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Médicos cearenses dizem ‘não’ à visita de Bolsonaro ao Estado e cobram: Cadê a vacina? E o auxílio emergencial?; vídeo e nota
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Médicos cearenses dizem ‘não’ à visita de Bolsonaro ao Estado e cobram: Cadê a vacina? E o auxílio emergencial?; vídeo e nota


25/02/2021 - 17h50

Da Redação

Nesta sexta-feira, 26-02, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, vão ao Ceará para a solenidade de retomada de três obras inacabadas em estradas federais no Estado.

Para os Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, do Coletivo Rebento, Bolsonaro não é bem-vindo.

Tanto que têm agendado para hoje e amanhã manifestações contra a visita do presidente.

Em nota oficial (na íntegra, abaixo) e vídeo (no topo), os médicos cearenses cobram vacinação, isolamento social, auxílio emergencial e respeito a direitos dos profissionais de saúde.

Nota Oficial – Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS

Fortaleza, 22 de fevereiro de 2021

Pela vacinação em massa, o quanto antes.

Por medidas de isolamento social abrangentes e eficazes.

Por auxílio emergencial e outras medidas de apoio econômico e seguridade social, para que mais pessoas possam trabalhar de casa, mais empresas possam adotar medidas de prevenção à Covid-19.

Pelos direitos dos servidores públicos, contra as reformas da Previdência federal e municipais.

Pela responsabilização do Governo Federal, por omissão e boicote a medidas de combate à pandemia.

Neste momento de segunda onda da pandemia no Brasil e, mais especificamente, no Ceará, incluindo variantes do novo coronavírus com maior poder de contágio e de aumento dos casos graves também para a população mais jovem, nós, médicos e médicas, vimos alertar a sociedade para a necessidade urgente de implementação de medidas concretas em defesa da vida.

Para que não venhamos a lamentar mais e mais mortes de brasileiros, no mesmo ritmo de tragédia humanitária que temos vivenciado desde o início da pandemia, com mais de 245 mil vítimas fatais da Covid-19 em nosso País.

Grande parte dessas mortes poderia ter sido evitada, se contássemos com o mínimo, o básico: um Governo Federal que levasse a sério a pandemia, não subestimasse a doença e seu poder destrutivo tanto sobre a saúde física e mental de tantas pessoas quanto sobre os sistemas de saúde, público e privado, e sobre toda a sociedade, incluindo os impactos para famílias, bairros, cidades, profissionais, empresas, redes produtivas, empregos, aulas e demais ações de formação e qualificação, atividades em geral.

Infelizmente, o Brasil é duramente atingido pela segunda onda da pandemia sem que tenha feito sequer a “lição de casa” para combate ao primeiro momento de chegada e proliferação do vírus.

Sem seriedade contra a pandemia, o Governo Federal, além de não cumprir seu papel de coordenar as ações de estados e municípios, fez e segue fazendo tudo o que pode para boicotar a prevenção e o combate à pandemia e a seus efeitos.

A “gripezinha” já deixou órfãs centenas de milhares de famílias, mas o governo insiste em dificultar medidas para isolamento social, incentivando uma falsa dicotomia entre vida e trabalho, saúde e emprego.

O presidente da República e seus seguidores seguem aparecendo em público sem máscara e não hesitam em diariamente subestimar a dimensão do problema, com uma infinidade de pautas “diversionistas”, para tirar foco do debate e diminuir a cobrança, esconder a própria incompetência.

Não cuidaram da compra de insumos para a vacinação, nem de preparar a logística necessária, o que agora força a interrupção da vacinação, que mal começou, mesmo exclusivamente para grupos prioritários, como profissionais de saúde e idosos acima de 75 anos.

Hoje temos mais de 10 milhões de casos de Covid-19 e apenas 5 milhões de vacinados. Apenas 2% da população!

Enquanto isso, continuam propagandeando “tratamento precoce” que não funciona, talvez para diminuir o encalhe de milhões de comprimidos de medicamento produzidos sob seu comando.

Seguem tentando jogar parte da opinião pública contra os governadores e prefeitos que levam a sério a pandemia e que, mesmo com ações insuficientes quanto ao isolamento social, até pela falta do auxílio emergencial do Governo Federal, extinto em dezembro, procuram tomar as medidas corretas para combater a doença.

O que fazer? Vacinação em massa, com urgência! Isolamento social efetivo, com auxílio à população

Não há dúvidas sobre a melhor forma de ultrapassarmos esse momento: vacinação em massa e medidas que diminuam a propagação do vírus e evitem o colapso dos equipamentos de saúde.

Como a ampliação da rede hospitalar é cara e limitada e como a vacinação será lenta, devido à incompetência do Governo Federal, são urgentes e imprescindíveis medidas mais abrangentes de isolamento social, associadas a garantias de seguridade social para que a população, sobretudo a mais pobre, não venha a ser ainda mais penalizada.

O retorno do auxílio emergencial nacional é fundamental, assim como a implementação de outras medidas para preservar empregos, trabalho, renda, com adaptação para atividades não presenciais, salvo aquelas realmente essenciais.

Medidas duras, mas, infelizmente, necessárias.

Fundamentais para salvar o maior número de vidas neste momento.

É preciso desfazer a falsa dicotomia entre vida ou trabalho, saúde ou emprego. Defender a vida e o trabalho. A saúde e os empregos.

Nesse sentido, conclamamos a população cearense a apoiar as medidas de isolamento social corretamente definidas até aqui, em prol de salvar vidas.

É preciso inclusive ampliá-las, de forma cuidadosa e coerente, também restringindo, por exemplo, a circulação de pessoas em shopping centers e outros espaços comerciais, tal qual já foi feito para espaços públicos e para setores como o de bares e restaurantes, diante da constatação de que aglomerações promovidas por pessoas mais jovens, nesses espaços, estavam contribuindo diretamente para o aumento de casos e de hospitalizações por Covid.

Em defesa dos servidores e da saúde pública. Contra a reforma da previdência da Prefeitura de Fortaleza

Como dissemos, manter condições para que os trabalhadores superem esse momento também é essencial para superar essa crise.

Por isso é inadmissível que, mesmo em momento tão turbulento, medidas de retiradas de direitos ainda estejam nas agendas de governos.

Seguindo os moldes da reforma da Previdência de Bolsonaro, o prefeito de Fortaleza, José Sarto, está tentando implementar, em regime de urgência na Câmara Municipal de Fortaleza, medidas que retiram conquistas e direitos dos servidores municipais, inclusive de profissionais de saúde.

É preciso que os servidores e terceirizados da saúde tenham direitos respeitados e condições adequadas para exercer sua nobre tarefa de salvar vidas.

Portanto, nos solidarizamos com a mobilização que os sindicatos e servidores municipais têm feito e conclamamos a sociedade a defender e apoiar esses profissionais.

Mais uma medida em prol da saúde pública, neste momento decisivo.

Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS





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