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Amnésia faz Estadão esquecer o Pibinho da Dilma; o que o candidato Meirelles esconde sobre a economia brasileira
Denúncias Falatório 23/04/2019 - 14h00

Amnésia faz Estadão esquecer o Pibinho da Dilma; o que o candidato Meirelles esconde sobre a economia brasileira


Por Luiz Carlos Azenha

Quase 100% das vagas geradas no setor privado neste ano foram informais, segundo análise do IBGE baseada nos dados extraídos da pesquisa Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (30) pelo instituto. Da Folha de S. Paulo

Da Redação

Os tuiteiros se divertiram nesta sexta-feira com o tratamento dado pelo Estadão ao Pibinho de Temer. O diário conservador paulistano esqueceu-se completamente de quando chamava de Pibinho um crescimento de 2,7% sob Dilma Rousseff.

Sinal dos tempos. Interessada ela própria nas ‘reformas’ de Temer, a mídia brasileira mente, distorce, omite e torce desesperadamente para que suas próprias previsões aconteçam.

Mas, o buraco é bem mais embaixo.

Fernando Brito, no Tijolaço, usou linguagem bem didática:

O que existe é uma “estabilidade no fundo do poço”, registrada pela alta de 0,1% do PIB medida no 3° trimestre pelo IBGE. Aliás, não é exagero dizer que o principal motor desta estabilidade da produção é a queda da inflação, mais do que qualquer outro fator. E uma queda fundada, essencialmente, no preço dos alimentos e na supervalorização da moeda nacional ante o dólar. Ambas, mais que precárias, tal como é precário o crescimento do emprego que não se faz com emprego, mas com bicos, biscates, “conta própria” e outras sobrevivências mais.

O pessoal do Diário do Capital foi mais fundo, já em outubro:

A Produção Industrial Brasileira Continua Caindo (E Se Contorcendo) No Fundo Do Poço

Jorge Arnaldo e José Martins, 04/10/2017, Diário do Capital

Os capitalistas nativos e estrangeiros que exploram a natureza e a classe trabalhadora no Brasil precisam desesperadamente que a maior economia do mundo abaixo do equador retome o crescimento.

E quando isso não acontece, eles trocam a realidade pelo desejo e pelas palavras vazias.

Como fez, recentemente, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sr. Robson Andrade.

Na sexta-feira, 31 de agosto, o digníssimo capitalista sergipano garantiu de pés juntos à opinião pública que a economia brasileira vai se recuperar no segundo semestre.

A mídia repercutiu sabujamente sua bula papal.

“Os números do primeiro trimestre foram desanimadores. Mas isso é passado”, afirmou o Sr. Andrade.

“Enfrentamos muitas dificuldades. Mas as políticas que o governo tem adotado, como a redução dos juros e as desonerações tributárias e da folha de pagamento, fazem parte de um plano para que a indústria brasileira se recupere”, destacou ele no portal da CNI.

Até ilusões acerca da realidade material servem para aliviar o pavor da crescente ingovernabilidade que neste momento atordoa os capitalistas no Brasil.

Entretanto, foram suficientes pouco mais de trintas dias para que as palavras vazias do presidente da CNI fossem desmentidas pelos fatos.

O IBGE resume de maneira insofismável esses fatos em seu relatório mensal da produção industrial brasileira, que acaba de publicar nesta quarta-feira (04/outubro/17). De acordo com suas próprias palavras que abrem o relatório:

“Em agosto de 2017, a produção industrial nacional mostrou redução de 0,8% frente ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, interrompendo, dessa forma, quatro meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumulou ganho de 3,3%. Na série sem ajuste sazonal, no confronto com igual mês do ano anterior, o total da indústria apontou crescimento de 4,0% em agosto de 2017, após também registrar taxas positivas em maio (4,5%), junho (0,9%) e julho (2,9%). No índice acumulado dos oito meses de 2017, o setor industrial assinalou acréscimo de 1,5%. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, com a variação negativa de 0,1% em agosto de 2017, prosseguiu com a redução no ritmo de queda iniciada em junho de 2016 (-9,7%)”. (IBGE Pesquisa Industrial Mensal Brasil, 03/Outubro/2017)

Voo de galinha. É com esse ímpeto que a indústria do Sr. Andrade pretende realizar grandes performances.

Já tratamos desta incapacidade produtiva dessa protoburguesia brasileira em recente boletim da Crítica da Economia.

Mostramos também que no resto do mundo, em repentino choque de expansão do comércio e da produção, todas as grandes economias (dominantes e dominadas) devem apresentar um quadro de forte reativação anual da produção industrial.

Na própria Argentina – que em 2016 apresentava o mesmo quadro depressivo do Brasil – as intempestivas previsões do mercado são que a sua produção industrial cresça de 8% a 10% em 2017.

Para o Brasil, as mesmas fontes preveem um crescimento industrial de 2,5% a 3%.

Lembre-se que essas taxas referem-se a uma base de comparação altamente deprimida no ano passado.

De todo modo, o mais importante destas curvas é a nítida tendência de elevação tangencial da indústria argentina e de inflexão estacionária da brasileira.

Mesmo que se realizem essas duvidosas previsões, isso não vai representar nenhuma coisa muito importante, nem para a Argentina, nem para o Brasil.

Nem a retomada do crescimento e nem mesmo a reutilização da gigantesca capacidade ociosa ainda não foram nem arranhadas nas duas infelizes economias do cone sul do fim do mundo.

Vejam a coisa como um processo mais amplo.

Em nosso recente boletim já citado acima, foi destacado que, em julho passado, a produção industrial brasileira encontrava-se 17,2% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013.

Agora, com os dados do relatório do IBGE divulgado em 03/outubro/2017, podemos calcular que a produção afundou um pouco mais, para 17,6% daquele nível recorde de junho de 2013.

Em linguagem bem popular: o buraco é muitas léguas mais embaixo do que se imagina.

Alguém poderia informar esses fatos reais para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para que ele tome um pouco mais de cuidado antes de falar besteiras acerca da situação atual e das perspectivas da economia brasileira.

Ou que pelo menos contrate economistas mais competentes para redigir seus discursos.

Leia também:

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