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Diário da Resistência


Avanço da ômicron: Epidemia de não vacinados lota hospitais, sufoca serviços e impossibilita assistência a outros problemas de saúde
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Saúde VIOMUNDO na Pandemia

Avanço da ômicron: Epidemia de não vacinados lota hospitais, sufoca serviços e impossibilita assistência a outros problemas de saúde


15/02/2022 - 11h49

MonitoraCovid-19 avalia quadro de desassistência durante pico da Ômicron

Icict/Fiocruz

Análises do MonitoraCovid-19, painel da Fiocruz que acompanha os desenvolvimentos da pandemia de Covid-19 no Brasil, mostram que a variante Ômicron do vírus Sars-Cov-2 foi responsável por um forte impacto nos serviços de saúde neste início de ano, gerando um risco de desassistência à população no que se refere a atendimentos de urgência, especialmente nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Em janeiro, quase todas as unidades da Federação tiveram picos de internação semelhantes aos provocados pelas primeiras cepas do novo coronavírus, em 2020, seguidas pelo pico provocado pelas variantes Delta e Gama, durante o ano de 2021.

Os pesquisadores alertam que a falta de dados provocada pelo ataque digital contra as bases de dados do Ministério da Saúde podem interferir nesse cálculo.

Além disso, houve no período um expressivo volume de óbitos ocorridos em hospitais fora das Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

Para os autores do estudo, isso denota a ocorrência de um quadro de desassistência à saúde da população.

“Nós observamos os casos de pacientes hospitalizados. A maior parte dos leitos de UTI estavam ocupadas durante o mês de janeiro, e, em muitos casos, houve um excedente de óbitos ocorridas fora das UTIs, ou seja, em alas comuns de internação. Isso significa que uma parte da população não teve acesso a essa forma de terapia intensiva”, explica o pesquisador Diego Xavier, do Laboratório de Informação em Saúde do Icict/Fiocruz.

Para os pesquisadores, o fenômeno ocorreu em quase todos os estados do país, e em alguns deles, de forma mais elevada, como Acre, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

Segundo os dados, e possível correlacionar o aumento de internações e casos de UTI ao fato de que uma parte ainda grande da população brasileira ainda não completou seu esquema de vacinação contra a Covid-19, ou seja, uma epidemia de não-vacinados, conforme apontam os autores.

“É possível verificar que com o aumento de casos, há a procura elevada pelos serviços de saúde, levando também à ocupação dos leitos de UTI, somadas aos óbitos por outras causas de saúde além da Covid-19. Tudo isso configura o risco de desassistência aos usuários quando buscam o serviço de saúde”, complementa Xavier.

Vacinação: cobertura desigual

Para os pesquisadores do MonitoraCovid-19, um dos grandes problemas atuais no combate à pandemia é a cobertura desigual da vacinação.

Uma comparação realizada para esta Nota Técnica verificou que alguns estados tem altos índices de cobertura, como por exemplo na Região Sudeste, em que estados como São Paulo têm coberturas comparadas aos países que mais vacinaram na Europa, por exemplo, Portugal.

Por outro, lado, nas regiões Norte e Nordeste, há estados com baixa cobertura vacinal de duas doses, além da dose de reforço, de forma que os índices de vacinação equivalem aos baixos índices de países onde há forte rejeição às campanhas de vacinação ou que não tem acesso aos imunizantes.

De maneira geral, a vacinação foi responsável para que a letalidade da Covid-19 no período atual não fosse tão alta quanto em períodos anteriores.

Atualmente, a letalidade está em torno de meio por cento (0,4%), enquanto no período mais crítico das outras variantes, chegou-se a 4%.

Ou seja, hoje, uma pessoa a cada 200 pessoas notificadas com Covid-19 vem a óbito.

Nos períodos anteriores da pandemia, este número foi de quatro mortes a cada 100 pessoas, durante o ano de 2021.

Cientistas e profissionais de saúde alertam mais uma vez para o fortalecimento das campanhas de vacinação, buscando o aumento da cobertura vacinal em todo o território nacional e, reforçam, ainda, a necessidade de manutenção do uso de máscara em locais públicos, a manutenção de medidas de distanciamento físico e que se continue evitando aglomerações sem o uso de máscaras adequadas.

Confira a nota técnica completa.





4 comentários

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Zé Maria

15 de fevereiro de 2022 às 20h18

Janeiro de 2022 foi o Mês Mais Mortal do Brasil,
apontam as estatísticas dos Cartórios do País

Os cartórios brasileiros registraram neste ano o mês de janeiro
mais mortal desde o início de sua série histórica, em 2003.

A alta é atribuída aos óbitos causados pela Covid-19,
que fez 14.538 vítimas no período, de acordo com
os registros.

Além disso, os cartórios apontam complicações que podem estar
relacionadas ao coronavírus.
É o caso das mortes por pneumonia, que saltaram de 12.745,
em janeiro de 2021, para 21.661 neste ano.
Os óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave [SRAG/SARS]
também cresceram:
passaram de 1.581, no ano passado, para 1.734 em janeiro deste ano.
E os de insuficiência respiratória subiram de 6.686 para 7.989
no período analisado.

Ao todo, foram contabilizados 144.341 óbitos no país em janeiro
de 2022,
um aumento de 4,79% em relação ao mesmo período de 2021.

O número ainda é 21,95% maior em relação a janeiro de 2020,
antes da chegada do vírus ao país, quando foram totalizadas
112.649 mortes.

Os dados são reunidos pelo Portal da Transparência do Registro Civil,
base que é abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos,
casamentos e óbitos computados pelos cartórios de todo o Brasil.

A demanda por exames de Covid-19 no Grupo Fleury já registra
em 2022 um crescimento de 69% em relação a dezembro do ano
passado, quando se deu o início da propagação da ômicron.

Na última semana, a taxa de positividade na rede de laboratórios
foi de 35,3%, depois de ter atingido 62,7% há 20 dias.

Já o Hospital Israelita Albert Einstein realizou 3.174 testes de Covid-19
em adultos entre o domingo (6) e a última quarta-feira (9).
Deste total, 639 [20,13%] eram de infectados pela doença.
Entre crianças e adolescentes menores de 18 anos, foram feitos
381 testes, com 129 resultados positivos [33,85%].

Na quarta, o Einstein tinha 124 pacientes internados com Covid-19,
sendo seis menores de 18 anos.
Em 22 de dezembro, dez pessoas estavam hospitalizadas com a doença.

[Fonte: Blog da Jornalista Mônica Bergamo]

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Zé Maria

15 de fevereiro de 2022 às 19h45

Não seria ético, mas dá vontade de mandar pro fim da Fila do SUS.

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antonio sergio neves de azevedo

15 de fevereiro de 2022 às 18h11

PANDEMIA, TONGA E MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A pandemia do Covid-19 voltou a castigar toda a humanidade em suas mais diferentes variantes, por exemplo, a Ômicron. Da mesma forma a explosão do vulcão submarino Tonga na Polinésia que provocou reflexos em todo o globo terrestre com mudanças na cor do céu na cidade maravilhosa, no Rio de Janeiro e em outras pelo Brasil afora. Ora, esses acontecimentos não são eventos isolados e, podem estar concatenados numa sequência de fatores que ultrapassa o fenômeno do aquecimento global e repercute em terríveis mudanças climáticas localizadas, produzindo catástrofes ambientais imprevisíveis e sem precedentes. Aliás, é importante frisar que o efeito estufa é um fenômeno natural e necessário para manter a vida em uma temperatura segura para a Terra. Entretanto, o problema urgente é o aumento descontrolado do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, devido ao desmatamento e à queima de florestas, de carvão, de petróleo, de gás natural e de outros combustíveis fósseis. Juntos – as mudanças climáticas e a pandemia do Covid-19 – estão “ferrando” com a economia global, consequentemente, as políticas neoliberais estão em bancarrota provocando assim a abertura das portas da escola keynesiana para a gastança em geral. Dito isso, a situação atual do clima global é imprevisível e, além de seríssima é gravíssima – do mesmo modo, e na mesma ordem de grandeza é a pandemia do Covid-19 que, com ou sem vacinação da população, deve continuar martirizando os seres humanos por muito tempo – além das cepas novas que já estão circulando por aí. Dessa forma, tentativas de minimizar essa realidade por meio de um discurso simples, falacioso e demagógico que carece de total credibilidade científica é ser cúmplice, omisso e participante da destruição do meio ambiente e dos impactos econômicos, sociais e de vidas que estão sendo ceifadas no Brasil e em todo o Mundo. Destarte, a explosão do vulcão Tonga na Polinésia, similar à erupção do Kracatoa na Indonésia em 1883 que também foi sentida no Planeta inteiro, é apenas o prenúncio de algo pior que recairá sobre toda a humanidade A despeito dessa sina, esta, deve enfrentar, bravamente, sem trégua, custe o que custar, doa a quem doer, todos esses trágicos acontecimentos da trajetória humana.

Antonio Sérgio Neves de Azevedo – Estudante – Curitiba/Paraná.

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Henrique Martins

15 de fevereiro de 2022 às 12h03

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/02/15/russos-exigiram-confinamento-de-bolsonaro-ate-encontro-com-putin.htm

Pois é. O Brasil tem um presidente tão idiota que não podem deixá-lo falando sozinho com outro chefe de estado… Meu Deus…. Quanta decadência….

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