Por Gilberto Maringoni*, em perfil de rede social
HÁ UM ESPANTO em forma de exposição no centro de São Paulo. Melhor, há um espanto abrigado em outro espanto, que formam um ambiente estético singular.
O primeiro espanto é a exposição de 37 telas em grandes dimensões, produzidas por nos últimos 15 anos, entre Berlim – onde residiu por 36 anos – e São Paulo.
O SEGUNDO ESPANTO é o suporte dos trabalhos. Trata-se nada menos que uma jóia descoberta recentemente por Allan Ruiz, incorporador imobiliário, que adquiriu o palacete da rua Roberto Simonsen, 97, a 200 metros da praça da Sé.
Não tinha a menor ideia de que se tratava de um centenário edifício projetado por Ramos de Azevedo, autor do Theatro Municipal, da Casa das Rosas, da Pinacoteca e outros marcos arquitetônicos da capital paulista. O cenário de uma edificação quase em ruínas, que passará por ampla reforma, é o suporte apropriado para uma mostra chamada “Apocalipse”.
FLEMMING APRESENTA personagens transparentes e marcos da arquitetura mundial que se mantêm de pé em cenários semidestruídos. Por incrível que pareça, há uma estranha beleza em tensão com as imagens do caos.
As vigorosas pinceladas no segundo plano das obras contrastam com apurado detalhamento tanto nos personagens, quanto nos objetos em cena. Percebe-se muito de pop-arte e de estética de quadrinhos nas obras de um artista que transita de galerias para intervenções urbanas, como os grandes painéis da estação de metrô Sumaré, ou da biblioteca Mário de Andrade.
CONHECI ALEX FLEMMING em 1978 nos amplos vãos do prédio da FAU-USP, em meio à agitação dos anos finais da ditadura. Nenhum dos dois seguiu carreira na arquitetura. Ele ganhou o mundo, tornando-se um dos mais significativos artistas plásticos contemporâneos. Voltou de vez ao Brasil há poucos meses.
“Saí da Alemanha pelo fato da situação estar insuportável. Respira-se um clima de guerra aparentemente iminente”. O clima transparece em cada tela, em cada espanto dessa exibição imperdível.
CORRA! A exposição vai até 30 de agosto, das 11h às 16h. É “de grátis”!
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Alex Flemming e Gilberto Maringoni
Detalhe da exposição do artista plástico Alex Flemming. Foto: Gilberto Maringoni



*Gilberto Maringoni é jornalista e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC).
Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.
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