Abaixo a TPM e os preconceitos!

por Conceição Lemes

Basta uma mulher mostrar-se nervosa, irritadiça ou explodir para quase automaticamente se ouvir no ambiente: 1) ela está “precisando” de homem; 2) ela está “naqueles” dias (referindo-se à menstruação); ou 3) ela está na TPM (tensão pré-menstrual).

Pois essas três frases são pejorativas, machistas, discriminadoras de gênero,  equivocadas. Chiliques não são exclusividade feminina, concorda? A síndrome da tensão pré-menstrual é um grande distúrbio ligado à menstruação. A TPM repercute em todo o organismo — física e emocionalmente. Atinge cerca de 40% das mulheres em idade reprodutiva.

“Enfim, é uma síndrome democrática”, ressalta a ginecologista e obstetra Fátima Duarte.

De fato, a TPM ocorre em todos os grupos sociais e faixas etárias, podendo se manifestar da primeira à última menstruação. Em geral, as queixas começam sete a dez dias antes da descida do sangue e melhoram durante ou logo depois. Juntando todos os sintomas já descritos na literatura médica, superam — pasme! — 150.

Porém, alguns são mais comuns. Nas esferas emocional e comportamental, diminuição de desejo sexual, mau humor, agressividade, depressão,
insônia, irritabilidade, ansiedade, fadiga, desânimo e falta de energia. Na área cognitiva, dificuldade de concentração e indecisão. Na física, inchaço das mamas e aumento de peso, em razão da retenção de água pelo organismo; dores musculares, nos seios, juntas, pernas,abdome e genitais; cefaleia; prisão de ventre; náusea e vômitos; e problemas de pele, como acne.

“Indubitavelmente, a TPM é uma doença da mulher moderna e está ligada à parte hormonal”, cientifica o ginecologista e professor Edmund
Chada Baracat, titular de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP.  Há inúmeras teorias a respeito, mas até agora não se sabe a sua causa. Uma das hipóteses é que a mulher sujeita à TPM fabricaria menos progesterona. Em consequência, haveria desequilíbrio de progesterona e estrogênio. Esse desbalanço, por sua vez, faria com que houvesse maior retenção de água no organismo.

Exercícios para todas

O fato é que, até agora, não há um tratamento medicamentoso único capaz de aliviar todos os sintomas da TPM. Vai depender de cada caso.

Mulheres com dores e inchaço nas mamas, por exemplo, melhoram comos diuréticos. Já as com depressão, com antidepressivos. Outras, com a associação de ambos. Muitas vezes o bloqueio da ovulação com contraceptivo
hormonal pode ser a solução. Suplementos de vitaminas B6  e E também podem ajudar. Converse com o seu médico a respeito.

“O importante é que a síndrome tem de melhorar”, fazem coro Fátima e Baracat, no livro Saúde — A hora é agora. Afinal, interfere muito na qualidade de vida. Por isso, eles recomendam a toda mulher com TPM estes quatro cuidados:

1) Exercite-se regularmente — A atividade física aumenta a fabricação de endorfinas (substâncias produzidas pelo cérebro e que têm efeito analgésico). A maior produção de endorfinas, por sua vez, melhora o nível de serotonina, aliviando depressão, irritabilidade e ansiedade.Escolha alguma atividade que lhe dê prazer. Além de amenizar a TPM, beneficia toda a saúde. Estimula inclusive a formação de massa óssea, evitando a osteoporose.

2) Evite chocolate, café, refrigerantes à base de cola e chá preto — Contêm cafeína e substâncias semelhantes, que aumentam a irritabilidade.

3) Diminua o sal — Isso faz o seu organismo reter menos água.

4) Reduza os enlatados e os embutidos (salsicha, presunto, salame e mortadela) — São ricos em cloreto de sódio, que é usado como conservante. Cloreto de sódio é o nome químico do sal de cozinha.

Detalhe: essas medidas ajudam tanto no tratamento quanto na prevenção da síndrome. Portanto, adote-as já. Abaixo a TPM e os preconceitos!

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