VIOMUNDO

Diário da Resistência


Tânia Mandarino: Tal qual a motivação de Guaranho, a da polícia do Paraná também é política
No centro, o bolsonarista assassino Jorge Guaranho com o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o filho 03, em foto postada em rede social. À esquerda, a delegada Camila Cecconello; à direita, Francielle Sales da Silva, companheira de Guaranho. Fotos: Reprodução de social e de vídeos
Contra a maré 15/07/2022 - 20h36

Tânia Mandarino: Tal qual a motivação de Guaranho, a da polícia do Paraná também é política


Por Tânia Mandarino

Por Tânia Mandarino*

Tive acesso ao inquérito da Polícia Civil do Paraná sobre o caso de Marcelo Arruda assassinado pelo bolsonarista Jorge José Guaranho.

Estou assistindo com atenção as oitivas das testemunhas.

Em entrevista coletiva hoje, 15-07, a delegada Camila Cecconello diz que se baseou no depoimento da companheira de Guaranho, Francielle Sales da Silva, para não classificar o crime como crime de ódio com motivação política.

Francielle deu um depoimento nitidamente orientada para desviar o assunto da motivação política.

E ela pode. Como companheira, é dispensada da obrigação de dizer a verdade, podendo mentir sem consequências.

“O meu esposo é de direita e ele é a favor de Bolsonaro, claro, mas ele não é uma pessoa que seria capaz de fazer um aniversário de Bolsonaro; ele não é fanático a chegar a esse ponto. Pra você ter uma ideia ele não foi em nenhuma passeata ou carreata de Bolsonaro aqui em Foz.”

Dá para antever que a tese da defesa será no sentido de que a motivação foi pela, segundo as palavras da companheira do homicida: “agressão que nós sofremos; pelo medo, pelo meu pavor que eu saí de lá também, o bebê chorando e eu tremendo… Então, ele ficou indignado com a situação, porque ele passou lá e não esperava que ia acontecer aquilo, entendeu? Ele não esperava que o rapaz ia recepcionar ele com pedradas e etc. e depois todo mundo se identificando como polícia, como polícia, entendeu?”

Durante o depoimento da companheira do assassino, o promotor Tiago Lisboa Mendonça adverte-a para que não altere nada no celular de Guaranho, que será periciado, porque senão ela poderá responder por fraude processual.

Nesse momento, a advogada da depoente a defende veementemente, advertindo o promotor sobre Francielle não ser a investigada ali. 

O promotor diz então que está ali para respaldar tudo o que ela está falando, o que é reforçado pela delegada.

Ou seja, esse inquérito jamais poderia ser finalizado antes da perícia no celular de Guaranho. Espero que o feito seja convertido em diligência para que volte à delegada e seja concluído devidamente, inclusive com todas as perícias pendentes.

Até aqui, do que estamos vendo, é vexatória a atuação da polícia civil do Paraná na conclusão açodada desse inquérito, sem provas conclusivas e perícia no celular do assassino.

Quando o homicida retorna, é um crime continuado do ódio que o levou ao local e não uma motivação fundada no punhado de terra que recebeu na cara.

A guerra agora é de narrativa. Estão querendo encerrar logo para tirar da mídia e trabalhar a narrativa nos grupos bolsonaristas do jeito que o diabo gosta.

Como disse um amigo, eu não descarto a motivação política da polícia.

A propósito. Atente ao que está escrito abaixo. É um trecho da página 18 do relatório da delegada Camila Cecconella  sobre o caso Marcelo Arruda (na íntegra, ao final).

Diante disso, afinal, o crime é político ou não?

*Tânia Mandarino é advogada. Integra o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD).

Relatório final da Polícia … by Conceição Lemes





10 comentários

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Zé Maria

18 de julho de 2022 às 02h00

Charge: Alerta

“Nada a ver com Política”

https://pbs.twimg.com/media/FX0yoT3UcAMTe2D?format=jpg

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Ibsen Marques

16 de julho de 2022 às 22h19

O Brado não é um bom lugar para se viver. Espero que meu filho antecipe seus planos de deixar esse país onde instituições e grande parte da população são claramente fascistas.

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Jean M

16 de julho de 2022 às 20h25

Parabéns, articulista e Viomundo, pela cobertura do crime de ódio tāo inominável – fascista e premeditado, sim! Se é certo que advogados e familiares não estão supostos de prejudicar o réu, por outro lado aonde ficamos com a mentira combinada entre eles para iludir de que o assassino foi parar no local do crime assim do nada, numa ronda de rodízio habitual entre colegas? Essa criatividade toda é, ao contrário do pretendido, uma prova inquestionável da intenção do assassino. Nesse mesmo sentido, outros fascistas a serem investigados são esses que, sob o comando do bronco e truculento Dep. Rodrigo Amorim, pretextaram apenas reunir-se na Praça Saens Peña (Tijuca, RJ) em direção a um evento do PTB quando, tudo indica, estavam ali de propósito e somente para barbarizar a presença de pré-candidates progressistas.

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Zé Maria

16 de julho de 2022 às 16h21

Excerto

“Em entrevista coletiva hoje, 15-07, a delegada Camila Cecconello
diz que se baseou no depoimento da companheira de Guaranho,
Francielle Sales da Silva, para não classificar o crime [Homicídio]
como crime de ódio com motivação política.

Francielle deu um depoimento nitidamente orientada
para desviar o assunto da motivação política.

E ela pode.
Como companheira, é dispensada da obrigação de dizer a verdade,
podendo mentir sem consequências.”

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Zé Maria

16 de julho de 2022 às 16h17

.
“Eu vu voltar para matar vocês, seus Filhos da Puta!”!

disse o Bolsonarista Assassino, ao se retirar de carro,
antes de voltar ao Local com a intenção de matar,
segundo a Testemunha Ocular estava na Festa.

Será que a Delegada do Ratinho ouviu alguma Testemunha do Crime de Ódio?

Como esta:

https://revistaforum.com.br/u/audios/2022/7/10/43.mp3

https://revistaforum.com.br/politica/2022/7/10/impressionante-oua-audio-com-relato-do-assassinato-de-marcelo-arruda-leia-texto-do-bo-119962.html

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Zé Maria

16 de julho de 2022 às 12h16

“ME PARECE”

A Delegada do Ratinho concluiu o inquérito
de acordo com Opinião Pessoal, um PALPITE

A delegada Camila Ceconello, chefe da Divisão de
Homicídios da Polícia do Estado do Paraná, disse que
‘é complicado’ falar que o Crime foi Premeditado’:

“A primeira vez que ele vai ao local ele vai para provocar e falar da ideologia dele.
Não foi com a intenção de efetuar disparos.
Quando ele retorna, ME PARECE mais movido pelo impulso do que algo premeditado.”

“PARECE mais uma coisa que acabou virando pessoal
entre duas pessoas que discutiam por motivação política.”,

concluiu a Delegada do Ratinho Jr, depois de ter ouvido
‘a esposa do Bolsonarista Assasino que matou o Petista.

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    Zé Maria

    16 de julho de 2022 às 15h17

    Questão Fundamental

    Se o Tema a Festa de Aniversário da Vítima
    fosse Barbie ou Frozen ou Branca de Neve,
    o Homicida teria se dirigido armado ao Local,
    com a esposa e o filho bebê no carro, para gritar,
    de Arma em Punho:

    “Aqui é Bolsonaro! Seus Filhos da Puta!”

    Será que teria, Delegada Camila?

    Ou será que a Senhora tomou por empréstimo
    a Tese dos Advogados de Defesa do Assassino,
    a qual é a mesma do Presidente Bolsonaro?

marcio gaúcho

16 de julho de 2022 às 12h01

Parece que está tudo dominado pelo fascismo. Da polícia não devemos esperar nada. Sempre foram fascistas, porque detém as armas e o poder de coerção e representantes das classes dominantes.

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Oléaio

16 de julho de 2022 às 00h00

Os canalhas matando reis…. Até quando…???

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Darcy Brasil

15 de julho de 2022 às 21h45

Se perguntada, a delegada também afirmará que, se Bolsonaro não vencer as eleições no 1° turno, terá sido fraude.

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