Tânia Mandarino: Guarimberos não sequestrarão a Santos Andrade, nossa Praça da Democracia

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Por Tânia Mandarino

Oito de Janeiro de 2026: Manifestação na Praça Santos Andrade, em Curitiba (PR). Fotos: PT/PR e Danielle Freitas/ mandato da vereadora Vanda de Assis

 Por Tânia Mandarino*

Ao final da tarde deste Oito de Janeiro, em Curitiba, enquanto partidos, movimentos sociais, populares e sindicatos do campo democrático ocupavam as históricas escadarias da UFPR para reafirmar que a democracia brasileira não admite anistia aos golpistas de 2023, a geopolítica do imperialismo mostrava suas garras a poucos metros dali, no chão da Praça Santos Andrade.

O ato, que unia a memória da resistência nacional à solidariedade contra a invasão terrorista dos EUA que sequestrou Nicolás Maduro e Cilia Flores no último dia 3, foi alvo de uma estratégia de provocação.

Não eram manifestantes espontâneos. O que vimos foi a atuação de células coordenadas que estão reproduzindo aqui a estética e o modus operandi das famigeradas “guarimbas”, que são grupos de oposição que atuam na Venezuela em conluio com uribistas da Colômbia.

Os uribistas são seguidores do movimento político colombiano conhecido como uribismo, que se formou em torno da figura do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, que governou a Colômbia de 2002 a 2010. São as mesmas forças da extrema da direita que, em 2014, assassinaram o deputado Robert Serra, que tinha apenas 27 anos.

Pois esses grupos de oposição, valendo-se da presença em Curitiba de cerca de 9 mil imigrantes venzuelanos, tentam agora sequestrar o espaço público democrático da capital do Paraná para impor uma narrativa de celebração à intervenção estrangeira.

Tive a alegria de ser uma das falantes da Aula Pública que aconteceu na praça durante o Ato Democrático e ali salientei que ocupar as escadarias da UFPR na Praça Santos Andrade neste Oito de Janeiro não era apenas um ato político, mas também um ato de memória.

Aquele chão tem história, aquele chão tem voz!

Ali, em 1986, foi levantado o primeiro Circo da Democracia para garantir que a ditadura não seguisse escrevendo o nosso futuro.

E como esquecer agosto de 2016? Quando voltamos a erguer o Circo da Democracia naquelas mesmas pedras! Ali, juristas, artistas e o povo unido denunciaram o golpe contra a Presidenta Dilma e a farsa que tentava ferir a nossa soberania.

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Aquele é o chão do 10 de maio de 2017, quando o Brasil inteiro lotou a Praça Santos Andrade para receber o Presidente Lula no seu primeiro depoimento em Curitiba para um juiz a serviço do império estadunidense que mais tarde cumpriu a missão de o encarcerar injustamente para deixar livre o caminho do atual presidiário Jair Bolsonaro, que ocupou a presidência deste país por quatro longos anos de terror, dor, mortes e entreguismo neoliberal.

A Praça Santos Andrade é, também, o chão do 28 de março de 2018, onde encerramos a Caravana pelo Sul sob tiros e perseguição, mas com a certeza de que as nossas ideias eram maiores que as suas celas!

E durante a prisão injusta de Lula, aquele chão também foi palco de eventos e marchas organizados pela militância e movimentos sociais em defesa de sua liberdade, como no Dia do Trabalhador em 2018, momento histórico inesquecível para os que amam a liberdade e a democracia em todo o Brasil, pois tinha caravanas do país inteiro na praça naquele dia 1º de maio.

O grupo de guarimberos, que se infiltrou entre os manifestantes, parecia estar disposto a atos que vão além das provocações e só foram percebidos quando um deles, passada a chuva que caiu no início do ato, simplesmente se aproximou da bandeira gigante da Venezuela estendida sob as escadarias da Praça Santos Andrade, retirando as pedrinhas que a seguravam, amassando-a de forma embolada, como se fosse um papel qualquer e saindo dali com ela.

Há testemunho de que se tratava de um homem e uma mulher:

“Quando o casal chegou, começou a enrolar a bandeira e ninguém se manifestou, pensei que eles estavam tirando porque estava molhada e talvez algum venezuelano tinha ficado ofendido. Mas quando eles passaram por mim e um pouco adiante jogaram a bandeira no chão e “arrumaram” com o pé para ficar no meio deles, percebi que não era “amor ao símbolo pátrio”. A distância que eles estavam não conseguia escutar o que diziam, me virei para ir em direção a eles, mas uma moça da organização se antecipou e logo alguns outros participantes se juntaram a ela e conseguiram resgatar a bandeira”.

De fato, presenciei que, abordado pelo cordão de militantes que fazia a segurança e instado, através do firme diálogo, o homem magro, de estatura mediana, com cabelos crespos, curtos, vestido de camiseta e calça preta, depois de muito se insurgir, não teve alternativa senão devolver a bandeira, que foi recolocada em seu lugar.

O homem então começou a se filmar gravando palavras de indignação e encenando um gestual bastante agressivo, que certamente só não se materializou mais diante da nossa própria segurança defensiva, ativa durante o ato.

Entretanto, enquanto o homem fazia a encenação em meio a um tanto de pessoas que se agrupavam ao redor, inclusive alguns jornalistas da mídia corporativa, um outro grupo voltava a se aproximar da grande bandeira venezuelana, do qual se destacou uma mulher de aspecto frágil, trajando uma saia marrom na altura das canelas, com dois babados abaixo do quadril e uma blusa cropped bege, com cabelos compridos, escuros, usando óculos e uma sapatilha baixinha, ao estilo boneca.

Ela parecia estar ali para encenar a mocinha frágil agredida pela esquerda, chegando a se jogar no chão durante a discussão, mas foi instada a se retirar dali e seguiu em retirada, pela praça.

Eu os fotografei. Obviamente não publicarei as fotografias que seguirão guardadas em arquivo para eventual necessidade, o que espero e desejo profundamente que não aconteça.

Mas as imagens não mentem. Identificamos articuladores operando em rede: o rapaz de boné, colado ao celular e gesticulando ordens; a “vigia” estratégica de braços cruzados; e figuras como o homem com a tatuagem “Venezuela” no braço, marcando território diante da bandeira nacional.

Mais inquietante ainda foi a presença de mulheres vestidas taticamente de preto, carregando maletas rígidas e utilizando fones de ouvido — um aparato de monitoramento e apoio logístico que nada tem de amador.

Uma intrigante e suspeita coincidência surgiu no noticiário: o portal Banda B apressou-se em divulgar, em notícia publicada às 17h46, que naquela mesma tarde um homem teria sido brutalmente espancado e deixado em coma na praça.

Causa estranheza que um procedimento médico de extrema complexidade — como uma intubação de emergência — tenha ocorrido no perímetro da Santos Andrade sem que ninguém da massa presente visse sequer o lampejo de uma sirene.

Falei com companheiros, que chegaram ao local às 16h para a montagem do som.

O relato é unânime: ninguém viu absolutamente nada. A invisibilidade desse “fato” para quem estava no chão da praça desde o primeiro minuto, somada à ausência da notícia em qualquer outro veículo de comunicação de Curitiba, coloca sob suspeita a narrativa, como se houvesse uma tentativa de deslocamento de um crime ocorrido em outro contexto para dentro do nosso ato, tentando fabricar um inexistente nexo de violência que induza a ilações sobre a verdadeira luta pela soberania e encubra a agressividade real das células de guarimberos que nós vimos operar.

O que posso concluir é que a agressividade que presenciamos partiu de quem não aceita o direito à soberania. Se houve violência física nas imediações, ela é o resultado direto desse ambiente de hostilidade cultivado por provocadores que, sob o manto de ‘imigrantes’, atuam como agentes de desestabilização.

Na noite desta sexta-feira (9/1), enquanto escrevia este texto, fui procurada por um jovem estudante venezuelano de Curitiba que tem sido perigosamente perseguido por guarimberos que atuam nas redes sociais.

O jovem participa dos eventos pela soberania da Venezuela e vídeos com sua imagem circulam nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp de venezuelanos tentando identificá-lo. Alguns comentaristas ameaçam “quebrar a cara dele”, outros “atirar nele com uma 22”, dentre outras promessas criminosas. Estão tentando encontrá-lo em suas redes sociais para, a partir daí, buscar o rapaz fisicamente.

Amo o povo venezuelano e respeito todos os imigrantes que encontro, mesmo com a maioria pensando diferente de mim.

Certa vez, em um evento de formação, o jornalista Beto Almeida disse que a bomba social atirada sobre a Venezuela com bloqueios e sanções, reiteradamente, há anos, teve, mesmo, o condão de espalhar geograficamente os venezuelanos.

É o que acontece com qualquer população onde é atirada uma bomba. Assim, compreende-se que, em um período muito duro e de difíceis condições econômicas, já atravessado pelo país vizinho, milhares de nacionais tenham saído em busca de melhores condições de vida.

Este artigo não é sobre essas pessoas.

Mas é preciso estar atento e forte. Ingenuidade seria não acreditar que a extrema direita imperialista e fascista não se aproveitaria disso para insuflar-lhes o ódio e a doutrinação neopentecostal com guarimberos infiltrados nos países como se fossem simples imigrantes.

Não, não são simples imigrantes!

E é sobre esses que devemos conversar abertamente. Sobretudo, buscando informações precisas a respeito de quem tem patrocinado seus atos pró-imperialistas na Praça Santos Andrade, a nossa Praça da Democracia.

Contra a maré do imperialismo e das táticas de desestabilização, precisamos dar nome aos bois.

A Praça Santos Andrade é palco de luta, não de “guarimba”.

Defender a Venezuela hoje é defender a integridade de todas as nações do Sul Global contra o arbítrio de quem se acha dono do nosso quintal. Nossa atuação deve ser no sentido de proteger inclusive imigrantes como o estudante venezuelano que citei acima. E o faremos.

Em Curitiba, os migrantes e imigrantes venezuelanos estão seguros. Quanto aos guarimberos, não passarão. Serão mapeados e denunciados. Se crimes cometerem, por eles responderão como qualquer cidadão residente no país.

Em tempo: liberdade imediata para Nicolás Maduro e Cilia Flores! Tirem as mãos sujas imperialistas da Venezuela!

Venezuelano que se preza é muito unido em favor da paz, porque tem duas coisas que unem de verdade os cidadãos venezuelanos: a Constituição e a Paz.

Fora disso são apenas mais do mesmo: violentos fanáticos fundamentalistas cooptados pela extrema direita para causar desestabilização em qualquer país. Não muito diferentes dos terroristas brasileiros do Oito de Janeiro.

Em Curitiba, não nos tomarão a Praça da Democracia!

*Tânia Mandarino é advogada. Integra o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD)

 

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Tânia Mandarino

Advogada; integra o Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD).


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Zé Maria

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“Quando um Império em Declínio
Recorre à Força Bruta para Conter
o Mundo Multipolar”

A história demonstra que o imperialismo avança
quando encontra resignação social.

A captura militar de um chefe de Estado
e a pretensão aberta de organizar a transição
de poder em países que “pensam diferente”
não são desvios pontuais

Por Flaviano Cardoso (*), no Le Monde Diplomatique

O sequestro militar do presidente Maduro como ato
imperialista inaceitável na América Latina – um precedente
perigoso e uma ameaça à paz que exige resposta imediata

Quando a força se impõe sobre o direito, a soberania
deixa de ser princípio e passa a ser concessão.

O sequestro militar de um chefe de Estado em
exercício, acompanhado da declaração de “administração”
externa de um país soberano, marca uma ruptura
aberta com a ordem internacional.

Ao invocar a Doutrina Monroe e anunciar tutela política
e energética, Donald Trump não apenas desafia
normas centrais do sistema multilateral;
tenta substituí-las por uma lógica de dominação explícita.

A gravidade do gesto explica a reação convergente
de Brasil, China e Rússia – três pilares do mundo
em transição multipolar – que qualificaram o episódio
como precedente perigoso e ameaça à paz.

A posição do Brasil, reafirmada pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, recoloca no centro princípios
constitutivos da diplomacia contemporânea:
soberania, não intervenção e solução pacífica de
controvérsias.

Ao advertir que a normalização desse ato abriria
um ciclo de insegurança, o Brasil não defende
governos; defende limites. Limites sem os quais
Estados médios e periféricos tornam-se alvos
permanentes de ações arbitrárias.

A mensagem é direta: aceitar o sequestro de um
presidente e a tutela externa de um Estado equivale
a tornar qualquer país vulnerável amanhã.

A condenação da China foi inequívoca ao classificar
a intervenção como ameaça à paz regional e internacional.

Pequim apontou o risco sistêmico da normalização
da força: quando soberanias e contratos podem ser
anulados por decisões militares unilaterais, desaparece
a previsibilidade mínima que sustenta cooperação,
investimentos e estabilidade.

Não se trata apenas da Venezuela; trata-se da destruição
do chão comum sobre o qual o mundo multipolar
pretende se erguer.

A Rússia, por sua vez, sublinhou a violação do direito internacional e o perigo de escalada.
Ao lembrar que apenas o Conselho de Segurança da ONU
pode autorizar o uso da força, Moscou reafirmou
um princípio decisivo:
o direito internacional não pode ser seletivo.

Quando uma potência se arroga exceções, enfraquece
não só o alvo imediato, mas o edifício jurídico
que contém a generalização do conflito.

Essa convergência ganha densidade histórica
quando inserida no arco longo do imperialismo
norte-americano no pós-Vietnã.

A partir dos anos 1970, Washington não abandonou
a intervenção; reorganizou-a.

À guerra aberta sucederam-se operações diretas
e indiretas: golpes apoiados nas sombras, sabotagens
econômicas, guerras por procuração, invasões “humanitárias”,
sanções como armas de cerco.

Da América Central ao Oriente Médio, da Ásia ao Caribe,
repetiu-se o padrão:
quando um país ou um projeto político se mostra
disfuncional aos interesses estratégicos do centro,
a pressão se intensifica até a ruptura.

O caso chileno, com a derrubada violenta do governo
de Salvador Allende, permanece como memória
traumática continental;
o episódio atual é o mais grave desde então – com
a diferença inquietante de que, agora, a força estrangeira
se apresenta abertamente como poder administrador.

No século XXI, essa lógica tem efeitos corrosivos
adicionais:
ela anula ou bloqueia iniciativas de paz e esvazia
o multilateralismo.

Na guerra da Rússia-Ucrânia, o campo do possível
é estreitado por escaladas e vetos cruzados;
em Gaza, a repetição de vetos a cessar-fogo
imediato normaliza o massacre e prolonga a
catástrofe humanitária. Não se trata de atribuir
causalidade única, mas de reconhecer um fato
estrutural:
o poder desproporcional de moldar agendas,
vetar consensos e impor exceções mina a
credibilidade das soluções coletivas.

Quando esse poder culmina em intervenção armada
aberta – como agora na Venezuela – o recado ao
sistema internacional é brutal:
a pluralidade política pode ser tratada como delito
geopolítico.

Nesse cenário, a voz do México reforça o alerta
regional.
Ao afirmar que a relação com os Estados Unidos deve
ser de cooperação, não subordinação, a presidenta
mexicana recoloca a América Latina como zona de
paz e rejeita a transformação do continente em
espaço administrável por força externa.

Brasil, México, China e Rússia convergem, por linguagens
distintas, num ponto essencial:
não é possível construir um novo polo global estável,
se intervenções militares abertas voltarem a ser
método ordinário de política externa.

Sob uma leitura materialista, o movimento é conhecido:
quando a valorização do capital enfrenta limites,
a coerção reaparece como mediação direta.
A linguagem muda – “transição”, “administração”,
“reconstrução” –, mas o conteúdo permanece.
O custo humano também: militarização da vida,
trauma coletivo, colapso institucional.

Soberania não é abstração jurídica; é condição
de vida e de saúde social.

Diante disso, a Organização das Nações Unidas
não pode hesitar.

A exigência que emerge é de resposta imediata,
firme e plurilateral que reafirme a Carta da ONU,
a proibição do uso da força e a integridade territorial
dos Estados.

O silêncio institucional transformaria abuso em
precedente e exceção em regra – empurrando
o mundo para um clima de insegurança permanente.

A resposta, contudo, não se esgota na diplomacia.

A história demonstra que o imperialismo avança
quando encontra resignação social.

A captura militar de um chefe de Estado e a pretensão
aberta de organizar a transição de poder em países
que “pensam diferente” não são desvios pontuais:
são a declaração explícita de um método.

Se tolerado, nenhum país estará fora de risco.

Por isso, a reação precisa ser institucional e popular:
popular no sentido da organização cívica, pacífica e
massiva que sustenta o direito quando ele é atacado.

Não se trata de defender governos, mas de defender
o direito dos povos à autodeterminação sem ameaça
militar externa.

Trata-se de afirmar que a soberania não é mercadoria,
que a paz não é retórica e que a força não pode substituir
o Direito.

A história julgará este momento.

Ou o mundo reage, reafirmando que o sequestro
de Estados não será tolerado, ou aceita ingressar
em uma nova era de insegurança permanente.

Diante desse limiar, a passividade não é opção.

(*) Flaviano Cardoso é advogado humanista militante.

https://diplomatique.org.br/quando-um-imperio-em-declinio-recorre-a-forca-para-conter-o-mundo-multipolar/
.

Zé Maria

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A Pretensão dos EUA de Trump
de Tutelar Toda a América Latina.

Análise do Filósofo Victor Marques,
no Canal TVFórum:
https://youtu.be/LJRndoYkVMo
.

Zé Maria

.
Análise da Cenário dos e nos EUA,
diante a Conjuntura Geopolítica

Jornalista Breno Altman,
no Canal DCM:
https://youtu.be/mnHfice_C-U
.

Zé Maria

https://sintrajufe.org.br/wp-content/uploads/2026/01/20260108_181307-1024×473.jpg

“Manifestações pelo Brasil Exigem Manutenção de
Punição aos Golpistas de 2023 e Denunciam Ataques
de Trump contra Venezuela e seu Presidente”

Também esteve em pauta a soberania brasileira
e dos povos, crescentemente ameaçada pelo governo dos Estados Unidos, de Donald Trump.

Porto Alegre-RS (Sintrajufe)* – Marcando os três anos
da invasão dos prédios dos Três Poderes em Brasília,
momento central da tentativa de golpe em 2023,
manifestantes foram às ruas em diversas partes do
Brasil na quinta-feira, 8.

Em Porto Alegre e em outras cidades, os protestos
defenderam punições para os golpistas civis e militares.

As manifestações foram convocadas pela CUT, por
outras centrais, sindicatos, movimentos, partidos e
frentes.

Mais cedo, o presidente Lula (PT) vetara o projeto
integralmente de lei da dosimetria, que reduz as
penas dos condenados pela tentativa de golpe
em 8 de janeiro de 2023, incluindo Jair Bolsonaro
e diversos oficiais militares, além de outros líderes
e participantes do intento golpista e da invasão
dos Poderes na capital federal.

Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo
Motta (REP-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre
(União-AP) boicotaram a solenidade de veto e
não estiveram presentes.

A oposição promete atuar para derrubar o veto no
Congresso ou até mesmo anistiar totalmente os
condenados pela tentativa de assalto aos três
poderes.

Em Porto Alegre, o ato começou na Esquina Democrática
e seguiu em caminhada pelo Centro. Durante o ato,
manifestantes reafirmaram a necessidade de manter
viva a memória dos ataques à democracia, defender
a responsabilização dos envolvidos e rejeitar qualquer
proposta de anistia ou flexibilização das penas.
Palavras de ordem como “Sem anistia, sem dosimetria”
marcaram a manifestação.

A mobilização também denunciou os ataques do
governo dos Estados Unidos à soberania da Venezuela
e à autodeterminação dos povos da América Latina,
com cânticos e cartazes com dizeres como “Trump,
tire suas patas da Venezuela” e “Fora Trump da
América Latina”.

A indignação dos manifestantes foi reforçada pela lembrança de que, antes da ação militar na Venezuela, Trump ameaçou reiteradamente o Brasil e chegou a aplicar sanções econômicas e políticas ao país, como a taxação de produtos brasileiros e a aplicação da lei Magnitsky a ministros do STF. Essas sanções estiveram ligadas em primeiro lugar à tentativa de ingerência sobre o julgamento de Bolsonaro, caracterizado pelo governo dos EUA como “caça às bruxas”.

Foram realizadas manifestações também em cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Natal, Cuiabá, Belém e Aracaju.

*(Com informações de Sul 21, CUT-RS e CUT Brasil)
.

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