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A descrição da repórter para o tiro no olho


14/06/2013 - 14h49

por Giuliana Vallone, no Facebook

Queridos,

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos. A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada.

Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano. E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui. Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal — na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência — quando fui atingida. Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento. O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava.

Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo. Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.

Cobri os dois protestos nesta semana. Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação). Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!

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Rodrigo Vianna: A baderna é da polícia!



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11 comentários

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Muito além dos 20 centavos | Abram portas e janelas

20 de junho de 2013 às 09h15

[…] evidências e o próprio testemunho dos repórteres, alguns atingidos pela truculência policial (ver aqui), não fossem bastantes para um questionamento incisivo e para a autonomia na interpretação dos […]

Responder

Marco

18 de junho de 2013 às 22h53

Juliana.Lamentável o que aconteceu contigo.Não gostaria nem de l% pra mim,do que estas sofrendo.Depois,quando tudo se aclarar pra ti,desejo que mudes de empresa jornalística.Não te merecem.Tem coisa melhor por ai.

Responder

Jorge

15 de junho de 2013 às 11h38

Movimento que não tem liderança vira baderna.
É preciso orientação, uma pauta clara a reivindicar, uma lista com itens a serem discutidos, vontade para dialogar, condições para o diálogo, ceder um passo para avançar dois mais tarde.
Quando o movimento é acéfalo, fica fácil infiltrar pessoas dispostas a transformar qualquer manifestação em caos, que sempre interessam a algum grupo em particular.
Manter carros próximos é uma maneira de se proteger.
Sentar no chão ao avanço da polícia é uma tática eficiente.
Virar de costas para a polícia com as mãos erguidas mostra a possível truculência de (prováveis) ações de repressão.
O pânico é o pior inimigo.
O movimento pode até ser legítimo, porém sem cabeças pensantes fica facilmente manipulável.
Faltam líderes.
A CIA e seguidores de suas táticas adoram movimentos sem líderes.
As greves no ABC nos anos 70/80 deveriam servir de manual básico para qualquer movimento que se diz abrangente, nacional. Ali havia líderes. Ali havia UM grande líder.

Responder

Marcio Wilk

14 de junho de 2013 às 16h58

Jornalista da Folha não tem jeito! Sempre em dúvida para expressar sua opinião para não contrariar os patrões, e claro a quem eles servem, no caso atual, o PSDB de São PAulo!

Responder

Valdeci Elias

14 de junho de 2013 às 16h33

Finalmente o povo paulista acordou. Chega de decadas de PSDB no poder. Chegou a hora da mudança.

Responder

assalariado.

14 de junho de 2013 às 16h11

Este tipo de óculos de proteção, usamos nas linhas de produção no chão de fabrica, protege nosso olhos de acidentes, é uma boa dica para se proteger do gás pimenta e tiros de borracha, dos braços armados do capital. Espero que a imagem apareça. Lá vai:

&imgrefurl=http://www.equipamentodeprotecaoindividual.com/epi/oculos-de-protecao/epi-oculos-3m&h=247&w=247&sz=4&tbnid=0L52GdB4866EcM:&tbnh=90&tbnw=90&prev=/search%3Fq%3DE%2BP%2BI%2BOculos%26tbm%3Disch%26tbo%3Du&zoom=1&q=E+P+I+Oculos&usg=__fZC17hN5ucjPbfWJZs5dsU68_DM=&docid=iX8M_EmGbG-haM&hl=pt-BR&sa=X&ei=Xmi7UcP8KJCK9ASPoYDIBA&ved=0CDsQ9QEwAg&dur=6771

Abraços.

Responder

assalariado.

14 de junho de 2013 às 15h52

(ESTAS DICAS PEGUEI NAVEGANDO NA REDE)

Dicas de segurança para todos que vão participar das manifestações:

– Vá de calça comprida. Lembrem-se que spray de pimenta e gás lacrimogêneo irritam a pele e mucosas, então quanto menos partes do seu corpo estiverem expostos, menos danos você terá.

– Uma mochila com algum objeto rígido dentro, como um caderno de capa dura, pode servir para se proteger de balas de borracha.

– Vá de tênis para ajudará você a se locomover com maior destreza.

– Não se apavorem! O medo é a MAIOR arma das forças repressoras, antes de qualquer tentativa violenta eles usarão o medo para dispersar a resistência.

– Façam a máscara de gás artesanal, caso não possam fazer, levem um pano, vinagre e um óculos de mergulho, se tiverem. O vinagre serve para limpar em volta dos olhos (ou qualquer área externa do corpo) caso seja contaminado com algum gás.

– Filmem e fotografem tudo. Quem estiver com câmeras se espalhem mas tentem focar os policiais, filmando todas as ações deles. Isso os fará pensar duas vezes antes de tomarem nenhuma atitude extremamente brutal ou fatal. Se possível formem trios ou duplas com câmeras para que, se um policial vier a tentar tirar a força a câmera de um, o outro possa filmar. Sempre um cobrindo o outro.

– Saudações Revolucionárias.

Responder

Márcio Gaspar

14 de junho de 2013 às 15h15

“Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?”

Pelo seu posicionamento você viu um lado certo e outro errado, só que você não diz qual. Mas a PM definiu, covardemente, que você estava do lado errado por estar fazendo a cobertura violenta que a PM imprimia aos manifestantes. Agora quem irá dizer quem é o errado ou o certo, no momento, serão aqueles que detém o poder e os grandes meios de comunicação ao seu favor, para colocar o seu ponto de vista para a maioria da população. Isso é evidente.

Responder

Edson (BH)

14 de junho de 2013 às 15h05

– Alô! quem é?
– “Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?”

Responder

Edson (BH)

14 de junho de 2013 às 15h04

Trim rim rim rim rim rim immmm Alguem ligou …..!

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