Jeferson Miola: Ameaças sincronizadas à reeleição do Lula

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O presidente Lula no lançamento de sua campanha à reeleição, no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo Foto: Ricardo Stuckert

Por Jeferson Miola, em seu blog

A estratégia golpista da extrema direita no STF com as manipulações de André Mendonça para impedir a reeleição de Lula e eleger Flávio Bolsonaro foi interceptada pelo contragolpe de Flávio Dino.

Apesar disso, no entanto, a dinâmica golpista não terminou; seus desdobramentos ainda são imprevisíveis, mas a reação a tempo deteve o curso dos acontecimentos antes que evoluíssem para um quadro irreversível e de consequências trágicas para nossa democracia.

Ainda que extremamente perigosa, esta não é a única ameaça à reeleição do presidente Lula. E ela se sincroniza com outras ameaças que, ainda que possam ter centros de comando distintos, confluem no objetivo comum de derrotar Lula, inclusive por meio de operações criminosas.

A ameaça do golpe no STF

Ao longo dos meses como relator que conduziu de modo enviesado os casos Master e INSS, André Mendonça conseguiu a proeza de fixar na opinião pública a ideia de que o governo Lula seria responsável pelos mega-escândalos de corrupção de bolsonaristas e aliados.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro desapareceram do noticiário produzido com vazamentos criminosos originados no gabinete de Mendonça. E Fábio Luís passou a ser citado pela mídia como uma espécie de “CEO da corrupção” no Brasil.

Especialistas em pesquisas avaliam que a atuação de Mendonça pode ter sido o fator relevante que influenciou as pesquisas eleitorais e reacendeu a expectativa de vitória do bloco anti-Lula, que então animou um movimento comum de atores econômicos, midiáticos e políticos –não só bolsonaristas, mas sob a liderança bolsonarista– que projetam se beneficiar com a derrota do Lula.

A ameaça com a interferência estrangeira

A eleição do Brasil ocupa o centro das prioridades da extrema direita internacional. Está havendo interferência direta dos EUA e de Israel no processo eleitoral com apoio interno de setores entreguistas e traidores que se apresentam como falsos patriotas.

A interferência se dá por meio de agências de inteligência, financiamentos clandestinos, ataques cibernéticos, “fazendas de robôs” etc. e não se descarta a possibilidade de que estrangeiros estejam atuando no território brasileiro a partir do Consulado dos EUA em São Paulo e da Embaixada em Brasília.

Alertas a esse respeito têm sido feitos com distintas ênfases e ângulos de abordagem por especialistas e analistas, e podem ser acessados em reportagens publicadas em portais de comunicação contra-hegemônicos.

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A Globo com o fantasma da corrupção

Nas entrevistas do Jornal Nacional, a Rede Globo surpreendeu até mesmo alguns dos seus comentaristas honestos com a conduta escandalosamente faccional que adotou nas entrevistas com Lula e Flávio Bolsonaro para produzir uma poderosa arma como peça de propaganda anti-Lula.

Os entrevistadores foram condescendentes com as contradições e mentiras do gângster-filho, mas emparedaram Lula sobre o tema da corrupção a partir de dados vazados pelo gabinete de André Mendonça com o objetivo nítido de excitar o imaginário popular antipetista com a falsa imputação de corrupção.

A primeira tentativa grotesca da Globo neste ano de ressuscitar o fantasma da corrupção contra o PT para exploração eleitoral foi em março, quando repetiu a gangue da Lava Jato e apresentou um organograma das “conexões de Daniel Vorcaro” que tinha a fotografia de Lula como personagem central, cercado de outras figuras ligadas a ele e ao PT.

A fabricação do fenômeno Augusto Cury

Não há consenso entre analistas sobre o crescimento súbito e exponencial das intenções de voto em Augusto Cury nas pesquisas.

É consensual, no entanto, que tal crescimento foi fortemente impulsionado através das redes sociais. Não se descarta a possibilidade de apoio operacional de Pablo Marçal, ativista pró-bolsonarista, e de mecanismos da extrema direita internacional nas plataformas com custos financeiros significativos não-rastreáveis.

O objetivo desta estratégia seria consolidar uma parcela expressiva de votos “independentes”, de eleitores “fora da polarização”, com valores e pautas mais associadas à direita para, no segundo turno, canalizar tais votos para Flávio Bolsonaro.

Flerte do PIB com Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro conseguiu estabelecer uma linha de diálogo com o PIB que se imaginava impossível, inclusive com empresários, banqueiros e rentistas supostamente refratários ao gângster, mas que passaram a se alentar com a possibilidade de vê-lo no Planalto.

As oligarquias dominantes são colonizadas, entreguistas e dilapidadoras, pensam unicamente no assalto desenfreado e desimpedido ao butim de Estado.

Essa escória não tem nenhum compromisso com um ideal de nação, igualdade e justiça social, e não hesitará em aderir à campanha do filho de Bolsonaro se ele se mostrar eleitoralmente viável, mesmo que isso represente jogar o país no precipício.

Desafios da campanha Lula para derrotar Trump, Bolsonaros e as oligarquias

De hoje a 4 de outubro serão os 24 dias mais decisivos e fundamentais da nossa história. A confluência de forças que militam pela derrota de Lula é poderosíssima, mas não invencível.

A campanha de Lula se multiplica em centenas de milhares de iniciativas militantes individuais e coletivas. E é multiplicada pelas quase duas mil candidaturas às Assembléias Legislativas, à Câmara e ao Senado.

Esse enorme contingente militante precisa ter como prioridade central ocupar o território de todo país, com metas de visitas do máximo de lares de brasileiros para conversar diretamente com a população para apresentar as realizações e propostas do quarto mandato de Lula, e para alertar sobre os riscos de um governo de bandidos que transformará o Brasil numa autocracia entregue aos Estados Unidos .

A eventual eleição de Flávio Bolsonaro significaria para o Brasil e para o povo brasileiro uma realidade infinitamente pior que o terrível mandato do pai dele com as cúpulas militares.

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