VIOMUNDO

Diário da Resistência


Blog da Saúde

Doutora Evelyn Eisentein: Palmadas fazem mal à saúde


26/10/2011 - 17h39

por Evelyn Eisentein

Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento e desenvolvimento corporal, mental, emocional, social. Necessitam, portanto, de apoio e proteção social.  Uma simples questão de Direitos à Saúde e Vida, mas que se tornou bastante complexa no Brasil de hoje. A violência diária, estrutural e cultural vai sendo banalizada e se tornando um ciclo vicioso entre gerações.

É isso o que queremos? Saúde ou doença? Em quais escolhas investiremos para nossos filhos, os escolares, os universitários em cada canto do país? Castigar e maltratar? Ou proteger e prevenir todos os tipos de violência e abusos?

A “punição corporal”, que vem sendo justificada como uma “disciplina familiar”, é na realidade, um abuso “silencioso” que vai humilhando e traumatizando a criança. Isso trará conseqüências em seu aprendizado e rendimento escolar, na sua (des)integração social e no uso de drogas/álcool, aumentando os dados estatísticos de mortes por causa externa ou “fatalidades” (homicídios, suicídios e acidentes), perigos que poderiam ter sido prevenidos, se a atitude de construção para a vida fosse outra, de educação para a paz e a saúde!

O castigo corporal é a força física empregada com intuito de castigar, disciplinar, silenciar, ameaçar ou controlar o comportamento ou a conduta impulsiva da criança/adolescente em qualquer situação ou local de moradia. É considerado como abuso físico e emocional, pela Organização Mundial de Saúde, porque a intenção é “punir” em vez de “dialogar”. Muitos atos considerados “disciplinares” são punitivos e abusivos em vez de serem construtivos e preventivos. Às vezes envolve palavras, xingamentos ou ameaças como, “não vai jantar” (quando a alimentação é vital para o crescimento saudável e dormir com fome se torna um castigo de negação do amor!) ou “vai ficar preso em casa” (quando a moradia deveria representar espaço de abrigo e refúgio prazeroso em vez de prisão domiciliar!).

Mas o pior é que começa com uma “palmada” ou “palmatória” e vai se intensificando em atos e castigos cada vez mais violentos e humilhantes. Muitas crianças ao serem atendidas, dizem chorando, baixinho: “deixei de sentir a dor!”

Geralmente os castigos acontecem por causa de raiva, tensão ou desespero da pessoa que deveria cuidar e ser mais responsável. Alguém estressado por outras razões e que desconta seu furor na criança, como se fosse um “saco-de-pancadas” pois “não quer perder tempo, explicando o por quê das coisas” para essa criança “teimosa” e “pirralhenta”.

A punição usa controles externos e revela abuso do poder coercitivo, da força ou da dominância patriarcal ou de gênero.  Além disso, o uso de qualquer objeto no intuito de punir, bater, castigar, torturar é inaceitável e inapropriado em qualquer idade e em qualquer cidade dos países que assinaram e ratificaram acordos internacionais das Nações Unidas, como é o caso do Brasil.

A Declaração Universal dos Direitos da Criança, a Convenção dos Direitos da Criançae o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente de Outubro  são contra a violência e a favor da dignidade, do respeito e da proteção social da criança, na família, na sociedade e no Estado.

Isso significa que “bater” na criança não é permitido em nenhuma circunstância e sempre é injustificável: “maltratar” significa prejudicar alguém e “maus tratos” são todos os tipos de abuso, negligência, abandono ou exploração.

Segundo o projeto de Lei 7672/2010, o Brasil se prepara para rever alguns dos artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, que responsabilizam os pais e integrantes da família ampliada, assim como quaisquer outras pessoas encarregadas de cuidar, tratar, educar ou vigiar crianças e adolescentes, por utilizarem o castigo corporal ou tratamento cruel ou degradante como forma de correção, disciplina, educação ou a qualquer outro pretexto. Todos estarão sujeitos às medidas previstas e sanções cabíveis em lei. E também, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios atuarão de forma articulada na ampliação das políticas públicas e na execução de ações preventivas destinadas a coibir o castigo corporal ou qualquer tratamento cruel ou degradante.

Precisamos refletir também sobre as justificativas da frequente “falta de recursos”, pois o Brasil é um “país de todos” e crianças e adolescentes são “prioridade absoluta” na lei. Portanto, está mais do que na hora de as políticas públicas de prevenção e educação em saúde saírem do papel e serem implementadas e executadas!

A violência não é só contra-indicada como remédio para controlar comportamentos, mas também como droga de uso letal, pois causa danos, lesões e mortes e ainda repercussões mentais na vida adulta, da mesma forma como o abuso de tantas outras drogas por parte da população doente. Isso inclui a que se encontra em prisões, delegacias ou traumatizadas e atendidas nas emergências e nos serviços psiquiátricos. São pessoas que não tiveram a chance de crescer sem palmadas e com o afeto que necessitavam quando crianças e adolescentes! Proteção social e prevenção da violência são as melhores vitaminas da receita para o crescimento saudável do Brasil!

Evelyn Eisentein é médica pediatra e clínica de adolescentes, professora adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e membro da International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect (ISPCAN) , representando o Brasil.

Leia também:

Ronco alto? Todas as noites? Cuidado, pode ser apneia

Atividade física: Dores e doooooooooooooooores

Doutor Marcelo Silber esclarece dúvidas de Beattrice, André e Brasileiro

Médicos puxam a orelha de pais e mães

Remédio para calvície causa infertilidade? E impotência sexual?

Tiroidite de Hashimoto: Diagnóstico e tratamento

Ômega-3, proteção contra doenças cardíacas

Drogas: Parar ou reduzir danos?

Últimas unidades

A mídia descontrolada: Episódios da luta contra o pensamento único
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.

Por Laurindo Lalo Leal Filho



34 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Cibele

01 de novembro de 2011 às 22h57

Não sou mãe nem médica. Não quero defender nem acusar a autora do texto. Porém, vejam isto:
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/11/01/h

Pelo jeito, pais que surram seus filhos não são um fenômeno tão raro assim. Também acho que os pais não estão sabendo impor limites aos filhos e que isso é trágico para todos nós, mas creio que devemos aproveitar para refletir muito sobre a situação das crianças que sofrem abusos de todos os tipos.

Responder

Mauro Santos

29 de outubro de 2011 às 10h58

Conheço bem a dra. Evelyn bem como seus filhos e grande parte de sua história de vida e posso afirmar que seu artigo é fundamentado em longa experiência profissional e conhecimento de causa. Discordar de sua opinião é saudável e democrático, porém, sempre baseado em argumentos sólidos. O que não é aceitável são críticas ofensivas, principalmente à competência e seriedade profissional da dra. Evelyn

Responder

Rafael

27 de outubro de 2011 às 20h04

Primeiro, eu não concordo com o artigo, ele ataca a palmada que recebemos dentro de casa não a que recebemos "na rua", os pais criam os filhos e os preparam para a sociedade, assim como fizeram com eles.

Mas…

O Conceito de certo e errado é algo que emana da sociedade (e ele varia, muito, conforme a cultura), ele não é natural ao ser humano, nós não nascemos sabendo o que é certo e errado. Mas ao sair do ventre já sabemos muitas coisas.

Uma criança não espetará o dedo em uma agulha por que dói, dor é algo natural, inerente a nossa condição de animal. Sabemos que ela é ruim e (normalmente) evitamos a dor.

Associar um conceito abstrato (certo e errado) a outro concreto (dor) "facilita" a educação. A criança obedecerá aos pais e a sociedade por que isto é certo e, em última instancia, o errado (desobedecer) causará dor física (estou falando da palmada, não da surra).

No entanto abolir o "atalho" das palmadas é, sim, possível. Educando a partir do exemplo e "dando à criança um ambiente de aprendizagem rico e diversificado", como dizia Carl Sagan, os pais podem ser capazes de mostrar aos filhos o que é certo e o que é errado.

Todavia isto parte do pressuposto de que os pais têm esta capacidade e de que sabem como fazê-lo. Mas, é absolutamente incompatível com a nossa sociedade que é pautada pelo poder.
Não quero dizer, com isso, que pais utilizando da palmada são desqualificados, eles sabem o que é certo e errado e ensinam isso, recorrendo a palmada se necessário (como aprenderam).

O que vemos é, infelizmente, o contrário. Os pais não educam pelo exemplo ao abolir a palmada, eles usam outro "atalho".
É natural para nós, na condição de animal, saber o que é bom e prazeroso, no lugar de bater os pais compram a obediência dos filhos com presentes. E isso vai além, evolui para o mimar a criança. Ela nunca é contrariada e quando requisitam a obediência dão-lhe "um biscoito de cachorro".
Logo, esta criança, não está preparada para a sociedade, o sistema não dará tudo o que o individuo quer e não o recompensará todas as vezes que ele fizer o seu dever.

A questão é: como substituir a palmada, quando preparamos um individuo para uma sociedade com tantos aparatos coercivos?
Se o cidadão, sem limites, erra, desobedece a sociedade, infringe a lei e é pego pela Policia, ao tentar fugir será imobilizado por um bem aplicado golpe de cassetete no estomago, ao som de possíveis aplausos dos transeuntes (bem pior do que uma palmada). E isso ainda é brando!

Abolir a palmada é muito mais profundo do que modificar a forma de criação tradicional, requer uma mudança completa na sociedade. Quando a "civilização" for capaz de abandonar o individualismo pós-moderno (capitalista) centrado na "minha" liberdade, no "meu" direito e se focar na sociedade, nas crianças que nascem, na sua importância para a existência humana ao invés dos prazeres individuais, talvez ai possamos abolir a palmada, o certo e o errado.

Só quando "Meu" se tornar "Nosso".

Responder

    Jason_Kay

    27 de outubro de 2011 às 19h28

    Na imagem de cima à direita vejo uma doutora ou psicóloga defensora intransigente do ECA e um promotor da vara da infância e da juventude..

Jason_Kay

27 de outubro de 2011 às 16h16

Correção dos filhos através de uma surra é uma coisa. ESPANCAMENTO é outra, é coisa de bandido.

Eu apanhei razoavelmente quando criança, mas eu realmente merecia. Quem mais me batia era minha mãe, meu pai bastava fechar a cara e a gente obedecia ele (hoje em dia? os filhos xingam e até batem nos pais).

E quando nao tinha jeito, ele adotava o "procedimento" da mae. heehehehe

Nunca tive raiva do meu pai ou de minha mae por isso.E hoje sao as pessoas mai importantes da minha vida e por eles eu faço qualquer coisa.

Não fiquei traumatizado, nao descontei em ninguém as surras que levei e tenho certeza que se não tivesse levado, seria um merdinha mimado e cheio de vontade igual aos jovens (agora se é jovem até os 29 anos!) dessa geração atual (quase toda perdida em hábitos perversos) .

E olha que nao sou tao velho assim, tenho 35 anos.

Responder

    cronopio

    28 de outubro de 2011 às 09h10

    O ministério da saúde adverte: Não dê palmada em seus filhos, ele pode desenvolver tendências protofascistas e levá-las à público em blogs jornalísticos. Crie seu filho com inteligência, carinho e compreensão.

    Jason_Kay

    28 de outubro de 2011 às 12h26

    O Cornopio falou, tá falado…

Renata

27 de outubro de 2011 às 15h58

Indo um pouco contra a maré… E o que a criança pensa disso? Ela realmente não tem direito a dar opinião sobre isso?

Responder

    Jason_Kay

    27 de outubro de 2011 às 17h57

    Desculpa, mas Uma criança de 4, 5, 6 anos… tem "opinião"? No máximo elas imitam os adultos.

    Aqui na minha casa tem uma priminha de 7 anos, chegou aqui com uns 2 anos.

    Vi as pessoas querendo "conversar" e "explicar" as coisas para ela, como se ela fosse uma adulta que entendesse tudo que está sendo dito, e isso resolve.

    Chega uma hora que a criança só entende que algo é negativo com uma palmada, um puxaozinho de orelha etc, pois são os sentidos que comandam, não o intelecto, que ainda não está formado nelas.

    cronopio

    28 de outubro de 2011 às 09h07

    Isso é piada? Pedagogia behaviorista selvagem com o pedagogo Jason Kay? kkkk!

    Jason_Kay

    28 de outubro de 2011 às 12h26

    Ok, cornópio.

Marcelo B.

27 de outubro de 2011 às 14h58

!Fiquei positivamente surpreso com os comentários totalmente críticos frente ao artigo da doutora. No geral o artigo em questão é um apanhado de psicologismos e o “discurso competente” de pediatras e profissionais da subjetividade que se arrogam em novos detentores da virtude (e verdade) e simplesmente desqualificam o papel dos pais e mães.
Não existe criação ideal ou perfeita. Há alguns nortes éticos a serem visados, mas o caminho não é linear, “totalmente planejado” e dependente dos “especialistas”. Ensinar as crianças a conviverem com alguns nãos e certas frustrações não vai tornar ninguém mentalmente enfermo. Já não existe o ECA para coibir abusos?O que a autora diria de alguns rituais de iniciação em sociedades indígenas? Colocaria o Estado para repreender os pais indígenas?

Responder

    Ricardo CP

    27 de outubro de 2011 às 17h21

    Até onde sei, índios não batem nos filhos. Há vários relatos disso na literatura. Índios não batem nos filhos. Ritual de iniciação doloroso é outra coisa, não há covardia ali. Por exemplo, o jovem índio tem que passar por um processo doloroso de picadas de abelhas. É cultural, mas não há institucionalização da covardia. Acho que esta é a grande diferença.

Joao

27 de outubro de 2011 às 14h39

gostaria de saber se esta doutora tem ou teve filhos. Se ela conseguiu com sucesso educa-los sem palmadas ou eles se tornaram pessoas sem limites, tipo daquelas que incomodam todos em volta?

Responder

    Yara

    28 de outubro de 2011 às 17h46

    Eu educo meu filho sem palmadas e ele é educadíssimo. Palmada é assinatura de descontrole de pais. Pode acontecer, mas não é algo senão isso: descontrole frente à criança.

Lucas Parente

27 de outubro de 2011 às 14h35

Meu Deus do céu!
Como se não bastasse a situação desoladora dos pais com medo de exercer autoridade sobre os seus filhos, ainda vem essa pregação contra uma simples palmada. Ainda não sou pai mas obviamente já fui criança e sei como uma boa palmada resolve certas situações. Quando criança eu simplesmente DETESTAVA a dieta para a minha anemia e hoje agradeço à minha mãe por, certas vezes, praticamente me forçar a engolir o bendito óleo de fígado de bacalhau, entre outras gororobas…
Abaixo a violência sempre!
E vida longa à palmada bem aplicada!

Responder

pedro

27 de outubro de 2011 às 14h05

criança tem que apanhar sim, uma cintada não traumatiza ninguém, tenho um primo que chegou um dia em casa e disse NÃO QUERO MAIS IR NA ESCOLA, os pais deixaram e ele parou de ir.

Quem quiser visita-lo é só avisar ele atualmente mora em um PRESIDIO.

Responder

Reinaldo Adepto

27 de outubro de 2011 às 13h58

Quem vos escreve é alguém que apanhou muito. De palmadas a cinto, fio de ferro e outros fios elétricos, sapato, chinelo e cabo de vassoura. Hoje, eu tenho filho e li muitos livros do psquiatra Içami Tiba. Planejei tudo antes do nascimento. Queria e achava possível criar meu filho conversando. Todavia, assim que ele começou a andar comecei a ver que teria problemas mais tarde. Um dia tive que rasgar — parcialmente — a cartilha (que é sempre muito boa e útil) e dei um palmada porque a conversa já não surtia mais efeito. Por causa dessa ditadura de que não se pode dar palmada fiquei com remorso por um bom tempo e ainda hoje é assim.
Não sei quanto às outras famílias, mas acho absolutamente normal e educativo se valer da conversa e esgotá-la, em seguida, se preciso, dar palmadas, e após, voltar a conversar e explicar o contexto em se chegou às palmadas. É indispensável, repito, conversar e esgotar as tentativas de explicar sobre o certo e errado, mas há momentos que são cruciais e decisivos. Ou você pune a criança e explica o que está acontecendo para ela ser punida ou terá um adulto sem educação e sem limites, como muitos moços que convivem conosco.
Como bem diz a autora do texto acima, a criança ainda não está formada. Permitir que faça as coisas de acordo com seu entendimento pode até representar um risco à vida dela e, mais tarde, de outrém. Por isso, se faz necessário em casos eventuais punir de maneira branda, controlada, e explicada. Se não ele será punido pelo Estado, na forma defendida por Emile Durkheim. Acho que essa é a dor maior.
Por isso rejeito as justificativas acima. O texto mistura um pouco experiências que não têm muito a ver com o contexto da educação familiar. Fala da progressão da palmada como se propaga sobre a escalada do vício. Quem já não ouviu a tese segundo a qual o sujeito começa com o álcool, vai para a maconha, cocaína, crack… Conheço gente que fica só no álcool. Outras que param na maconha, sem nunca terem provado álcool. Outras que se viciaram em cocaína e o "barato" delas é mesmo o da cocaína. Talvezs exista uma relação entre cocaína e crack, mas nem isso se pode generalizar.
Da mesma forma acontece com a educação. Os pais mais violentos, penso, já têm esse tipo de comportamento. A violência vai desencadear com o cônjuge ou com o filho em algum instante. Nesse caso, a pessoa, que precisa de tratamento psiquátrico ou psicológico, não representa o total dos pais pelo mundo. Meu filho hoje tem 9 anos e nesse tempo nunca, mas nem de longe, perdi o controle e descambei para um tipo de violência mais letal com o objetivo de corrigí-lo. Para nas palmadas e conversa.
Que a Evelyn Einstein me perdoe, mas vou discordar solenemente de sua teoria. Isso pode ser aplicável a algumas pessoas, mas como cada um é um ser diferente, aplicar ou não as palmadas (eu disse palmadas e não soco, pontapés, pauladas, etc) é um recurso que não pode ser abolido. Cabe aos pais ou tutores decidirem o momento que se faz necessária a aplicação.
A propósito das surras que levei, embora tenham sido bastante duras, eu não sou revoltado contra meus pais, que não conheciam outra forma de educação, não saí de casa cedo para perambular pelas ruas, nada disso. Sei que hoje as coisas, os estímulos são diferentes. Mas mal comparando, nos dias atuais meu pai seria denunciado, eu iria viver na Fundação Casa (Antiga Febem), meu destino incerto e nossa família estaria esfacelada. Não, eu não defendo o que meu pai fez comigo, por isso, não replico em meu filho. Mas sou absolutamente contra a extinção das palmadas.

Responder

    Ricardo CP

    27 de outubro de 2011 às 17h25

    Parabéns pela sua lucidez, meu caro!
    Abraços.

Valdeci Elias

27 de outubro de 2011 às 12h55

Um psicologo do conselho tutelar, ou um delegado de policia, vão continuar sua vida caso uma pessoa entre no crime, ou nas drogas. Já os pais não. Um filho perdido pras drogas ou pro crime, acaba com qualquer familia.
Conheço um caso de uma adolencente, que desobedecia os pais e chegava em casa a hora que quisesse e quando quisesse. Ao ser ameaçada de apanhar ou de ser expulsa de casa, prestou queixa na delegacia. O delegado informou aos pais que não podiam bater, e que eram obrigados a deixar a filha entrar em casa, ou seria abandono de menor.
Pouco tempo depois ela apareceu gravida. O delegado não mudou sua vida, por essa gravidez precoce. Já a familia da adolecente sim.

Responder

Leonardo

27 de outubro de 2011 às 12h42

No ano passado fui, com minha esposa, buscar no meio do ano os boletins escolares das minhas filhas ( 6 e 9 anos ), graças a Deus as minhas passaram. Espantou-me a colocação de uma mãe que, tendo a filha também passado, disse em alto e bom som para a menina ouvir: "E agora o que é que eu vou fazer com essa menina o mês todinho em casa?". Creio que é sobre isto de que tratam os comentários. Como alguém falou, também levei umas palmadas quando era menor e vejo que isto foi importante para que possamos hoje trilhar o caminho da responsabilidade. Há também os psicólogos que divulgam que é importante a colocação de limites como afirma o Içami Tiba. Não existe manual para educar os filhos mas se for utilizado o bom senso creio que todos teremos sucesso.

Responder

augusto

27 de outubro de 2011 às 11h27

Os pais que dão castigo violento hoje e pancadas fisicas com frequencia estão ficando escassos na sociedade brasileira. Ela devia saber disso. Em compensaçao os que nao colocam limites aos pequenos tiranos estão se tornando corriqueiramente frequentes…
Pergunte as professoras das escolas infantis como é isso…
Garanto que elas sabem muito bem.

Responder

M.S. Romares

27 de outubro de 2011 às 10h56

Hitler deve apanhado dia e noite e colocado de castigo todo santo dia ajoelhado em tampinhas de Crush.

Responder

João dos Reis

27 de outubro de 2011 às 10h46

Comecei a ler e tive que parar. É um desaforo ter que ler um texto como esse. "Mas o pior é que começa com uma “palmada” ou “palmatória” e vai se intensificando em atos e castigos cada vez mais violentos e humilhantes. " essa foi a gota d'água.
Meus pais sempre deram palmadas em mim e em meu irmão quando éramos crianças. Depois crescemos, nos tornamos homens de verdade, estudamos e agora trabalhamos, graças e muito às palmadas corretivas, que na verdade não machuvam, só corrigiam um comportamento errado. E com aquela palmada eu aprendi mesmo a crescer, ser educado, saber o que é certo e errado. É falta de boas palmadas que muitos delinquentes precisam, nada de murros, pontapé, olho roxo, braço quebrado como a Doutora aí dá a entender que seja as medidas corretivas dos pais.
Meu pai me dava palmadas, mas nunca foi violento comigo!

Responder

Rubens

27 de outubro de 2011 às 09h41

Crianças e adolescentes delinquentes usam e abusam do direito de não serem punidos pela lei, pois estão em fase de "formação". Que bonitinha essa história, não? Já está na hora dos parâmetros religiosos e pedagógicos do século XVIII serem abandonados. Não funciona, não dá certo, mas para inglês ver é uma maravilha. Demagogia no discurso da doutora não é espantoso. A maioria dos educadores vem com esse papo furado para cima da gente.

Responder

    miriam

    27 de outubro de 2011 às 10h06

    Apanhei quando criança sempre que fazia merda e todos os meus irmãos e primos também, não tem NENHUM traumatizado e todos respeitam muito os nossos pais que usaram a chinela em nossos traseiros sempre que foi preciso, não fomos espancados, fomos corrigidos e agradeço a meus pais pela inteligencia com que nos educaram. Psicologos ajudaram a criar essa geração de monstros que só tem direitos e nenhum dever, não podem se frustrar só podem ser felizes…ah vão pra casa do chapéu!

Aldir

27 de outubro de 2011 às 07h48

Eu não sei de onde essa doutora obteve esta conclusão de que todas as palmadas dadas pelos pais e mães enveredam por uma vertente de violência que se torna incontrolável. Ela deveria estudar mais e saber que punições impostas por genitores, em regra, tem componente educativa e servem de preparação para a vida.
Hoje li em um sitio por aqui que um menino de 3 anos agrediu a professora, que teve que chamar a polícia para lhe dar a correta contenção. E a avó reclamou, embora reconhecesse que seu neto tinha problemas de comportamento sérios. Eu ouso achar que umas boas palmadas teriam corrigido, ao menos, parte dos problemas.

Responder

Leandro

27 de outubro de 2011 às 02h18

O artigo e uma coletanea de opinioes da medica, baseados na experiencia da articulista. Nao e um artigo cientifico que proporcione base para concluir que a "palmada educativa" leva a uma escalada de violencia e, por final, geram pessoas frustradas, revoltadas ou violentas. A articulista tem todo o direito de recomendar o que bem entende, mas o raciocinio do artigo carece de mais profundidade para ser considerado realidade.

Mas eu vou fazer uma sugestao a medica: ao inves de se preocupar com o pai que da uma palmada no filho, que tal se preocupar com a aplicacao efetiva do ECA? Criancas pedindo esmolas nos farois, criancas em trabalho escravo, criancas sem acesso a educacao…que tal resolver estes problemas primeiro? Acho que sao problemas mais urgentes no Brasil.

Responder

    Lu_Witovisk

    27 de outubro de 2011 às 11h06

    Apoiado!! mas é muito mais fácil e "dá mais vista" publicar conselhos para as "mães de shoppings", que ficam muito preocupadas "e comentam até na academia que não sabem o que fazer com seus filhos".

    Leandro, criança pobre não dá IBOPE, criança pobre sofre na invisibilidade e (se dependerem de ações de doutoras como essa) continuarão como um "elemento desagradavel da paisagem".

Augusto G. Sperandio

27 de outubro de 2011 às 01h40

Achei o texto de uma total indigência intelectual. Classificar todo tipo de meio corretivo, como o EVENTUAL uso de uma palmada para estabelecer com clareza o comando da situação, como sendo inaceitável, de fato não reflete o conhecimento de todas as condicionantes do problema.
Me parece mais uma questão de modismo, ou representação de pensamento único, o que está havendo no momento. Estão criando um novo paradigma, provavelmente a partir de análises de casos deslocados do contexto mediano, e propondo solução única para situações díspares.
É INDISCUTÍVEL que o uso frequente, ou sistemático, dessa forma de disciplina é PREJUDICIAL, ALTAMENTE PREJUDICIAL. Não se questiona isso. Da mesma forma afirmar que o EVENTUAL uso de uma palmada é nocivo é um total absurdo. São os maniqueistas, SIM ou NÃO. Nada deve se pautar pelos extremos. Assim como deve prevalecer o velho e fora de moda BOM SENSO.
Que história é essa de "começa com uma “palmada” ou “palmatória” e vai se intensificando em atos e castigos cada vez mais violentos e humilhantes". Isso é forçação de barra. CLARO QUE ISSO SERIA INADMISSÍVEL
Seria o mesmo que dizermos que quem rouba um pacote de biscoito, por fome, é capaz de roubar um milhão, aliás, argumento defendido pelos reacionários.
Acho a proposta uma demonstração clara de falta de conhecimento de causa, seja ao nível pessoal, como da real situação da nossa sociedade.
Sem o maniqueismo, julgo também que uma boa palmada, planejada, e usada no momento certo tem um efeito fantástico no estabelecimento de limites, regras, respeito, consideração, amizade, e acima de tudo, DEMONSTRAÇÃO DE AMOR, para impedir, ou melhor, controlar, o maior problema atual com relação ao uso de drogas, assim como estabelecer o rumo a ser seguido.
A virtude nunca está nos extremos, nem tanto ao mar nem tanto à terra, AGRESSIVIDADE É INADMISSIVEL, assim como a PASSIVIDADE não conduz a bom termo.
Falsos profetas, falsos teóricos e FALSOS FILÓSOFOS sempre vão optar pela proposição mais simples. VIVER E SER RESPONSÁVEL NÃO É SIMPLES. Viver e ser consequente demanda trabalho, observação, análise, julgamento, e também ATITUDE. Não basta optar pelo fácil, simples, sem conhecimento de causa, e assim sair assinando receitas. O mais difícil é analisar, julgar o momento, ser consequente, e responsável. E para isso nada melhor que o BOM SENSO.
MENOS, MENOS, a vida é um equilíbrio. É uma falsidade imaginarmos que basta tolher recursos às vezes úteis, às vezes necessários.
Só espero que aqui não apareçam alguns de "visão curta", limitados, a criticarem, com qualificações do tipo "troll", pela sua pouca vivência.
Quando os limites não são bem estabelecidos no lar, a SOCIEDADE TERÁ QUE ESTABELECÊ-LOS no futuro. Aí a conta será mais cara, e também mais dolorida.
Soluções fáceis, SIM OU NÃO, totalmente permitido, totalmente proibido, tolerado, inaceitável, NÃO RESOLVEM.
Há necessidade de flexibilidade, análise e julgamento específico, MAS ISSO DÁ MAIS TRABALHO, É MAIS DIFÍCIL, MAS É O ÚNICO CAMINHO DE BONS RESULTADOS, e não será tolhendo recursos que conseguiremos melhorar, avançar, progredir socialmente.

Responder

    Lu_Witovisk

    27 de outubro de 2011 às 10h59

    Parabéns Augusto!!! Falou tudo!! :D

Elton

26 de outubro de 2011 às 21h08

Se toda criança do passado recente ou não, que levou palmadas algumas vezes (espaçadas) tivesse se tornado um "monstro" o mundo hoje não teria NINGUÉM que se salvasse…………creio ser uma visão radical da doutora, semelhante à de outros estudiosos da área, mas que de prático pouco possui. Não concordo com "surras sistemáticas' mas às vezes só o "diálogo" não supera tudo. A educação não se faz SÓ em casa pois a influência externa ao lar conta muito.

Responder

    Lu_Witovisk

    27 de outubro de 2011 às 10h55

    Isso ai Elton!! Umas palmadas qdo precisa torcem sim o pepino!! Gente, na minha época os petelecos de mamãe com o chinelo ficaram sim na memória, hj com 31, agradeço!! conheço muitos que nunca levaram palmadas e se tornaram adultos insuportáveis (não há nada mais patetico que adulto sem limite, sem noção). Esse crescente de violência so existe qdo os pais são psicopatas.. pessoas normais dão suas palmadas, sofrem até com elas. Crianças normais testam os limites direto e só diálogo não dá não, tem caso que peloamordedeus… eu lembro, de quando era criança, infernizar bastante só pra qdo minha mãe ia correr atras com o chinelo… so que hj as mães não tem mais tempo, então, tb não educam, so mimam…


Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.