.

São importados cerca de 500 mil barris de derivados de petróleo por dia, a maior parte produzida nos Estados Unidos.

A política de preços da Petrobrás, desde 2016, é de paridade em relação aos preços dos combustíveis importados.

A prática de preços mais altos que os custos de importação tem viabilizado a lucratividade da cadeia de importação e a competitividade dos combustíveis importados, em especial dos Estados Unidos.

O combustível brasileiro mais caro perde mercado para o importado, o que resulta na ociosidade das refinarias da Petrobrás, em até um quarto da sua capacidade.

O consumidor brasileiro paga preços vinculados ao petróleo no mercado internacional e à cotação do dólar, além dos custos estimados de importação, apesar do petróleo ser produzido no Brasil e de haver capacidade de refiná-lo no país; enquanto isso, a Petrobrás perde mercado.

De janeiro a julho de 2019, 82% do diesel importado pelo Brasil foi produzido nos Estados Unidos.

Da gasolina, 71% e do etanol–  que ocupa o mercado da gasolina –, 94%.

Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo cru por multinacionais estrangeiras e importando produtos refinados, é preciso estancar as veias dilaceradas do Brasil e interromper este novo ciclo do tipo colonial.

Crescimento econômico depende do aumento do consumo de energia

Existe forte correlação entre o crescimento econômico e o consumo de energia.

Para que haja crescimento da economia, do Produto Interno Bruto (PIB), é necessário aumentar o consumo de energia.

 

Melhora do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) depende da elevação do consumo de energia per capita

Para a melhora das condições de vida — que podem ser medidas pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) — é necessário o aumento do consumo de energia por pessoa.

Consumo per capita de energia no Brasil é muito baixo

O consumo brasileiro de energia por pessoa é muito baixo.

No Brasil se consome cerca de seis vezes menos energia por pessoa em comparação com os Estados Unidos.

Em relação à Austrália, cinco vezes menos; na comparação com a Noruega, o consumo é 4,5 vezes menor.

É necessário aumentar muito o consumo de energia no Brasil para que haja crescimento da economia e melhoria nas condições de vida e desenvolvimento humano.

Matriz energética mundial revela a importância dos fósseis

As fontes primárias de origem fóssil — carvão, petróleo e gás natural — responderam por 80,2% da demanda total em 2000.

Em 2017, a participação dos fósseis se elevou para 80,8%.

A participação das energias de origem fóssil na demanda de energia mundial se manteve estável nos últimos 25 anos.

É improvável que percam importância relativa nas próximas décadas, considerando sua qualidade (flexibilidade, facilidade de uso, densidade energética e confiabilidade) e quantidade (disponibilidade), em comparação com as demais fontes primárias de energia.

Política de preços causou ociosidade das refinarias da Petrobrás

A Petrobrás produz e refina o petróleo nacional, e com isso produz combustíveis de alta qualidade no Brasil.

Mas a direção da Petrobrás, desde 2016, decidiu adotar preços equivalentes aos da importação para os combustíveis produzidos nas suas refinarias.

Com preços altos em relação ao custo de importação, o diesel da Petrobrás fica encalhado nas suas refinarias e parte do mercado brasileiro é transferido para os importadores.

A ociosidade das refinarias brasileiras aumenta, há redução do processamento de petróleo e da produção de combustíveis no Brasil.

Aumenta, ainda, a exportação de petróleo cru.

A elevação do preço relativo do diesel aos produtores e importadores no Brasil tornou lucrativa e viabilizou a elevação da importação do combustível.

Como consequência, as refinarias da Petrobrás ficaram com um quarto de sua capacidade ociosa.

Em 2018 houve a greve dos caminhoneiros e foi adotada pelo governo a subvenção aos produtores e importadores de diesel, de até R$ 0,30 por litro.

A limitação do preço aos produtores e importadores foi compensada com a subvenção; a ociosidade das refinarias da Petrobrás se manteve elevada, em 24%.

De janeiro a julho de 2019, o preço médio do diesel aos produtores e importadores no Brasil foi 25% superior ao preço internacional no porto de Nova York.

No 2º trimestre de 2019, a ociosidade das refinarias da Petrobrás se manteve alta, em 24%

Elevação da exportação de petróleo cru e da importação de derivados

A produção e a exportação do petróleo cru brasileiro têm aumentado significativamente.

Em 2013, foram produzidos 2,1 milhões de barris equivalentes de petróleo por dia (bep/dia), dos quais 19,1% foram destinados à exportação.

Em 2019, de janeiro a junho, foram produzidos 2,7 milhões de bep/dia e exportados 44,7%.

Em termos líquidos, a exportação de petróleo cru, descontada a importação, também tem aumentado muito nos últimos anos.

Em 2013, não houve exportação liquida de petróleo cru, a importação foi residualmente maior que a exportação.

Em 2019, de janeiro a junho, a exportação líquida de petróleo superou um milhão de barris por dia.

Enquanto a exportação de petróleo cru dispara, a importação dos derivados de petróleo também aumenta.

Em termos líquidos, a importação de produtos refinados do petróleo aumentou três vezes entre 2015 e 2019.

Em 2015 foram importados 160 mil, enquanto em 2019 (de janeiro a junho) foram importados 482 mil bep em derivados.


Elevação da produção de petróleo por multinacionais estrangeiras

A elevação da exportação do petróleo cru brasileiro, com o aumento da importação dos produtos refinados e da ociosidade das refinarias da Petrobrás, foi acompanhada pela elevação da produção de petróleo no Brasil por multinacionais privadas e estatais estrangeiras.

Em maio de 2019, a Petrobrás, na condição de empresa concessionária, foi responsável por 75,15% da produção nacional de petróleo e gás natural, alcançando 2,61 milhões bep/d.

A Shell/BG Brasil, com a produção de 427 mil bep/d, que representa 12,29% do total nacional, classificou-se como a 2ª em produção.

A 3ª empresa concessionária com maior produção foi a Petrogal Brasil, tendo obtido 3,36% da produção do País, com média de 117 mil bep/d.

A Repsol Sinopec foi responsável por 2,62% da produção nacional, sendo a 4ª concessionária com maior produção, obtendo 91 mil bep/d.

A Equinor Energy, como a 5ª maior concessionária, produziu 1,47%,  com 51 mil bep/d e a Equinor Brasil, como a 6ª produtora, atingiu 1,15% da produção, com 40 mil bep/d.

As demais concessionárias alcançaram a parcela de 3,96% da produção nacional, com o volume de 137,4 mil bep/d.

Em termos absolutos e relativos cresce a desnacionalização da produção do petróleo brasileiro.

China e Estados Unidos são os maiores importadores de petróleo cru do Brasil

Uma típica colônia extrativa e primário exportadora fornece matérias primas a países estrangeiros, sem agregar valor, e importa produtos, tecnologias e serviços valorizados.

Em maio de 2019, foi exportado petróleo cru do Brasil para os seguintes países: China (51%), EUA (21%), Uruguai (6%), Chile (5%), Espanha (4%) e outros (13%).

Elevação da importação de combustíveis produzidos nos Estados Unidos

Enquanto China e Estados Unidos são os principais destinos da exportação do petróleo cru brasileiro, na importação dos combustíveis pelo Brasil a hegemonia é dos Estados Unidos.

Em 2015, o diesel produzido nos Estados Unidos representou 41% do total de 16.200 toneladas por dia importadas pelo Brasil.

Em 2019, de janeiro a julho, a fração do diesel importado dos Estados Unidos se elevou para 82% do total importado, que alcançou 25.561 toneladas por dia.

Para a gasolina também, tanto a importação total, quanto a proveniente dos Estados Unidos dispararam desde 2015.

Em 2015, a gasolina produzida nos Estados Unidos representou 23% do total de 5.020 toneladas por dia importadas pelo Brasil.

Em 2019, de janeiro a julho, a fração da gasolina importada dos Estados Unidos se elevou para 71% do total importado, que atingiu 9.874 toneladas por dia.

A política de preços paritários aos de importação (PPI), responsável pela elevação dos preços dos derivados produzidos no Brasil, a redução da sua competitividade e a consequente ociosidade das refinarias da Petrobrás reduziu tanto a produção quanto a competitividade da gasolina em relação ao etanol produzido no Brasil e importado.

Entre 2015 e 2019 (de janeiro a julho), a importação de etanol se elevou de 1.048 para 3.693 toneladas por dia.

A fração importada dos Estados Unidos foi sempre acima dos 94%.

Combustíveis produzidos nos Estados Unidos são trazidos ao Brasil por multinacionais estrangeiras da logística e distribuídos pelos concorrentes da Petrobrás.

A Petrobrás perde com a redução da sua participação no mercado.

O consumidor paga mais caro, desnecessariamente, com o alinhamento aos preços internacionais do petróleo e à cotação do câmbio.

Em 2014, foram produzidos quase 50 milhões de metros cúbicos de diesel no Brasil.

A produção nacional de diesel foi reduzida em 16%, para menos de 42 milhões de metros cúbicos em 2018.

A Petrobrás pode praticar preços inferiores aos paritários de importação (PPI) e obter melhores resultados empresarias, com a recuperação da sua participação no mercado brasileiro e a maior utilização da sua capacidade instalada de refino.

Somente a Petrobrás consegue suprir o mercado doméstico de derivados com preços abaixo do paritário de importação e, ainda assim, obter resultados compatíveis com a indústria internacional e sustentar elevados investimentos, que contribuem para o desenvolvimento nacional.

No entanto, a política de preços dos combustíveis e a privatização das refinarias pode impedir que a Petrobrás exerça seu potencial competitivo para se fortalecer e impulsionar a economia nacional, com seu abastecimento aos menores custos possíveis.

Aceleração dos leilões de petróleo promove o ciclo extrativo e primário exportador do tipo colonial

Com relação à exploração e produção do pré-sal deve ser considerada a velocidade dos leilões sob o regime de partilha e o volume de 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo (bep) no qual a Petrobrás opera sob o regime da Cessão Onerosa.

A tabela 1 apresenta a estimativa dos volumes recuperáveis para os blocos leiloados nos cinco leilões de partilha do petróleo do pré-sal.

No período Dilma Roussef, com o 1º leilão da partilha e a Cessão Onerosa, a Petrobrás detinha 60% das reservas recuperáveis sob estes dois regimes.

As multinacionais estrangeiras privadas (Shell e Total) alcançavam 26,7% e as empresas estatais chinesas 13,3%, de um total estimado em 15 bilhões de barris equivalentes de petróleo (bep).

Nos quatro leilões de partilha durante o governo Temer, as multinacionais privadas, International Oil Companies (IOCs), aumentaram significativamente suas reservas no pré-sal.

Neste período, a Petrobrás garantiu acesso a apenas 17,4% do volume leiloado.

O restante do volume foi distribuído da seguinte forma: empresas estrangeiras privadas (Shell, BP, Total, ExxonMobil, Chevron e Petrogal) alcançaram 54,7%, a estatal norueguesa (Equinor, ex Statoil) ficou com 10,9%, as estatais chinesas com 9,8%, a estatal colombiana 4,1% e a estatal do Catar 3,0% do volume total estimado (e riscado) como recuperável de 12,21 bilhões bep.

Considerando os cinco leilões e a Cessão Onerosa, a Petrobrás tem 41%, enquanto as empresas estrangeiras, privadas e estatais, têm acesso a 59% do total volume recuperável, estimado de 27,21 bilhões de bep.

O volume recuperável estimado, cedido onerosamente para a Petrobrás, somado aos concedidos nos cinco primeiros leilões de partilha, alcança  cerca de 27 bilhões de barris de petróleo equivalente.

Este volume, comparado com as reservas nacionais provadas, representa a 15ª maior reserva internacional.

Mais do que duas vezes maior do que a atual reserva provada do Brasil (13,0 bilhões bep) e da Argélia (12,2), mais do que três vezes maior que as reservas de Angola (8,3), Equador (8,3), México (7,3) e Azerbaijão (7,0) e mais do que quatro vezes a reserva provada da Noruega (6,6).

Novos leilões de partilha: Excedente da Cessão Onerosa e 6ª rodada

Apesar do expressivo volume do pré-sal já concedido por meio da Cessão Onerosa e das cinco primeiras rodadas de partilha, estimado em mais de 27 bilhões de barris (bep), e da corrente exportação de mais de um milhão de barris por dia, o governo federal planeja realizar ainda em 2019 o leilão do Excedente da Cessão Onerosa e a 6ª rodada de partilha do pré-sal.

Estima-se que o volume recuperável no Excedente da Cessão Onerosa possa alcançar até 15 bilhões de barris de petróleo equivalente.

Estamos diante da aceleração do ciclo primário exportador do petróleo brasileiro.

Para justificar o ciclo extrativo e primário exportador do petróleo brasileiro foi criado o mito da Petrobrás quebrada, a falácia da necessidade da privatização de ativos para redução da dívida e a lenda do petróleo que brevemente se tornaria um mico (sem valor)

Maiores petrolíferas são estatais

As estatais já são 19, entre as 25 maiores empresas de petróleo e gás natural, controlando 90% das reservas e 75% das produções mundiais.

As vendas de ativos da Petrobrás não se justificam pela redução do endividamento e estão em contradição com o aumento da integração vertical e da internacionalização das companhias de petróleo, inclusive as estatais.

Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo cru por multinacionais estrangeiras e importando produtos refinados

Ainda sofremos as consequências de nossa herança colonial.

As classes dominantes no Brasil são acostumadas a viver em subserviência aos interesses da metrópole, um dia Portugal, depois a Inglaterra, e agora os Estados Unidos.

A cultura desta fração da sociedade é mimética, se copiam valores e visões de mundo de fora.

Na indústria do petróleo, na qual o consenso é lugar comum, as consequências podem ser ainda mais deletérias.

O governo federal não dispõe de uma política para o controle da produção e da exportação de petróleo.

Não conhece todo o potencial de reservas do pré-sal, mas apressa leilões de áreas que podem conter dezenas de bilhões de barris de petróleo, apenas para cobrir déficits fiscais.

Esta política poderá levar ao esgotamento prematuro das reservas nacionais.

É necessário investir na delimitação de jazidas e na definição das reservas do pré-sal, como condição para definir a extensão das concessões.

O petróleo produzido deve ser direcionado, prioritariamente, para o uso interno e para a produção de derivados pelo parque de refino nacional.

A exportação deve ser residual.

O objetivo do planejamento da produção deve ser a segurança energética nacional e o abastecimento aos menores custos possíveis.

A natureza e o trabalho de gerações de brasileiros nos deram a grande oportunidade que é o petróleo do pré-sal.

Precisamos ser capazes de empreender um projeto soberano para, desta vez, usar as riquezas naturais brasileiras em benefício da maioria da população.

*Felipe Coutinho é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) 

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8 comentários

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Zé Maria

16 de setembro de 2019 às 17h55

Pessoas que usam caminhões a diesel
e veículos motorizados a gasolina
não perceberam que os combustíveis
(Petróleo Refinado), cotados em dólar,
ficam muito mais caros aqui no País.

Apenas países com moeda estável,
em relação ao dólar, podem praticar
essa política de preços de importação.

E se privatizarem as Refinarias no Brasil,
os preços vão aumentar ainda mais.

Excertos:
“De janeiro a julho de 2019, o preço médio do diesel
aos produtores e importadores no Brasil foi 25% superior
ao preço internacional no porto de Nova York.”

“Somente a Petrobrás consegue suprir o mercado doméstico
de derivados com preços abaixo do paritário de importação
e, ainda assim, obter resultados compatíveis com a indústria
internacional e sustentar elevados investimentos, que
contribuem para o desenvolvimento nacional.

No entanto, a política de preços dos combustíveis e a
privatização das refinarias pode impedir que a Petrobrás
exerça seu potencial competitivo para se fortalecer
e impulsionar a economia nacional, com seu abastecimento
aos menores custos possíveis.”

No 2º trimestre de 2019, a ociosidade das refinarias da
Petrobrás se manteve alta, em 24%.”

Responder

    Zé Maria

    17 de setembro de 2019 às 14h30

    https://www.ibp.org.br/personalizado/uploads/2017/02/pet-pt-0024.png

    Ademais, os Custos de Produção e de Refino do Petróleo Nacional,
    pela Petrobras, são muito inferiores aos praticados
    por meio da Política de Preços de Paridade de Importação (PPI)
    (em dólar equivalente) adotada pelos Governos Temer e Bolsonaro.
    (http://www.anp.gov.br/images/Consultas_publicas/2018/n19/4.nota-tecnica.pdf)

    | 02/06/2018 04h00 | Reportagem: Téo Takar | UOL São Paulo |

    Embora o país seja autossuficiente em petróleo,
    quase 20% dos combustíveis consumidos no país
    são importados.

    “A decisão de praticar a paridade internacional [de importação,
    em dólar] desencadeou uma série de efeitos sobre a economia
    brasileira, afetando diretamente os consumidores e também
    setores da indústria que utilizam os derivados de petróleo para produzir”,
    afirma Cloviomar Cararine, Técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)
    e Assessor Técnico da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

    O Brasil produziu 2,6 milhões de barris de petróleo, por dia,
    no mês de abril [2018], volume mais do que suficiente
    para atender o consumo doméstico de derivados, que foi
    de 2,2 milhões de barris por dia.
    No entanto, as refinarias brasileiras processaram apenas
    1,6 milhão de barris, por dia, no período de 30 dias.

    “Mesmo produzindo 400 mil barris de petróleo a mais
    do que o necessário para atender o consumo nacional,
    o país importou cerca de 600 mil barris de derivados por dia.
    Isso aconteceu porque a Petrobras aumentou a exportação
    de petróleo cru e, ao mesmo tempo, reduziu a utilização
    de suas refinarias”,

    afirma Cararine no estudo divulgado pelo DIEESE (*).

    A solução, para a Petrobras vender combustível mais barato,
    inclui um uso maior de suas refinarias, que hoje [2018] operam
    com dois terços de sua capacidade.
    As refinarias da Petrobras possuem capacidade de refinar
    2,4 milhões de barris/dia, mas estão utilizando apenas
    68% da capacidade. [Dados de 2018].

    Mesmo considerando que a Petrobras ainda necessita
    importar óleo leve para misturar ao óleo pesado produzido
    no país para obter melhores resultados no processo de refino,
    a tendência é que as importações de óleo leve diminuam
    conforme a produção do Pré-Sal aumentar, uma vez que o óleo
    proveniente dessa área é de melhor qualidade.

    Com o crescimento da exploração das reservas gigantes
    do Pré-Sal da Bacia de Santos, a produção nacional deverá alcançar 4 milhões de barris por dia até 2020.

    Dados disponíveis no balanço anual da Petrobras mostram
    que o custo médio de extração de petróleo da empresa
    foi de US$ 20,48 (R$ 65,20) por barril em 2017.
    Esse valor já inclui a chamada participação governamental
    (royalties e participação especial) sobre a exploração
    de petróleo, mas não inclui outros impostos.

    Já o preço médio de venda do óleo bruto às refinarias
    praticado pela estatal no ano passado foi de US$ 50,48
    (R$ 161,03) por barril.
    E o custo médio de refino (transformação de petróleo bruto
    em combustíveis e outros derivados) foi de US$ 2,90 (R$ 9,26)
    por barril.

    Além disso, a paridade de preços [em dólar] estimulou
    a entrada de importadores de combustíveis no mercado nacional.
    O Brasil passou a comprar mais combustíveis no exterior
    em vez de produzir internamente.

    “A paridade favorece os importadores. Na prática, você está deixando de usar as refinarias aqui para gerar empregos no exterior”,
    afirma o professor Ildo Sauer, vice-diretor do Instituto de Energia
    e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) e ex-diretor
    da Área de Gás e Energia da Petrobras.

    Se a Petrobras considerasse apenas os custos nacionais
    de produção, poderia vender gasolina e diesel por um preço
    bem abaixo do atual, segundo analistas do setor.
    [Ainda assim, a empresa conseguiria lucrar e muito, tal como lucrou nos idos do Segundo Governo Lula (2008-2010)
    e do Primeiro Governo Dilma (2011-2013)]**.

    Desta forma, as decisões da Petrobras [voltariam a ser] orientadas, [como nos Governos Anteriores a Temer],
    em nome do interesse coletivo, e não apenas baseadas
    em critérios do Mercado Financeiro.

    Assim, reduzir os preços dos combustíveis para todos
    os brasileiros,
    dependeria basicamente de uma decisão de Governo,
    com a Petrobras assumindo efetivamente o papel
    de companhia estatal.

    Trata-se de uma mudança radical em relação ao modelo
    econômico Neoliberal vigente na empresa hoje.

    Os Especialistas afirmam que a administração da Petrobras
    nunca conseguirá atender plenamente aos interesses
    dos grupos afetados pela companhia.

    “O acionista [minoritário] sempre vai querer maximizar o lucro
    e o consumidor sempre vai querer o menor preço de combustível.
    A saída é buscar uma conciliação civilizada, que beneficie
    a população em geral, declarou o professor Ildo Sauer, do IEE/USP.

    (https://www.dieese.org.br/notatecnica/2018/notaTec194PrecosCombustiveis.html)*

    **[Taí o Insuspeito G1 da Globo que não deixa mentir]:

    Petrobras
    Lucro Líquido Anual
    De 2008 a 2013:

    2008: R$ 32,99 bilhões

    2009: R$ 28,98 bilhões

    2010: R$ 35,19 bilhões

    2011: R$ 33,13 bilhões

    2012: R$ 21,18 bilhões

    2013: R$ 23,57 bilhões

    [Conforme Balanço divulgado em 25/02/2014,
    antes, portanto, da “Conspiração Lava-Jato”]
    .
    (http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2014/02/lucro-da-petrobras-alcanca-r-236-bilhoes-em-2013.html)
    .
    íntegra:
    https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/06/02/baixar-preco-gasolina-diesel-petrobras.htm

Zé Maria

16 de setembro de 2019 às 17h27

Realmente a Matriz Energética Mundial
mudou pouco nas Últimas Décadas,
principalmente as Fontes Renováveis
em relação aos Combustíveis Fósseis.
É ruim pra Natureza, mas é a Realidade.

https://n.i.uol.com.br/licaodecasa/ensmedio/geografia/matriz-energ2002.jpg
https://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2019/09/captura-de-tela-2019-09-16-axxs-15.50.59.png

Responder

José Sidenei de Melo

16 de setembro de 2019 às 17h10

A esperança de recuperação nos vários setores da economia agora reside no retorno de Jair Bolsonaro e sua competente equipe de Ministros. Paulo Guedes é um gênio em Economia e em assuntos administrativos. Sergio Moro está fazendo um bom trabalho na Segurança Pública, os níveis de criminalidade cairam. Agora é bola prá frente, a confiança é total no tino adminstrativo de Bolsonaro. O Povo deve torcer e apoiar JMB a qualquer custo e lutar contra os esquerdopatas que só fazem o Brasil retroceder. Deus acima de Tudo. Paz e Bem.

Responder

    Alexandre Evangelista

    17 de setembro de 2019 às 06h44

    VC é cego ou se faz que não vê nossa conquista do pré sal sendo doada aos estrangeiros? JMB vendeu sua alma aos EUA e VC tá sendo seu súdito. Mas o tempo vai abrir seus olhos

    Everton

    18 de setembro de 2019 às 09h30

    Robô, zumbi ou gado neopentecostal!…kk

lulipe

16 de setembro de 2019 às 16h39

Por muito pouco o PT não quebrou a Petrobrás com a política de preços artificiais, sem contar que a usou, principalmente, como cabide de emprego pra os “cupãneros”…O choro é livre, lula não!

Responder

    carl Gustav Friedman

    17 de setembro de 2019 às 01h06

    Sua Burrice é astronômica , profunda como um poço de petróleo.
    O artigo diz: Para justificar o ciclo extrativo e primário exportador do petróleo brasileiro foi criado o mito da Petrobrás quebrada, a falácia da necessidade da privatização de ativos para redução da dívida e a lenda do petróleo que brevemente se tornaria um mico (sem valor)

    Porém, o sua capacidade de raciocínio só serve para ficar no pasto.


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