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Grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul enfrenta a covid com arte e retrata os invisíveis da pandemia; cards e vídeos
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Grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul enfrenta a covid com arte e retrata os invisíveis da pandemia; cards e vídeos


20/07/2020 - 19h24

Da Redação

Muito material tem sido publicado sobre medidas de prevenção ao novo coronavírus.

Só que usualmente as imagens e as situações apresentadas dialogam com as pessoas “normais”.

A professora Aline Blaya Martins, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPGCOL) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), resolveu inovar.

Nesse programa, ela comanda o grupo de trabalho Arte na Saúde Coletiva.

“Acreditamos que a arte pode e deve ser uma ferramenta potente para traduzir a negligência do estado e a necropolítica que vem operando a escolha por quem pode viver e quem deve morrer”, expõe Aline.

“Estamos construindo propostas que pensem  a saúde coletiva como uma ciência que agrega não só números, mas também as ciências sociais e a política”, observa.

A professora Aline solicitou então aos alunos da graduação e do mestrado — são oriundos de medicina, enfermagem, odontologia, dentre outros cursos de saúde e de outras áreas – que produzissem materiais pensando nas pessoas vulneráveis e nas vulnerabilidades que estão na nossa cara o tempo todo e muitas vezes não percebemos.

“Provoquei a Yasmin Muniz,  minha aluna na graduação da Odontologia e artista talentosíssima. Pedi-lhe que retratasse os invisíveis da pandemia”, conta

Daí nasceu a ideia de fazer a Série Resistência, que está em desenvolvimento.

Estão previstos cards, vídeos (no topo, dois deles) e exposição fotográfica virtual.

Além da professora Aline e de Yasmin, participou da elaboração dos cards (os primeiros seis estão abaixo) o médico emergencista e mestrando Maurício Almeida Stédile.

Também compõem o grupo de arte de enfrentamento da pandemia da UFRGS: Paola Graciela dos Santos Morais, bióloga, mestranda; Guilherme Lamperti Thomazi, médico veterinário, mestrando; Pamella Morette, assistente social, mestranda; e Mayna de Ávila, sanitarista, fotógrafa e mestra em saúde coletiva.

Ainda fazem parte: Gilmar Collares dos Santos, licenciado em Teatro e acadêmico de Fonoaudiologia; Luísa da Rocha Fonseca, acadêmica de Design Visual;  Bianca de Oliveira Todeschini, acadêmica de Gastronomia no IFSC. Os três são parceiros voluntários.

Card 1  Todos os dias Profissionais de Saúde seguem nas trincheiras do nosso SUS, lutando em defesa da vida da população que precisa de um Estado que negligencia na proteção dos trabalhadores do setor e dos milhões e milhões de brasileiros vulneráveis.  Mas vocês, profissionais do Saúde, não estão sozinhos. Estamos com vocês e atentos.

Card 2 A engenharia da indiferença estrutura nossa sociedade cotidianamente, tornando certos grupos de pessoas “invisíveis”. Essa mesma indiferença nos diz que o país não pode parar e que as mortes de 75.366 pessoas foram inevitáveis e até certo ponto banais. Mas, nada disso é banal. Não seja indirefente. Indiferença MATA!

Card 3 Hoje mais do que nunca proteção para significa assegurar o direito à vida. Ou protegemos todes ou ninguém estará protegido. Proteger significa renda básica, saneamento, segurança alimentar, água potável, serviços de saúde, leitos de UTI. Proteger todes significa lutar.

Card 4 No enfrentamento ao coronavírus, os equipamentos de proteção individuais (EPIs) se tornaram obrigatórios, imprescindíveis, na defesa das vidas dos trabalhadores da saúde e daqueles que recebem sua atenção.  Por isso, se tornaram ouro branco no comércio e nas barganhas do governo, sumiram das prateleiras das unidades de saúde. Só que, mesmo expostos por falta de EPIs adequados,  os trabalhadores do SUS seguem cumprindo seu dever ético e profissional Não é  à toa que o Brasil tem os maiores índices de infecção e óbitos de profissionais de saúde por covid-19 no mundo. Isso tem parar!

Card 5 Os povos originários do Brasil, sobreviventes de genocídios históricos, hoje precisam defender suas vidas, suas terras e nosso futuro. Só que, absurdamente, sem terem direito sequer a água potável. Cuidar dos  nossos povos indígenas em plena pandemia é vital. É obrigação de todos nós. Se isso não acontecer, será uma catástrofe sem precedentes. Vidas indígenas importam!

Card 6 Sepultadores, domésticas, garis, entregadores de aplicativos são alguns dos milhões de trabalhadores que seguem exercendo normalmente suas atividades, apesar da pandemia e do medo de se infectar. Considerados “essenciais”, são forçados a encarar o risco, embora sejam “invisíveis” para boa parte da sociedade brasileira. Afinal, são essenciais para quem e para quê? Eles precisam ser vistos e protegidos. Urgentemente. 

Card 7 Pensar a infância na pandemia sem pensar na perversidade da meritocracia seria, no mínimo, ingênuo, se não perverso. Pensar em retornar às atividades escolares. Enquanto uns têm a oportunidade de usar recursos digitais, apoio psicológico, distanciamento controlado e segurança, outros sequer sabem se terão escolas, professores e merenda escolar devido as disputas em torno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Neste momento,  entender as distintas realidades é imperativo para proteger o futuro de todas as crianças.

Card 8  Dentre as estratégias mais efetivas para diminuir a curva de contágio pelo coronavírus está o distanciamento. Contudo, profissionais do sexo praticamente não têm opções em relação à sua proteção individual. O sexo não deixará de ser objeto de consumo e de opressão, em uma estrutura machista e patriarcal, apenas pelo fato de estarmos enfrentando uma pandemia. Dessa forma, amparar estas e estes profissionais passa a ser, sim, uma necessidade urgente. Isso abrange desde acesso ao tratamento digno nos serviços de saúde à renda básica, criação de outras oportunidades de trabalho e oferta de testagem para covid-19 e outras doenças, bem como a manutenção da PrEp (Profilaxia pré-exposição) e da Pep (profilaxia pos exposição ao HIV). Quer conhecer mais? Acompanhe nas nossas redes.



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1 comentário

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a.ali

21 de julho de 2020 às 11h58

ah, essa balbúrdia…
ótima iniciativa em um estado onde o óbito se alastra…e, quase na mesma proporção os negacionistas…

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