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Médicos pela Democracia apelam às entidades contra invasão de hospitais: ‘Instigar ódio aos serviços de saúde e seus trabalhadores é criminoso’
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Médicos pela Democracia apelam às entidades contra invasão de hospitais: ‘Instigar ódio aos serviços de saúde e seus trabalhadores é criminoso’


13/06/2020 - 16h22

 Carta aberta da ABMMD às entidades médicas sobre a invasão dos Hospitais de Campanha

A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia vem por meio desta clamar por um posicionamento urgente do Conselho Federal de Medicina (CFM) , da Associação Médica Brasileira (AMB), da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), dos Sindicatos Médicos de todo Brasil e de todos Sindicatos representativos de trabalhadores da Saúde, em defesa da vida, da dignidade humana, de nós, médicas e médicos, e de todos os profissionais que compõem a força de trabalho em saúde do país, face a mais uma demonstração da necropolitica implementada pelo Presidente Jair Bolsonaro.

Seguindo o rumo de seus nefastos pronunciamentos, onde o desdém às vítimas do covid19 predomina, a ponto de ignorar reiteradamente o número crescente de mortos pela doença, na última quinta-feira, 11 de junho, convocou seus apoiadores a invadir hospitais, filmar e coagir profissionais de saúde, colocando em risco a saúde e direito a privacidade de cidadãos brasileiros.

Em decorrência desta má conduta, no dia 12 de junho de 2020, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência para atendimento a COVID no Rio de Janeiro, foi invadido e depredado por seguidores do presidente, sob o pretexto de verificar a disponibilidade de leitos.

São pessoas movidas pelo obscurantismo e que já atravessam a fronteira da razão, do bom senso e do respeito.

É inaceitável a invasão de um ambiente hospitalar, onde são acolhidas pessoas debilitadas e portadores de doenças infecto-contagiosas, a violação da privacidade dos internos, a destruição de equipamentos necessários ao cuidados em saúde, a exposição de médicos e demais profissionais ( que já enfrentam cotidianamente a falta de condições adequadas para autoproteção e manejo adequado de seus pacientes), trazendo riscos adicionais e completamente injustificáveis a todos.

Instigar o ódio aos serviços de saúde e seus trabalhadores, principalmente durante a grave crise sanitára que atravessamos, é um ato criminoso.

Frente tamanha afronta a médicas e médicos, trabalhadoras e trabalhadores da Saúde e seus pacientes e ao grave perigo que, sob vários aspectos, tal convocatória submete a saúde da população brasileira, é inadmissível o silêncio e a omissão das entidades representativas destas categorias.

É imprescindível uma reação à altura a fim de preservar vidas humanas, ao direito à saúde bem como a dignidade e a integridade física e psíquica dos profissionais, evitando prejuízos ainda maiores e talvez irreversíveis à nossa sociedade .

Instamos pois que as instituições acima citadas se coloquem veementemente contra esta convocatória do senhor Presidente da República cuja intenção é, mais uma vez, somente obscurecer a trágica realidade de uma doença grave, que se alastra por todo território nacional, responsável por bem mais que 40.000 mortes, assim como assumam uma posição clara e firme, junto a outros setores e instituições democráticas, para que que, diante da pandemia de COVID19, o presidente da república , respeitando rigorosamente as recomendações científicas e o decoro do cargo, cumpra com seu dever constitucional de zelar pelo bem-estar, pela saúde e pela vida de seu povo.

Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia





9 comentários

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Morvan

14 de junho de 2020 às 11h31

O Direito internacional, expresso em Convenções (como a Iª, de Genebra), reconhece o hospital, estlizado minimamente (a cruz, via de regra, vermelha, contra fundo claro, sendo este o <em.default, para caracterização), que o seja, como lugar inviolável, onde o doente estará a salvo de toda e qualquer discriminação. A profanação de princípio pacífico, o qual sói ser respeitado, mesmo em períodos de conflitos, mostra o fosso no qual nos meteram. Tudo isso é inquietantemente triste, sórdido, vil. Colocar um genocida no poder tem seus reveses e estes causam asco.

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Henrique Martins

14 de junho de 2020 às 11h26

Leiam o excelente artigo de Jeferson Miola, no Brasil 457: ‘Os militares voltaram dispostos a ficar’.
Bem Jeferson, eu diria que eles podem até ficar, mas com Bolsonaro eu te garanto que eles não ficam!

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Henrique Martins

14 de junho de 2020 às 10h02

Ainda sobre a famigerada nota do governo assinada por Bolsonaro, Mourão e o ministro da defesa comprometendo as Forças Armadas e usando-as abertamente com escudo, eu digo o seguinte:
De fato, a população têm que estar ciente de que o julgamento não é político. Para tanto o TSE terá que mostrar as provas em grande estilo e fazer um julgamento pedagógico para a população e a comunidade internacional tomarem ciência da verdade. Para tanto, só votos com linguagem rebuscada não vao ser suficientes. Os ministros têm que colocar um telão no plenário mostrando imagens e transmitindo áudios para quem quiser ver.
Julgamento politico é o que Moro fez com Lula condenando-o sem provas no processo do triplex para tira-lo da corrida eleitoral. Isso é que julgamento politico.

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Beto

14 de junho de 2020 às 09h46

Onde esses médicos estavam quando a “moda” era médico bater na Dilma?

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Zé Maria

14 de junho de 2020 às 05h01

“Número de pacientes internados em UTIs de Porto Alegre
por covid-19 aumenta 50% em uma semana”
https://t.co/MZvNBK6i28
https://twitter.com/sulvinteum/status/1271907784813150216

Porto Alegre voltará a restringir atividades
de shoppings, comércio, academias e restaurantes
https://t.co/AOyFt4JfYh
https://twitter.com/GauchaZH/status/1271555374793977856

Curitiba volta atrás e endurece regras
durante a pandemia de coronavírus
https://t.co/Av2NRWc2Fl
https://twitter.com/esmaelmorais/status/1271928916882702340

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Zé Maria

14 de junho de 2020 às 04h45

“Chutes e ameaças dentro de um hospital no Rio
no dia seguinte à orientação de Bolsonaro.
O presidente chamou o povo a invadir hospitais
para constranger profissionais de saúde
e filmar supostos leitos vazios. Trata-se de
estímulo à prática de ações terroristas.
É o fascismo.”
Deputada Federal Sâmia Bomfim (PSoL=SP)
https://twitter.com/SamiaBomfim/status/1271562901783023618

“Bolsonaro é caso de cadeia.
Estimulando o povo pra invadir hospitais
que atendem o Covid e filmar.
Além de, obviamente, se contaminar.
Mais um motivo para pedido de Impeachment”
Jornalista Hildegard Angel
https://twitter.com/Hilde_Angel/status/1271260409388040192

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Zé Maria

14 de junho de 2020 às 04h34

https://twitter.com/i/status/1271245629327659008
O Presidente Fora-Da-Lei, Sociopata, Genocida,
ordenou e os Nazi-Fascistas obedeceram mesmo

Um dia após pedido de Bolsonaro,
grupo invade alas restritas a médicos
e pacientes em tratamento de Covid-19,
gritando, desferindo chutes nas portas
e derrubando computadores no chão,
em hospital na cidade do Rio de Janeiro

https://twitter.com/camposmello/status/1271542032000040960
https://www.esmaelmorais.com.br/2020/06/a-pedido-de-bolsonaro-grupo-invade-hospital-de-pacientes-com-covid-19-no-rio/
https://br.noticias.yahoo.com/um-dia-apos-pedido-de-bolsonaro-grupo-invade-alas-para-covid-19-em-hospital-no-rio-205505429.html

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a.ali

13 de junho de 2020 às 22h30

e o CFM continua mudo ?
imagina que vá confrontar quem eles ajudaram a eleger!!!

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    Sérgio

    14 de junho de 2020 às 13h55

    São os golpistas, só q a Lei do Retorno atingiu de cheio eles.


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